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20 maio 2016

A linha que nos divide



Não digo que todas as mulheres sejam santas e os homens todos uns ordinários. A essência dos dois é a mesma, humana, e isso se presta a navegar em todas as águas, conforme sua conveniência.
Do ser humano se pode esperar tudo, principalmente o que envolve os jogos baratos.

Mas devido a opressão que obrigava a mulher a ficar em casa, não sei, talvez, isso nos levou a ter uma ideia mais sólida do que é uma família e da importância que isso tem, talvez porque a casa era o único lugar onde se nos permitia circular, crescemos com ideias rígidas a respeito e não somos flexíveis quando de trata de nossa família.

Já disse aqui antes, vários homens da minha família foram embora, abandonando esposa e filhos na miséria, mas apenas uma mulher fez isso, então na minha matemática ficou claro que os homens encaram a família de maneira mais superficial e leviana.

Sempre escutei de mulheres que aguentam maus tratos e surras para manter a família unida e não levar os filhos embora, mas os homens não aguentam nada, qualquer pressão em cima deles correm como ratos em barcos que afundam.

Há pouco tempo vi uma situação idêntica acontecer com dois casais e me chamou a atenção como ela foi encarada pelos dois lados.

No primeiro caso conheço o marido, trabalha comigo e fiquei sabendo que sua esposa teve uns problemas de saúde e entrou em depressão.

Percebi um jogo discreto entre ele e outra mulher, e um dia ele viu que eu reparei e veio conversar comigo:

-Você já morou com alguém deprimido?


Sim, comigo, durante anos.

-É sério, não é fácil.

Não é não.

-Pois é. Não te devo explicações, mas vi que você olhou quando eu estava com fulana, e sabe, você fica escrevendo sobre as mulheres e tal, me pergunto se o ponto de vista masculino te interessa.

Me interessa sim, se quiser falar a respeito, eu escuto.

-Olha, eu amo minha esposa, é a mulher da minha vida. Você não entende porque não é casada, o casamento passa por fases, algumas são ruins, estou em uma delas. Minha esposa está com depressão, ela está fazendo tratamento, mas é uma doença silenciosa e traiçoeira, leva tempo.

Eu sei.

-Eu dou todo o apoio, sou o melhor marido que posso ser, estou sustentando a casa, levando tudo nas costas e faço isso de boa vontade, porque é minha mulher.

Mas a casa de vocês não é herança da mãe dela? Ela me disse isso uma vez, que iria parar de trabalhar o dia que quisesse ser mãe, porque a casa é dela e o pai deixou uns investimentos que geram uma renda.

-É verdade! Mas o resto eu pago, não é sobre o dinheiro, é sobre a vida de casal. Homens também sofrem, estou passando por dias tensos.

Entendi.

-Você sabe o que é chegar todos os dias em casa, muitas vezes com o astral lá em cima porque as coisas deram certo, então você abre a porta da tua casa e tua esposa está de pijama, se queixando, reclamando que os remédios não fazem efeito? Não consigo dar todo o apoio se não tiver alguém que me ajude, eu preciso de amor e carinho também, entendeu?

Entendi.

-É nessa parte da história que entra fulana. Não tenho como apoiar minha esposa, ser o homem que ela precisa se não tiver alguém para me apoiar um pouco, preciso de ajuda emocional, sozinho não aguento o tranco.

Os homens são engraçados, dão cada nome para traição.....

-Não é traição, amo minha esposa, fulana apenas me dá apoio, sim, transamos, mas eu preciso de carinho, você acha que sou de ferro? Que posso trabalhar o dia inteiro e não ter ninguém para conversar? Você acha que é fácil apoiar uma pessoa deprimida? Faço o que posso, mas não sou de aço, preciso de apoio.

Tua família e amigos não te dão apoio?

-Isso é conversa de mulher, apoio para homem é sexo, o resto é cri-cri de mulher, não interessa, você acha que quero sair do meu trabalho e pedir colo para minha mãe? Nada, eu quero é me distrair um pouco e ter o carinho de uma mulher.

E se tua mulher descobrir, não vai ser pior?

-Ela não vai saber nunca e se souber não vai ser egoísta, vai ter que entender que não fiz de propósito nem procurei por ninguém, apenas fui vencido pela carência.

Sei.

-Mas é claro que o ponto de vista de um homem não te interessa, posso ver isso no teu olhar.

Não é assim, é que me cansa essa maneira de viver de alguns de vocês, sempre querendo atenção, sempre pensando em vocês, ignorando o resto, querem carinho o dia inteiro, querem tudo o dia inteiro, enfim, passam por cima de promessas, da ética, do que for, mas precisam como bebês terem suas necessidades atendidas ali, na hora, isso me irrita profundamente. Esse falta de controle sobre suas própias emoções e esse ritmo de vida, de achar que nada é mais importante do que estar satisfeito, não importa o que exista no caminho.

-Eu penso em mim sim, mas honro meu casamento, sou bom marido.

Não sei porque tenho a impressão de que você parece dizer ''se minha mulher não tivesse ficado doente, eu não seria infiel''.

