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19 abril 2018

Eu sou gostosa!


Na atual momento que todos enfrentamos, na luta para evoluir, cada um tem seu desafio material, porque é o principal, o norte do nosso futuro. Do que precisamos desapegar para evoluir de maneira menos dolorosa?

Essa tem sido uma pergunta muito complexa para as pessoas, no que estamos agarrados materialmente?

Passei meses trabalhando nisso, o que me segura materialmente nesta dimensão? Achei que era meu amor pela matéria, mas conversando com seres evoluídos percebi que não era o amor que estava me enforcando, mas o ódio quase secreto que mantive durante anos com meu corpo e nem era tão secreto assim.


Fui educada desde pequena para odiar meu corpo, desde o começo quando entrei ao ballet, tinha três anos e as professoras não escondiam a má vontade de ensinar uma menina ''gordinha'' que jamais seria bailarina. Parece que rezavam para que eu faltassem as apresentações, porque estragava seu quadro perfeito, as meninas pequenas e magras sempre ficavam na frente.


Dali em diante tudo foi cimentando esse ódio, a adolescência em um grupo de meninas magras, o erro ou acerto, não sei, de entrar ao teatro com dezesseis anos e enfrentar outra realidade, que ainda não tinha consciência, não existem atrizes gordas e jovens, e isso seria jogado na minha cara durante anos.


Os relacionamentos abusivos que tive, com misóginos, enrustidos, que lidavam mal com o corpo feminino, até porque nem era o gosto deles. O isolamento no consumo, não existiam roupas do meu tamanho.


E todos os julgamentos que vieram com o peso, me diziam que não tinha disciplina, não era constante, não era dedicada, porque pessoas focadas emagrecem, quem é gordo é folgado e sedentário.


Foram tantos anos aprendendo a me odiar que mesmo em épocas que estava mais magra eu não reconhecia meu corpo, parece que era sempre o mesmo peso.


Não lembro de ofensas ao meu caráter, nem maneira de ser, quando queriam me ofender usavam o peso, tudo parecia culpa do peso, a falta de namorado, a falta de trabalho, a falta de amor própio.


Todos os meus fracassos eram culpa do peso. E não tinha como ser diferente, criei um poço de ódio, me anulei durante anos, no fundo me sentia incompetente, pensava que se tivesse disciplina aguentaria passar fome e poderia ter uma vida normal.


E esqueci o assunto, até começar a separar os pontos que me dividem de onde estou para onde quero chegar, o que acelera ou atrasa minha evolução e esbarrei com isso, o ódio do meu corpo.
Me recomendaram o melhor tratamento espiritual que existe, funciona até nesses casos extremos, de auto-ódio, era necessário apenas trabalhar a aceitação.


É isso. Aceitação. Aceitação. Cheguei ao mundo com esse corpo ou ele se formou ao longo do caminho, não sei, mas é o que tem para hoje. É o que sou. E eu aceito. E não é aceitar o presente, é aceitar um passado que não posso mudar. Aceitar as oportunidades profissionais que perdi porque não consegui perder trinta quilos em dez minutos. É aceitar o que aconteceu. Aceitar que não eu não sabia o que era gordofobia e não soube me posicionar. Aceitar que deveria ter me aceito desde o começo. 


Trabalho aceitação todos os dias, a parte mais dura é aceitar o passado. O presente não me afeta mais, levou anos mais entrei no jogo de ''vocês não me querem? Agora quem não quer sou eu''.


São meses trabalhando a aceitação, aceitando minhas decisões, meu corpo, o que errei, o que acertei. E não mudou meu peso, não emagreci, nem engordei, não é uma receita mágica.


Mas trabalhar duro sempre traz alguma recompensa, depois de meses comecei a reparar uma coisa que não tinha reparado: meu Deus, eu sou gostosa! Eu nunca fui gostosa, mas agora estou gostosa! Tenho o mesmo peso que tinha antes de começar, mas agora estou gostosa!


Aceito que perdi tempo, mergulhei no ódio que me impuseram, cresci em um mundo cruel, mas a aceitação leva a portas que se abrem e nos mostram a realidade.

Aprendi como é fácil aceitar as mentiras em relação ao nosso corpo e duvidar da verdade, aceitar a verdade: eu sou gostosa.

Iara De Dupont

2 comentários:

Mônica disse...

Olá, Iarinha! É bem assim mesmo. Os meus parentes (não considero mais família!) da parte materna, convenceram-me que era feia e gorda! E na época pesava menos de 60 KG e tinha manequim 38/40, mas sempre tive pernas e bumbum, um tipico corpo de nós brasileiras...rs, mas na época eu não sabia e apesar de ter uma mãe super bacana e companheira, o assédio era tão forte que eu sucumbi, acreditei. Eu sei o que é isso, é um verdadeiro ataque, tudo emocionalmente muito forte.
Hoje, mais madura e infelizmente fora do peso sim, mas me cuidando para emagrecer um pouco, até por questões de saúde, percebi que algumas pessoas não sabem lidar com as próprias frustrações e fazem de nós verdadeiros "Para-raios" das angustias delas. Solução que encontrei: Distância Saudável dessas pessoas! Elas me atrapalharam muito!! Muito mesmo! É impressionante o poder das palavras. O que mais me choca é que foram pessoas adultas, parentes literalmente atacando uma criança, depois uma adolescente e se eu ficasse perto agora seria atacando uma mulher adulta, madura, claro de forma mais sutil, mas ainda extremamente dolorosa! Somos gostosas sim! Poderosas sim! E temos todo o direito de ser feliz! A gente tem se afastar de quem quer fazer da auto-estima dos outros um "porto seguro" para as próprias frustrações! Como sempre, ótimo Post!

Cristina disse...

Gente que não vive preocupada em se encaixar em padrões alheios e não raro impossíveis de se alcançar tem tempo demais pra ver as coisas que estão erradas no mundo, denunciá-las, tentar muda-las e causar muita dor de cabeça a quem ganha rios de dinheiro com o que está errado...

E Iara, acho que eu nunca pensei em dizer isso (nem sei por quê), mas você é uma das mulheres mais bonitas que já conheci. Linda e única na sua boniteza, ao contrário daquele povo todo padronizado (homens e mulheres) que tentam nos vender como exemplo de beleza e acaba mais parecendo um filme de terror, todo mundo com a mesma cara. E você é ainda mais linda justamente por ser linda do seu jeito particular. Ô anta que eu sou, devia ter dito isso antes... desculpe a minha falha. :p

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