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28 junho 2016

Fé no Romeu? Xiiiiiii.........


Há uns meses uma conhecida me comentou que tinha sido avisada no seu emprego sobre fazer um mestrado, precisaria dele para subir lá dentro e ter um aumento de salário.
Perguntei a ela se faria isso e me respondeu:

-Não, acho que não. Vou ver como resolvo, mas acho mestrado uma coisa difícil, complexa, não sou tão inteligente.

Muitas coisas na vida que deveriam servir para criar uma ponte, apenas serviram para aprofundar abismos e carreiras acadêmicas são uma delas.

Muitos acadêmicos fizeram questão de criar uma atmosfera elitista, fechada, quase de uma seita, onde deixavam claro que apenas pessoas muito ''iluminadas'' teriam capacidade de fazer mestrados e doutorados.

A verdade é que estudar é complicado para todos, ninguém chega sabendo, mas com determinação não há nada nessa vida que não se possa aprender.
O cérebro melhora sendo exercitado, não estancado.

Mas muitas pessoas ficaram inseguras ao escutar sobre esse ''seleto'' grupo de acadêmicos, dão a impressão que tem um cérebro melhor do que a maioria e são mais capacitados, quando na verdade são pessoas comuns com força de vontade e dispostos a estudar.

O mundo acadêmico, apesar de todos esses mitos que as pessoas gostam de imaginar, é igual a todos, ninguém chega sabendo, as pessoas aprendem no meio do caminho, nada ali é destinado apenas a mentes brilhantes e almas iluminadas. Tudo é fruto do trabalho duro, mas o que nesta vida pode dar frutos sem um trabalho duro? É a base de tudo, até para fazer pão se precisa trabalhar duro, essa exigência não existe apenas para os acadêmicos e seus supostos círculos intocáveis.

A vida deu umas voltas e encontrei essa conhecida, fiquei sabendo que está noiva de um amigo meu, perguntei a ela sobre o mestrado e respondeu:

-Desisti, tenho certeza que não daria conta do recado. E meu emprego não é ruim, poderia melhorar, mas pelo menos estou lá dentro, prefiro ficar no mesmo lugar do que arriscar e mais agora.

Mais agora por quê?

-Porque vou me casar e escolhemos um apartamento do jeito que sempre quis, mas é caro, precisamos juntar os dois salários para pagar a parcela.

Insisti com ela sobre o mestrado, o truque é conseguir um bom orientador e não ter vergonha de perguntar, as pessoas vão te explicando como fazer as coisas, todas as universidades têm grupos que estão fazendo mestrado, existem aulas, dá para se enturmar logo e começar a conversar, todo mundo troca informação.
Apesar dos esforços dos acadêmicos para manter seu mundo secreto, as coisas não são assim lá dentro, ninguém chega para fazer um mestrado sabendo como vai ser, depende de professores e ajuda de colegas para fazer direito, mas as pessoas estão sempre dispostas a ajudar, fora os professores que são pagos para isso.

Mas ela continuou dizendo que todos conhecem seus limites, a faculdade já tinha sido difícil para ela, imagine o mestrado.

Então ela puxou o assunto para o apartamento, parabenizei ela pela compra e disse que era bom começar a vida assim, os dois com emprego estável.

Falei isso no chute porque eu sabia que meu amigo pediu as contas há uns meses, mas não falei com ele depois, pensei que tinha mudado de emprego.

E ela disse:

-Na verdade quem tem o emprego estável sou eu. Romeu saiu do emprego, mas sabe, ele tem muito conhecimento, está fazendo uns trabalhos por fora e as coisas vão melhorar.

Na hora gelei. Esbarrou em dois traumas que tenho e ainda me pergunto quantos posts vou ter que escrever sobre isso.

O primeiro trauma é a maneira como as mulheres continuam (já fiz isso) confundindo ''conhecimento'' com ''ação''.

Já cansei de falar isso, o conhecimento é secundário, o que importa é a pessoa ter atitude, capacidade de movimento e ação, o resto sobra.

E vou ser sincera, conheço meu amigo e posso jurar de pés juntos, tem um conhecimento enorme, até porque é apaixonado pela sua profissão, é daqueles que estuda mesmo sem precisar. 
É verdade que sabe muito, mas esbarramos em uma coisa bem comum: ele é acomodado.

Sei que saiu de dois empregos pelo mesmo motivo, ele tem uma visão maior, consegue ver a longo prazo e ficava irritado com a maneira como as pessoas empurravam o que poderia ser resolvido de outra maneira, mas ao mesmo tempo que ele não tolera isso também não tem a iniciativa de sair e fundar sua empresa.

Não é a mesma coisa ver uma situação do que sair e criar uma empresa com tua visão.

