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02 maio 2016

Corações e úteros (proteja os dois)


A pergunta que mais me fazem é ''de onde vem tanta raiva de macho?''.
Não tenho ''raiva de macho'', nem seria justo, porque conheci ótimos homens na minha vida.

Até minha mãe se surpreende, sempre tenta saber porque eu ''arrebento os homens'' aqui.

Mas essa raiva não é real. É apenas que cresci cercada de mulheres e sempre fui observadora, vi as histórias acontecendo ao meu redor e mesmo sem saber o que era, eu guardava na minha mente, como se fossem pedaços de um quebra-cabeças que um dia faria sentido.

E muito tem a ver com a minha mãe, que sempre foi de temperamento cálido e fez da nossa casa um porto seguro, ela abrigava amigas que apanhavam dos maridos, comprava briga das irmãs e defendia as sobrinhas. Também era inconsequente e corajosa, se metia em diversas situações perigosas, apenas porque queria ajudar alguém.

Uma das minhas tias se casou com um péssimo homem, chantagista, louco, psicopata. Um dia minha tia ameaçou se separar e o marido pegou a filha, um bebê de quatro meses, e sumiu com ela. Minha tia ficou louca, mas o marido deixou um recado avisando que tinha entregue a menina a um casal de bandidos, que se minha tia avisasse a polícia, eles matariam a menina.

Mas meu tio era o que meu pai chamava de ''bandido-mexerica'', sempre atrapalhado e cometendo erros grotescos.

Nesse dia todos começaram a procurar pela bebê, até que minha mãe teve a ideia de perguntar ao taxista da esquina se tinha levado meu tio a algum lugar, ele confirmou que o levou com a bebê a um bairro perigoso. Então minha mãe pegou o táxi, foi até a casa que o motorista indicou, desceu do táxi e pediu que ele a esperasse. Bateu na porta e uma senhora abriu, minha mãe disse que estava ali para buscar a bebê, e a senhora disse que não tinha nenhuma criança, então minha mãe ficou furiosa, daquele jeito terremoto dela, empurrou a porta e entrou aos gritos, berrou tanto que a bebê acordou e começou a chorar, minha mãe identificou o quarto, entrou, pegou a bebê e saiu correndo, dizendo ao motorista ''pisa no acelerador'', eles pisaram, mas o casal que cuidava da bebê saiu e ainda teve tempo de atirar no carro, mas não pegaram em ninguém.
No fim minha mãe teve que pagar uma fortuna para o taxista, pelos furos de bala, mas ela é assim, cabeça quente, com uma noção de justiça acima de qualquer lógica. E sempre teve esse sentido direcionado as mulheres de sua família, por isso desde pequena eu escuto tantas histórias, mulheres frequentavam a minha casa e choravam durante horas no colo da minha mãe.
Eu ficava brincando com minhas bonecas e escutando tudo, por isso tenho centenas de histórias na minha mente, não preciso inventar nem procurar uma fonte.


E já de adulta vi muitas histórias se repetirem. Pareciam a mesma coisa, apenas mudava o nome do Romeu ou da Julieta.

E uma delas sempre me impressionou, todas as que pareciam o contrário do que tinham me ensinado me deixavam perturbada.

Fui educada como todas, na mesma melação romântica e na ideia falsa de que quem ama é ''fiel''. Esse conceito foi tatuado na minha mente, homens são fiéis quando amam e isso era importante.

Mas já no fundo da minha alma isso não batia, porque eu senti que se fosse exigir isso, então eu também teria que ser fiel e isso me parecia sufocante. Eu morria de medo de muitas coisas, uma delas era me apaixonar por um homem e depois me interessar por outro.

Sempre fui fiel, mas convivia com esse medo estranho, de gostar de outra pessoa, tinha pânico de não me controlar e viver em um dilema.

Eu me sentia inconstante, volúvel e sempre mudando de ideia, achei que isso poderia se refletir na minha vida amorosa, mas nunca aconteceu, o tédio que me invadia em diferentes aspectos da minha vida nunca me invadiu nos namoros. Mesmo assim achava que homem tinha que ser fiel.

E uma amiga da minha mãe tinha uma filha, que fez o mesmo trajeto de milhões, encontrou na faculdade um grande amor, um ótimo rapaz e se casaram. Eles eram um casal bonito, jovem e moderno, parecia que tudo dava certo ali, existe uma coisa na modernidade muito interessante, temos a falsa ideia de que os casamentos são mais abertos e as pessoas conversam mais, mas me parece que isso é apenas outro reflexo da nossa solidão e desespero por pertencer a uma união.

