ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

NOVIDADE!

NOVIDADE!

Nota:O formato PDF dos livros acima pode ser acessado em qualquer plataforma, inclusive Windows, Mac OS e plataformas móveis como Android e iOS para iPhone e iPad.

Os posts mais lidos viraram livros e não estão mais disponíveis no blog.

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

12 setembro 2016

Fim de férias (conhece-te a ti mesmo)


Nos últimos dias vem circulando uma palavra com muita frequência pelo pântano virtual: autoconhecimento.
A frase dita por Sócrates ''conhece-te a ti mesmo'' tem sido usada para diferentes discussões e argumentos sobre felicidade.

Já li muitos pontos de vista sobre alcançar os objetivos e realizar os sonhos, e todos incluem o autoconhecimento.

Me levou um tempo para entender e perguntar até onde a falta de autoconhecimento foi um problema não resolvido na minha vida e um obstáculo para as coisas que eu queria e me vi obrigada a aceitar, a falta de autoconhecimento me levou a cometer inúmeros erros, a sofrer à toa.

E mesmo sem querer, dou a volta e termino no mesmo ponto, não posso falar da minha educação ignorando o aspecto misógino dela.

Ninguém me disse nada sobre autoconhecimento, jamais me incentivaram a pensar em mim de maneira individual, finalmente um dia eu iria crescer e encontrar minha outra metade, dividiria com meu amor os sonhos e seria feliz. 
Caso existisse felicidade e eu tivesse acesso a ela, dependeria dos outros para chegar ali, como ser feliz sem um homem, um casamento e filhos? Minha felicidade estava condicionada ao outro.

Mas eu cheguei ao mundo com uma alma antiga, sentia as coisas erradas, mas não sabia o que fazer, então brigava com minha mente, era um duelo sangrento, e eu sempre perdia.

Desde criança eu sonhava e muito, mas ninguém parecia querer escutar o que eu dizia, eram apenas sonhos. E quando eu me apaixonasse eles deixariam de existir, porque os sonhos do meu amor seriam mais fortes do que os meus.

E tudo se misturava, eu não tinha autoconhecimento nem certeza da minha individualidade, no desespero berrava, chorava, batia a cabeça na parede.

Sempre gostei de terra, de mato. E comecei a namorar com um Romeu que tinha resolvido sair da cidade, comprou um sítio e eu passava alguns fins de semana ali.
Mas a visita me causava uma constante irritação, eu gostava de estar ali, no mato, plantando, arrumando as coisas, mas acabava discutindo sem motivos e me cansando de tudo.

No começo pensei que era por não querer aceitar o futuro, Romeu parecia decidido a morar ali, eu não. 
Sou urbana, para mim canção de ninar é barulho de ambulância, do carro da polícia, dos vizinhos gritando.
O silêncio do mato me deixa inquieta, acorda meus medos e me faz ver sombras na parede.

O sítio do Romeu era um problema, sempre aparecia na discussão o futuro, aquele futuro que eu tanto fugia.
Minha mente me dizia que a ideia era boa, ter uma vida mais saudável no campo estava alinhado com quem eu sou, não gosto de bebidas nem vida noturna, e Romeu parecia ser meu ponto final na vida amorosa.

Mas minha alma girava, gritava, sangrava e eu não entendia os motivos, navegando na ignorância do autoconhecimento.

Um dia eu tentava fazer uns buracos na terra, Romeu apareceu e discutimos sobre meu trabalho ali. 
Essa mesma noite voltamos para a cidade, com um gelo entre nós, a certeza de que éramos diferentes e nossos caminhos estavam destinados a se separarem.

Corri para os braços de uma amiga, que me consolou falando sobre minha infinita capacidade de auto-sabotagem, justo agora que eu poderia ser feliz estava jogando a oportunidade fora.

Pensei tanto nisso que não entendo como não queimei meus neurônios, caí de novo no auto-ódio, eu tinha raiva de mim por estragar as coisas boas que apareciam.

O namoro acabou e carreguei por anos a sensação de que eu era assim mesmo, me auto-sabotava, me recusava a ser feliz e eu mesma fodia com minha vida. O mundo estava certo, a errada era eu.

Me surpreende olhar para meu passado e perceber como não fiz mal a ninguém, já que carregava tanto auto-ódio, me pergunto até hoje como sobrevivi a mim mesma, já que eu me odiava tanto.

Coloquei essa história na gaveta de ''auto-sabotagem'' e deixei ali, era outra prova concreta de que eu não sabia ser feliz e resistia em aceitar as coisas boas do mundo.

E agora que resolvi desmontar meu armário e abrir gavetas me dei conta de que essa história estava no lugar errado, não era um conto de auto-sabotagem, deveria estar na gaveta de ''crônicas da falta de autoconhecimento''.

Apenas anos depois, com toda a calma do mundo, com água quente e vinho branco, percebi que eu gostava do sítio, do mato, das plantas e teria sido feliz morando ali, então o que deu errado?

A falta de autoconhecimento.

No momento em que abri a discussão com Romeu sobre o sítio eu não estava irritada com ele, mas comigo. No fundo, em segredo eu me perguntava ''poxa, o sítio é o sonho dele, mas quais são os meus?''.
Eu tinha meus sonhos, mas ele não queria escutar, dizia que eram bobagens e ao me sentir agredida eu reagia da pior forma, jogando a culpa no sítio dele.

