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10 junho 2016

O tamanho do nosso amor (homens são fracos)


Talvez, não sei, eu nunca deixe de me surpreender com as mulheres e o tamanho do seu amor. E o outro lado, os homens, também me surpreendem com seus constantes comentários toscos sobre relacionamentos.

Verdade seja dita, os homens não sabem do que uma mulher é capaz em um relacionamento nem de sua capacidade de esconder o que acontece ali, criando situações que não existem, tudo para proteger o homem que amam.

Como desconhecem tudo o que fazemos para amenizar sua vida são grosseiros e ingratos.
Hoje tive outro exemplo disso, ao conversar com um amigo, que não demorou em me dar a longa lista de reclamações sobre seu relacionamento:

-Sabe, Iara, acho que você está certa, casamento é um porre.

Eu nunca disse isso, até porque nunca me casei, só acho que a ideia é pesada.

-Tudo é pesado, a ideia, a convivência, e já sei que você vai subir paredes, mas as mulheres são impossíveis de conviver, vocês surtam com tudo! 
Já morei com meu irmão, primos e amigos, e ninguém enche tanto o saco como mulher!

Tua mulher te enche o saco?

-Porra! O dia inteiro! Tudo tem que ser do jeito dela, não posso jogar o paletó no sofá, tem que ficar na cadeira, tenho que secar o chão do banheiro depois do banho, enfim, são detalhes, sei que ela trabalha mais do que eu, mas vocês não entendem um ponto básico.

Qual?

-Alguns homens, como eu, não queremos escravas, nem mulheres limpando, a gente só quer que as coisas se danem entendeu? Se o chão está molhado, foda-se, eu não quero que minha esposa seque nem quero secar, deixa lá, um dia ele seca sozinho!

Essa ideia é constante nos homens brasileiros, mimados, mas as coisas não secam sozinhas, a comida não se joga nas panelas, as compras não caminham do supermercado a casa, tudo tem que ser feito por alguém.

-Digo a minha mulher ''deixa pra lá'', mas ela pira e enche meu saco. Quer saber? Não aguento mais, só não mando à merda porque gosto de mulher e sei que a que eu pegar vai ser igual, não tem jeito.

Tem umas diferentes, como minha prima, ela não sabe cozinhar, não sabe fazer nada em casa e minha tia diz que ela não lava nem a calcinha, está acostumada a chegar em casa e ir jogando a roupa pelo caminho. E se casou com um porcão igual a ela, mas acho que separou, então você pode tentar ali, de repente dá certo, ela pensa como você ''as coisas da casa que se fodam''. Ah, e também não sabe fazer supermercado!

-Mas que merda, hein? E por que saiu tão inútil?

Minha tia criou ela assim, como rainha, escolheu até o vestido de noiva dela, minha prima não sabe fazer nada além de comer, ver televisão e gastar dinheiro. Me parece que pode ser uma ótima esposa para você!
Mas não entendo, o que tua mulher faz que tanto te irrita?

-Essa obsessão pela limpeza da casa, acho irritante.
Meu avô sempre disse isso ''depois que o homem casa, a vida acaba, vai perceber como era feliz e não sabia''.

Bom, não sou a pessoa certa para fazer esse tipo de comentários, não tenho tolerância a essa misoginia disfarçada de ''conselhos do vovô''.

-Mas sabe o que acho engraçado em você, Iara? Que você namora homens, sua lindinha! Se defende tanto as mulheres, por que não namora uma e sente na pele o que é essa loucura pela organização em casa?

Ninguém escolhe condição sexual, paciência, minha condição sexual no momento, hétero, é uma cruz que eu carrego em silêncio. 
E não tenho problema nenhum com a casa, nem sua limpeza, eu arrumo a minha e gosto de tudo cuidado, não tive a vida mansa dos homens, fui criada para sempre arrumar meu espaço, não tive autorização de ficar coçando o saco assistindo televisão.

