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30 setembro 2016

Macacos e queijo


Conselhos simples ajudam muito na vida, sendo mais direta, avisos simplificam a existência.

Há uns anos resolvi fazer um curso de interpretação, entrei porque tinha curiosidade sobre o trabalho do professor, mas ele, em um arranque de pouco profissionalismo, não apareceu na primeira semana de aulas, alegando ''outro compromisso''.

No seu lugar mandou um ex-aluno, que não tinha muito claro na sua vida se era militar ou ator. Passava as aulas gritando, intimidando os alunos e fazia questão de se aproximar de todos e gritar bem ao pé do ouvido.

Quando o curso terminou uma moça me comentou que ele tinha ficado irritado comigo, me chamou de indiferente, porque nunca reagi aos seus gritos, inclusive em uma ocasião me recusei a fazer o que ele mandou, fiquei parada enquanto ele berrava como um louco, até que ele ficou sem entender o que acontecia e dirigiu sua fúria a outra estudante.

Pensei durante um tempo se tinha alguma coisa errada comigo, eu sempre fui de argumentar com professores, não aguentava gritos à toa, mas naquele momento percebi que já tinha passado mais de quinze anos aguentando gritos de diretores e produtores, não posso dizer que me acostumei, mas aprendi a ficar indiferente, a fase de chorar, de sair correndo já tinha passado.

Depois de um tempo emendei em um trabalho de pesquisa teatral e aconteceu a mesma coisa, um diretor destemperado e eu não reagia aos gritos.

Me convenci que aprendi como mecanismo de defesa a não me manifestar.

E deveriam ter me dito isso em relação a vida pessoal, que eu aprendesse a lidar com uma parte do temperamento masculino ou desistisse de namorar.

Eu cresci em ambientes com gritos masculinos, venho de famílias de homens impulsivos e barulhentos, gritam o tempo inteiro.

Isso desde pequena me intimidava e como não foi resolvido levei para meus namoros, no começo eles gritavam e eu reagia, mas depois quando comecei a ficar mais velha parei de responder, era muito chato prolongar a discussão aos berros.

Precisei sair de um namoro, passar anos distante dos homens, me afastar de tudo, para entender como os homens controlam as mulheres com os gritos, eles dão um berro e congelamos, ficamos paralisadas ali, no meio do caminho.

Minha mãe diz que para os homens gritar é como marcar território, mijar na sala.

E eu estava com uma amiga em sua casa, quando o marido ligou e perguntou se era para levar algo a casa, ela pediu queijo, mas disse para não gastar mais de dez reais.

Ele chegou mais tarde, trazendo o queijo, gastou oito reais, ela então pegou o pacote e disse a ele que não era barato, o quilo estava quase quarenta reais, na hora de comprar frios temos que ver o preço do quilo, não adianta pegar um pacotinho com duas fatias de queijo e achar barato porque a etiqueta marca três reais.

Essa confusão é comum em que não faz supermercado nem contas, compram pelo preço da etiqueta, sem pensar em quanto custa o quilo. Ele comprou oito reais de um quilo que custa quarenta, ou seja, foi pouco queijo, no mesmo supermercado que ele foi tem um queijo vendido por dezenove reais o quilo, poderia ter comprado meio quilo e ter pago os mesmos oito reais.

Ela é doce, foi delicada ao explicar, mas nada disso adiantou, ele começou a gritar de maneira histérica, usando aquele discurso que todas conhecemos:

''Eu não acerto nunca''.
''Nunca mais compro nada''.
''Quando você quiser queijo, vai lá e compra''.
''Eu só recebo críticas''.
''Eu só faço merda''
''Eu sou homem, não penso como mulher''.
''E você acha que no meio de tantas coisas para pensar, vou parar para ver o quilo da porra do queijo?''
''Vocês, mulheres, querem um viado, não um marido''.

Escutei tantas vezes essas frases, eles discutiam na cozinha, eu estava na sala e fazia a lista mental de todas elas, pensava, agora vai dizer isso, depois aquilo e tal.

Claro que o show foi completo, teve até batida de porta, fiquei lá sentada lembrando de uma amiga que estuda macacos, ela sempre me conta como os machos são barulhentos para tudo, conseguem tudo no grito, assustam aos pequenos, pulam em cima das fêmeas, vale tudo para conseguir seus objetivos, mas barulho é fundamental para eles.

Minha amiga voltou e se desculpou, disse que o marido está um pouco nervoso, mas ela entende, porque sabe que é chata.

Mas é claro que ela é chata, todas somos, estamos no mundo para perseguir os homens, o que eles querem é um planeta sem mulheres, assim vão se divertir mais e ninguém vai pegar no pé deles.

Então ela disse a frase mágica, aquela que todos os homens amam escutar, acho até que seu marido se escondeu detrás da porta para escutar quando ela falou:

-Não peço mais para ele comprar queijo.

Bingo, bingo, bingo, é isso! Jogada certa! Perfeito! Gol!

Deu certo berrar e gritar, agora se livrou da chatice de ir ao supermercado comprar queijo.

