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14 setembro 2016

César Borgia, Maquiavel, feminismo e bombas.


Nicolau Maquiavel, conhecido como ''pai'' da política, conviveu durante um bom tempo com César Borgia, uma figura sinistra, um comandante italiano que ficou conhecido pelas suas estratégias na hora da guerra, mostrando uma inteligência superior a sua época.

Nicolau ficou tão fascinado pelas ideias de César que escreveu um livro ''O príncipe'', inspirado no conhecimento que tinha adquirido depois de conhecer César.

Além desse livro existem centenas de cartas de Nicolau a outros amigos contando as façanhas de César, como ele invadia e saqueava cidades inteiras, para aumentar o poder econômico e prestígio de sua família.

Até hoje as estrategias militares de César são aplicadas, muitas ficaram conhecidas séculos depois, por Napoleão, outro fã de César.

Uma dessas estratégias deixou Maquiavel fascinado: como invadir uma cidade.
Antes de César, seu irmão Giovanni, estava a frente do exército, era impulsivo e impaciente, assim que determinava que cidade iriam invadir, preparava seu exército e partia para o combate. 
Algumas vezes isso gerava uma reação na cidade invadida e começava uma carnificina.

César mudou isso, primeiro ele planejava o ataque, esperava as circunstâncias favoráveis, queimava plantações, matava animais, rondava e estudava o lugar, esperava o inimigo enfraquecer para  que ele pudesse entrar de maneira mais eficiente.

Com essa estratégia César perdia poucos homens no combate e economizava tempo, não eram lutas de dias, duravam apenas horas porque ele preparava tudo meses antes, tentando cortar o abastecimento de comida e água, levando as pessoas a morrerem de fome, quem não morria, ficava enfraquecido e não seria um problema durante uma invasão.

Maquiavel ficou impressionado com isso, era uma guerra silenciosa, primeiro se preparava o inimigo e depois se invadia a cidade.

Com o tempo César aperfeiçoou essa estratégia, começou a infiltrar pessoas na cidade e a causar discórdias, tudo o que pudesse levar a uma discussão era jogado ali dentro.

César sabia que uma cidade unida ficaria poderosa e difícil de invadir, mas se as pessoas estivessem com fome e irritadas umas com as outras, entrar ali e destruir era simples.

Essa estratégia de guerra, apesar de muito usada hoje, sempre é negada, parece que até em uma luta se exige ética e destruir uma cidade em silêncio é visto como um ato desonesto, por mais contraditório que possa parecer.

Mas existem teorias que garantem o uso dessa estratégia, como em algumas partes da África, atormentada por guerras civis, dizem que essas guerras são causadas pelos europeus que mantém o controle dos diamantes, eles não podem entrar ali e derrubar tudo, então ''plantam'' os problemas lá dentro e esperam que pegue fogo.

Também acontece a mesma coisa em lugares onde existem petróleo, países estrangeiros ''financiam'' guerras internas, deixam as pessoas se matando enquanto eles entram e saqueiam tudo, fingindo estar ajudando ou apaziguando a guerra.

É uma estratégia perfeita para o mundo ''fofo'' em que vivemos, nenhum país mais quer dar a cara, todos querem parecer amigáveis e pacíficos, na ausência de uma invasão ''de frente'', tentam outros meios e criar uma confusão entre as pessoas sempre dá resultados positivos.

E nem precisamos ir tão longe com César para saber que essa estratégia não foi tão genial assim, é usada em núcleos familiares desde que o mundo existe. Se alguém tem um problema na família com outra pessoa e não quer um enfrentamento, o que se faz? Se joga uma fofoca sobre essa pessoa, deixa que os outros decidam quem é quem e a discórdia caminha por ali até grudar em alguém.

Lembro que em um discussão familiar uma de minhas tias disse ''já não sabemos quem começou''.
É, viva César Bórgia!

Levei tempo para entender como isso funcionava, porque muitas vezes fui manipulada por outras pessoas, comprei brigas alheias e no fim nem entendia o que estava acontecendo, mas tinha alguém de longe adorando, justo essa pessoa que plantou tudo.