-Bom, eu acho tudo ligado a casa monótono e me tira do sério pensar no tempo que perco com a Beatriz discutindo sobre isso.
Vocês, mulheres, irritam os homens, levam eles à loucura e depois não sabem porque eles saem correndo e não voltam mais!

Sempre é a gente que faz isso né!

-É, eu sou um cara tranquilo, estou me lixando para a limpeza da casa, já falei para a Beatriz desencanar mil vezes disso, não peço nada a ela, não exijo, eu só quero viver em paz com minha mulher sem discutir quem vai secar o banheiro.

Está muito cansado do casamento?

-Sinceramente? Exausto! E eu sou legal viu? Nem reclamo que o sexo está ruim, que ela vive irritada, que cozinha mal para pra caramba, que perde horas no telefone com sua mãe, que vive salvando a irmã delinquente das enrascadas, que tem um péssimo humor, enfim, não falo nada, fico na minha, custava ela ser um pouco mais tolerante e menos obsessiva com a casa?

E falou por horas da Beatriz. Poxa, Beatriz é tensa mesmo, está estragando o casamento, porque nem sexo rapidinho ela topa!

O problema da história? Eu conheço a Beatriz. Sei vagamente o seu lado, porque ela é discreta, ao contrário do marido. 

Beatriz se casou com meu amigo há uns oito anos. Um casal jovem, bonito e cheio de energia. Ela é como muitas mulheres, levou à sério o casamento e sua casa, cuida de tudo no maior amor, sim, no maior amor.

Há menos de dois anos tiveram gêmeos, foram bebês prematuros, um dos meninos teve muitos problemas, não sei se é bronquite, asma, alergia ou a soma das três, mas isso exige que Beatriz mantenha o ambiente de sua casa limpo, livre de poeira, o outro menino tem problemas de locomoção, escorrega demais, cai, levanta, enfim, isso faz Beatriz manter o chão seco, para evitar que o menino se machuque. Trocaram todo o piso do apartamento, colocaram antiderrapante, para proteger o bebê. Qualquer chão molhado é arriscado para o menino, por isso ela pede ao marido para manter tudo seco.

O bebê que tem problemas no pulmão sofre umas crises, então Beatriz corre ao hospital no meio da madrugada. Já gastou fortunas colocando umidificadores de ar, gastou seu dinheiro, porque ganha mais do que o marido.
E ainda lida com uma questão delicada, o marido fica assustado quando o bebê não consegue respirar e não acompanha Beatriz ao hospital, ela vai sempre sozinha, porque ele  fica trancando no banheiro com diarreia pelo nervoso.

E Beatriz só fala bem do marido, um pai dedicado, um homem trabalhador, uma pessoa generosa.
Como amiga posso dizer que está certa, ele é uma pessoa legal, mas como todos os homens vive mergulhado no seu ego, na sua falsa importância, e critica a mulher sem perceber que Beatriz com certeza descobriu uma coisa sobre seu marido e a esconde de todo mundo.

E não a julgo por isso, todas as vezes que eu descobri a mesma coisa sobre o meu Romeu, eu escondi. E escondi tão bem que quase esqueci, inventei uma história e acreditei nela, anulando o que tinha descoberto.

Todas as mulheres descobrem isso no meio do caminho, pode ser uma intensidade maior ou menor, mas descobrimos isso e fingimos que não é verdade.

Eu fingo, elas fingem, todas fingimos e os homens não sabem disso.
Beatriz descobriu no meio da estrada, ou talvez antes dos gêmeos nascerem, um fato incontestável: seu marido é um fraco.

Sim, nós, mulheres, sabemos disso e escondemos, todos os Romeus são uns fracos, pelo menos mais fracos do que as mulheres.

Ah, e podem existir mil explicações para isso, a educação, a cultura, até aquela famosa teoria de que a força da mulher vem da dor, então somos mais fortes, mas a verdade é uma e sempre é negada por todas: eles são fracos.

