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12 junho 2016

Parece pior, mas melhorou.....


Durante muitos anos uma maldição me acompanhou, alguma coisa acontecia em datas especiais, como Natal, dia dos namorados, meu aniversário, rara vez eu tinha namorado e sofria muito por isso.

Minha mãe usou muito a frase ''só porque todo mundo tem, você tem que ter?'' e logo emendava com o clássico ''se todo mundo se jogar da janela, você vai se jogar também?''.

Mas a realidade que me cercava era igual a muitas, sou fruto de uma cultura e sofro influências de todos os lugares, logo a mídia me fazia sentir mal quando eu não tinha namorado em dias de comemoração.

Isso durou muito tempo, eu diria tempo demais, mas de repente me encontrei com uma frase perdida da minha abuelita, relacionada a outra coisa ''um dia melhora''.

É, deve ser isso, os dias se passaram e a situação começou a melhorar sem que eu percebesse, até que me encontrei em um lugar confortável.

Todo esse massacre que as pessoas sofrem em dia dos namorados e Natal, esse fuzilamento constante dos meios de comunicação que deixam claro que pessoas ''sozinhas'' não são pessoas realizadas na vida, só encontra seu final quando batemos de frente com uma verdade da vida: nada é melhor do que se concentrar em si mesmo e se agradar com presentes.

O outro lado da questão é sinistro, agradar o namorado ou o marido.

No momento que percebi como era manipulada pela situação e que não importava a decência do meu comportamento, nem a minha generosidade, os homens sempre fariam menos por mim, consegui me libertar.

Lembro de um dia dos namorados, fiz um almoço e convidei Romeu, mas minha casa era no centro e uns amigos chegaram sem avisar e não tive cara de pau de mandá-los embora, então ficaram por ali. Romeu não gostou, fechou cara e ficou claro que depois do que eles fossem embora eu levaria uma bronca.

Passei o tempo todo com o estômago enrolado, quando o almoço acabou, e eles foram embora, Romeu começou com sua longa lista, que ia desde sal que faltava na comida, até o fato de ter enchido os pratos dos convidados, enfim, passei horas escutando horrores.

Eu estava com sono, a noite anterior foi um inferno, para comprar, separar e cozinhar tudo, e o dia dos namorados terminou pior. Acabei sozinha arrumando tudo, porque Romeu foi embora.

Anos depois fui com outro Romeu a um restaurante vegetariano, ideia minha, no dia dos namorados. 
Chegamos lá e estava lotado, novamente eu tinha errado de Romeu e ele passou a tarde inteira me jogando na cara a espera no restaurante, a comida que foi servida fria, a conta alta. Outro dia dos namorados que virou um pesadelo.

E isso sem falar nos presentes. Nunca gostei de dar presentes óbvios, em alguns momentos achava mais fofo fazer alguma coisa, investir minha energia em algo mais pessoal e claro que isso nunca deu certo.

Depois comecei a namorar um Romeu desencanado, não gostava de datas. No dia dos namorados fui a sua casa e acabei fazendo um almoço com o que encontrei na cozinha. Eu estava terminando quando vi ele procurando alguma coisa na minha bolsa, perguntei o que ele queria e me respondeu:

-Cadê meu presente?

Falei que não tinha comprado nada, que ele mesmo disse que essas datas eram ''babacas'' e só serviam para enriquecer um comércio cretino. Então ele arregalou os olhos e disse:

-É fato, disse isso tudo mesmo, mas você me ligou hoje e eu te perguntei se você queria vir aqui, como topou pensei que iria me trazer algo.

Não trouxe.

-É bem a tua cara esse discurso contraditório, o outro dia você passou horas me dizendo que era falta de educação ir na casa dos outros sem levar nada, e agora você chega na minha, no dia dos namorados e não me traz nada? Você não tem nenhum discurso consistente.

Sim, esse era um esquerdo-macho, um barba-rosa, um psicopata, me levou a loucura durante três anos, no pior sentido da palavra.

Foi um dia estranho e longo, eu não reagia mais as agressões, mas naquele momento o dia dos namorados me pareceu uma prisão perpétua.

O namoro terminou em dezembro, mas o golpe psicológico foi tão forte que passei alguns meses anestesiada, não era falta dele, pelo contrário, mas eu tentava grudar os pedaços da minha autoestima, aquela que tinha sido triturada por ele durante três anos.

