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19 maio 2016

O que acontece com a alma dos animais à noite

O famoso cachorro da ''casa de los perros'', Guadalajara, Jalisco, México


Quando era pequena uma pessoa deu a minha abuelita um cachorro de cerâmica, de tamanho natural, muito bonito.

Na época ela morava em um prédio que tinha uma garagem assustadora, não tinha luz, era difícil entrar, como era um prédio velho a garagem foi improvisada, era ruim de entrar e sair, e no fim poucos carros ficavam ali e os vizinhos começaram a descer coisas que não queriam, móveis, caixas e tudo foi acumulando.
Não era um lugar bom para os carros, mas as crianças do prédio adoravam brincar de se esconder, era um lugar pavoroso, com cheiro de umidade, mas era bom para assustar quem passava ali.

Minha abuelita nem tirou o cachorro da caixa, mandou que meu tio descesse e o deixasse na garagem ao lado de umas tralhas. Perguntei o motivo dela despachar o cachorro e me disse:

-Nós não podemos ter um cachorro de cerâmica, já morreram dois cachorros aqui no apartamento e eles fariam esse cachorro de cerâmica andar à noite e fazer barulho.


Como fazem isso?

-Lembra que eu te disse que não podemos ter espelhos nos quartos ou em lugares onde não possamos fechar as portas? Porque de noite ao dormir nossa alma fica vagando pelo lugar e ao se ver reflitada no espelho se assusta e algumas vezes não consegue voltar ao corpo. Com os animais acontece de outra maneira, se a alma deles ainda está vagando sobre o mundo, na casa onde morreu, ele pode ver um animal de cerâmica e pensar que é seu corpo, então ele entra ali, e ninguém mais consegue tirar, começa a andar pela casa, faz barulho, derruba comida, eles ficam inquietos, pensam que estão no seu corpo e fazem bagunça. As pessoas sabem disso, muitas colocam cachorros de cerâmica na porta para proteger a casa, porque de noite eles ficam atentos e não deixam estranhos entrarem ali.

Ah, que nem aquela ''casa dos perros''?

É.

A ''casa dos perros'' é uma velha lenda mexicana, de uma casa em Guadalajara, México, que existe até hoje, onde a proprietária mandou colocar dois cachorros brancos de cerâmica no teto e o pessoal diz que de noite é possível ver os animais andando pelo lugar e latindo. Tentaram explicar a história, dizendo que a posição dos animais foi colocada de acordo a lua, então conforme a luz da lua parece que os animais estão andando, mas essa lenda resiste a duzentos anos, os vizinhos garantem que os cachorros enchem o saco de todo mundo durante à noite. Tem vários depoimentos sobre essa lenda no Youtube.

Minha abuelita me falou sobre isso aquele dia, eu tinha uns sete anos e nunca mais me disse nada. Só fui lembrar dessa história quando tinha quatorze anos e li um livro sobre uma famosa casa americana que tinha passado por eventos paranormais. Me chamou a atenção que a dona da casa disse que ganhou um tigre de cerâmica e o colocou na sala. No auge das coisas acontecendo em sua casa ela reparou que o tigre tinha a pata esquerda à frente, no dia seguinte teve a impressão que ele não estava no mesmo lugar e percebeu que sua pata direita estava à frente. Ela reparou nisso durante a semana, enquanto outros fenômenos paranormais aconteciam, o tigre andava à noite pela casa.

Muitos anos depois de ler essa história um amigo me convidou para ver sua exposição de esculturas e quadros, chegando lá vi um cachorro empalhado na porta, achei aquilo de péssimo gosto e falei isso ao meu amigo, o cachorro parecia vivo, era uma imagem forte. Meu amigo argumentou que aquilo era  ''arte'', mas nosso confronto foi tão forte que a amizade acabou.

Alguns meses depois fiquei sabendo que ele pediu para que mudassem seus quadros de galeria, porque desconfiava que tinham ratos no lugar, já que sempre de manhã o chão estava molhado de urina e havia pelos pelo lugar. Na hora mandei um recado a ele, disse que se livrasse do cachorro empalhado, que deveria estar com alguma alma grudada, que fizesse isso logo.
A resposta dele ao meu recado foi ''a Iara e suas bobagens''.

Não soube dele por um tempo, depois vieram me contar que ele tinha mudado de galeria três vezes, levou seus quadros aos Estados Unidos, ganhou prêmios e mesmo assim os lugares onde os quadros ficavam expostos apareciam cheios de urina no chão de manhã.

Até que aconteceu uma coisa estranha, ou pelo menos foi o que ele contou. Um dia uma senhora foi a sua exposição e ficou conversando com o cachorro empalhado na porta e foi dizer ao meu amigo para enterrar o animal, dar um descanso, porque o animal estava irritado de ficar preso ali. Meu amigo riu e garantiu que o cachorro não estava irritado, mas no dia seguinte dois de seus principais quadros, os mais caros, apareceram rasgados. Foram checar nas câmaras de segurança e elas mostravam um cachorro, que eles não puderam identificar, pulando nos quadros e puxando as telas.

