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27 junho 2016

Todo mundo sabe, mas ignoram.....


Algumas coisas me irritam porque parecem vir com um ar infantil, quase inocente.

Assisti uma palestra sobre ''Intuição e aviso divinos'', muito interessante, mas para mim esse assunto continua esbarrando em outro: vida moderna.

A vida moderna não te impede de ter intuição nem de receber os avisos de perigo que os anjos mandam, mas em um contexto realista é uma coisa complicada viver ''lendo'' esses avisos na vida corrida que todos levam, apesar de saber que não escutar esses avisos te leva direto ao fundo do poço.

Já passei por esse duelo interno tantas vezes que perdi a conta, de um lado minha intuição berrando e do outro o mundo moderno me puxando pelo braço.

Uma vez me chamaram para um grupo de teatro. Marquei o horário para conversar com o diretor, mas chegando na porta tive uma sensação ruim, um enjoo. Minha vontade foi de sair correndo, mas vivo em um mundo exigente e as coisas funcionam assim, para tudo é necessário disciplina e foco, se você marcou a hora, você vai. E também o teatro é um meio pequeno, é ruim pegar fama de impontual.

Acabei entrando e no fim se revelou uma experiência desnecessária na minha vida, traumatizante e sem sentido, tudo isso durou uns meses, apenas porque lá trás eu não quis parecer uma pessoa irresponsável.

Uma vez um amigo me apresentou outro, desde o primeiro segundo as energias ficaram tensas entre nós dois e mesmo sem nos conhecer acabamos discutindo.
Me afastei e não disse nada, mas meu amigo foi atrás e me convenceu que foi uma bobagem, que me comportar como ''criança mimada'' não era a melhor solução, então mudei de ideia, apesar dos meus instintos e continuei falando com esse rapaz, que com o tempo virou meu amigo e foi até hoje a pior e mais perigosa amizade que tive. Tudo deu errado, me meti em milhões de encrencas por ele e tudo porque lá trás eu não quis parecer ''mimada'' ao virar a cara para uma pessoa.

Ninguém pode se queixar, todos recebemos centenas de avisos em relação a amizades, trabalhos e amores, até em questões técnicas.

Uma vez eu estava esperando uma consulta, tinha uma moça na minha frente, ela foi entrar no consultório e de repente disse a enfermeira ''não vou entrar, me deu uma sensação ruim''.
A enfermeira ficou quieta, mas a secretária escutou, não gostou e veio aos berros dizendo:

-Por isso temos problemas com os convênios, vocês marcam consulta, não aparecem, ou aparece e agora não quer entrar? Você sabe que o médico não recebe a consulta se você não entrar? Depois vocês ligam chorando ao convênio, implorando para ''encaixar'' uma consulta de emergência, mas na hora de vir não aparecem!

A moça resistiu e foi embora. Eu passei depois dela e não tive nenhum problema, mas não sei o que poderia estar destinado a ela.

São poucos os corajosos que conseguem fugir de situações assim, a maioria ainda vai em frente, pensando que foi só uma sensação ruim.

E alguns se enrolam, como eu, com um histórico de ansiedade e pânico, fico sempre na dúvida de quando é um ataque de pânico ou um aviso de que algo não está bem.

Só uma vez tive coragem de enfrentar a situação, estava em uma festa com um Romeu e seus amigos, conversando com eles, de repente me deu uma sensação tão ruim que me levantei e disse ao Romeu que estava passando mal, ele me respondeu para ir ao banheiro, o que seria mais lógico, mas me deu aqueles cinco minutos e preferi sair da festa, ele foi atrás com minha amiga, tinha uma farmácia na esquina e resolvemos ir lá, eu não ia comprar nenhum remédio, mas senti que precisava caminhar. Enrolei bastante, sem saber o motivo. Uma meia hora depois vimos o quarteirão inteiro ser fechado pela polícia e resolvemos ir embora, no dia seguinte fiquei sabendo que um amigo do Romeu tinha se enforcado na festa e todo mundo foi parar na delegacia para explicar o que tinha acontecido.

Me livrei dessa porque tive o ímpeto de sair correndo, mas muitas vezes fiquei e não posso nem descrever como paguei caro por isso.

Outra vez que fugi arrastei por anos a culpa, era para trabalhar em uma emissora independente, um moça ali me conhecia e brigou feio para que eu entrasse no projeto, entrei graças a ela, mas no primeiro dia de trabalho passei mal, o lugar tinha alguma coisa que eu não sabia explicar.

Resolvi não voltar mais e escutei de todo mundo durante anos ''depois reclama que não consegue um bom emprego''.