E o que fazemos? Tentamos fingir, mentimos dizendo que não é assim, ''ele é ótimo e sempre me dá apoio'', mas sabemos que recebemos o mínimo. 
Nos fingimos de frágeis e carentes, mas em um relacionamento quem mais dá colo somos nós, a corda que rasga a pele somos nós que seguramos.

Beatriz ganha mais, trabalha muito em casa para manter seus filhos seguros, não reclama de ir ao hospital sozinha durante uma crise do bebê, não fala a ninguém o forte que é, tudo para que Romeu não pareça fraco.
Ora, mas ele tem crise nervosa e fica com diarreia!?
E Beatriz tem espaço para isso? Uma mulher pode se dar o luxo de ficar no banheiro enquanto o filho para de respirar? Não.

Me chamam de misândrica e dizem que faço apologia ao ódio pelos homens, mas sempre me pergunto, quando eles criticam tanto as mulheres, o que seria isso então?

Meu amigo detonou a esposa, está cansado do casamento, mas ela não parece cansada de cobrir suas falhas e fraquezas.

Sim, Beatriz sabe que seu marido é fraco, mas o ama mesmo assim, porque esse é o tamanho do nosso amor, meio sem noção, é sempre aquela energia que se perde, mas nós, mulheres, que amamos os homens, fingimos não perceber que são fracos e somos nós que seguramos o teto da casa.

Ele, como todos os homens que conheci e convivi, reclama das chatices da mulher, que ela pega no pé, que ela isso, ela aquilo. Ela, como todas as mulheres que conheci e convivi, mantém o sorriso, deixa o homem se exibir, cuida da casa e dos filhos como se fosse uma leoa e não diz nada sobre a fraqueza do marido.

Nenhum homem reconhece isso, outra coisa que atormenta minha alma. Nós escondemos suas fraquezas e recebemos tapas em troca. Cuidamos de suas casas, filhos e vida, e pelas costas somos chamadas de malucas. Engolimos que é um fraco e eles não têm a menor vergonha em dizer que estão cansados de nós.

E volto ao ponto, também carregamos nossa culpa nisso, deixamos que sejam fracos, não exigimos postura e cobrimos suas falhas, eles pensam que são fortes, estufam o peito e nos criticam sem parar.

Nós, mulheres, sabemos que vocês, homens, são fracos. E talvez isso nem nos incomode, o que dói na alma é a critica constante e a falta de reconhecimento a todo o empenho que jogamos na casa, no relacionamento, na vida a dois.
Beatriz não limpa a casa porque é maluca, nem seca o chão do banheiro porque é desequilibrada, ela faz isso para manter os filhos seguros, mas a leitura do marido é que ela ''enche o saco pra caralho''.

E por quê mulheres, aguentamos isso? Será que não é o momento de começar a pensar até onde vamos aguentar tanta violência, agressão, más palavras? E por que aguentamos alguém reclamando de nós, enquanto cobrimos sua fraqueza?

E que maior sinal de fraqueza do que criticar quem te ama e cuida, sem te lembrar que você é um fraco?

Cada dia me convenço mais, homens não reconhecem o amor que recebem e nem percebem como escondemos do mundo que são fracos.

Sim, eles são fracos, mesmo assim os amamos. E eles parecem fazer o movimento contrário, nos odeiam, mas também escondemos isso, o ódio com o qual nos tratam e desprezam nossas ações. Por quê fazemos isso, escondemos seu ódio e suas fraquezas?
Não sei. Penso no Padre, que sempre diz durante a missa ''eis o mistério da fé''.
Deve ser isso, o mistério da fé que as mulheres têm nos homens e nos relacionamentos. Só pode ser isso.
Não acho outra explicação. Mas sinto uma coisa no fundo da minha alma: chega de aguentar esse comportamento masculino, agressivo e fraco. Chega.


Iara De Dupont

Um comentário:

Ana Carolina disse...

É desse jeito mesmo! Casamento é muito mais trabalhoso para a mulher do que para o homem, mas, claro, os homens não enxergam isso.

Beijos,
Carol (da Angel, rs...)

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