Meu amigo enterrou o cachorro, levou até um Padre e me mandou um email, contando o que tinha acontecido e se desculpando, ele adorava causar polêmica e usava animais empalhados, comprados em brechós pelo mundo, mas depois disso se assustou o suficiente e nunca mais expôs nada com animais.

Não liguei todas as histórias, mas recentemente meu irmão foi dar aulas de cerâmica a um grupo de pessoas que vivem em comunidades isoladas no México. Eles fizeram vários trabalhos de cerâmica, então meu irmão sugeriu que começassem a fazer animais em cerâmica, porque são muito difíceis de fazer, pela anatomia. E os seus alunos ficaram se olhando entre eles e pediram para fazer outros objetos de cerâmica que não fossem animais, mas meu irmão insistiu, era importante para desenvolver o trabalho de anatomia, só tinham que desenhar os animais, fazer o molde e jogar a cerâmica. Então uma aluna perguntou se poderiam quebrar os animais de cerâmica depois que eles os tivessem feito, meu irmão quase surtou, disse que não, que poderiam levar as suas casas, mas quebrar não, então uma aluna se aproximou e disse ao meu irmão:

-Professor, eu não mexo com essas coisas, animais em cerâmica não faço.

Meu irmão achou que eles não tinham entendido, talvez estavam pensando que pegariam animais vivos, os matariam e os usariam para fazer o molde, então ele explicou que era só desenhar o animal e fazer o molde, mesmo assim a turma não se mexeu.

Como meu irmão não entendeu o que estava acontecendo virou a página e deixou para o dia seguinte a história dos animais de cerâmica.
Quando chegou para dar aula de manhã foi chamado pelo diretor do lugar, foi avisado que os alunos reclamaram sobre os animais em cerâmica e não fariam os objetos. O diretor explicou para meu irmão que ali na região eles tinham a crença de que nem todos os animais que morriam iam ao paraíso, alguns sofriam tanto que ficavam vagando pelo mundo e quando encontram figuras que se parecessem a eles, entravam ali e o objeto ''pegava'' vida.

Uma das alunas tinham um conhecimento enorme sobre as tradições do lugar e meu irmão foi conversar com ela, que confirmou a história, ninguém ali tinha quadros com desenhos de animais, animais de cerâmica, nada que pudesse chamar a atenção das almas animais que vagavam. E eles tinham muito cuidado com as figuras que faziam de cerâmica, porque a consideravam um material nobre, que pela energia, já que vem da terra e é trabalhada no fogo, acaba puxando almas que vagam pelo mundo.

Diante disso a ideia de fazer animais de cerâmica foi descartada.

E há pouco tempo fui a uma loja, perto da minha casa, que vende várias coisas, mas seu principal produto são uns gatos de madeira que vem da Tailândia e uns gatos de cerâmica, entrei porque vi uma Virgem de Guadalupe e me chamou a atenção, já tinha visto que tem todo o tipo de figuras de gatos, a vitrine é cheia deles, uns gatos de plástico que são lâmpadas. 
Fiquei dando uma olhada na loja e sem querer escutei uma conversa de um rapaz no celular, que parecia ser o gerente ou o dono, não sei. Ele estava em um canto e escutei quando disse ''mas quando ela pode vir aqui? É urgente, não sei o que é, mas todos os dias a loja está bagunçada de manhã e me falaram que podem ser fantasmas''.

Não sei o que a pessoa disse do outro lado da linha, que ele respondeu ''mas gente, eu só vendo gatos, e imagens de Nossa Senhora, o que esse fantasma quer, o outro dia uma estátua apareceu quebrada''.

Vi ao meu redor e eram tantos gatos, alguns em tamanho natural, em cerâmica, madeira, papelão, que pensei ''putz, isso aqui de noite deve ser uma baderna''.

Não tive jeito de me aproximar e dizer que poderiam ser gatos-fantasmas, então pedi o email dele e vou mandar este post.

Contei a minha mãe que iria escrever sobre isso e ela me lembrou de um tio que deixava um gato de cerâmica, de tamanho natural, na porta de sua casa, para evitar os ratos. Todo mundo achava que ele estava louco, quando morreu sua sobrinha se mudou para o lugar e tirou o gato, em dois dias a casa foi invadida pelos ratos. 

Na casa da minha abuelita a história da ''casa de los perros'' foi tão falada que ninguém na família tem esculturas ou figuras de animais na sua casa. 
São aquelas superstições que sempre nos deixam na dúvida, mas quem conhece animais sabe, eles têm alma e sofrem, e se nós, humanos, vagamos sem destino tantas vezes e aprontando horrores, por quê eles não fariam isso?



Iara De Dupont

Um comentário:

C.Belo disse...

Ahhhhh meus gatos! Eles são bonzinhos, não aprontam, não. Tenho gato de cerâmica, de madeira, de plástico, tenho essa tal luminária de gato que vc viu na loja, enfim, gato de todo tipo rsrs

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