Tentei de maneira suave explicar isso a moça, conhecimento não é sinônimo de ação, não é porque sabe muito que vai saber fazer muito.

O que interessa em um homem, principalmente na hora de casar é se ele tem atitude para resolver sua parte, se tem o temperamento de se mexer, ou estaciona no primeiro problema. É atitude que se precisa, não conhecimento, caso fosse isso seria mais simples para as mulheres se casarem com uma biblioteca virtual do que com um homem.

Ter fé no Romeu é arriscado!

Ela me olhou e respondeu:

-Bom, se eu não tiver fé nele, vou me casar para quê? Nós temos um compromisso para pagar o apartamento, sozinha eu poderia comprar um pequeno, mas preferimos um apartamento de bom tamanho, apesar da parcela mais cara, foi uma decisão mútua e tenho certeza que ele vai cumprir sua parte, tem o conhecimento para correr atrás do que se precisa.

Meu segundo trauma, o veneno jogado na água que nos dão de beber desde meninas.

A moça tem fé no Romeu? 

Um aplauso para ela, eu também tive e muita, muita fé. Sempre apoiei meus Romeus, fui o mais longe que deu para ir, mas desde pequena me deram essa água maldita do machismo para beber e fiquei intoxicada, apoiei todos meus Romeus, mas esqueci de me apoiar.

A moça tem fé no seu Romeu, uma fé cega, guiada pelo seu amor e esperança de um futuro bom com seu amado, mas essa mesma fé é negada a sua pessoa, na hora de fazer um mestrado duvida de si mesma, treme os joelhos e desiste, mas na hora de ter fé em um desconhecido, ora, por quê não?

É, por quê não?

Não parece mais simples ter fé em um homem, em um Romeu, do que em nós mesmas?

A moça sozinha pode bancar um apartamento e não tem mestrado, seu Romeu já está no pós-doutorado e não comprou nem uma casa de cachorro, mas ele merece a fé que ela coloca, ele parece digno de tudo isso.

Ah, mas cada um é cada um e comprar uma casa não é sinônimo de sucesso.

É verdade. 
Mas é sinônimo de fracasso enroscar tua vida em outra e ter fé no comportamento de outra pessoa, quando você precisa mais dessa fé do que ele.

E por quê nós, mulheres, somos assim? Por quê acreditamos que todos valem mais do que nós, que somos menos do que nossos Romeus e eles são tão mais capazes e credores da nossa fé?

Para a moça um mestrado parece subir em uma montanha de gelo, uma coisa impossível, mas acreditar em alguém que não conhece parece normal e prazeroso.

Ela entrou em um compromisso econômico gigante, confiou no Romeu apenas porque é um homem de conhecimento e seu futuro marido.

E onde isso leva? Sabe Deus, na verdade eu também sei, mas prefiro nem comentar, de repente estou errada.

Ah, mas se fizesse o mestrado ela poderia pagar sozinha o apartamento, com o aumento de salário, mas isso exige uma coisa complicada, que ela tenha fé nela!

Esse é outro trauma meu, o pior de todos, ir percebendo toda essa rede que envolve as mulheres e nos derruba em tudo, na vida social, acadêmica, sexual, emocional, psicológica, tudo nos diz que somos inferiores, menores do que os homens e nós, mulheres, continuamos comprando essa ideia, dando força a esse pensamento, eles são melhores do que nós!

E não é apenas o apartamento que me preocupa, sim, sou apegada a matéria e fico pensando porque ela não prefere comprar um apartamento pequeno, morar ali e esperar seu Romeu juntar dinheiro, enquanto ele mora com sua mãe, para depois dar um pulo desses.

O apartamento me causa tensão, já vi esse filme antes e sei do que uma mulher é capaz para salvar sua casa, vai pegar três empregos, puxar empréstimos, fazer o diabo, mas salvar a casa, enquanto Romeu se joga no sofá maldizendo sua sorte e chorando porque o mundo não reconhece seu talento.

Essa é uma opção, a segunda é pior. Ela trabalha e salva o apartamento, enquanto ele chora pelos cantos, mas um dia ele resolve ir embora e exige sua parte, sim, eles assinaram um contrato juntos e ele tem direito a 50%. Mas ela pagou tudo, se esfolando em três empregos! 
Ah, mas lei é lei, se os dois compraram juntos, vai uma metade para cada um, só se ela brigar na justiça para provar que foi a responsável pelo pagamento, mas isso leva tempo e ela vai acabar vendendo seu apartamento, dando a metade e depois vai vê-lo ir embora com uma aluna de dezenove anos.

Esse é o fim da história para mulheres que fazem o que as mulheres (todas) da minha família fizeram: tiveram mais fé em um estranho do que nelas mesmas.