E em junho, um pouco antes do dia dos namorados,a irmã dele me ligou, dizendo que faria um churrasco para comemorar a data e que eu estava convidada, mas ela queria combinar comigo o prato que eu levaria. 
Eu não queria falar com ele, então perguntei a um amigo em comum qual era a origem do convite e ele respondeu ''ah, ele não contou para a família que vocês terminaram''.
Resolvi não dizer mais nada, não atendi mais as ligações da minha ex-cunhada, mas lembro que conversava com uma amiga sobre isso e ela falou:

-Nossa, sorte que vocês terminaram, porque você acabaria gastando na comida para levar, no presente e o cara não vale nada!

É verdade. Então percebi o quanto já tinha gastado na minha vida com os Romeus, todo o empenho que tive em dias especiais, todo o dinheiro que joguei no ralo. Pensei nas horas perdidas, na energia torrada e no pouco que eu recebia e nem falo da parte material, mas de tudo que envolve um relacionamento.

E foi graças a tudo isso que eu comecei a acordar para a vida e perceber que ainda não conhecia a alegria de gastar em mim, de me concentrar no que queria e não no Romeu. Me dei conta de todo o tempo perdido e todas as vezes que me joguei no abismo por alguém e como isso foi inútil.

Devagar fui me libertando das datas e da dor que me traziam, eu sofria quando estava sozinha, eu sofria quando tinha um imbecil ao meu lado, as duas possibilidades sempre me consumiam.

E tive claro uma situação, talvez um sinal divino. Na véspera de algum dia dos namorados fui à uma loja de chocolates e entrei em um dilema, eu só tinha dinheiro para comprar uma caixa de chocolates, uma era de cerejas ao licor, que eu adoro, mas Romeu não gostava, e a outra era de bombons de menta, que eu odeio, mas eram os favoritos de Romeu. Eu sabia que se comprasse os bombons de menta não iria comer nenhum, mas na hora me pareceu a melhor escolha, já que a ideia era agradar meu namorado.
Levei a caixa de bombons de menta e dei a ele no dia dos namorados. Eu não ganhei nada aquele dia porque ele estava chegando de viagem e não ''tinha tido cabeça para lembrar essa merda de data''.

No ano seguinte eu já estava solteira novamente e por essas estranhas coincidências da vida passei na mesma loja de chocolates, perto do dia dos namorados e vi novamente as caixas de bombons, de cereja no licor e de menta.
Mas agora eu estava livre e tinha mais dinheiro! Entrei e me dei de presente duas caixas de bombom de licor, uma que comi no mesmo dia, a outra foi meu presente no dia dos namorados.

Não falo mal da data e sei que existem homens decentes, que compram bons presentes, ou pelo menos são agradecidos quando os recebem, mas isso não fez parte da minha trajetória amorosa durante anos, eu vivia aprisionada nas datas e sofria à toa. 
Datas comemorativas me pressionam e estressam, me fez bem relevar todas.

Fui educada como milhões de mulheres, ensinada desde pequena a agradar homens e tentar jogar rosas e algodão na minha vida amorosa,  mas só recebi tapas e comportamentos grosseiros, até que cansei de tanta falta de educação.
Me acostumei a escutar que tudo era ''frescura de mulher'', se eu dava um presente escutava isso, se eu reclamava da indiferença, escutava isso, qualquer movimento meu era rotulado desse jeito ''é frescura de mulher''.

E hoje percebo como os homens são educados para serem assim, grosseiros, sem educação e ingratos, e nós, mulheres, somos educadas para tolerar tudo e ainda por cima quietas.

Não foi a data que me cansou, foi a maneira ríspida na qual fui tratada durante anos. 
Assumo minha parcela de culpa ao escolher os parceiros, mas hoje vendo com calma percebo que a maioria dos homens são rudes com as mulheres e tratam as datas comemorativas como se fosse ''frescura de mulher'', mas se a mulher não fizer nada eles reclamam, ou seja, não tem saída.

E a filha da minha vizinha, de cinco anos, me disse:

-Amanhã vai ser legal né!

Por que?

-Porque você vai ganhar presente do namorado!

Não, eu não tenho namorado, mas de repente posso me animar e sair e comprar alguma coisa que eu goste.

E percebi que ela me olhou com uma mistura de pena e curiosidade, logo disse:

-Ai, que triste não ter namorado, nem presente!

Presente eu tenho, o que não tenho é namorado.

Ela é muito pequena ainda, não posso sentar e explicar que parece pior, mas melhorou......

Sei que as datas comemorativas são uma estratégia de marketing, mas todos mexem com nossas emoções, não temos como fugir desse assédio.
E não tenho nada contra, também acho fofo trocar presentes e passar o dia com o namorado, mas para mim isso se tornou sufocante desde que descobri o poder que tenho na minha vida, as coisas que posso fazer e ter sem precisar de ninguém e como é bom viver sem a pressão de ter que fazer alguém feliz ou ficar pensando em como agradar homem.

