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30 maio 2016

Daquele tempo.......


Nunca fui uma pessoa indecisa, mas sempre demorei para fazer minhas transições, pensava e analisava tudo com calma, ou de repente agia por impulso.

Uma vez o pai de uma amiga, que era astrólogo, me viu e disse:

-Nossa, a Iara é totalmente de água, deve ter todos os signos no mapa astral desse elemento.

Não, ele errou, o que prevalece no meu mapa astral é o elemento terra.

Ninguém parecia acertar, até que uma menina de cinco anos, filha de uma amiga, disse:

-Tia, acho que você é estranha porque é uma sereia né? Navega entre a água e a terra?

É! Explicação genial! É isso, a origem do meu nome é essa, Iara é uma sereia, navega na água e dizem que pega sol nas pedras.

Isso explicaria muita coisa, navego em dois elementos e ainda tenho dificuldade em transitar de maneira rápida, me perco nas opções.

Uma das coisas que me parecem mais estranhas é a vida virtual. 
Eu estava na sexta-feira no meio de uma conversa quando recebi uma mensagem de uma amiga, dizendo que o pai de outra amiga tinha falecido. Comentei isso com o amigo que estava comigo e ele respondeu:

-Ah, manda logo uma mensagem no celular e vamos embora.

É, pensei nisso, eu recebi essas mensagens quando meu pai morreu e me deram muito consolo, por quê não faria a mesma coisa?

Porque na minha mente me pareceu que era melhor ir direto a casa da minha amiga. Pensei que não era uma amizade casual para mandar mensagem, era melhor ir. Mas ao sair tive um imprevisto e não pude ir, me enrolei.

E não foi nada importante, mas me fez perceber como o mundo nos puxa para o outro lado, nos afasta da maioria do contato humano que podemos ter.
Disse isso ao meu amigo e ele respondeu:

-Putz, você é enrolada, manda a porra da mensagem de uma vez. 

Não, melhor chego em casa e ligo para ela.

Mas ao chegar em casa tomei banho, jantei e de repente vi o relógio, dez da noite. Será que é boa hora para ligar? Acho que não.

Já estou acostumada com horários virados e quem me conhece recebe mensagens minhas as duas da manhã, mas eu não tenho coragem de ligar as dez da noite. Rara vez eu respondo qualquer coisa de dia, pela correria, é de madrugada que tenho tempo de colocar tudo em ordem.

Esse mundo virtual faz parte do meu cotidiano há pouco mais de dez anos, eu lembro de em 2006 ainda fazer ligações de telefone e só mandava mensagens a Romeus durante o dia, não era costume falar com todo mundo por mensagens.

Não reclamo da modernidade nem de suas ausências humanas, mas ainda me pego pensando como se estivesse no século passado, dizendo ''eu vou ligar, eu vou ir à sua casa, eu vou encontrar, eu vou passar lá perto'', tudo isso foi trocado por ''mande uma mensagem de texto'' e não sou contra isso, mas ainda não me acostumei por completo.

Também, que coisa mais estranha dizer isso, lá trás, há muitos anos, quando eu não sabia o que fazer consultava minhas amigas, hoje eu vou direto no Google. Sempre perguntava sobre questões técnicas de como usar tal maquiagem, ou o que significava tal coisa, então eu ligava, mas hoje eu pergunto para um computador.

Ainda não me adaptei por completo nesse mundo de mensagens, não consigo nem teclar de maneira rápida no celular, não sei usar os mil aplicativos e levei dias para perceber que meu celular tinha quebrado.

São os novos tempos, e percebo que minha lerdeza é vista de maneira negativa, algumas vezes demoro para responder alguma mensagem porque estou pensando em ligar para a pessoa ou encontrá-la, então a pessoa pensa que a ignorei e fica chateada, mas ela está na minha mente, é apenas o tempo que mudou.

Ainda não sei varrer as pessoas do meu pensamento, posso demorar para me manifestar, mas isso não quer dizer que não pense nelas.

E o outro dia minha amiga me contava algo sobre um ex-Romeu meu, ela viu na internet e depois me disse:

-Só te conto isso porque achei engraçado, tenho claro que já se passou muito tempo e você nem deve mais lembrar daquele vacilão.