É um estratégia usada na família, em trabalhos, na vida, encarar o inimigo de frente não é boa ideia para ninguém, melhor dar a volta e ver como fazer o fogo começar dentro, não fora.

Muitas vezes me pego pensando antes de entrar em uma guerra, quero ver até onde ela é minha, caso contrário não dou um passo se percebo que é manipulação ou serve a interesses alheios.

E tenho me surpreendido com a quantidade de pessoas que desconhecem sobre essa estratégia de colocar o fogo dentro, sem que ninguém perceba.

Tenho visto isso no feminismo. 
O principio é simples, o feminismo é um movimento político que luta pela igualdade, isso gera uma revolução social, uma quebra de paradigmas, a construção de uma nova sociedade.
O feminismo luta contra o sistema imposto, o patriarcado, uma forma opressora que direciona os passos de todos.

Mas o patriarcado não assiste a luta do feminismo sentado, eles se mexem e defendem seu sistema, fazem o possível para manter as pedras dos seus fundamentos no mesmo lugar, reagem e entram na briga.

O ponto é que muitas pessoas estão ignorando as estratégias de guerra do patriarcado, estão pensando que todas ações e revides serão agressivos, diretos e violentos, esquecem que existem outras, como essa de César, de colocar fogo dentro da cidade.

E foi isso que o patriarcado fez, usando de maneira covarde uma ferida social, ainda aberta, pulsando, e que causa em todos nós um enorme desconforto e vergonha.

O patriarcado ou um conjunto de seres que não consigo definir como chamar, vem plantando de maneira constante fogo em uma questão delicada: o feminismo branco e o feminismo negro.

Em comum estão as mulheres, mas logo essa questão separa os grupos, ou se está de um lado, ou se pertence ao outro.

Foi tão bem plantado, tão bem direcionado, escrito, colocado e manipulado, que virou uma guerra.

No começo a ideia era apenas uma: o feminismo para todas, somos mulheres e vivemos a mesma problemática, quem se aproximasse ao movimento iria somar com sua experiência e vivência, sem importar a origem e cor.

Mas o outro lado, o ''sistema'', reagiu e foi procurar uma bomba simples de plantar, uma ferida social, o racismo que tem dividido este país em dois.

Venho acompanhando há anos o desenrolar dessa história, que começou da maneira certa, aquela onde todas somamos ao movimento e agora caminha para dois movimentos diferentes que nem se olham na cara.

Resisti muito em escrever sobre o assunto, não queria jogar mais lenha, mas tenho visto muitas pessoas comprando essa briga sem perceber que é bomba plantada pelo patriarcado, uma maneira rápida de estremecer as bases do feminismo, dividir as mulheres e separar as ideias. Tudo isso enfraquece o movimento, deixa ele em uma corda bamba, sem rede de segurança.

Não nego as diferenças, sei que existem diferentes reivindicações, necessidades e urgências. Não entro na discussão sobre ''morrem mais mulheres aqui, do que ali'', finalmente são mulheres morrendo, mas sei que as estatísticas são claras, existe um grupo mais vulnerável que outro, mas a pergunta é, fragmentando o movimento vai ajudar?

Tenho visto um ódio enorme se espalhando, cansei de ler no meu Facebook ''você é branca, tua opinião é de branca''.

Sim, sou branca, minha opinião é de branca, mas eu somo no movimento porque minha vivência é única, assim como a de cada mulher, todas nós somamos e o que trazemos é necessário para a construção de uma nova sociedade.

Que temos um problema para resolver, todos sabemos, é o racismo que ainda pulsa em cada canto do país, que machuca e atrasa uma nação inteira, que fere os direitos de todos e mutila gerações.

É necessário sentar e conversar, nenhum movimento político é imutável, todos se modificam, se constroem com o tempo e as circunstâncias, mas é preciso falar a respeito, discutir, colocar na mesa e enfrentar os demônios juntas, mas o que está acontecendo é o contrário, as portas se fecham e vem acompanhadas de uma frase ''você é branca, você é negra, cada uma que vá para seu movimento''.