Tudo me sufocava e não sabia o que era, mas minha alma lutava, queria me mostrar que eu tenho meus sonhos e eles não estão presos a canelas alheias, eu não dependo de ninguém para ser feliz, o que eu quero não está nas mãos do Romeu.

Sei que o autoconhecimento feminino é uma bomba em um mundo machista, provocaria um revolução se as mulheres começassem a questionar seus sonhos e perguntar se são delas ou do Romeu, nasceram nos seus corações ou são resultado de uma influência cultural?

Sei que existem mulheres que sonham em conhecer alguém, casar e ter filhos. Não vejo nada de errado, é uma escolha, sonhos são coisas pessoais e cada uma sabe o que sonha, mas sempre que uma amiga me fala isso pergunto a ela que outro sonho tem, sem colocar ninguém ali, nem filhos nem maridos.

Foram muitos séculos de condicionamento cultural, uma ideia vendida e tatuada em cada uma de nós, que só seríamos felizes dentro do triângulo (homem-casa-filhos), não existia para nós nenhum sonho além disso. Fomos sufocadas a vida inteira, riram dos nossos sonhos, nos ensinaram a falar baixo e aceitar que não existiria realização pessoal maior do que usar o nome do marido e ser mãe de alguém.

Mas vejo mães e esposas infelizes, se perguntando porque seus outros sonhos não têm a mesma importância, por que o mundo diz ''deixa isso pra lá''?

A chave da porta? Autoconhecimento. Autoconhecimento. Autoconhecimento.

Quando conhecemos nosso coração, conhecemos nossos sonhos e sabemos o que fazer para poder chegar ali. 
E não existem mais ilusões, não vamos ter o apoio do mundo, nem o aplauso, mas os sonhos são nossos. 
As pedras sempre serão jogadas na nossa direção, mas as coisas só mudam assim, com gente caminhando enquanto os outros berram.

Uma vez conversava com uma pessoa e contei sobre alguns sonhos, a pessoa me respondeu:

-Tá, tudo bem, faz de conta que você conquista tudo o que sonhou, qual a graça de chegar em casa e não ter um filho para te receber aos beijos?

É, qual a graça? 

Esqueci esse ponto, os únicos sonhos permitimos socialmente incluem se casar e ser mãe, os outros são ''babaquice'' de mulheres egoístas, ambiciosas e altivas.

Aprendi a lição, sonhos exigem silêncio enquanto estão sendo sonhados e concretizados. Mas tenho sonhos, apesar do mundo machista, da tatuagem que me fizeram (amor eterno e filhos), continuo tendo sonhos, mas entendi que o melhor aliado dos sonhos é o autoconhecimento. É ele que nos mostra o caminho, avisa quem somos e nos mantém alerta quando querem nos tirar da estrada.

Em um mundo ideal sonhos são sonhos, em um mundo machista sonhos de mulheres são declarações de guerra e vão fazer o possível para arrancarem os sonhos de nossas almas.

E sonhos se podem destruir, a única coisa que ninguém tira de nós é o autoconhecimento. É o começo, o meio e o fim. E o recomeço.


Iara De Dupont

2 comentários:

Marcela Zaidan disse...

Que lindo, Iara! Adorei!

É... ninguém tira de nós o autoconhecimento!

Patricia Gabriel disse...

Iara,sonhar e realizar em silencio é um fato a que nós devemos, ainda,baixar a cabeça,em minha opinião.Mas não é um baixar a cabeça dizendo ao inimigo que entregamos os pontos,mas sim um baixar a cabeça como estratégia!Sabe,um soldado,por vezes,tem que aguardar,rastejar por horas na trincheira da vida,ainda somos poucas,e estamos mais sozinhas do que imaginamos!Sou casada,tenho família,tudo bem,era parte do meu sonho,que coincidiu com os dele,mas descobri que familia,seja aquela de que voce nasceu,ou aquela a qual voce formou,não é perfeita,não tira frustração de mulher alguma,pelo contrário,dependendo da hora,das situações e dos fatos,aumenta,e muito!Então,descobri que ainda tenho sonhos meus,e descobri meio tarde,que alguns dos meus sonhos não são os dele,e vou correr atrás!Ah,mas como?Agora,primeiro,tenho que cumprir minhas obrigações com eles,criar os filhos,depois,ou durante,a gente se arranja.e vamos vivendo!Eu tbm sofro com essa história do autoconhecimento,tem vezes que erro demais,mas os outros tbm erram com a gente,e,quer saber?Erram,nem estão aí se estão se autoconhecendo,não nos pedem desculpas mesmo estando errados,e ainda nos tratam como o bandido da história,cansei disto,por isso,agora,decidi que vou suportar e sonhar em, silencio,quando estiver realizada,muitos verão,e não falo de fam[ilia,mas tbm de outras esferas de convívio,viu?trabalho,igreja,parentes,etc...tudo parece feito sob medida para oprimir a mulher!E autoconhecimento não é coisa que se descobre da noite para o dia,é coisa que só se descobre no garimpo da necessidade,tem muita gente que ainda acha que não precisou,por isso folga por cima da carne seca,mas,quando se achar só,vai precisar,beijos,estava com saudades dos teus textos!

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...