A moça resolveu engravidar e não estava conseguindo, começou a fazer exames e mais exames e não dava em nada. Chegou a um médico que resolveu puxar seu histórico e ele descobriu que dois anos antes dela tentar engravidar, ela tinha tido uma doença venérea. Ele pediu exames, porque achou que poderia ter sido uma super bactéria. De tanto que viraram a moça descobriram que essa bactéria tinha chegado ao seu organismo pela doença venérea, que ela tratou e conseguiu sumir com seus sintomas aparentes, mas a bactéria continuava no organismo e tinha se alojado no útero.

A questão é, ela sabia que tinha tido uma doença venérea? Não, o médico anterior confundiu os sintomas e disse que era uma alergia na vagina, então ela não recebeu o tratamento adequado.

Os exames mostraram que a bactéria era extremamente forte e tinha causado um estrago no útero, a solução foi tirar o útero da moça para que a bactéria não se espalhasse.

Ela entrou em depressão e resolveu estudar tudo sobre a bactéria, foi aí que descobriu que essa bactéria se transmite pelo contato sexual e ela era virgem quando conheceu seu marido, nunca teve sexo com nenhum outro homem, o que a levou a concluir que o marido tinha dado umas escapadas.

Resolveu apertar o marido e ficou sabendo que foram ''apenas'' algumas escapadas durante as viagens que ele fazia pela empresa, mas não eram sua culpa, ele chegava na cidade e era recebido pelos executivos que o levavam a bordéis e casas de strip-tease, mas ele não queria, tinha que ir porque é o único lugar que homens sérios fazem bons negócios.

Ele garantiu que jamais se envolveu com outra mulher, foram apenas essas escapadas, que ele se via moralmente obrigado a aceitar os ''presentes'', as moças pagas pela empresa.

Eles eram muito jovens e o casamento não resistiu, acabou ali. 

Bom, eu escutei que eles eram ''muito'' jovens, mas me pergunto, será que tem idade para lidar com isso? 
Porque se a moça tivesse resolvido viver de outra maneira, deitando com centenas de homens sem se proteger, viajando pelo mundo, pegando diferentes bactérias e de repente ela quisesse engravidar, descobrisse que não pode, perde o útero, então ela poderia ir para a casa e assumir que foi irresponsável, que perder o útero foi sua culpa por não ter se cuidado, por não se proteger, tudo bem, ela ficaria bem, mas como lidar com o fato de ter perdido o útero por culpa do marido?

Não tem como salvar um casamento com uma questão desse tamanho no meio, um útero não é um dente.

A mãe dela era amiga da minha e lembro da mãe chorando e chorando, falando sobre o sonho da filha em ser mãe e o genro que estava morto de culpa (né?).

E durante alguns anos a moça foi ladeira abaixo, ficou deprimida, foi internada, até que um tempo depois ela começou a melhorar, sua vida deu um giro estranho, no hospital onde ficou internada conheceu uma enfermeira, que estava grávida e não podia mais ter filhos, pelas condições econômicas e pediu a moça que ficasse com o bebê, a moça aceitou. Adotou a criança e não lembro o motivo, mas assim que adotou resolveu fazer uma viagem, foi para a Itália com o bebê, chegando lá conheceu um rapaz, se apaixonaram loucamente e ficaram juntos, depois adotaram mais duas meninas.

A questão da maternidade foi resolvida, mãe é quem cuida, quem levanta de madrugada, não quem pariu. Mãe se constrói com o tempo, os desafios e isso não se faz com um útero. Ser mãe é um caminho longo, quem aceita isso tem o coração aberto, não é um processo de nove meses, criar um filho não é um ''positivo'' no teste da farmácia, é uma vida dedicada a um ser, se precisa de disposição na alma para amar uma criança, não importa em que útero essa criança se desenvolveu, mas em quem está disposta a acompanhar essa nova vida, segurar na mão de um ser tão pequeno e não soltar mais. 

E hoje quando lembro da história me surpreende o horror dela, coisa que não percebi antes porque era pequena, mas agora penso no sofrimento da moça, ter o útero arrancando porque o marido foi mulherengo e irresponsável? Meu Deus do céu, isso me parece a pior coisa que pode acontecer com uma mulher!

E são todas essas histórias que escutei, que guardei, que os homens não entendem. Não percebem que tão graves podem ser as consequências de seus erros na vida da mulher que eles dizem amar. 

Um útero significa muito para qualquer mulher, é sua base interna e perder assim, de uma maneira tão grotesca deve ser terrível. É como ser apunhalada por quem nos ama, levar um tiro do Romeu.

