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25 maio 2016

O direito de lutar pelo seu amor (moço, siga seu caminho)



A consciência do nosso espaço como mulheres é recente. 
A maioria de nós cresceu debaixo de um manto machista e convencidas de que ''acosso e assédio'' eram normais e faziam parte de um suposto interesse masculino em nós.

E homens fazem a ''corte'' as mulheres e elas devem se sentir felizes e realizadas quando percebem que um homem as deseja.

Há uns meses conheci o amigo de uma amiga e acabei conversando com ele várias vezes. Temos  o mesmo interesse em alguns assuntos e trocamos links, falamos sobre a vida.

Em algum momento ele me perguntou sobre minha vida pessoal e eu deixei claro que estava interessada em outro homem. 

Passaram algumas semanas e ele resolveu me mandar flores e eu acabei ficando em uma situação constrangedora. 
Agradeci o gesto, mas tentei novamente dizer que não tinha nenhum interesse e o rapaz não se abalou, mandou flores novamente.

Diante disso aproveitei uma situação onde sabia que o encontraria e agi como se fosse um cirurgião, primeiro dei a anestesia (álcool), depois lentamente e pelas bordas fui clara. Falei para ele que ainda arrastava correntes pelo Romeu anterior, era uma situação mal resolvida na minha vida e eu não estava na pilha para me envolver com ninguém.
E o pior de tudo é que fui sincera, não menti, esse é meu panorama, fora as nuvens que carrego no momento, não tenho vontade de estar com ninguém, estou em uma fase que continuo gostando de homem, mas não quero um por perto.

Ele ficou me olhando, olhando, olhando e disse:

-Bom, Iara, é o seguinte. Você luta pelas coisas que acredita certo? Eu também. Estou interessado em você e vou lutar por isso, tenho direito de tentar, pelo menos.

É, não tem.

E eu não queria entrar nessa parte da conversa porque vi que ele ficou desconfortável e eu jamais tinha dito isso a um homem, não tive consciência antes, foi a primeira vez que falei sobre isso. É estranho a gente se encontrar em uma situação que nunca esteve antes e sabendo que tem que agir com firmeza. 

E ele me disse:

-Você não manda nos meus sentimentos, nem eu mando, você pode não estar interessada agora, mas eu posso esperar e tentar reverter isso.

É isso que eu queria dizer, você não pode tentar ''reverter'' nada, porque no momento que te digo ''não'' é ''não''. Não sou um objeto para ser conquistado e te digo claramente, você não me interessa.

-Você segue um pensamento determinista, as coisas mudam, não vejo porque elas ficariam iguais, no futuro você pode se apaixonar por mim.

É, mas no momento não estou interessada em você nem em ninguém, e não quero estar com nenhum homem agora.

-E vai ficar chorando por um Romeu que não te quer?

Esse é um ponto, tenho direito de chorar por quem quiser e durante o tempo que me parecer melhor. O que tento deixar claro aqui é o seguinte: a linha entre fazer a corte e acossar é tênue.
Já te disse ''não'', ir além disso não me parece paquera, me parece acosso.

-Você só pode estar brincando.

Não, é bem sério. Pelas minhas contas já te disse ''não'' duas vezes.

-Eu nunca te acossei.

Não, mas está a um passo de começar a me incomodar. Já te disse que não quero saber de homem agora, ponto.

-Não é paranoia? Parece aquelas teorias de que toda aproximação de um homem é violenta para a mulher e não se pode dizer nada, porque ofende.

Não é paranoia. É lógica, eu já te disse ''obrigado pelas flores, mas não quero namorar com você'' e você insiste. Já está começando a me irritar.

-Mas daí a dizer que é acosso é foda.

Não disse que é, disse que está a um passo de ser.

-Nossa, não sei se quero viver em um mundo onde uma mulher recebe flores e se sente acossada.

Se a mulher não está interessada a sensação não é boa, para nenhum dos dois. E você mandou flores duas vezes, eu já tinha te dito ''não'' na primeira vez. Caso eu estivesse interessada, mais ou menos, a situação seria outra, eu diria isso, daria corda, ficaria feliz, porque isso é coisa de dois, não de um.

-Mandei rosas, mas achei que você não tinha gostado e resolvi mandar outro tipo.

Eu nem sei o nome das flores, mas são muito lindas e obrigado.

-Por que eu não tenho direito de lutar pelo o que quero?

Porque a tua luta invade meu território, é simples.

-Nunca passei por isso. Jamais um mulher recebeu flores da minha parte e veio me dizer que é ''quase acosso''.

Eu também nunca passei por isso, de ter uma situação tão clara na minha frente, de poder te dizer claramente que me irritam tuas mensagens, isso de ligar para dizer bom dia, boa tarde e boa noite me tiram do sério. Tem horas que desligo o telefone porque sei que você vai mandar mil coisas.
Antes eu não sabia o que era isso, qualquer pessoa me diria ''que coisa mais linda ter um Romeu apaixonado'', mas hoje sei que se não estou à vontade é acosso. Já disse ''não'' e isso não te basta, então virou uma situação fora do controle.

-É sério isso?