Difícil fazer um mestrado? Sim, tem seu grau de dificuldade, mas hoje me parece mamão com açúcar, perto de acreditar em um Romeu de olhos fechados.
Me sinto capaz de fazer um doutorado em alemão, mesmo sem nunca ter tido contato com o idioma, me parece mais fácil do que ter fé em um homem e no seu compromisso econômico como marido.

Posso fazer um doutorado em física quântica, talvez em russo, mas fico inquieta se penso em confiar em um homem para pagar uma conta de luz.

Histórias de mulheres que tiveram fé no Romeu, fizeram sua parte e mantiveram o foco nele, bom, me sobram histórias, são tantas! 
E mulheres que tiveram fé nelas? Essas histórias não tenho.

A fé no outro é vento, a gente até sente, mas não serve para nada, talvez apenas em um dia de calor.

Já a fé em nós muda nosso destino, nos leva a lugares diferentes e circunstâncias melhores. Não importa se é um mestrado, se é um negócio ou uma mudança de rotina, não faz diferença, o que muda nossa vida é a fé que temos em quem somos e o que fazemos.

Ah, mas é fofo apoiar Romeu!

Também acho, mas tudo tem limite, até apoio. E fé? Não, isso já é demais.

Se ver do tamanho de uma formiga enquanto Romeu parece um leão é uma armadilha que derruba qualquer relacionamento.

Outro problema? Fé no Romeu é água de rio, vai embora, não tem volta, não tem retorno nem agradecimento. É apenas fé, fé no outro, não leva a nada, não garante um pedaço no céu, o máximo que podemos ter, em um futuro não muito distante, é uma entrada grátis para o inferno, quando Romeu abrir a porta e nos mostrar como fomos otárias de ter fé nele.

Mas cada uma tem sua leitura. No meu caso me parece mais simples colocar um pé na universidade e procurar uma orientação para um mestrado do que assinar um papel com parcelas que eu sei que meu salário não cobre, depende do outro para cobrir, isso me dá medo, o mestrado não.

E não critico a moça, quem mulher nunca fez isso? 
Todas temos fé no nosso Romeu, fomos educadas para acreditar que nossa fé neles é uma coisa importante e eles são merecedores do nosso amor.

Atrás de toda essa bobagem existe aquela rede metálica que envolve tudo: o machismo.
Sim, a mulher que ajuda o homem a se construir, as custas de se anular e de jamais ter fé nela.

Fé no amor, fé no Romeu! Tudo é fé! Até o padre vai dizer isso na igreja, o amor é um ato de fé e ficamos ali paradas na igreja, chorando de emoção, porque pensamos que estamos fazendo a coisa certa, nem percebemos enquanto Romeu nos coloca a corda no pescoço!

Tudo que envolve a vida do outro é descartável, inútil e sem sentido, não faz a nossa avançar. 

Ter fé no outro e não ter fé em nós mesmas, é como vender lenha para a nossa fogueira, somos nós que vamos acabar ali.

E não discuto se Romeus merecem nossa fé ou não, isso não me interessa, o que me preocupa é a falta de fé que tantas mulheres têm nelas mesmas, como ficam cegas diante da promessa de um amor, mais frágil que uma escultura de cristal.

Entendo essas mulheres porque também bebi dessa água, me fazia acreditar que Romeu merecia minha fé, mas eu mesma não merecia.

Se eu pudesse separar em cartas de baralho todas as vezes que tive fé no Romeu e as vezes que tive fé em mim, bom, ele levaria todo o baralho.

Duvidamos da nossa capacidade, do que queremos, do que sonhamos, mas não duvidamos da força do amor que sentimos nem da fé que temos no Romeu.

E essa moça talvez perca seu tempo, dando uma volta que poderia evitar.

Se tudo der errado, se ela vender o apartamento e se separar, então vai perceber como era forte e poderia ter sobrevivido sozinha, caso tivesse feito seu mestrado estaria subindo na empresa, mas ficou estacionada porque teve ''fé'' no Romeu.
Duvidou de sua capacidade intelectual, mas acreditou na cegueira do seu amor e na sua fé invisível!

E como chegamos a essa conclusão de que somos fortes e melhores do que pensamos?
Existem duas vias, uma é pela inteligência e uma gotas de egoísmo, a outra é quebrando a cara, perdendo tudo e acordando sozinha, no meio de contas e dívidas, então choramos e percebemos o quanto fomos idiotas e otárias em acreditar em alguém, é nessa hora, quando nos levantamos sem saber como o fizemos, que entendemos como somos fortes e melhores que os Romeus.