Quem começou plantando essa bomba sabe de uma coisa: separadas somos mais fracas.

E deu certo, vejo cada vez mais mulheres dizendo falando em uma divisão, em que não se sentem representadas pelo que consideram ''feminismo isso, feminismo aquilo''.

Hoje no Brasil, o feminismo tem duas cores: branca e negra. No meio um nervo separa as duas, qualquer movimento de um lado é rejeitado pelo outro, perdemos mais tempo discutindo entre nós do que contra o patriarcado.

Estamos esquecendo quem são nossos inimigos e onde estão, e eles são como César Borgia, escondido na floresta, esperando a cidade se quebrar sozinha, para ele então invadir.

Nossos olhos estavam direcionados para fora, hoje estão para dentro, estamos mais preocupadas em entender cada lado que nos perdemos no meio.

Já passamos por outras ''bombas'' e conseguimos desarmar sem problemas, a primeira delas também mexia em uma ferida social, diziam que ''feminismo'' era um movimento de círculos acadêmicos, quem não pertencessem a eles não era bem vinda.

Essa ideia não vingou porque o feminismo já tinha se espalhado e levantado uma força enorme nas periferias de muitas cidades, onde centenas de mulheres acrescentaram muito à luta, trazendo suas experiências e dando voz a milhões.

Mas a ferida racista é mais antiga, mexe com todo o inconsciente de um país, deixa a muitos quietos e levanta mortos, de repente é como se o feminismo tivesse a culpa de tudo que acontece, a base do racismo, quando é o contrário, o feminismo é a luta pela igualdade, um pilar fundamental para acabar com o racismo.

Apoio a discussão, tenho plena consciência de que não tenho a vivência de uma mulher negra, mas ela também não tem a minha e precisamos das duas forças unidas para lidar com o que temos em cima de nossas cabeças, um mundo machista, misógino e impaciente para varrer as mulheres do planeta.

Sei que mulheres negras passam por diferentes experiências em um mundo racista, mas nada disso deveria separar o movimento, pelo contrário, deveria unir, não existe feminismo sem o fim do racismo, os movimentos estão ligados e são dependentes.

Todas as reivindicações são necessárias, é preciso a voz de todas para construir um novo mundo, mas está faltando malícia para perceber quando temos pessoas e ideias infiltradas que distorcem o discurso e nos fazem brigar entre nós. 
As discussões são necessárias, vitais, mas o ódio que se espalha não é nosso, foi jogado ali e não resolve nem não acrescenta nada.

Não acredito em ''feminismo branco X feminismo negro'', acredito em seres humanos que merecem ser tratados de maneira igual e justa, grupos diferentes, necessidades distintas, que se unem e transformam uma sociedade.

Mas nada disso pode ser feito na ingenuidade, nem no discurso rápido. Estamos lutando para derrubar um sistema, é lógico que ele vai reagir, não vai ser de graça e temos que estar atentas a tudo que acontece ao nosso redor, temos que pular essas minas terrestres e ignorar os discursos separatistas e cheios de ódio.

Só peço isso, antes de entrar em uma briga pelo feminismo branco ou negro, pense duas vezes, perceba se é real ou é uma bomba plantada pelo patriarcado, pergunte se as reivindicações são tão diferentes, se os nossos sonhos não tem nenhuma semelhança, será mesmo que a cor de cada uma tem esse peso gigantesco? Será que não somos todas humanas e querendo a mesma coisa? Será que podemos reduzir um movimento enorme como esse, fundamental para mudar o mundo, a ''é uma questão de morar na periferia ou no centro, de ser branca, ou negra, de ser rica ou pobre, de ser isso ou aquilo''?

Não lutamos pelas mesmas coisas? 
Já tive essa discussão sobre a geografia do feminismo, é um fato, em alguns pontos da cidade, nas periferias, ocorrem mais estupros do que em áreas nobres, mas o ponto que digo é o seguinte: minha luta não é para acabar com os estupros na periferia, centro, nem em áreas nobres, minha luta é para derrubar a cultura do estupro em um país, em um mundo.

