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19 junho 2016

Minha abuelita e o chocolate quente de Sor Maria

CAFÉ TACUBA - Calle de Tacuba 28, Cuauhtémoc, Centro, 06010 Ciudad de México, D.F., México
Há muitos anos, antes da cidade ser invadida pelo tráfico e violência, a Cidade do México tinha uma vida noturna espetacular.
Os mexicanos são um povo ligado a comida, música e rua, são de espaços abertos e seguem ao pé da letra o calendário católico, fazem festas todas as semanas nas igrejas conforme manda o ritual.

E não é uma vida noturna de adultos, outra ligação profunda que eles têm é com a família, é normal em muitas comemorações, mesmo que cruzem a madrugada, levarem as crianças.

E todos os lugares são bons para isso, a Cidade do México é cheia de igrejas maravilhosas e espaços públicos que podem ser ocupados, assim os mexicanos construíram uma vida noturna muito rica e sem frescuras, os grupos se juntam e todos são bem vindos, apesar da presença da bebida a maioria são festas familiares e pacíficas.

Como minha abuelita era católica eu fui levada a todas essas festas, só não fui a mais porque meu pai não deixava e minha mãe resistia, eles acreditavam que criança tinha que ter horário para tudo e me tirar da cama no meio da noite não era do agrado dos dois, mas quando eu ficava na casa da minha abuelita ela me colocava para dormir de tarde, assim de noite eu estaria com pilha para ir as festas.

Tenho algumas primas que nunca foram porque os pais não deixavam, mas meu tio sempre levou suas filhas e outra tia também, no pior dos casos éramos pelo menos oito crianças.

Uma parte da família da minha mãe sempre teve paixão pela vida noturna, em especial minha abuelita, que adorava sair à noite.

E ela gostava de nos levar a tomar um chocolate quente em um restaurante, Café Tacuba, não era longe de sua casa, mas só podíamos ir depois da meia-noite, porque era o horário que a freira preparava a bebida.

Não sei quantas vezes fui, não lembro, mas minha abuelita adorava o chocolate, ficava tentando adivinhar o que tinha ali que o fazia ser tão gostoso. O garçom disse que era cacau, leite, gotas de baunilha e mel.

Fui embora do México quando era criança e só voltei na idade adulta, mas minha primeira impressão da vida foram os cheiros de comida nas ruas, as luzes ligadas, a música e um monte de igrejas. Sempre tive a sensação de que o México era um país em festa, longe de todos os problemas.

E quando voltei fui estudar e um dia consegui uma participação em um comercial, pediram que todos os atores se encontrassem as seis da manhã em frente a um teatro, chegando lá fomos levados ao Café Tacuba, o comercial seria gravado ali.

Fiquei muito feliz, eu não entrava no lugar há anos, mas percebi que a equipe técnica e alguns atores não gostaram e fecharam a cara. O diretor do comercial era um espanhol e ficou impaciente com a má vontade generalizada.

Eu comecei a escutar uns murmúrios de algumas pessoas, que diziam que o lugar não era bom para gravar, que todos sabiam que a ''freira'' ia colocar todo mundo para fora, que sempre dava problema gravar ali.

Foi um dia longo, pesado, chato e cheio de contratempos, a cozinha teve um problema de vazamento de gás e ficamos sem comida, alguém saiu e trouxe hambúrgueres, todos frios, o banheiro era pequeno para tantas atrizes se arrumarem e não podíamos circular pelo lugar porque os figurinos eram pesados e grandes. 

Em algum momento eu disse que ia ao banheiro e uma moça da produção, bem grosseira, me disse ''de novo?Porra, vou ter que ir com você''.

Fiquei sem entender nada e respondi ''não precisa, não sou criança, sei o caminho''.

E ela disse ''vamos logo e não me enche o saco''.

Naquela hora pensei que era algo ligado ao figurino, como ia ser um comercial em uma época especifica estávamos todas com figurinos caros e que exigiam cuidados para não se sujarem, então não disse mais nada.

O dia parecia não acabar, uma lâmpada explodiu, atrasou mais ainda e todos reclamavam.

Na hora de ir embora liguei para minha mãe, sai na rua para ligar de orelhão, não tinha celular ainda. Mas minha mãe e eu nunca nos entendemos com os horários, toda vez que eu falo uma hora, ela chega três horas depois. Lembro que liguei exatamente as nove e quinze da noite, calculei que ela chegaria em quarenta minutos, perto das dez da noite.

Eu já tinha tirado o figurino, mas ainda estava com o penteado e a maquiagem, voltei e comecei a me preparar para ir embora, enquanto os atores saiam de lá.

