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14 setembro 2016

Cada uma com suas escolhas (dá licença?)


Há um tempo escutei uma frase de uma pessoa da família ''fácil ser feminista assim, queria ver se tivesse as responsabilidades que eu tenho''.

Bom, assunto delicado, mas até hoje meu favorito, o que é ''assumir responsabilidades''?

Tenho escutado bastante sobre isso, já me disseram mil vezes ''é fácil dizer isso ou aquilo, queria ver no meu lugar'', ''é fácil escrever isso ou aquilo, queria ver no meu lugar''.

Me resisti a falar sobre o assunto, pelo tédio que me invade, mas para mim a resposta é simples: assumam a responsabilidade de suas vidas antes de falar da minha, ponto.

É apenas isso, não comparem minha vida, que não conhecem, com a de pessoas que não assumem suas responsabilidades.

A questão aqui é a seguinte: meu primo se casou e sua mulher trabalha mil horas por dia, ele é homem, encostado,  faz o minímo, é autônomo e evita trabalhar, não gosta.

Sua mulher diz pelos corredores da vida familiar que é muito fácil ''aquela tua prima Iara, manter o discursinho feminista dela, sem uma vida real, daquele jeito que vive, até eu''.

Pois é, vamos desmontar o ''discursinho''.

Já me falaram ''você pode dizer isso ou aquilo porque é independente''.

Na verdade? Não sou tão independente, se fosse nem moraria no Brasil, já teria sumido no mundo. Mas o que muitas pensam que é independência tem para mim outro nome: EU NÃO SUSTENTO MACHO.

Essa é a diferença entre a mulher do meu primo e eu, cada uma com suas escolhas, fiz as minhas, e ela as suas, estamos as duas felizes assim.

Canso de ver mulheres que trabalham me jogando na cara de que posso ser feminista porque sou independente, mas muitas ganham mais do que eu, por que então elas não são independentes? PORQUE SUSTENTAM MACHO.

É apenas isso, independente quase todas nós somos, já escrevi mil vezes sobre essas histórias, tenho uma amiga que faz bolos em casa e ganha mais do que o marido, mas reclama que não é independente.

Claro que não! Joga todo o dinheiro ali, para sustentar o macho, como vai ser independente?

A esposa do meu primo ganha pelo menos cinco vezes mais do que eu, mas o que aconteceu que ela chora pelos cantos dizendo que não é independente?

Meu primo é classe média, se apaixonaram e resolveram alugar um apartamento. A mãe dela ofereceu que o casal morasse em sua casa, até pelo menos dar entrada em um apartamento, minha tia mora em uma casa grande e sugeriu dividir a casa, para que o casal não começasse a vida pagando aluguel, mas meu primo recusou, como todas as pessoas da classe média é cheio de complexos, disse que poderia pagar um aluguel e sustentar sua família, se fosse pobre teria sido mais prático e aceito pelo menos o convite de morar com sua mãe, mas como classe média resistiu em dar o braço a torcer.

Mas ele é vendedor autônomo! A mulher até tentou fazer com que mudasse de ideia, mas ele resistiu.

As vendas caíram e adivinha quem paga o aluguel agora?

E vem essa pessoa me dizer que meu ''discursinho é balela de uma pessoa sem responsabilidades''?

Filha, eu escolhi não ter essa responsabilidade de sustentar macho!

Se eu tiver que pagar aluguel vai ser decisão minha, não porque o macho não quer trabalhar mais!

Já morei com namorado, já fui explorada, já fiz as contas, sei como é. Macho custa dinheiro e muito, por isso resolvi não ter, ficou mais fácil minha vida e muito mais econômica, além disso é divertido pensar em meus sonhos e não nos sonhos alheios, recomendo bastante essa parte.