-Não seria mesmo, se tivesse a atenção dela, para que estaria com outra? Só me enrolei com fulana porque preciso de um pouco de carinho, não aguento tanta pressão.

A depressão que ela tem pode acontecer com qualquer um.....

-Mas aconteceu com ela e eu não posso lidar sozinho com isso.

Tá. É meio que aquela teoria de que ''cada um que corra atrás do seu'' e dane-se, o que importa é o que você precisa, não o que tua mulher precisa.

-Não é verdade, me preocupo com minha mulher e faço o que posso para cuidá-la, mas tenho que pensar em mim e não tenho como enfrentar tudo sem ninguém me dando carinho. Minha mulher tem os cuidados que precisa, mas eu também preciso ser cuidado, por isso resolvi a situação pelo meu lado.

E isso me lembra outra história, de uma amiga bem próxima. Ela se casou com um rapaz e tudo ia bem, mas de repente ela decidiu engravidar e perdeu o primeiro bebê. Tentou de novo, e perdeu, e ela não perdia no começo, passava dos quatros meses e organismo dela colocava pra fora. Quando ela ficou grávida pela terceira vez o marido perdeu o emprego e na mesma semana ela perdeu o terceiro bebê, com seis meses de gravidez.

Ela continuou trabalhando, porque agora era quem sustentava a casa e o marido procurou emprego por uns dois meses, depois começou a ficar deprimido e se recusava a sair de casa.

E do nada ela começou a ter umas crises de vômito, qualquer coisa vomitava. Foi a todos os médicos, fez mil exames e não encontraram nada. Até que a irmã a arrastou a uma benzedeira e a mulher disse:

-Você não chorou os filhos que perdeu, tem muita tristeza no seu coração, é tanta que fecha o caminho do estômago, você precisa chorar, porque você está vomitando a tristeza, que tenta sair para não danificar mais ainda teu organismo.

Ela não acreditava nesse tipo de coisas, e depois de ter ido me ligou, contando o que a benzedeira tinha dito. Na hora aquilo me pareceu lógico, dei total apoio ao que a benzedeira tinha dito, ela precisava chorar e colocar tudo para fora, e me respondeu:

-Deixa de ser maluca Iara, vou chorar a que horas? Meu marido está desempregado, eu sustento minha casa e preciso do convênio médico, e vou dar uma de fresca agora e ficar chorando na cama? Não tenho tempo para essa merda. Já tenho um homem em casa afundando, vou afundar junto? Não dá, tenho que amarrar minha alma todos os dias e sair para trabalhar.

Vi seu marido algumas vezes e ele continuava arrastando a depressão, se recusava a fazer um tratamento, enrolava dizendo que no dia seguinte iria fazer algo, mas não fazia.

Um dia essa amiga estava na minha casa, e conversávamos a respeito da vida, quando chegaram outros amigos e um deles disse a ela:

-Você está muito nervosa, inquieta, se teu marido não está mais dando conta do recado, vai procurar outro, se divertir, vai ser feliz nos braços de outro macho!

Minha amiga ficou irritada com a brincadeira e respondeu:

-Coisa mais idiota! Você acha que eu quero outro macho? Não quero nem tenho tempo pra isso, estou sufocada entre o trabalho e minha casa, não tenho nem cabeça para pensar como seria sair com outro homem, apenas consigo respirar.

Essa é a linha que nos divide. Nós, mulheres, assim como o ferro pode ser moldado no fogo, fomos moldadas na solidão, estamos acostumadas com ela e seus silêncios, diante de situações difíceis em casa ficamos quietas, mas não saímos procurando ''carinho'' nos braços de qualquer macho.

Não digo que somos santas nem falo por todas, mas a grande maioria é assim, voltada para sua casa, respeita sua família e em tempos de crise se desdobra, não estamos acostumadas a pôr nossos sentimentos e necessidades na frente dos outros, o que é péssimo.

Um homem diante de uma crise, a mulher deprimida, não quer nem saber, coloca suas vontades na frente, quer carinho, atenção, e passa na frente do que for para conseguir o que quer. 

A mulher na mesma situação engole o choro e continua trabalhando, não teve nem tempo de chorar seus bebês, tinha que garantir seu emprego, não foi procurar colo nem apoio em outro homem.

Não faço um julgamento moral em cima das histórias, é apenas uma maneira de mostrar como fomos educadas para renunciar e isso não vale a pena. 
Minha amiga continua arrastando o casamento, o rapaz já achou um emprego, daqueles dias não se fala mais, mas ele continua sendo um folgado em outros aspectos. 
E o rapaz que estava traindo sua esposa achou o caminho fácil, a mulher se recuperou, mas ele pegou a manha e continua traindo.

E quem está certo? Nenhum dos dois. O rapaz está errado por trair a mulher em um momento de fragilidade, mas a moça erra também ao tolerar o marido folgado em casa, sem se mexer e ela engolindo sozinho a dor da perda que sofreu.

Vou morrer dizendo, mulheres: homens não valem seu sacrifício nem seu silêncio.

Toda essa solidão que nos moldou, que nos impediu durante séculos de ir às ruas, procurando ''apoio e carinho'' em outros braços durante a crise, nos colocou em uma posição de sempre prestar apoio e não de recebê-lo.