O mestrado para a moça e seu salário aumentar era uma certeza, o compromisso e a fé no Romeu são uma dúvida.
O mestrado levaria no máximo uns quatro anos, pagar um apartamento vai levar vinte e cinco anos e sem garantias de que vai chegar lá com seu marido, o mestrado pelo menos essa certeza dá, a pessoa não depende de ninguém, é só se concentrar e estudar.

Caso perdesse o emprego o mestrado pode garantir outro, o marido não pode garantir nada, nem se vai pagar a conta de água.

E não é um aviso de ''moças, não se casem'', pelo contrário, eu sou a favor do amor, mas não existe amor que não comece pelo amor própio, sem resolver isso antes nada funciona.

E ter fé no outro não ajuda, não resolve, não constrói.

E algumas vezes tive fé em mim e não deu certo, caí no chão, me esfolei, ao levantar me senti idiota, besta, mas lavei a cara e continuei a vida.

Já as vezes que tive fé no Romeu e quebrei a cara me senti usada, manipulada, otária, cretina, consumida, ingênua, utilizada e a sensação de tempo perdido é indescritível, além do sentimento horrível de perder a fé nas pessoas.

Resumindo: dói mais ter fé em alguém do que em mim mesma.

E nada disso teria me irritado tanto se a moça tivesse me dito ''não faço mestrado porque não tenho interesse'', mas ela foi logo dizer ''acho que não dou conta'' e isso acordou meus demônios.

O pior? É daqui a uns anos ela vai perceber como era boa e deu conta de pagar um apartamento sozinha, criar filhos, trabalhar e sustentar o marido!

Gente, em que mundo isso é mais fácil do que fazer um mestrado? Porra! Eu prefiro fazer mil doutorados na Polônia, de um assunto que não me interesse, por exemplo ''a vida das abelhas na Islândia'', do que sustentar um homem enquanto ele coça as bolas no sofá, como se fosse o cachorro da casa!

Como é possível parar na frente de um espelho e se enxergar tão pequena? E pensar que você é pequena para estudar, mas é grande para amar o seu Romeu?

Ah, sim, mas capacidade intelectual não é a mesma coisa que o amor!

Não! Capacidade intelectual exige trabalhar e desenvolver o cérebro, mas o amor exige fechar os olhos e se jogar de um penhasco!

E tenho visto tantas mulheres fazendo isso, inseguras para começar um negócio, para mudar de cidade, para isso, para aquilo, mas na hora de ter fé no seu amor, no seu Romeu, se jogam sem rede de proteção!

Meu Deus, quantos posts ainda faltam? Quantos dias, quantas horas para que todas as mulheres saibam disso? A fé só funciona quando a direcionamos a nossa vida, aos nossos impulsos.

Fé na vida é tudo, mas é a fé em nós o que move nosso mundo e muda nossa perspectiva. Fé no Romeu não me aproxima a Deus, fé em mim traz Deus a minha vida.

Fé em quem sou, no que quero fazer, acredito, tudo isso faz parte do amor, o amor que coloco primeiro na minha mala, porque a jornada é minha, sou eu que vou precisar da minha fé, não os outros.

Pé na estrada para o que quero, o que não sei pergunto, mas é a fé em mim que me guia.

Ah, mas é tão gostoso ter um Romeu!
É mesmo, aconselho muito a experiência, o amor é parte do caminho e vale a pena ser vivido, mas a fé é sagrada e não posso sair dando a minha a estranhos.

Deus teve fé em mim, mas não me mandou distribuir minha fé pela vida dos Romeus que cruzassem meu caminho.

Sei que fé em mim pode me abrir caminhos, fé no Romeu limita o caminho e me faz perder tempo.

E não é tão fácil como parece, ter fé em si mesma é mais difícil que cem doutorados ao mesmo tempo, acreditar em si é mais complexo e assustador do que se comprometer com parcelas altas de apartamento.

Mas a regra é simples: é difícil ter fé em si mesma, mas é a única porta de entrada para uma vida melhor. Fé em quem somos e no que queremos é a nossa única garantia de ter uma passagem memorável por esta vida, porque ao morrer ninguém vai nos perguntar em quem colocamos nossa fé, vão querer saber o que fizemos de nossas vidas, não a fé que tivemos em vidas alheias.

Fé é uma palavra tão pequena, de um significado tão gigantesco que apenas cabe nela outra palavra, também pequena, mas a maior de todas: eu.

EU tenho FÉ em mim.

Chega de distribuir minha fé nos outros. Agora é minha.




 Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

2016 e mulheres ainda tem fé em homens e suas promessas... Muito triste.

Mônica disse...

Caramba, Iara! O que falta para esta mulherada acordar? Quanta ingenuidade...

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