Uma amiga também viveu essa experiência, sempre reclamando de que ganhava pouco e que eu falava em independência porque não levava vida de adulto e tal. Mas o casamento naufragou, ela se separou e assistindo um programa de televisão americano resolveu começar uma nova vida, cortou os gastos, se mudou para um quarto de pensão e em menos de dois anos deu entrada para seu apartamento.
Ficou chocada quando descobriu o quanto seu dinheiro rendia, antes não dava para nada, mas é que ela estava casada e seu marido não completava as contas, ela pagava quase tudo. Sem marido conseguiu administrar seu dinheiro, dar a volta por cima e sentir a independência, aquela que tinha desde os doze anos, idade que começou a trabalhar, mas nunca sentiu essa sensação porque começou colocando dinheiro em casa, depois se casou e o dinheiro foi pelo ralo.

Não digo que apenas as solteiras podem ser independentes, mas falo o que já disse aqui milhões de vezes, se o sonho é ter um macho, preparem o bolso, eles custam, tiram o dinheiro e sugam o tempo.

Desafio qualquer mulher que seja casada a fazer as contas, ver o quanto ganha em seu emprego e quanto gasta em casa. Muitas se envolvem na situação com o marido, depois com os filhos e acabam se enroscando, mas não podem dizer que não são independentes, são porque ganham seu dinheiro, mas ele é colocado apenas em uma área.

Já vi situações muito estranhas, tenho uma conhecida que faz uns enfeites para bolos de casamento, mas ela diz que faz ''só pra tirar um troco'', porque o marido trabalha e ela cuida das crianças. Um dia me comentou que não podia comprar nada para ela, o dinheiro do marido era pouco e o que ela ganha coloca nas necessidades das crianças.

Como ela mora perto de mim e sabe que conheço os supermercados, de vez em quando me manda uma mensagem perguntando sobre preços, mas a maioria das vezes não sei os preços, porque ela compra coisas para os filhos que eu não como. Conversando com ela me disse que fica com ''pena'' de dizer não as crianças, então compra umas ''besteirinhas''. 
Uma vez estávamos comparando preços de notas fiscais, fiquei chocada com a quantidade de dinheiro que ela gasta com os filhos e ela me disse ''ah, é só o que eu tiro das minhas coisinhas de artesanato''.

Coisinhas de artesanato? Era dinheiro pra caramba!

A mistura é explosiva, a falta de autoestima da mulher, a conversa mole dos homens, as necessidades econômicas da familia, a pressão para cobrir as besteiras dos machos, tudo leva a mulher a pensar que ela não é independente e não pode ser feminista, porque não ganha dinheiro suficiente para isso.

É hora de rever a questão, começar a fazer sua contas, ver o quanto coloca em casa e perceber que é independente sim, mas fez outra escolha. E insisto, não conheço mulheres que não trabalham, minha vizinha é dona de casa e trabalha mais do que escrava, então essa categoria de ''mulheres que não trabalham'' só existe em círculos econômicos muito altos.

Todas somos livres para fazer nossas escolhas, mas é chato esse choro, ficar dizendo que eu posso falar isso ou aquilo porque sou independente e essa não é a realidade de todas, não é mesmo, mas assim como a maioria eu escolhi uma coisa, já passei dos trinta e cinco anos faz tempo, decidi que não queria passar a vida como as mulheres da minha família, sendo drenadas por machos e sustentando seus sonhos lunáticos.
Eu pago o preço da minha escolha, assim como as casadas pagam o dela, todas pagamos.

E nem sempre nível social tem a influência que parece ter, muitos vão dizer que meninas de classe baixa são mais pressionadas para o casamento, têm menos acesso aos estudos, são empurradas logo ao mercado de trabalho, engravidam porque não podem pagar as pílulas, as consultas com médicos no sistema público de saúde demoram, enfim, tudo isso é verdade, facilita que essas meninas sejam jogadas para uma vida que não querem ter, mas já conheci várias que bateram o pé, decidiram não se casar, pegaram seus filhos e foram fazer sua vida. E um dia vão descobrir que isso é mais econômico do que ter um macho, não importa se ganham pouco, mas são elas que administram seu dinheiro, sem machos por perto.