Como mulher me identifico com minha amiga, eu pensaria a mesma coisa diante da doença do meu marido, da perda dos bebês, a última coisa que posso me imaginar fazendo é ir a um motel com um colega do trabalho porque preciso de ''carinho'', isso me parece impensável e contra todas minhas regras éticas.

E digo, eu conheço essas mulheres, fui criada por elas, capazes de qualquer coisa para proteger suas famílias, ajudar seus maridos, apoiar seus filhos, incapazes de pegar ''macho'' alheio para aliviar sua ''tensão''.

E não escrevo dizendo que mulheres são melhores que homens, pelo menos no quesito moral, não é esse o enfoque, é apenas para mostrar a linha que nos divide, como a construção social nos sufocou a ponto de ignorarmos nossos sentimentos e vontades a favor de um bem maior, nossa família, enquanto eles foram construídos para pensar que nada é mais importante do que seus impulsos.

Por isso digo que eles não valem a luta, porque sua maneira de ver o mundo é oposta a nossa, enquanto a maioria das mulheres fica ao pé da cama dos seus doentes, pelo menos da família, eles se sentem no direito de sair às ruas para apagar seu fogo.

Não significa que os homens sejam uns malditos, mas como nós, mulheres, temos que ter bem clara a maneira como eles foram educados socialmente, para que possamos entender que não valem nosso sacrifício e em tempos de crise sua visão é oposta a nossa, em um momento de tensão uma mulher precisa de muita pilha para pensar em trair o marido, enquanto para o marido isso parece normal, porque ele precisa de ''carinho''.

Mulheres não são santas, também são capazes de traições ordinárias e o fazem, não estão em casa costurando nem bordando, mas suas motivações não são iguais aos dos homens.

O que escrevo não vai contra os homens, nem a favor das mulheres, é apenas um alerta sobre construção social e suas consequências, sobre como nós, mulheres, cometemos o grande erro de acreditar que homens pensam como nós e consideram a família da mesma maneira.
É claro que existem homens que são ótimos seres humanos e diante de uma esposa doente serão parceiros e farão seu melhor, mas eles são minoria, por isso rara vez os menciono.

E penso de maneira positiva, temos algo que aprender com os homens, esse jeito no qual vivem, priorizando o que querem, nós, mulheres, deveríamos aprender a ser um pouco assim, a parar de engolir o choro e impor nossas vontades ao mundo.

Nós, mulheres, não somos tão famintas de apoio e carinho, porque nunca nos foi dado, nem o respeito tivemos, então aprendemos a correr pela vida na mais profunda solidão, tentando defender a família de tudo e de todos, protegendo a casa que abriga quem amamos. Aprendemos a engolir nosso choro, sem importar os filhos que Deus leva embora, aprendemos a acordar todas as manhãs sem olhar pra trás, sem pensar nas dores que carregamos e a sensação constante de que não estamos felizes nem satisfeitas emocionalmente. Sabemos lutar como homens, mas em silêncio, e segurando o coração na mão, aquele que, talvez, algum homem quebrou.


Iara De Dupont

4 comentários:

Anônimo disse...

Socorro!!!A mulher com depressão e ele só quer saber de trepar, mas coitado, deixem ele trepar com outra, a mulher depressiva não precisa de ajuda. Ou será que ela deveria ignorar a depressão e ficar só dando bola pro marido carente? Tadinho!mimimi, ele precisa de carinho,mas e ela?que mimado fresco e inútil!
Dá vontade de se mudar de planeta, estamos em falta de vida inteligente na Terra!

Anônimo disse...

E se a mulher deprimida tivesse traído o marido procurando o apoio que o marido dela não dava, e aí? Como ficaria?

"Atenção pra homem é sexo", se acham mas vivem em torno do pau. Dá pena, sério! Coitada da mãe que carregou um bebê por 9 meses pra virar um idiota desses, não valeu o esforço.

Anônimo disse...

Em toda a minha vida só vi um homem honrar sua esposa doente. Eu era criança e evangélica, um dos membros da igreja um senhor já de uns 50 anos viu sua esposa com câncer terminal, eles tinham dois meninos e vi aquele senhor correr com meninos para não perder a escola, o ano e corria com ela pro hospital, nem preciso dizer que a igreja e o pastor achavam que ele tinha q largar Pra morrer e casar com outra ele nao o fez e ficou com a esposa até o fim.
Não sei o que houve depois pois minha mãe trocava de religião como quem troca de roupa na nossa infância. Mas aquilo foi a única vez que vi algo do tipo.
De lá ate a vida adulta, foi o mais do mesmo homens abandonando as esposas e filhos e mulheres lutando até o fim ao lado deles. Então nada mudou tirando os 1% de sujeitos dignos, o resto é essa corja que traí a mulher alegando sua depressão, problema em casa e aquele discurso que já conhecemos, e ainda tem gente que defende.

patricia disse...

Iara,é bem por aí mesmo,nós jamais abandonaríamos o barco por ''carinho'',já eles...hunm..digo nada não,que nem vale a pena!

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