O problema é que vivemos em um mundo que inverteu a ordem, se pelo menos nos ensinassem a ter autoestima primeiro, a nos amar, cuidar e mimar, que a gente se cuidasse com o mesmo amor que cuida os outros, que gastássemos nosso dinheiro primeiro em nós, depois nos outros, seria um mundo com menos dor, mas somos ensinadas a começar pelo fim, a pensar em alguém, agradar, gastar dinheiro e só receber coices.

Não sei se um dia vou comemorar a data dos namorados com alguém, mas isso não me atormenta mais, ainda vivo embriagada no prazer da liberdade, em comprar minhas caixas de chocolate, em pensar no que me faz feliz, e isso me deu muito espaço mental livre de estres. Não tenho mais vontade de viver as emoções tóxicas que um dia vivi, a pressão da data, as exigências do amor.

Muita gente acha que não ter namorado é apenas uma questão de liberdade, mas vai além disso, a gente se livra por um bom tempo da tensão que agradar alguém implica. É bom passear pelas lojas e pensar no que eu gostaria de comprar que me agradasse, não ficar pensando no outro.

Talvez eu enjoei de tudo porque pensei demais nos Romeus, sei que cometi esse erro, mas consegui me libertar a tempo, e não tenho nada contra a data, nem os presentes, nem os casais felizes, mas eu sou uma pessoa intensa, não posso me concentrar em mais ninguém além de mim mesma, pelo menos por agora, nesta fase de reconstrução e ao mesmo tempo de destruição, quebrando todas as paredes que me sufocaram por anos, aquelas que exigiam de mim um comportamento amoroso com os Romeus, mesmo que eles só me dessem chutes.

Lembro de ter entrado na loja de chocolates e a vendedora me perguntou:

-Que chocolate agrada mais seu namorado?

Não sei, não me interessa. Daqui pra frente só quero saber o que me agrada e eu prefiro cerejas ao licor.

Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Estou acompanhada mas apluado de pé tudo o que você falou, já vivi esses estresses de tentar fazer um agrado e tomar coice, hoje ignoro também. Acabei recebendo uma lembrança na data mas anos atrás ouvi mto que só gosto de receber presentes nestas datas que se der em um dia comum eu não dou valor, a verdade é que eu ganho presentes da pessoa que está comigo, quando não é presente ela sempre me pergunta se quero ou preciso de algo. Enfim foram anos ouvindo dele que ele odeia datas. Infelizmente eu gostaria que fosse diferente mas nao gasto mais energia mesmo, nem com esse relacionamento nem se eu venha a ter outro. A gente tem que aprender a dar menos pq só ensinam mulher a doar e a gente nunca recebe nada. Você tem a sim Iara, você tem a essa mulher que vc se tornou. É muito triste o que a gente passa para virar essa mulher mais firme menos sensível. By the way muitas vezes datas geram estresse. Não só com namorados, esse Natal foi em minha casa e eu só tive estresse fiz com amor mas é complicado agradar parentes, romeus qualquer pessoa, hoje ainda me esforço para agradar minha mãe pois ela já tem idade e passou por muita mas em suma eu hoje tbm não quero agradar ninguém se não a mim.
É muita energia que a gente gasta pro romeu,para um irmão, amiga e não ouvir nem obrigada ou pior quando você estar na pior ninguém lembra de te ligar mas quando precisa seu número todos lembram.
Eu me identifico com tuas postagens. Não é ser fria, insensível ou com traumas como mtos dizem. Vou te falar uma coisa flor as pessoas botam defeito quando paramos de agir como capachos. É dolorido, vc passa a imagem da cavala da família mas é só pq eles não tem mais a trouxa ali.
Então sejamos fortes.

Patricia Gabriel disse...

adooro bombom de cereja com licor também,odeiooo os chocolates de menta também,e não,eu não daria nada pela data sem que eu tivesse recebido também,de preferencia primeiro e nem precisa ser presente,vale a intenção a boa vontade,sabe,faça uma coisa por mim que eu preciso,algo assim...decididamente,Iara dia dos namorados não é exigência do amor,mas sim do capitalismo exacerbado que grassa por aí!

Patricia Gabriel disse...

anonimo,eu compreendo tooda a tua angustia deste comentário,porque vivo exatamente isto;quando a gente deixa de ser trouxa dos parentes,passa a ser a''cavala,mal educada,amarga,radical''...ah,que se danem!Eu tbm quero me amar muuito,adooro gastar comigo,quando posso!

Anônimo disse...

Obrigado Patricia. Sejamos fortes e nunca voltemos a ser trouxas.

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