Há muitos anos conheci uma moça que fazia a limpeza na casa de uma amiga, ela me contou uma história que só entendi anos depois.
Me disse que engravidou de um namorado, o rapaz foi embora e ela continuou morando com sua mãe, sem recursos e sem estudos, foi fazer faxinas.
Algum tempo depois conheceu outro rapaz, resolveram se casar, alugaram um casa e de repente ela diz que o dinheiro dela desaparecia, não sabia mais o que fazer, trabalhava, trabalhava, mas o dinheiro não dava mais para nada, culpa dessa economia maluca.
Mas não é? Enquanto vivia com sua mãe, as coisas iam, mas depois de se casar o dinheiro acabava logo. Nem preciso dizer quem trabalhava mais.

Ah, mas é errado querer casar e ter filhos? 
Não, mas isso tem um custo e pode durar anos, machos custam dinheiro e ainda escravizam a mulher, não é minha culpa se muitas escolhem esse caminho, me parece que já é hora de acordar e parar de estar dizendo que não são independentes e que meu discurso é fácil porque não tenho responsabilidades na vida.

Não tenho mesmo, se isso inclui sustentar macho, eu passo batido.

E nem penso no dinheiro que já gastei sustentando macho, meu discurso não é feito na teoria, foi na prática, quando fui explorada e levei anos para acordar.

Também fui drogada com essas teorias de ''os sonhos dos dois'', ''a casa é dos dois'', ''vida em comum com quem amamos é maravilhoso'', ''quem se importa com o dinheiro se temos amor'', ''ainda bem que eu posso ajudar Romeu com as contas'', ''o meu dinheiro é dele'', ''o que importa é estar com ele'', ''dinheiro é para isso, para gastar com quem amamos''.

A pior parte da história? Nenhum Romeu vale um centavo investido nele.

Volto a mesma linha, querem colocar todo seu dinheiro nos filhos? É vontade divina, eles não pediram para nascer e merecem o melhor dos pais, me parece justo.

Quer jogar todo teu dinheiro no macho? Não tem retorno, nem agradecimento.

Esse sonho de amor custa muito dinheiro, talvez se eu tivesse milhões bancaria um macho, não sei, mas no momento não quero mais isso. 

Independência é dizer ''quero fazer tal coisa com meu dinheiro'', seja pagar um quarto de pensão, seja sustentar um macho, a escolha é pessoal.

Mas cuidado com ganhar seu dinheiro, jogar na casa e dizer que não é independente, que não tem como bancar seu feminismo.

Não confundam feminismo com ser otária, mesmo sendo uma escolha sustentar macho, ainda me parece a pior de todas.

Tenho uma vida igual a milhões de mulheres, muitas vezes as pessoas pensam que se você não é casada e tem um bom trabalho, passa a noite em bares finos, bebendo drinks fantásticos e se deitando com homens maravilhosos. Isso realmente acontece, mas nos filmes.

Eu assumo minha vida, mas antes de que venham falar do meu discurso, assumam as escolhas que fizeram, ninguém é inocente, não estamos mais em tempos de acreditar que ''casais são felizes para sempre e isso não custa dinheiro''.

Posso falar sobre minha experiência? A melhor coisa que fiz na vida foi aprender a respeitar o dinheiro, que nunca me abandonou, nem me traiu, ao contrário dos machos que cruzaram meu caminho. Quando precisei foi o dinheiro que me deu sua mão, ao contrário dos machos que me deixaram sozinha.

Aprendi nesta vida que tudo é a companhia certa, têm mulheres que preferem machos, eu prefiro dinheiro, têm mulheres que gostam de sustentar machos, eu gosto de me sustentar, cada uma sabe.

Não sei da vida alheia, mas na minha os machos não valem um centavo, não valem a pizza que eu divido.