Lá pelas dez e meia da noite a equipe já tinha desmontado tudo e minha mãe não chegava. Escutei quando um assistente disse ao diretor ''bom, dentro do possível até que a freira foi legal''.
E lembro que na hora pensei ''caramba, essa mulher ainda trabalha aqui!''. 
Estava lá desde a época da minha abuelita!

As onze da noite não tinha mais ninguém lá dentro, apenas eu, vi um vigia fechando as portas, e fiquei sentada em uma poltrona, ele se aproximou e disse:

-Moça, vou fechar.

É, já percebi, mas será que o senhor se incomoda se eu ficar mais um pouco? Estou esperando minha mãe.

-Você pode esperar lá fora.

Mas só dez minutos, por favor....

-Não posso moça, eu mesmo não posso ficar aqui dentro.

E fica onde?

-Dentro do meu carro, aqui na porta. 

Me deixa aqui só dez minutos....

-Não dá, tenho que fechar tudo antes da meia-noite, e olha, a freira não vai gostar, depois dá problema para meu lado.

Eu posso falar com ela? É só até minha mãe chegar....

-Não dá para falar com ela, mas a moça precisa sair, vou fechar tudo.

Fui para a rua e duas coisas me impressionaram, o frio seco, diferente do frio úmido de São Paulo e a escuridão da rua, como é uma zona central não se vê uma alma viva no período da noite. Fiquei ali parada sem saber o que fazer, vi quando o vigia fechou tudo e entrou no carro, faltavam quinze minutos para a meia-noite.

Ele fechou tudo, mas as janelas de vidro não tinham proteção, de repente, depois da meia-noite, uma luz se acendeu perto da escada, fui até o carro do vigia e disse a ele que tinha alguém lá dentro, podia ser alguém da produção e ele respondeu:

-Não é da produção porque olhei o restaurante inteiro antes de fechar, é a freira que desce para ficar na cozinha.

Ah, que bom, deixa eu ir lá e pedir para ela me deixar entrar, até minha mãe chegar.

-Moça, você tem algum problema? Não sabe que a freira morreu no século XVII?

Com certeza! E vai estar ligando luzes três séculos depois?

Me afastei e pensei ''vigia babaca''.

Um pouco depois minha mãe chegou, teve um incidente estranho, morávamos perto de uma linha de trem, mas nunca passava nenhum e justo nesse dia ela teve que esperar duas horas até que todos passassem, para poder atravessar o lugar.

Minha abuelita ainda estava viva e no dia seguinte corri para contar a história para ela, eu dormi morrendo de ódio do vigia, achei que ele me deixou no meio da rua, passando frio, porque era um filho-da-puta.

E minha abuelita me disse:

-Ele está certo, a freira Sor Maria Blasa de Sacramento morreu no século XVII.

Mas você levava a gente para tomar chocolate quente lá dizendo que era ela que fazia!

-É verdade, é ela que faz até hoje, como você acha que um restaurante sobrevive tanto tempo? Porque o tempero dela é bom.

E desde quando morto cozinha?

-Desde sempre, eles são energia e podem modificar os alimentos, todo mundo aqui na cidade sabe que quem cozinha lá é a freira.

E como ela foi parar lá?

-Coitada! Ela nasceu no século XVII e desde pequena gostava de cozinhar, aprendeu com a mãe, mas alguém espalhou que a moça que a cuidava era bruxa e passou a menina receitas de poções mágicas para enfeitiçar as pessoas, o pai ficou apavorado, ele via que a menina não queria sair da cozinha, era apaixonada pelas panelas e temperos, então sem outra saída ele teve que trancar a menina em um convento, mas com uma ressalva: que nunca a deixassem chegar perto da cozinha, porque ela sabia fazer receitas de feitiços.

Hoje, onde é o Café Tacuba, era o convento das Clarissas, onde ela foi colocada à força, mas para mantê-la longe da cozinha a mandaram trabalhar na parte do convento que era um hospital, o Hospital del Divino Salvador, mas era apenas para doentes mentais, e ela foi obrigada a ficar ali cuidando dos pacientes.

Um dos paciente se apaixonou perdidamente por ela, ficou louco de amor, mas era um desequilibrado e quando foi rejeitado por ela, que vivia no celibato e era dedicada a sua fé, ele perdeu a cabeça e a matou a facadas, perto da escada.

Ela morreu ali no convento, perto da cozinha, então todos acreditam que foi para lá. E foi convento até 1912, quando a casa foi vendida e virou o restaurante. 
E desde o começo todos começaram a falar da sombra que subia e descia as escadas, do tempero maravilhoso do lugar. Existem centenas de relatos de pessoas que já a viram ali, muita gente acreditou que ela estava viva.

