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02 junho 2016

É parte da vida........



Sempre me disseram que não era natural a morte de um filho, que era a pior coisa do mundo, a mais dolorosa.

Não sei e acredito que dores não se comparam, mas tudo que quebra o círculo familiar me parece terrível de ser vivido, quando pais morrem, filhos morrem, correntes se rompem, o rio muda seu curso, vidas são alteradas e parte da nossa alma se divide, quebra, fratura.

Tive amigas que perderam seus pais e eu não entendi a dor que sentiam, nem os abismos que mergulhavam, eu pensava, mas a morte dos pais é um ciclo natural, todos sabemos que vamos passar por isso.

Me apeguei a ideia de que não se supera a morte da mãe, a base de todo ser humano, mas o pai me parecia uma figura dispensável, mesmo eu sendo filha de pai presente.

Só entendi minhas amigas quando meu pai morreu, então senti como o chão se abre sobre nossos pés, e a estrada fica escura. Meu pai, assim como o de muitos e muitas, me acompanhava desde o primeiro dia que cheguei a este mundo, mesmo com os problemas que tivemos, a corda não se rompeu, era meu pai e parte de quem sou, e ele estava na estrada comigo. Sua morte me trouxe uma sensação horrível de abandono, percebi como os laços entre pais e filhos são mais fortes do que pensamos, mesmo que as circunstâncias sejam contrárias.

Tive um amigo que perdeu seu pai e ficou deprimido, eu não entendia sua dor, porque viu o pai poucas vezes, um senhor irresponsável que abandonou os filhos. Mas depois entendi que os laços que unem filhos a pais são mais profundos e invisíveis do que sentimos e qualquer movimento de corte mexe com nossa energia, nossa estrutura, o chão se mexe como um terremoto.

Perder pai, perder mãe, determina o nosso tempo, desde a morte do meu pai senti como se uma parte de mim se apagasse no espaço, perdi uma pessoa que sabia quem eu era e me conhecia desde o primeiro minuto. E digo ''perder'' porque a ausência física sempre é uma perda, mesmo acreditando que existe outra vida e outros mundos, eu vivo neste, e aqui sinto a ausência do meu pai quase todos os dias.

É estranho voltar a vida sem um pai, esse que esteve tão próximo durante anos, demorei para me adaptar, muitas vezes me esqueço que não está mais aqui.

Me dizem que é parte da vida, é, eu sei que é. Mas nada disso impede a dor, nem muda a ausência.

Tem dias que a gente consegue olhar para o céu e agradecer ter tido um pai, alguém que me comprou livros, comprava pão de queijo nos fins de semana, nunca me deixou ter uma dor de dente, sempre pagou cuidados médicos e me levava ao cinema.

E tem dias que a ausência é dor pura, líquida, que desce queimando, a gente tenta se consolar pensando que foi vontade divina e assim estava escrito.

Minha amiga me diz para agradecer, em vez chorar, de pensar no quanto eu tive e recebi do meu pai, e não chorar sua ausência, mas a vida é assim, cheia de dias e de dias.

Eu agradeço o pai que tive, tanto para bem como para mal, aprendi coisas boas e ruins, me construí como sou graças a muitas coisas que recebi dele, tanto elogios como duras críticas.

Mas existem momentos que mesmo agradecendo a gente chora de saudades, não é ingratidão com a vida, é apenas saudades.........




Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Lembrou da minha relação com meu pai, era ausente. Muitas mágoas mas ate hoje ficou o buraco de sua partida, são laços que não se entende. Não se desfaz assim, ainda que eu não era a maior fã do meu pai a sua presença é constante em meus sonhos.

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