E quando eu grito ''independência ou morte'' muita gente acha que estou falando de dinheiro, mas na verdade estou falando sobre o dia que acordei e resolvi que jamais um homem voltaria a me tirar um centavo.


Iara De Dupont

10 comentários:

Anônimo disse...

Então moça foi o quem fiz o comentário, posso te responder pessoalmente para onde vai o meu dinheiro: Para minha mãe que meu pai largou e deixou tudo para a amante, ela teve uma grave depressão e nunca mais quis trabalhar, largou tudo.
Conheço meninas em comunidades carentes que trabalham desde os 14 para ajudar as mães, nem todas engravidam mas boa parte não estuda pq o primeiro salário delas é pra dar de comer aos irmãos.
Olha não estou julgando seus textos, jamais me identifico com muitos mas dessa vez nem tudo se resume a "macho", eu tenho primas e tias que levam familias nas costas e não "machos", são pais irresponsáveis, irmãos especiais, nem tudo se resume a homem quando o assunto é feminismo e desigualdade. Grande abraço. Espero que repense.

Anônimo disse...

Entendo toda sua crítica a exploração feminina tanto da que trabalha fora, tanto da que trabalha em casa, so que nem tudo se resume a mulher casada/mulher solteira.
Tem mulher casada que sustenta os pais, tem mulher solteira que leva o mantimento para os irmãos mais novos, entendo que você vivenciou mta mulher sendo explorada financeiramente, eu tbm, só que sim além disso mulheres tbm sustentam parentes enfim, mulheres deixam de ser "independentes" por n motivos, além do machismo... É algo muito amplo pra restringir a: você nao tem dinheiro pq ajuda macho, não moça nem sempre, nunca "dei" dinheiro pra "macho" mas isso não impediu de eu ter que ajudar outros pessoas do meu núcleo familiar. Sou otária tbm? Devo ser...

C.Belo disse...

Querido(a) anônimo(a):

Vc quis contestar a Iara ou corroborar com os argumentos dela? Fiquei na dúvida pq quando vc disse ue seu dinheiro vai todo pra sua mãe abandonada pelo seu pai, bem, ao que me consta seu pai é um MACHO, não é? Então infelizmente VOCÊ pode não ter feito a escolha de sustentar um macho, mas sua mãe fez e hoje é vc quem está pagando o pato. Quando é que uma mulher sustenta macho? quando ela assume que é ela a responsável por prover as necessidades do lar e das crianças, eximindo o marido desse dever e confiando cegamente nele quando ele diz que "não sobrou grana pq ele já paga as demais contas", sendo que ambos (lar e filhos) são responsabilidades tanto do homem quanto da mulher. Lamento que seu pai tenha sido tão babaca, e lamento mais ainda que sua mãe tenha feito a escolha de confiar nele, mas para ela nós temos o dever de dar um desconto, afinal, ela não teve tanto acesso a informação e ao feminismo cmo nós estamos tendo.

Anônimo disse...