E quem trabalha na cozinha já sabe, se a comida não está boa o prato vai para o chão, ela fica perto de todos, dando voltas e colocando pressão. 
Tive uma amiga que trabalhou de cozinheira e disse que a primeira orientação que recebeu do gerente foi de não olhar para os cantos, e se a Sor passasse perto fingisse que não viu. 
Também dizem que se a comida está ruim ela derruba a bandeja do garçom ou fica na beira da mesa para avisar que não está boa.

Ela circula por ali, mas dizem que cozinha apenas a partir da meia-noite, que depois desse horário o tempero é outro. E ficou famosa pelo seu chocolate quente, o segredo é mexer bem até o cacau se integrar ao leite, ela deve ficar ali mexendo e sempre sai bom.

E as pessoas sabem disso e continuam indo ali?

-Porque a comida é boa! Ela não é má pessoa, cuida do lugar, sua paixão é a cozinha, não faz mal a ninguém, mas tem a rigidez das freiras, não gosta de gente bêbada, coloca para fora, não gosta de barulho e fica feliz com a casa cheia. Dizem que se ela está feliz aparece no topo da escada, porque foi o último lugar onde foi vista com vida.
Já levaram até um médium!

E ele disse o que?

-Ele conversou com ela, ficou com pena, disse que a Sor apenas falou ''por favor, me deixe ficar, me tiraram da cozinha em vida, me deixe ficar em morte''.
Os proprietários não se incomodam, sabem que a fama dela leva muita gente ali.

Mas se ela é tão boa pessoa porque o pessoal da gravação do comercial ficou de cara amarrada?

-Bom, acho que isso tem a ver com a outra parte da história, para a Sor o lugar ainda é um convento, ela não gosta de bagunça ali, imagino que vê as pessoas comendo como se fossem pacientes ou as outras freiras, então sempre comentam que quando entra gente de fora para fazer qualquer coisa ali que não seja comer, ela coloca para fora.
Uma vez fui com teu avô, que exagerou no conhaque, mas adorava a comida, ele se levantou e disse ''um brinde para Sor Maria, porque ela cozinha bem pra caralho'', na hora o restaurante aplaudiu, começaram a fazer barulho e a luz foi embora. De repente fez um frio incrível e todos vimos quando uma sombra luminosa apareceu descendo a escada, alguém gritou ''ela não gostou'' e todos saíram correndo do lugar, aos gritos.
Ela coloca para fora mesmo! É como te disse, tem a rigidez de uma freira, não dá moleza.

Mas não entendi porque a moça da produção quis me acompanhar no banheiro....

-Porque dizem que ela vigia tudo, como freira é dura nas regras, espera a pessoa entrar no banheiro e depois se a pessoa não puxar a descarga, ela vai lá e puxa! Não se esqueça que as freiras não tinham privacidade no convento, elas sempre eram vigiadas por outras, dizem que Sor ignora os homens, mas fica de olho nas mulheres, quando elas vão ao banheiro ela vai atrás, por isso sempre dizem ''se for ao Café Tacuba não vá ao banheiro sozinha'', é a parte além da cozinha que ela mais aparece.
Ela te assustou?

Não! Mas eu não sabia da história, se tivessem me contado antes teria me cagado de medo lá mesmo!

-Ela está sempre ali, mas só é vista depois da meia-noite, antes disso não. É perto do horário que foi morta, dizem que ela entrava na cozinha do convento escondida, para cozinhar, e estava entrando lá quando foi surpreendida pelo maluco que a matou.
Falam que a comida tem outro sabor depois da meia-noite, outro tempero, mas também dizem que ela cozinha bem cedo, perto do café-da-manhã.
E culpa da fama do lugar foi causada pelos teus amigos atores!

Que amigos?

-Como o lugar tem boa comida e um bom preço, era invadido por atores na madrugada, porque ali perto tem vários teatros, inclusive o Teatro México, um dos maiores e mais antigos, os atores terminavam suas funções e corriam para o Café Tacuba, para jantar e cortar a madrugada bebendo. E a Sor começou a ficar irritada com a baderna, começou colocando todo mundo para fora, até que a fama se espalhou, de que a freira não gostava de bagunça no lugar, mesmo assim as pessoas resistiram e sempre foi considerado ponto de encontro de atores, músicos, poetas e escritores, ainda deve ser assim.

Você acha mesmo que ela cozinha ali?