Duvidei um pouco se tinha sido um ataque de pânico ou outra coisa, mas acabei carregando a culpa mesmo assim, ainda por cima lamentei a amizade perdida.

Nunca mais falei com minha amiga, tentei ligar uma vez, mas ela foi gelada e desisti de me explicar. 
Anos depois alguém ligado a ela me contou que ela saiu correndo do projeto também, quando descobriu que aquilo era um ''inferno''.
Não sei o que aconteceu, nem como, nunca me contaram, mas isso me confirmou que meus instintos estavam certos.

É difícil seguir o instinto quando estamos presos a compromissos e comportamentos, ninguém gosta de trabalhar com pessoas que chegam tarde ou faltam logo na primeira entrevista.

O que eu posso dizer depois de tantos anos de experiência é que vale a pena ter fama de indisciplinada ou impontual, é melhor isso do que passar em cima de avisos divinos. Só Deus sabe do que eu teria me livrado se tivesse carregado a fama de indisciplinada no lugar de alguém que se recusa a escutar os avisos e conhece os piores infernos.

Também resisti demais a ignorar conselhos amigos, apenas porque não queria deixar ninguém chateado.
Uma amiga conhecia uma moça que fazia bolos e me indicou quando eu procurava alguém para fazer um bolo de brigadeiro. Na minha cabeça essa é a receita mais simples, mas a moça mandou dizer que nunca tinha feito um bolo grande de brigadeiro, sua especialidade era abacaxi, laranja e bolo branco de casamento, mas nunca fez de brigadeiro.

Resolvi procurar outra pessoa, mas minha amiga insistiu e fiquei sem graça de dizer que não, então encomendei um bolo de brigadeiro para uma festa grande.

Até hoje não entendi o que aconteceu, o bolo era de brigadeiro por fora, mas o sabor era péssimo, não sei onde ela errou, mas eu ainda por cima tive que pagar os materiais, porque ela insistia que tinha feito o ''bolo de brigadeiro''. Ninguém conseguiu comer um pedaço, foi direto para o lixo, pelo sabor de cru que tinha.

Escutar o instinto exige isso, contornar a vida, ignorar as pessoas ao nosso redor e passar por impontual várias vezes.

Durante o tempo que eu ignorei não o fiz consciente, os ataques de pânico me dominavam e seguravam minhas pernas, mas não tenho uma história ruim para contar. Talvez se eu falar com alguma pessoa dessa época ela lembre de mim como alguém que não chegou a um compromisso ou foi embora de repente. Mas são anos onde não marquei com X nada ruim na minha vida, as coisas eram normais.

Mas a partir do momento que me forcei a enfrentar os sentimentos ruins, pensando que tudo era pânico e eu deveria ser mais forte do que isso, bom, desde essa época posso contar centenas de tragédias que me acompanharam, amigos ruins, amores péssimos, situações que poderiam ter sido evitadas porque eu recebi o aviso, mas decidi ignorar, pensando que era adulta, madura e poderia controlar minha mente e as sensações ruins que tinha.

É claro que muitas vezes eram apenas ataques de pânico, mas muitas vezes foram avisos que ignorei.

Lembro de um teste, era para ir à noite, uma sexta-feira saturada, tudo deu errado e de repente fiquei presa no banheiro de um shopping, me pareceu uma eternidade até que aparecesse alguém para abrir a porta, porque tinha quebrado a fechadura. Quando saí do lugar percebi que estava chovendo, tive que esperar passar.

O aviso foi claro, mas eu não entendi ou fingi não entender.
Cheguei em casa e mandei um email para o produtor, implorando para fazer o teste porque tinha perdido o horário. Ele não aceitou, então mandei um email para outro produtor, que se comoveu com minhas súplicas e me deu um novo horário, era para ir ao teste as onze da manhã na segunda-feira.

Na segunda-feira tudo começou a dar errado, mas eu insisti na besteira, não sei como, mas cheguei ao teste. Lá fui apresentada a um ator, ele entrou na minha vida e acabou me causando muitos problemas, foi como uma corda que me puxou para o abismo.

E não é questão de jogar a culpa em ninguém, mas são situações que se podem evitar e mesmo assim não evitamos.

É uma luta para todos que vivem em um ritmo frenético, no meio de tanto barulho e exigências, é quase de malucos escutar o instinto e descer do trem.