Engraçado, eu li o texto todo e só entendi que ela está falando de uma situação específica: mulheres que são exploradas pelos seus parceiros E que reclamam que é fácil ser feminista sem "ter responsabilidades".
Muita gente tá na merda desse momento no Brasil e no mundo. A crise pegou muita gente. E gente ganhando menos do que precisa pra sobreviver e tendo que ajudar outras pessoas não é novidade. Não vi a Iara falando um A dessas pessoas. Ela está falando daquela situação específica que eu coloquei ali em cima.
Eu compartilho a posição da Iara, mas compartilho tanto. Hoje TODAS as minhas amigas que eu conheço estão sendo exploradas pelos seus parceiros financeiramente. Tem uma que é monitora (cuida de crianças deficientes em escola pública- troca fralda, limpa baba, ajuda a levantar, deitar). Ela ganha menos de 4,5 mil. Paga a parcela do apartamento e todas as contas da casa. Além disso, se o marido dela precisa de cueca, é ela que tem que dar o dinheiro pra comprar. Enquanto isso, ele toca em bares (sonha em ser músico) e estuda pra concurso. Ele quer ser juiz e só faz prova pra juiz. O engraçado é que ele nunca se inscreveu pra um concurso de juiz, nem pra manter a fachada. A outra é procuradora. Casou com um engenheiro que foi demitido pouco antes deles se casarem. Estão casados há mais de 3 anos, ela está grávida. Ele ainda não arrumou um emprego (engenheiro, 3 anos desempregado). Agora ele está esperando a herança da família dele, como se isso fosse garantir renda mensal pra pagar as contas. Só vou citar esses dois.
Nem desses casos da minhas amigas é o ponto do texto, afinal minhas amigas não reclamam de mulheres feministas que podem falar o que querem porque "não tem responsabilidades". Realmente procurando pêlo em ovo. Interpretação é bom e eu gosto!

clarissa disse...

Oi Iara, QUE SAUDADES DE VOCÊ!!
Bom, lá venho eu com o outro lado, eu sou casada, mãe de 2 meninas, trabalho e ganho tanto quanto o meu marido. Aqui em casa as contas são divididas irmãmente. Ele paga prestação da casa, o carro dele, o inglês e o ballet das gurias e o supermercado. Eu pago água, luz, telefone, net, escola e plano de saúde (dos 4),e a empregada. O resto a gente vai dividindo, tipo, ele tá fazendo uma especialização em São Paulo 2x/mês, ele paga. Eu fiz 1 semestre de direito, pra me divertir com algo diferente, ele topou, incentivou e pagou, eu não gostei, larguei, ele não deu um pio. Ele fez um curso o ano passado, a mensalidade caía no dia que eu recebia, botei débito na minha conta. Eu queria largar o consultório que não me dava dinheiro, ele pagou as despesas por 1 ano pra eu insistir. Eu paguei parte do crédito educativo dele numa época que ganhava mais, ele me bancou quando minha renda caiu muito porque fui fazer outra residência e tivemos outro bebê tudo-ao-mesmo-tempo. É claro que com o que eu ganho dá pra viver bem sozinha com as crianças, que se ele não bancasse a parte dele eu poderia bancar, mas nós sempre conversamos sobre isso. E faço parte do grupo dos provedores do lar, ele também. Precisamos de alguém pra limpar a casa e ajudar com as crianças porque senão vamos dispender muito tempo nisso e usamos esse tempo pra trabalhar. Contratamos uma pessoa. Já tivemos 2 quando eu tive bebê. o Manoel levava a minha filha mais velha pro consultório dele e para o posto de saúde quando eu tava de plantão e não tínhamos com quem deixar. Ela ia todas as tardes com ele para o consultório dos 4 aos 10 meses, tadinha.Fizemos uma reforma, eu paguei o gesso, ele os vidros, eu a tinta ele o pintor; ele queria uma mesa de sinuca e uma cervejeira, eu queria uma biblioteca e um fogão a lenha e todo mundo fez o que queria, sem drama. Eu acredito que as pessoas não conversam, não chegam para o cara e falam: olha aqui, meu camarada, bora trabalhar que não tá fácil pra ninguém. Você pode ter um marido, mas sustentar homem adulto é optativo... Eu não sustento homem nenhum! Nem peciso de ninguém que me sustente... Criança precisa de roupa? esse mês um paga, no outro o outro paga. Sogra precisa de grana? tudo contigo, fofo! Mas foi tudo conversado, dividido. Eu nunca explorei nem me senti explorada.Acho que a atitude tem que partir de quem se sente mal. Ora pois, estudar pra concurso 3 anos e não fazer nenhum! Pelamor... Foge que é cilada, Bino! Bjo

Anônimo disse...

