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13 abril 2016

Sobre alienígenas, tecnologia, tempo e meu celular


Há cinco anos em uma mesa de bar tive uma conversa com um amigo, apaixonado por histórias de alienígenas.

Ele me contava sobre o acordo, o Tratado de Greada, feito em 1954, entre o governo americano e os alienígenas. Era uma ideia simples, os alienígenas nos dariam sua tecnologia e em troca poderiam abduzir um número de pessoas para sua experiências.

Mas segundo meu amigo as coisas saíram do controle, os alienígenas só cumpriram a primeira parte do acordo, de ceder sua tecnologia, mas não respeitaram o número de pessoas a serem levadas, começaram a levar quem quisessem e quantos quisessem, sendo assim o governo americano tentou cancelar o acordo, mas não conseguiu. E o pior o governo americano descobriu depois, os alienígenas tinham intenção de ceder sua tecnologia porque nos fariam seus escravos através dela.

Dei muita risada no dia que tudo isso me foi dito, adorei a ideia, achei engraçado pensar que nossos celulares são ideia alienígena e que foi graças a um acordo que temos acesso a eles.

E hoje lembrei disso porque me vi em uma situação onde fui levada a pensar que talvez esse acordo não fosse piada.

Meu celular quebrou e eu não sabia se era o aparelho ou o chip, então fui à loja da operadora. Chegando lá, uma loja pequena no meio da Avenida Paulista, cheia, e com pessoas se acotovelando por uma senha, como se fossem ganhar um prêmio. Eram oito funcionários tentando dar conta de todos, mas não conseguiam e a espera era longa. Fazia calor e a loja não tem acústica, nem paredes, todos falavam e pareciam estar gritando. E os problemas eram os mesmos, o chip que não funcionava, a internet que era lenta, o plano que acabava, o que foi pago e nunca usado, enfim, todos davam volta naquilo e terminavam dizendo ''eu não posso ficar sem celular, nem fora da internet''.

Quando chegou a minha vez eu já estava irritada pelo barulho e pelo calor, me peguei dizendo mais de uma vez para o funcionário ''olha, vocês já me ferraram o chip duas vezes, quero ver como vai ser agora''. Fiquei ansiosa para que consertassem, há poucos dias reparei que não recebia mais ligações. O funcionário pegou meu celular, virou, abriu, fechou e eu acompanhava tudo aquilo ali ansiosa, queria ver ele funcionando logo. Pegou outro, tentou ligar ao meu número e não conseguiu, acabou concluindo que meu aparelho quebrou.

Não sei como isso pode ter acontecido, não lembro de ter derrubado nem molhado o aparelho, mas parece que quebrou. Assim que a notícia me foi dada tive vontade de chorar, nossa, quebrou? E agora?
Mas não entendo nada de aparelhos e liguei para meu irmão, chorando e perguntando onde eu poderia comprar outro celular e queria saber se poderia usar o mesmo chip, pode?

Meu irmão me disse para ir a sua casa e conversar, não comprar nada e deixar de ser histérica, mas eu fiquei mesmo, nossa, tenho dois dias fora do ar sem celular e quantos dias mais vou ficar?

Quando sai da loja não podia acreditar no meu azar, celular quebrado? O que eu fiz para merecer esse castigo divino? Por quê Deus me escolheu para um desafio desse tamanho? E como seria minha vida de agora em diante? Poderia sobreviver ou minha morte seria lenta?

Caminhando nas ruas levantei os olhos, coisa que rara vez fazia, sempre os tinha grudado na tela do meu celular. Como não acho seguro escrever na rua e nunca tive um relacionamento saudável com meu corretor, eu mando áudio para todo mundo via messenger, respondo assim meus emails. Me acostumei a caminhar falando e dando play e enviando, só ficava esperta por causa da violência, mas cansei de entrar em lojas para acabar de falar tranquilamente.

Comecei a reparar nas pessoas que iam pela rua e todas faziam a mesma coisa, mantinham seus olhos grudados na tela, carregando o celular com as mãos, como se fosse seu soro. E então lembrei a história que meu amigo tinha me contado, devia ser verdade, não foi apenas uma troca de seres humanos por tecnologia, mas sim um meio de escravizar a todos.