Não faço nada pensando na geografia, mas no fundo da questão. 
Volto ao ponto, existem grupos mais vulneráveis que outros, mas separar por sofrimento não fortalece o movimento, precisamos de todas para mudar a realidade de todas, simples assim.

Mas existem realidades melhores! Ah, sim, mas digo a mesma coisa, não ganhamos na divisão, apenas na soma. 

O racismo virou pólvora na mão do patriarcado, acharam um fio que conduz a vários movimentos e colocaram fogo, a cidade queima de dentro pra fora. E muitas não estão percebendo, parece uma bomba jogada de uma feminista para outra, mas quem jogou foi o patriarcado e continua jogando.

Na hora de brigar se certifique que sabe em que briga está entrando e perceba se o fogo vem de dentro ou de fora. Se o fogo vem de dentro, pode ter certeza, o patriarcado está aplaudindo do lado de fora.

Mulheres, é hora de acordar, todo esse ódio que apareceu agora foi jogado na nossa direção e estamos fazendo exatamente o que eles querem que façamos.

E depois que a cidade pegava fogo, César invadia e dizia ''é de César''. 
O patriarcado está pronto para dizer isso.



Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Te acho ótima, adoro seus pontos de vistas mas os recortes são necessários, quando a gente fala feminismo branco/negro rico/pobre é pq textos e blogs de feministas brancas e influentes hoje são repletos de textos elitistas e academicistas. Veja bem você possui x graduações e vive falando em seus textos sobre sua independência, só que sua realidade não é a da maioria das mulheres, a maioria de nós mal terminou o ensino médio, nunca li arrogância em seus textos mas já vi em textos de blogs feministas como se todas as mulheres tivessem superior completo e apartamento próprio, onde essas moças vivem? Pq a maioria das mulheres ou vive de aluguel ou se mata para pagar um pela caixa econômica. É preciso identificar que existe feminismo fora da classe média e fora dos guetos. É mto difícil não se ver em um movimento que você mesma segue. Eu sou uma mulher branca e pobre, não moro na favela mas não moro em bairro de classe média, tranquei meus estudos duas vezes por falta de condições, trabalhei a vida toda em terceirização de serviços, quase não consigo conversar com outras mulheres feministas, pq a branca é elite de mais e a negra acha que eu tenho a vida da branca classe média, acho que ainda não existem recortes suficientes na vdd. Nao acho que isso divide, acho que isso faz com que as pessoas se encontrem.

Anônimo disse...

Em nenhum momento disse que era casada ou tinha filhos. Muitas mulheres solteiras sustentam pai e mãe, tenho uma amiga que fugiu pra outro estado pra viver sua vida, isso com 32 anos, pq seus pais a sugavam financeiramente, nem todas obrigações de uma mulher se resumem a : rachar aluguel com namorado. Principalmente em classes baixas o buraco é bem mais em baixo, se trabalha cedo pra ajudar mães, irmãos, enfim coisas que pessoas com familiares que são auto suficientes financeiramente não vão entender, muitas mulheres sabem conversar sobre "romeus" mas os problemas não se resumem a eles...

C.Belo disse...

Iara,o início do texto me fez pensar nessa dicotomia esquerda/direita que estamos vivendo no brasil. Quando compramos essa briga nunca sabemos se estamos sendo observados por um grupo de poderosos que são os verdadeiros inimigos do país. É pra se pensar!