É, e eu não entendo qual tua dificuldade em entender. Segue minha lógica, Romeu me deu um fora, mas eu poderia fingir que não percebi e continuaria atrás dele, fazendo horrores para conquistá-lo, até sei o que poderia fazer para que me desse atenção, mas sabe a verdade? Isso seria invadir o espaço dele e eu não tenho o direito de fazer uma coisa dessas, sabe por quê? Porque ele já me disse ''não'' e só precisou fazer isso uma vez. 
Então por quê vocês, homens, não entendem o nosso primeiro ''não''?

-Porque pessoas mudam de ideia! Você pode mudar, qual o problema?

Então me dê espaço para fazer isso, se afaste, se eu tiver que mudar de ideia não vai ser assim, com você me mandando flores. Mas prefiro ser honesta desde agora, você não me interessa como homem e não costumo mudar de ideia, nunca mudei, é meu jeito, eu gosto desde o primeiro segundo ou nunca mais.
E a questão aqui é só uma, um obstáculo machista em um mundo que está mudando, quando uma mulher diz ''não'' ela só precisa dizer isso uma vez, não é não, não significa ''talvez'', nem ''mais tarde'', é não.
Chega de ter que dizer ''não'' mil vezes apenas porque vocês não sabem aceitar uma negativa nem podem se sentir rejeitados. E digo mais, eu não tinha nenhum interesse em você como homem, mas agora falando e tendo mais consciência do que aconteceu, não quero nem ser tua amiga, não quero perto de mim um homem que não aceita um ''não'' na primeira vez.

E eu devo ter dito tudo isso para as paredes, porque no dia seguinte recebi flores novamente, com um cartão que dizia ''eu vou fazer minha parte''.

Não subi com elas, joguei no lixo do prédio. E nem preciso dizer a irritação que isso me causou. E as mensagens continuam, mesmo que eu não responda.

E por essas e por outras que muitas mulheres e eu me incluo nelas, temos medo dos homens, de suas loucas reações, do seu pavio curto e da sua falta de equilíbrio para lidar com a rejeição.

E me vi obrigada a mandar um email, pedindo pela última vez que não me procure mais, nem mande flores ou mensagens, e no horror que é este mundo tive que dizer que prefiro pedir agora esperando que ele atenda minha vontade, porque daqui pra frente a coisa se resolve em outra instância. Ele me deixa em paz ou levanto um boletim de ocorrência e seguimos em frente.

E ainda tem gente que me pergunta porque não tenho namorado, como se eu tivesse vontade de lidar com a loucura masculina neste momento.

Não adianta dizer que exagero, que não era para tanto, porque é, o fato de um homem não respeitar um ''não'' teu me parece uma coisa grave, típica da cultura machista.

Mas ele era fofo, meigo e mandou flores. Sim, mas não soube respeitar meu ''não'' e só jogou mais areia ainda no que eu sinto pelos homens no momento, quero eles longe de mim, mas parece que dizer isso não é suficiente, temos que  ir a uma delegacia e dizer ''eu não quero saber de você''.
Me pergunto quando os homens vão entender que não é não e simplificar a sua vida e a nossa. Quanto tempo falta para eles entenderem isso?



Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

É... Homem não entende porra nenhuma mesmo.
Já passei por isso também, um pouco antes de me casar. O cara sabia que eu estava noiva, deixei isso claro desde o primeiro dia, mas fazia essas coisas igual você escreveu, com mensagens fofas e presentinhos. Na época eu ainda estava longe de conhecer o feminismo, fiquei muito mal, me sentia culpada por ter feito 'um cara bacana' (só que não) sofrer e tal, ele vivia mandando recados dando a entender o 'mal que fiz' a ele. Já casada, tentei ser legal e manter pelo menos a amizade (já que sentia que eu DEVIA pelo menos isso) mas no fim o cara manteve contato comigo só pra poder, digamos, se vingar. É uma longa história, mas depois disso cortei totalmente a relação com esse ser. Enfim, demorei uns anos p/ entender que homem é fdp mesmo e JAMAIS devemos sentir pena deles. Hoje consigo enxergar toda a manipulação psicológica e culpa que ele me fez sentir. E olha só, presentinho de homem que não é seu marido/noivo/namorado só serve para criar uma 'dívida' psicológica. Então, CUIDADO! Um ex-professor que me assediava também vinha cheio de presentinhos, aquilo me incomodava muito, mas vc acha que eles aceitavam a 'recusa' do presente?? Claro que não, virava ' o bicho',neh!
SY

Anônimo disse...

Isso já aconteceu comigo, o moço me perseguiu virtualmente e depois pessoalmente, a situação terminou na delegacia.
Tem homem que não entende que algumas mulheres não gostam de fazer joguinhos, não é não!
Se fosse uma mulher fazendo o mesmo, ela seria chamada de desequilibrada, de louca. Mas como é Romeu, Romeu está sendo apenas romântico e fofo...
Alguns homens são tão canalhas que nem dá o fora na moça eles dão, ficam enrolando, desviando do assunto só pelo prazer de sair por aí se gabando de que tem uma mulher perdendo o juízo por ele. Você já deu o fora, tentou ser educada: acho que despertou o instinto de caçador do Romeu, agora ele quer por que quer a presa e só vai desistir quando conseguir, porque os homens não aceitam bem ser rejeitados.
Odeio jogos, gosto de tudo bem claro: não é não; sim é sim.

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