Clarissa,

Parabens, seu caso é exceção, até as mulheres que são " sustentadas " são exploradas, pois trabalham ,levam a fama de que não trabalham e ainda por cima na maioria das vezes abre mão dos seus sonhos. A Iara usou o termo sustentar macho ( tem que ser assim mesmo pra ser claro haha ) mas podemos também observar de quantos sonhos as mulheres abrem mão em favor do marido, imagine se todas as mulheres pararem para refletir sobre seus sonhos, uma viagem, um curso, uma aventura radical, um retiro de silencio que seja, não existem sonhos menos ou mais importantes, existem sonhos, talvez aí sim todas nós ou quase todas porque deve haver exceções por ai , chegaríamos a conclusão de que sao nossas escolhas que ferram com nossa vida sim, e depois nao adianta colocar a culpa no outro.

Anna Lara

Patricia Gabriel disse...

Iara,gosto muito de tua sinceridade,e me vejo muito em teus textos,mas existe uma ponta que incomoda:é que não dá para exigir que todas usem do mesmo grau de feminismo quando estão oprimidas a tal ponto que nem as necessidades básicas são supridas;não dá para convidar a lutar de um mesmo lado quem está sem educação,e vive na opressão.E eu não falo de qualquer opressão,como levar olhadelas furtivas e ter que atravessar de calçada,ou brigar com o romeu para ver quem paga a conta:falo de casos absurdos,que escondem no medo e na vergonha homens e mulheres.Falo de mulher que,desde menor de idade,é prostituída,tem uma filha do próprio pai,e ainda trabalha para sustentar todo mundo em casa porque senão o bicho pega,de mulher que não pode denunciar o maltrato que sofre,enfim,eu poderia falar por milhões!Meu irmão é homem,mas quando as mulheres-irmãs saíram de casa(eu pra sustentar macho desempregado)ele assumiu a minha mãe e meu irmão cadeirante,porque nosso pai nos abandonou.Esta já é uma situação de vinte anos,e meu irmão nem teve escolha,e ele é homem!São situações que beiram o absurdo,estou falando de min ha família,mas existem casos cabeludos por aí,que fazem a gente querer se envergonha r de dizer que tem problemas na vida...

Iara De Dupont disse...

Patricia, te agradeço o comentário e lamento que este texto tenha incomodado tanto, mas volto a um ponto: eu escrevo sobre minhas experiências e visão da vida, logo seria impossível e mentiroso da minha parte dizer que represento a todas ou escrevo sobre todas.
E nunca exigi nada de ninguém, apenas falo sobre decisões que tive na vida e suas consequências.
Eu não represento nenhum grupo feminista, nem coletivo, inclusive na maioria deles nem sou considerada feminista porque o blog é pessoal e muda constantemente de assunto, não posto links nem divulgo palestras, a maioria das blogueiras feministas que conheço reconhecem meu blog, mas não pensam nele como meio de divulgação do feminismo.
Enfim, ninguém é obrigado a se identificar com o que escrevo e não falo sobre experiências comparativas, falo sobre o que conheço e se isso parece chato ou fora da realidade, bom, é minha vida né?

Marcela Zaidan disse...

Eu te falo, Iara. Tem sempre uma feminista cassando a carteirinha de feminista de uma outra feminista.

Fácil não está...

Eu já desisti.

Patricia Gabriel disse...

Ok,Iara,entendi,sei que seu blog não é feminista,mas quis também expôs este lado,que alguns não tem escolha,e nem sempre são mulheres,mas estão no grupo de oprimidos...não digo que incomodou tanto,apenas um pouco,mas voce deve continuar a ser voce,e viver tua vida,eu sempre me identifico com os textos,gosto mesmo de ler,e alguns,eu me admiro muito das histórias.Não ando em time de feminista que vigia feminista,nem tenho tempo para isto,e ainda estou aprendendo;as leituras feministas de que disponho são poucas,e muito do que me referencio é pela net..e não desisto de aprender...

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