Não usamos a tecnologia, somos seus escravos, sujeitos a ataques histéricos quando ficamos longe dela. Tudo isso apressou nossa vida e nos tirou do tempo certo, me peguei no fim de semana passado reclamando com uma pessoa a mensagem não respondida, a pessoa disse ''te respondi no dia seguinte'', ora,  se eu quisesse uma resposta no dia seguinte teria mandado um telegrama, não uma mensagem de texto no celular! Quero respostas e quero agora!
E a pessoa me disse ''estou ocupado'' e eu respondi ''e eu também, porra, mas não tem um minuto para teclar?''. 
Que desculpa pode ser dada se todos nós estamos com os dedos grudados a um teclado?

Em algum lugar li sobre escravos e alguém dizia ''você não tem ideia do que as pessoas são capazes de fazer por comida, a simples promessa de que serão alimentados faz a pessoa trabalhar até cair''.

É, estamos assim, como escravos vivendo na promessa do celular, estamos todos trabalhando até cair, mas sedentos de nos mantermos comunicados via internet.

Parece uma história absurda pensar que um dia se trocou tecnologia por escravos, mas faz sentido. Não sei o plano dos alienígenas, mas até agora vem dando certo, as pessoas estão grudadas nos seus celulares e surtando quando algo as afasta deles.

Agi hoje como escrava, surtei diante da certeza de um aparelho quebrado, um aparelho que há dez anos não fazia parte da minha rotina, não existia na minha infância e nem nos meus sonhos. Cresci e vivi bem sem ele, mas agora que tenho um e quebrou, olho e sinto agonia, como se estivesse afastada do mundo, como se tivesse sido abduzida a outra realidade.

Meu irmão mexeu e mexeu no aparelho e concluiu ''acho que não entra ligação, mas o whatsapp está funcionando e o messenger também''.
Pela primeira vez em horas, respirei. É, tudo bem, é como ter um pouco de oxigênio, posso aguentar mais umas horas até decidir qual vou comprar e resolver essa questão.

Foi há cinco anos que meu amigo me disse:

-Sério, Iara, a ideia dos alienígenas é escravizar todo mundo com sua tecnologia, querem que fiquemos dependentes e quando eles vierem ao planeta vão colocar suas regras e vamos aceitar qualquer coisa, porque caso contrário eles levam a tecnologia embora, então para evitar isso estão nos escravizando, nos deixando de joelhos, assim vai ficar mais fácil. Vamos chegar a um ponto que vamos sentir que nossa respiração está ligada ao celular, se nos tiram isso, morremos. Esse dia vai chegar!

Já chegou.


Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Já chegamos mesmo a esse ponto! Senti uma ansiedade tão forte, uma agonia - dor que chega quase a ser física - quando fiquei uns dias sem celular. Me lembrei de quando a vida não era tão conectada assim, com certeza eu me sentia mais livre. Acho que seu amigo estava certo sobre os alienígenas...

Anônimo disse...

Uso celular, mas deixo em casa tranquilamente, não gosto de sair e ficar com ele, gosto de observar pessoas, conversar, aproveitar o tempo que tenho pra sair.
Qto aos alienígenas é vdd sim, um cara aposentado da NASA disse isso em um vídeo no YouTube, trocamos tecnologia por pessoas, por isso mtas gente diz que foi abduzido, uns dizem que tiveram uma espécie de relação para procriação, não o sexo como fazemos, mas de outra forma, eles retiram nossos fluídos, do nariz, boca, vagina, pênis, sangue, pedaços de pele, tem gente que diz que está com um chip no corpo, tem gente que narra uma gravidez que durou pouco tempo e teve um filho na nave. Sinceramente mta coisa bate, tem construções aqui na terra impossível para a tecnologia da época, e algumas msm hj não conseguem ser reproduzidas, e Deus fez td esse universo e deixou so pra nós? Duvido, estamos acabando com o planeta Terra, com as pessoas que vivem nele, com a nossa própria vida, certamente há alguém mais evoluído que nós

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