O marido não via nada de errado, ele viajava e as mulheres eram oferecidas pelas empresas que o recebiam, quem conhece o mundo executivo sabe que é assim, faz parte, mas ninguém é obrigado a nada.

E eu não falo mal dos homens, não digo que são todos iguais, mas sei, pelo menos nos lugares que conheci, que todos foram educados da mesma maneira, foram incentivados a serem promíscuos e ligeiros desde pequenos.
Vi isso na minha casa, meus primos contavam suas aventuras sexuais em voz alta, sem vergonha. E quando as primas se reuniam, íamos ao quarto, fechávamos a porta, e falávamos sobre sexo em voz baixa, quase sussurrando e sempre envolvendo o Romeu, não falávamos de ''casos por fora'', estávamos sempre dentro da linha.

Não vou dizer que peguei trauma com a história da moça e seu útero, mas aquilo mexeu comigo de uma maneira estranha, sempre me perguntei se era justo pagar pelos erros alheios.

E o que me deixa chocada é que tantas mulheres paguem pelo seu único erro, amar um homem, apenas por isso parecem que são punidas com o fogo do inferno.

Errar por qualquer motivo é humano, mas errar porque amou um homem é uma das piores coisas que pode acontecer a uma mulher.

Lembro da minha mãe contando para minha avó sobre essa história do útero e minha avó respondeu:

-Quando eu era pequena minha mãe dizia que os homens estavam melhorando, mudavam devagar, mas um dia aprenderiam a respeitar as mulheres. E vejo que está acontecendo tudo ao contrário, parecem cada vez piores e mais egoístas. Na minha época a única coisa que um homem podia era te arrancar o coração, mas agora parece que também arrancam o útero!

É. Me parece que o maior erro que uma mulher pode cometer é confiar em um homem.

E não sou eu que tenho ''raiva'' de macho, são eles que escrevem as histórias que conto aqui, são eles que desenham nas paredes que me cercam. 

E não é falta de empatia com eles, é excesso de identificação com as mulheres. Todas as histórias que presenciei, escutei, anotei, guardei, me moldaram de um jeito e quebraram meu coração de outro. Ainda fico de madrugada pensando porque as coisas são assim, se ama um homem e se paga tão caro por isso? Por quê eles não percebem a dimensão das besteiras que cometem e as vidas que vão varrendo no caminho de suas atitudes cretinas? Me pergunto se isso é porque ficamos tanto tempo caladas e eles não sabem o preço que pagamos pelos seus erros.

Ah, mas nem todos são assim de cretinos, existem os homens decentes.

É, não sei, mas quando escuto sobre homens infiéis lembro logo dessa moça, de menos de trinta anos, deitada em uma cama de hospital e tendo seu útero arrancado por uma situação que ela nem criou, nem viveu. Naquele momento ela deve ter sentido sua vida esvaziando, perdendo um útero que poderia ter gerado a criança que ela tanto queria e tudo ali era culpa do seu marido, aquele que ela jurou no altar amar a vida inteira, aquele que ela confiou. Não era um caso de uma noite, não era uma trepada com um estranho no meio de uma viagem de trabalho, não era um namoro rápido, era um casamento, era amor, aquele que mata, que arranca corações e úteros.


Iara De Dupont

2 comentários:

Cristina disse...

A verdade é que esses hominhos são criados pra achar que estão sempre certos, que tudo que eles fazem está ok. Os pais sempre aliviam pro lado do filho enquanto detonam a filha, limpam a barra dele, adaptam o meio a ele e não ele ao meio, se esfolam pra que Júnior não tenha que lidar com as consequências dos seus atos. Quantos pais saem por aí difamando mulheres e meninas que o filhinho estuprou? Quantos pagam propinas pra que Júnior não seja preso por atropelar alguém, mesmo que a vítima tenha morrido? Quantos fingem que o filho não é do Júnior pro coitadinho não ter que pagar pensão? Esses homens mimados e frouxos se acham acima do bem e do mal, acham que ninguém pode critica-los pelas canalhices que fazem, muito menos uma mulher, esse "ser inferior". E claro que eles não admitem que as mulheres tirem a máscara de bom moço deles; se todas souberem como eles são de verdade, quem os machinhos vão explorar e escravizar? De quem eles vão se aproveitar? Contra quem vão cometer os abusos que eles gostam tanto? Desça o pau nessa escória mesmo, Iara, homem prova que tem caráter com atitudes e não com mimimi de fedelhinho mimado que se acha o tesouro na internet.

C.Belo disse...

Nossa! Tudo o q posso dizer desse caso é que Deus é bom e justo! Deu a essa mulher algo MUITO melhor do q gerar em seu útero um filho desse bostinha!

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