Muito tempo?

-Nossa, acho que foi no ano passado!

Não, foi há dois meses. E ainda lembro dele sim.

-Mas com raiva né?

Depende da hora e do dia. Se penso nele como alguém que conheci e como ele era, tenho vontade de chorar, mas quando lembro o que me fez, então fico muda, mas ainda dói.

-O quê? Dois meses são uma vida inteira! Você não deveria nem lembrar do nome dele!

É, mundo louco, paciência, eu sei que deveria comer brócolis, fazer pilates, mandar mensagens de textos todos os dias, pensar em colocar botox, esquecer em segundos tudo que me machuca e varrer as pessoas da minha vida quando elas aprontam.

-É bem por aí. O que seria o contrário? Ficar arrastando correntes por esse idiota?

Não, o ponto é o seguinte. Dentro dessa modernidade não me sinto totalmente confortável. Eu descobri que sou feliz comendo pizza, não gosto de brócolis, não gosto de pilates, tenho medo de botox, e não quero esquecer meus amores tão rápido e não tenho saco para teclar em um telefone.

Talvez seja isso, não sou da terra, meu lugar é na água e de preferência morna. Não sei escrever palavras de consolo em um celular, mas poderia ter ido à casa da minha amiga.

É estranho pensar que ligar para alguém as dez da noite é fora da norma, não se faz isso, mas ao mesmo tempo as pessoas te respondem uma mensagem de texto as três da manhã!

E não faço pose de normal, não sou, sempre tive uma tendência enorme a me isolar, descobri cedo que muitas pessoas ao meu redor me perturbam, eu preciso de longos silêncios e muito sol, mas tanta distância dos outros, sempre teclando, não me parece fácil de assimilar. 

Um dia a gente acorda e percebe que só conversa com quem está perto, com o resto do mundo teclamos.

Ah, mas as coisas são assim, tem seu lado bom.

É, deve ter, no fundo o ser humano começa a descobrir as vantagens do isolamento, não é tão ruim, evitamos situações chatas e nos livramos de muitos compromissos sociais. É uma corda que nos puxa e nos obriga a viver a nossa maneira, sem ter que estar perto de ninguém.

Tenho uma amiga que seu marido não gosta de mim, então não a vejo, mas falo quase todos os dias com ela, então me parece que deve existir uma vantagem em teclar e não ter a presença da pessoa, a última vez que fui a sua casa me senti constrangida pelo seu marido e fiquei quieta.

Não tenho nada contra mensagens, nem celulares, mas gostaria de colocar um aviso, que as pessoas ao me mandarem mensagens recebessem uma resposta assim:

''Olha, recebi tua mensagem e vou responder, mas ainda estou lidando com um conflito humano, devo te ligar, te procurar, ou apenas mandar uma frase aqui? Eu não sei o que fazer, mas não importa minha decisão, você está na minha mente, e dependendo de quem seja, no meu coração também. Demoro para responder, mas sou assim, demoro para entender as coisas, demoro para viver, quando estou na água me pergunto como seria estar na terra e vice-versa. São os elementos terra, presentes nos signos que regem meu mapa astral, pareço humana e educada, mas acredite, ainda estou tentando me adaptar a esta pele e este louco mundo. Sabe, cresci em um tempo que a gente olhava nos olhos da pessoa e dizia ''eu te amo'', agora a gente procura corações virtuais e manda. Acho estranho, mas não reclamo, a vida é assim, ela corre e muda, tudo se transforma. Um dia me adapto, mas imagino que quando isso acontecer outro tipo de comunicação estará funcionando e vou ter que mudar novamente.
Enfim, não importa o tempo que eu leve para responder, te tenho na minha mente, porque sou daquele tempo em que a gente não esquecia as pessoas''.




Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu ainda não me acostumei com essas tecnologias.
O mundo virtual é tão veloz que, às vezes, sinto que até a realidade se torna um pouco irreal, como um mundo paralelo.
Preciso de contato físico, de abraço, de segurar na mão da pessoa enquanto ela desabafa... de olhar nos olhos, e não pra um celular. E se for pra escolher, prefiro a espera quase romântica por uma carta do que receber mensagens por um aplicativo, pelo menos na carta posso enxergar a letra de quem a escreveu, sentir algo mais pessoal.
Enfim, mas não há tempo, todos estão com pressa e comodidade conta muito, então tento me adaptar - a contragosto.

