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11 julho 2017

Sem explicações



Nasci nos anos setenta e cresci no auge de uma nova ''pedagogia'', que incentivava os pais a conversarem com os filhos e respeitarem suas decisões.

Meus pais acreditaram nisso, foram ingênuos ao pensar que crianças ''sabem'' o que querem e podem verbalizar isso com perfeição. Assim fui educada, como se fosse um adulto em miniatura ou uma anã. Tudo que eu dizia ''sim'' ou ''não'', meus pais me pediam longas explicações, como se eu pudesse no alto dos meus seis anos me expressar como Platão.

Mas me acostumei a isso e meu cérebro correu atrás da ideia, comecei a falar cedo e sempre mostrei um bom vocabulário.

Verbalizei a vida inteira, até que percebi o óbvio: não adianta me pedir explicações se nem eu sei o que está acontecendo.

Nunca me dei esse direito, de dizer ''não sei''. Tentei explicar a ex-namorados porque queria sair dos relacionamentos, a chefes porque largava o trabalho, a diretores porque estava indo embora, mas na realidade aquilo era uma cortina de fumaça, porque nem eu sabia sempre o que estava acontecendo.

Levei anos para entender que eu precisava respeitar duas coisas na minha vida, uma era o fato de não ter uma explicação e a outra era não ter que dar nenhuma explicação, não importa se sei ou não, eu não devo explicações. 

E então comecei a perceber como o mundo era maior do que isso, e não eram apenas os rastros de uma educação pedagogicamente falida, mas a questão espiritual, meu direito de não tentar ter uma explicação diante das coisas que me acontecem.

Parece instável, mas é só um ser humano sendo ser humano, o direito de se levantar e dizer ''vou embora''.

Mas precisa explicar! Será que precisa mesmo?

Quantas vezes chorei pela mesma situação, homens que sumiam da minha vida sem nenhuma explicação, mas alguns séculos depois percebi que não era preciso dar essa explicação, a situação em si se explicava.

Olhando para trás me pergunto, que vantagem teria sido escutar uma explicação mentirosa? Teria trazido alívio para a dor? E por que acreditar que as pessoas têm explicação para tudo, se eu não tenho? E por que perder o tempo com explicações, se no fundo sabemos mais do que pensamos e sentimos mais do que aceitamos?

É um direito espiritual que temos e não usamos, o de levantar da mesa e ir embora sem dizer nada.

Ah, mas quantas pessoas podemos magoar? Muitas.
Mas que explicação damos diante do inexplicável em nossas vidas? Será que sabemos e podemos explicar nossas ações?

Perdi tempo e energia inventando explicações que não existiam, verbalizando o invisível, desenhando sombras.

É terrível se levantar e ir embora sem dar explicações, é ruim estar no lugar de quem faz isso ou quem está ali vivendo a situação, mas as coisas acontecem, o ser humano é imprevisível e explicações nem sempre são bem vindas.

Nem mil verbos podem explicar a alma humana e seus movimentos, nem mil frases decifram o que sentimos, muito menos explicam o porquê de nossas ações.

E pode parecer cruel, mas é honesto dizer que não vai dar explicações porque não sabe explicar. Ponto. É simples assim.


Iara De Dupont


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