-Tenho certeza, fantasmas sentem amor e ódio como nós, acho que ela gosta de ver a casa cheia, cozinha com amor, porque a fama do lugar sempre foi de comida boa. Eles sabem espalhar energias e mudar as coisas ao nosso redor, ela deve passar ao lado dos pratos e mexer de uma maneira invisível para que fiquem tão saborosos e não é má, os cozinheiros nunca saíram correndo de lá, não tem nenhuma dança das cadeiras ali, os funcionários trabalham tranquilos. Sor pode ser um fantasma, uma lenda urbana, mas era apenas uma menina que foi levada a um convento à força, em uma época de ignorância onde qualquer coisa era vista como adoração ao diabo, as pessoas não pensavam, agiam de maneira estúpida e muitos acreditavam que se algum mal se aproximava das filhas o melhor era isolar as meninas em um convento. 
Sor Maria era uma menina, que viu sua paixão ser interpretada de uma maneira vil, foi afastada de sua família, colocada em um convento rígido e ainda por cima obrigada a cuidar de pacientes com problemas mentais, sem ter a estrutura, idade ou conhecimento para isso.
Que mal ela pode fazer? Nenhum. Que mal ela sofreu? Todos.
É uma menina brincando com sua colher de pau, em um banquinho na cozinha, sonhando com as panelas. 
Se você leva um susto com um fantasma fica intolerante, pega raiva e esquece que um dia o fantasma já foi um ser vivo, com as mesmas vontades que você, talvez os mesmos sonhos.
Sor não quer o mal de ninguém, só quer cozinhar e não atrapalha a vida das pessoas, está na cozinha por amor, muito melhor que tantos vivos que cozinham de má vontade!

Mandei um email para uma amiga que mora na Cidade do México, perguntando se ainda existe o Café Tacuba, ela me disse que sim, então perguntei se Sor Maria ainda cozinha por lá e minha amiga respondeu:

''Acho que não! Mudou de dono e parece que ele não gostava da fama do lugar, mas sabia que não poderia mudar nada, então o que fez? O Café continua funcionando, mas agora fecha as 23:30, não tem mais chocolate quente depois da meia-noite feito pela Sor Maria. Acho que ela deve ficar vagando ali, triste, ao ver o lugar vazio''.

Que coisa tão cruel! Todos sabem que Sor Maria só cozinha depois da meia-noite e o novo proprietário faz questão de fechar o lugar antes!

É o que eu sempre digo, os mortos não são capazes de nenhuma crueldade do tamanho que os vivos são!

O que custa deixar o lugar aberto um pouco mais tarde?

Vou dar um voto de boa fé, talvez esse horário se deva a onda de violência que assola a cidade. Pode ser e espero que sim, porque se não for isso vou ficar muito brava!

O dia que eu voltar a Cidade do México vou lá, quero falar com o dono e saber os motivos de fechar o lugar antes da Sor Maria começar a cozinhar.

E espero, do fundo da minha alma, que sejam motivos de segurança, caso contrário vou falar um monte!

Poxa, essa menina teve a vida destruída por uma fofoca, proibida de cozinhar, isolada da família e agora não a deixam nem cozinhar no convento que cresceu?

Minha abuelita sempre dizia que fantasmas são gente, não são pedaços de árvores, são uma luz que um dia teve um corpo e merecem respeito. E respeitar sua dor é a única coisa que podemos fazer, se esperamos que os outros respeitam a nossa, então só podemos retribuir.

Ah, e o que aconteceu com o comercial que gravei ali? Foram quinze horas de trabalho duro, um figurino pesado, um penteado que puxava até a alma, uma maquiagem complicada e meses depois fui a agência de atores cobrar meu pagamento, a dona quase me bateu e disse:

-Tá de brincadeira Iara? Não ficou sabendo? Não tem comercial nenhum, nem vai ter pagamento, porque quando o material chegou aqui vimos que nada tinha sido gravado, os negativos estavam novos. O máximo que vamos conseguir para os atores vai ser pagar a tabela do sindicato, mas isso só Deus sabe quando vai ser.

Como assim não se gravou nada?

-Não se gravou nada, apenas uma fita tinha um clarão estranho, no alto da escada do restaurante.

Acho que foi a Sor que aprontou.....

-É, deu prejuízo, paciência.....

Acho que minha abuelita tinha razão, Sor Maria não gosta de atores!

Ai, essa Sor, tomara que apronte agora com o dono do lugar e volte a cozinhar depois da meia-noite.
Sor já mostrou muitas vezes que é dona do lugar, tomara que mostre de novo e ensine ao dono que o México é um lugar que ainda está de pé porque as pessoas respeitam seus fantasmas, sabem que um dia foram gente, hoje apenas estão sem pele, mas continuam existindo.

É isso que faz do México um lugar tão fascinante, o respeito pelos seus mortos. E quem não tem, aprende a ter. Espero que esse novo dono do Café aprenda.

Sor Maria só quer cozinhar e como disse ao médium ''me deixem fazer em morte o que não me deixaram fazer em vida''.

É só isso que ela quer.

Iara De Dupont

Um comentário:

Patricia Gabriel disse...

fascinante e triste!

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