Patricia Gabriel disse...

Eu também prefiro o contato mais humano,as cartas manuscritas...porque tem algo de elegante na saudade,na espera,no abraço demorado e sincero...enfim!

Mas,sabe,Iara,quando o meu filho faleceu,e você me enviou aquele inbox,conversou muito comigo naquela madrugada,eu me senti,de alguma estranha forma,confortada.E sabe que tive parentes ali,que não me mandaram nada(e eles moram longe,sabiam que não podiam dar um pulo aqui em casa,deviam ter me enviado algum inbox!)e eu sinto muito por essa atitude deles,até hoje!

negócio seguinte:tecnologia virtual não é recurso humano,mas é oc que tem pra agora,e se as pessoas sabendo que a gente precisa,não se manifestam,a chance de ficarem sentidas é,sim,muito grande...mas voce me fez ver o outro lado da questão agora,com seu texto:não nos conhecemos pessoalmente,então,eu sou apenas uma amizade casual,talvez tenha sido bem mais fácil para voce me escrever,do que para qualquer parente meu,que,de longe ou de perto,também se sentiram afetados pela situação,e,portanto,não isentos como voce estava...mesmo assim,fico grata!

Iara De Dupont disse...

Olha, Patrícia, é bem complicado o assunto....Quando meu pai morreu eu fiquei magoada com pessoas da família que não me disseram nada, teve gente que falou com meu irmão no Face e não falou comigo....enfim, vou ser sincera, conforto, conforto, eu senti com pessoas que não me conheciam, pessoas aqui do blog, teve uma garota que faz uma gentileza incrível, ela mandou uma coroa de flores e eu nunca a vi......Até fiz um post sobre isso, de como as pessoas próximas ficaram caladas e gente que nunca me viu se preocupou em falar comigo.
Eu também acho as relações virtuais complicadas, mas o fato é que sempre gostamos de algumas pessoas e mantemos contato com elas, mesmo que seja apenas por aqui, ou que nunca tenha nos visto. Eu sempre tive muita simpatia por você e sou grata por todo o apoio que me deu, e o que você passou, uma tragédia daquele tamanho, tinha que receber todo o apoio possível, agora e sempre, porque só quem é mulher pode imaginar o que você passou, não precisa te conhecer. Quanto aos parentes, enfim, decepcionam mesmo, sem erro......

Patricia Gabriel disse...

sinto me muito grata por você e outras pessoas,muitas desconhecidas,que cruzaram meu caminho naquele momento tão difícil,e o que você me fala neste momento só vem a confirmar mesmo uma coisa:que parente em muitos casos,sim,decepciona...e que não precisamos conhecer pessoalmente uns aos outros para se compadecer,ter empatia pelo sofrimento alheio,se identificar com as idéias,como me identifico muito com as tuas...porque você foi uma amiga ali,naquela madrugada,uma estrela a amparar o caminho,e eu creio muito que nada neste mundo é por acaso,Deus coloca as pessoas no nosso trajeto.E aprendemos,sempre,que o brilho dos sentimentos se dá nestas horas de sofrimento,em que somos lapidados,e acabamos por conhecer pessoas maravilhosas(e,muitas das vezes,daqueles de quem esperamos algo,não vem nada...)...

Relações virtuais são uma complicação mesmo,porque você nunca quer perder afeto verdadeiro,mas muitas vezes,com essas redes,a gente já se conecta perdendo muito...e,sim,tem as questões de ser o preferido ou o preterido,e isso dói,tanto virtual como real...(teve dia que minha mãe curtiu fotos dos filhos de um ex namorado meu(que ela quis adicionar)e não curtiu dos netos dela...aquilo doeu fundo,mas nunca falei para ela...complicado isso,não dá para sair apenas dizendo que aquilo lá é só uma brincadeira,porque,se for,é de um mau gosto incrível,mexer com os sentimentos dos outros...!

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