Quanto feminismo, não acredito que isso se aplique, não creio que essa dicotomia feminismo branco/feminismo negro seja necessariamente destrutiva para o movimento como um todo, acredito que falar dessas diferenças joga luz sobre essas feridas de maneira que possamos começar a tratá-las. Não é que o feminismo tenha se tornado a raiz da opressão racial, é que de fato a maneira como algumas feministas negras se posicionam e fazem suas reivindicações pode soar agressivo na medida em que, dentro de nosso universo e de nossas vivências, tb sofremos com o machismo institucionalizado e vemos esse "pera lá, mana, que eu e vc não somos iguais" como um afastamento violento, mas não é bem por aí; na verdade, como vc bem pontuou, não atingiremos o cerne de nosso movimento se não atingirmos igualdade em todos os âmbitos, inclusive o racial. Mas essa igualdade racial só será alcançada ao começarmos a promover a isonomia ao reconhecermos nossos privilégios enquanto mulheres brancas, cis, hetero, com condição econômica privilegiada e, a partir daí, começarmos a dar espaço a essas vozes silenciadas. Se não formos nós a fazer isso, não será o patriarcado e essa "divisão" que, à princípio parece nos enfraquecer, é na verdade o início do longo caminho. O que verdadeiramente NÃO nos fará conseguir NADA e vai continuar separando as mulheres é justamente não termos essas pautas diferenciadas e botarmos no mesmo balaio, com o mesmo peso as pautas da Clarice Falcão passando batom vermelho ao som de Beyoncé, da universitária rica que recebe cantadas nojentas dos professores e a mulher que luta todos os dias para sobreviver numa sociedade que a odeia triplamente: por ser mulher, por ser preta, por ser pobre. Não dá pra esperar nenhum resultado realmente transformador do movimento enquanto nossa luta for apenas pelo direito de usar shortinho e liberar nossos mamilos. Isso pq não dá pra tratar de um movimento político sem tratar da questão racial e econômica que sustentam a desigualdade.

Eu entendo o seu ponto de vista, de fato somos todas mulheres e finalmente somos todas vítimas do patriarcado, mas olhar pra essas questões não nos dividirá, pelo contrário; hoje estamos "brigando" com feministas negras mas, amanhã, estaremos todas sendo agentes da verdadeira revolução.

C.Belo disse...

Iara,o início do texto me fez pensar nessa dicotomia esquerda/direita que estamos vivendo no brasil. Quando compramos essa briga nunca sabemos se estamos sendo observados por um grupo de poderosos que são os verdadeiros inimigos do país. É pra se pensar!

Quanto feminismo, não acredito que isso se aplique, não creio que essa dicotomia feminismo branco/feminismo negro seja necessariamente destrutiva para o movimento como um todo, acredito que falar dessas diferenças joga luz sobre essas feridas de maneira que possamos começar a tratá-las. Não é que o feminismo tenha se tornado a raiz da opressão racial, é que de fato a maneira como algumas feministas negras se posicionam e fazem suas reivindicações pode soar agressivo na medida em que, dentro de nosso universo e de nossas vivências, tb sofremos com o machismo institucionalizado e vemos esse "pera lá, mana, que eu e vc não somos iguais" como um afastamento violento, mas não é bem por aí; na verdade, como vc bem pontuou, não atingiremos o cerne de nosso movimento se não atingirmos igualdade em todos os âmbitos, inclusive o racial. Mas essa igualdade racial só será alcançada ao começarmos a promover a isonomia ao reconhecermos nossos privilégios enquanto mulheres brancas, cis, hetero, com condição econômica privilegiada e, a partir daí, começarmos a dar espaço a essas vozes silenciadas. Se não formos nós a fazer isso, não será o patriarcado e essa "divisão" que, à princípio parece nos enfraquecer, é na verdade o início do longo caminho. O que verdadeiramente NÃO nos fará conseguir NADA e vai continuar separando as mulheres é justamente não termos essas pautas diferenciadas e botarmos no mesmo balaio, com o mesmo peso as pautas da Clarice Falcão passando batom vermelho ao som de Beyoncé, da universitária rica que recebe cantadas nojentas dos professores e a mulher que luta todos os dias para sobreviver numa sociedade que a odeia triplamente: por ser mulher, por ser preta, por ser pobre. Não dá pra esperar nenhum resultado realmente transformador do movimento enquanto nossa luta for apenas pelo direito de usar shortinho e liberar nossos mamilos. Isso pq não dá pra tratar de um movimento político sem tratar da questão racial e econômica que sustentam a desigualdade.

Eu entendo o seu ponto de vista, de fato somos todas mulheres e finalmente somos todas vítimas do patriarcado, mas olhar pra essas questões não nos dividirá, pelo contrário; hoje estamos "brigando" com feministas negras mas, amanhã, estaremos todas sendo agentes da verdadeira revolução.

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