Não é hoje que vejo minha amiga saturada de responsabilidades, e perguntei quantas coisas ela está fazendo porque Romeu se irrita, começa a gritar e ela fica sem saber o que fazer.

Lista gigante, não tenho nem espaço para colocar tudo aqui, mas vai desde levar o gato ao veterinário, porque um dia ele levou e esqueceu o gato lá, tiveram que pagar uma diária, Romeu se irritou, berrou e minha amiga pegou essa responsabilidade. E mil coisas mais, detalhes da vida em comum e relacionados a limpeza da casa, ele jogou água sanitária direto no chão do banheiro, pegou o tapete e manchou, minha amiga delicadamente avisou que era melhor ter diluído a água, começaram os berros do macaco e ela se assustou. Outra responsabilidade nas costas.

E posso falar horas sobre esse assunto, fui dessas namoradas que durante uma época comprei briga, depois achava melhor ficar quieta.

Uma vez meu namorado estava fazendo uns sanduíches para uma festa, eu avisei que não era boa ideia fazer com muita antecedência, porque a maionese amolece o pão. Ele berrou, disse que eu estava pegando no pé, gritou como um louco, e falou que nunca mais iria cozinhar ''porra nenhuma'', eu que me virasse.

Depois disso peguei a responsabilidade da cozinha, ele não cozinhou mais.

Fiquei chateada, mas só percebi mais tarde como tinha sido manipulada, como era assim desde a minha infância, era só pegar uns gritos que eu me via obrigar a obedecer e os homens se livravam de todo o trabalho. Não tem coisa mais fácil para eles, principalmente agora neste tempos de divisão de tarefas.

Eles gritam e nós nos paralisamos. 

E conheço ótimos maridos, que dizem não serem violentos, mas gritam com as esposas, um me explicou que gritava pela ''testosterona''.

Bom saber.

Meu conselho? Se vai namorar um homem não se intimide com os gritos, nem se mexa e não pegue responsabilidades, apenas porque eles descobriram que gritando conseguem se livrar de tudo, até de pagar as contas.

E já conheço o lado de coitadinhos deles, ficam sem emprego e ficam agressivos, porque sua autoestima está abalada, culpa do machismo que molda sua identidade no que eles fazem, não no que são. E quando mais se sentem inferiores, mais gritam, mais batem. Sinceramente? Foda-se, cansei dessa conversinha de que eles são sempre os coitados, estressados e irritados porque o mundo é injusto com eles. Caguei.

Só sei disso, aprendi bem tarde, gritos são uma maneira de fugir de uma situação e controlar a mulher.

Passei por isso há pouco tempo, em uma discussão com um ex-Romeu ele levantou a voz, justo ele, o doce que eu sempre defendi, nunca escutei um grito dele, até esse fatídico dia. Fiquei ali gelada, paralisada, grito de Romeu corta a alma, parece que puxa todas as cordas.

Só uns dias depois percebi como ele tinha sido patético e como foi um jeito barato de sumir da minha vida.

Eles sabem o que estão fazendo e vão continuar fazendo enquanto a gente não reagir. E não digo reagir entrando na discussão, a melhor coisa é deixar eles falando sozinhos, mas não tirar das costas a responsabilidade, se tiver que pedir para ir comprar queijo de novo, peça, não recue.

Ah, ele gritou por isso ou aquilo? Que se dane, que vá fazer de novo.

Se agem como crianças que sejam tratados assim, quando era pequena me jogava no chão para não ir a escola, chorava, berrava e nem por isso me deixavam ficar em casa, pois que seja a mesma coisa com eles, que gritem à vontade, mas que façam o que tem que ser feito e deixem de dizer ''nunca mais faço isso''.

Ora, meu bem, não pode ser corrigido? Doeu muito?

Todos nossos movimentos são cobrados, se os corrigimos pagamos por isso, se ficamos quietas, pagamos por isso, então que se dane, tem mais é que falar mesmo e encarar eles nos olhos quando começarem a agir como macacos.

Nós, mulheres, passamos a vida tentando lidar com tantas responsabilidades, eles passam a vida fugindo delas e vão usar qualquer truque que encontrarem.

E já cansei de dizer as minhas amigas, não se intimidem com os berros,deixem eles gritarem, mas que façam as coisas, não aceitem essa frase de ''não faço mais, não vou mais, não quero mais'', ora, se não crianças não temos porque aceitar isso.

E para facilitar a convivência sugiro as amigas que instalem galhos de árvores em suas casas, facilita o show, se querem gritar como macacos, pelo menos que tenham os galhos para pular de um lado para o outro, e mulheres, não se intimidem, homens são como macacos mesmo, muito barulho, mas no fim só estão correndo de seus compromissos. Bando de covardes.


Iara De Dupont

Um comentário:

Cristina disse...

E mais uma vez a verdade esbarra na nossa cara. Juro que não vou ficar surpresa se algum dia ver homem andando de coleira na rua, porque agir como gente tá difícil...

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