Tenho uma amiga que passou por uma situação terrível. Trabalhava em um banco, um dia chegou e se sentiu mal, foi ao banheiro, demorou e quando voltou levou bronca do chefe, era fim de mês e o banco estava lotado, ela pediu para ir embora alegando estar passando mal, o chefe não permitiu e disse que se ela fosse embora estaria despedida, então ela aceitou um analgésico de uma colega e ficou.
Meia hora depois o banco foi assaltado e ela acabou levando um tiro no ombro, que implicou em uma cirurgia, fisioterapia e muita dor. Pelo susto do assalto-ficou refém- desenvolveu síndrome do pânico, no fim foi afastada porque não conseguiu mais entrar em um banco de novo.

E valeu a pena tudo isso? Tivesse escutado seu instinto teria perdido o emprego, mas isso me parece mais simples do que o calvário que enfrentou no assalto e depois dele.

E não é apenas para coisas deste mundo que precisamos ter o instinto afiado, é para tudo.

Uma conhecida da minha mãe comprou um apartamento, apesar de ter reclamado que o lugar era gelado. 
A corretora achou estranho porque é apartamento de frente, sempre tem sol.

A moça comprou e instalou um maravilhoso sistema de aquecimento.

Quando minha mãe ficou sabendo da história correu para a moça e avisou que morar em lugares gelados é um péssimo sinal, explicou os motivos e a moça respondeu:

-Ah, não acredito em essas coisas, mas mesmo se acreditasse não tenho tempo para resolver, passei seis meses procurando um apartamento que atendesse todas minhas necessidades, este é perfeito, perto da casa da minha mãe, do meu trabalho e ainda deu tempo de decorar antes de casar. Não tenho tempo para procurar outro e nem acharia na mesma área, porque vi todos os do bairro.

Em menos de seis meses a vida da moça virou, ela ficou doente, perdeu o emprego e o marido resolveu dar um ''tempo'', tudo isso porque lá trás ela mesma decidiu que não tinha tempo para procurar outro lugar.

O que deve ter acontecido com ela é bem comum, mencionada a exaustão nos livros e filmes, lugares frios, gelados, com quedas bruscas de temperatura indicam presenças no local, ou seja, espíritos inquietos que ainda não foram embora.

Muitas pessoas tropeçam nisso e ignoram, até minha mãe com todo seu conhecimento também errou, moramos uns meses em um apartamento que tinha muitos problemas, pensávamos que poderia ser qualquer coisa, nunca pensamos que poderiam ser ''presenças'' e tivemos as mesmas indicações que muitas pessoas, ambientes gelados, barulhos estranhos e a vida que começa a dar errado.

Existem lugares onde as pessoas dormem com cobertores até no verão e não se perguntam porque a casa é tão fria. 

Em geral a coisa é simples, se a casa tem uma temperatura menor que a rua indica problemas, mas se a pessoa está dentro da casa, faz frio e de repente fica gelado é porque o espírito passou perto dele.

É muito comum sentir frio em museus, cemitérios, hospitais e as pessoas pensam que é tudo culpa do sistema de ar acondicionado, como se fosse possível uma máquina descer tão rápido as temperaturas.

Mas quem não entende a moça? Você rala juntando dinheiro, procurando um apartamento, negociando o lugar, se mudando, decorando, gastando mais lá dentro e de repente vem alguém te dizer que ele é gelado porque deve ter presenças?
Você logo pensa ''que se foda!''.

É o ritmo ao qual estamos todos submetidos, cansados e enlouquecidos no meio de tantas exigências, mal podemos lidar com este mundo, imagina com outro.

E São Paulo é um lugar cheio de possibilidades, a pessoa pode procurar centenas de apartamentos até achar um, é uma rotina cansativa.

Entendo a moça, até me compadeço de sua ingenuidade de acreditar que um sistema de aquecimento vá mudar alguma coisa, não muda, eu já entrei em lugares de temperatura normal e de repente vi pessoas tremendo de frio.
E esse sinal de ''presenças'' sempre indica uma coisa ruim, não são boas presenças. Frio é um alarme para sair correndo do lugar, é um aviso de que você não está sozinha e conheço pessoas que fazem uma leitura das casas usando um termômetro, é impressionante como funciona.

E também depende do lugar, um amigo se mudou para uma casa e sentiu algo estranho em uma parte do pátio, em um canto do tanque de roupa, então isolou a parte com madeira, fechou o canto e nunca teve problemas, nem sempre as presenças estão por toda a casa, às vezes estão presas somente em um lugar.

Mas a maioria de nós ignora os avisos, intoxicados pelo ritmo da cidade, pela preguiça de começar tudo de novo, de procurar outra casa ou de ter que lidar com a fama de ''impontual''.

Ignoramos todos os avisos e pensamos ''que se foda!''.
O problema é que somos os únicos que nos fodemos na história, depois de fingir não ter visto ou sentido o aviso, somos nós que nos fodemos. Sempre.


Iara De Dupont

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