ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

NOVIDADE!

NOVIDADE!

Nota:O formato PDF dos livros acima pode ser acessado em qualquer plataforma, inclusive Windows, Mac OS e plataformas móveis como Android e iOS para iPhone e iPad.

Os posts mais lidos viraram livros e não estão mais disponíveis no blog.

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

25 abril 2016

Só por hoje


Uma amiga me convidou para conhecer seu namorado e fui com um amigo em comum.
Eu não disse nada, mas quando eles foram embora meu amigo me perguntou o que eu tinha achado do rapaz e eu disse que não sabia bem o que dizer, mas achei que não era a melhor escolha da minha amiga, eu chamaria ele de ''crise de baixa autoestima dela''. E meu amigo falou:

-É isso que não entendo em vocês garotas-super-poderosas, são boas de discurso, mas parecem que caem na lábia de qualquer um.

O que você achou dele?

-Sou homem, não vou dizer que não presta, mas ela poderia ter achado alguém melhor, até porque ela é bonita.

Ela está muito apaixonada.

-Com certeza, já caiu no golpe das conversas baratas de macho.

Às vezes fico pensando, poxa, se fosse minha filha, como eu reagiria vendo ela se arrebentando por homens que não valem a pena?

-Se fosse tua filha você teria tua parcela de culpa nisso!

Taí um julgamento que não aceito, nem admito. Muita gente condenou minha mãe pelo meu comportamento, mas não é justo, ela fez o que achou certo e te pergunto, quem a ajudou a se construir como ser humano e mulher? Ninguém. É como você quebrar as pernas de alguém e depois cobrar que essa pessoa ensine o filho a caminhar! Mas a pessoa não conseguem nem ficar em pé! Como vai ensinar um filho o que ninguém a ensinou a fazer?
Se é uma questão de culpas, o correto é distribuir por toda a sociedade, não apenas nas costas da minha mãe, que também foi massacrada.

As pessoas falam da autoestima das mulheres como se fosse algo simples, quando na verdade é mais complexo do que um foguete que vai à lua.

-Mas vocês falam disso e ainda caem na conversa? Qual a desculpa da tua amiga?

Não tem desculpa, ela se apaixonou. São tantos maus tratos que a pessoa acumula, de repente, aparece alguém legal, um pouco legal, e a mulher se apaixona. É a lógica do cafetão sabia? Ele escolhe a mulher, se aproxima fazendo elogios, vai conquistando apenas com coisas boas, depois que ela cai no jogo ele diz ''agora vá às ruas e me traga dinheiro''. Funciona assim. E não é só na mente humana. 
Uma vez vi um documentário sobre dois grupos de animais, uns vinham de laboratório e os outros tinham sido criados soltos, os que foram resgatados do laboratório eram um doce, um amor, e outro grupo, dos que eram livres desde pequenos, se mostravam rebeldes. É a lógica da vida, depois de tanto sofrimento temos a tendência a cair em armadilhas e ter um comportamento submisso quando alguém oferece o mínimo.

-E você acha que vai durar esse namoro?

Não sei, outro ponto, a autoestima é questão de segundos, no caso das mulheres somos bombardeadas o dia inteiro, não é só em casa o problema. Exige uma resistência de guerra, porque estamos o tempo inteiro em um mundo que não nos quer. É como ser empurrada enquanto tentamos caminhar.

Uma mulher não pode fazer nada sem que sua autoestima seja triturada. Entrar em uma loja e comprar uma roupa? Sim, debaixo daqueles cartazes gigantes, com fotos de mulheres perfeita. Comprar um perfume? Sim, vendo aqueles anúncios com mulheres maravilhosas.
Assistir televisão? Sim, e se perguntar como as atrizes conseguem se manter tão magras. E os comerciais? Também nos lembram que não seguimos o padrão de beleza.

E o namorado? Ah, ele sonha com aquelas modelos Angels, que aparecem no desfile, não está interessado em sonhar com mulheres comuns.

Nada neste mundo, nada, nada, exalta a mulher comum e com um corpo normal, com cicatrizes, estrias ou celulite. Nada fala sobre isso, nada mostra isso, só se for para vender creme que tira cicatrizes.

E nós, mulheres latinas, ainda temos o carma do machismo, da exigência de uma aparência, coisas que outras mulheres de países desenvolvidos já conseguiram superar.

O meu irmão me contou sobre uma professora brasileira na Inglaterra, um dia ela comentou a orientadora que ela ficaria melhor se pintasse o cabelo, tiraria uns anos de cima. Bom, ela escutou horrores, a orientadora falou mil coisas sobre mulheres que se definem na tinta de cabelo e tentam segurar o tempo, em vez de estudar.

Mas no Brasil ainda estamos a mil anos de uma pensamento assim, tudo se concentra em nos massacrar e derrubar nossa autoestima. E tem os olhares, eu já senti olhares de reprovação até supermercado, apenas porque me viram comprando batata frita e não frango grelhado.

E não temos para onde correr, nada é aconchegante neste sociedade, nem os namorados são confiáveis e no seu despreparo dizem coisas que trituram mais ainda com a pouca autoestima da mulher. 
Não somos reconhecidas pelo que falamos ou pensamos, mas pelo que aparentamos ser.

E dizer ''não me importo'' apenas nos joga do outro lado, seremos ofendidas se nos recusamos a entrar no jogo da aparência, vão dizer que não pintamos o cabelo porque somos mal comidas, sapatões e feias.

Tudo isso acontece durante o dia, e quantas vezes temos tempo de parar a roda e dizer ''eu sou linda?''. Levamos o equivalente a uns mil tiros na alma todos os dias e quantas vezes podemos atirar de volta?

Se sentir linda e merecedora do amor é uma teoria maravilhosa, mas na prática é uma das coisas mais duras de se fazer. Até porque já estamos expostas a outros valores e isso nos oprime de uma maneira cruel, não basta ser mãe, tem que ser super mãe, não basta trabalhar em uma empresa, o importante é saber quando vai ser promovida a chefe. E tudo vai nos dizendo, aos berros, que não somos boas o suficiente para nada.

Tenho uma amiga que é médica e não sabe cozinhar, não teve tempo de aprender. Um dia houve um acidente, foram centenas de vítimas e ela encarou dois dias em um hospital público. Quando voltou a casa seu marido estava fazendo um jantar para seus pais, ela chegou, contou o que tinha acontecido e seu sogro disse:

-Grande merda salvar vidas e não saber fritar um ovo. Devia ter vergonha disso.

É, não digo que autoestima se possa construir de elogios, mas no chute é que não dá. Mas nós, mulheres, levamos chutes todos os dias. 

-E daí vocês ficam com ''odinho'' e pegam o primeiro traste que aparece?

Não é ''odinho'', queremos apenas simplificar a vida, viver em uma sociedade que reconheça as diferenças. Eu não tenho nada contra as modelos nos cartazes, mas as imagens são manipuladas e o problema é que entram na minha mente muito rápido, não tenho tempo de dizer ''calma, é photoshop'', em segundos já me sinto merda. E não sei como é possível que isso ajude a vender, eu já cansei de abandonar loja só de ver as modelos nas paredes e me sentir horrorosa por isso.

-Mesmo assim não entendo a dificuldade de assimilar a autoestima e não namorar um babaca.

Digamos que as pessoas pensam que autoestima é um osso grande, forte e resistente, se quebrado você gruda e a vida continua. Não é isso, autoestima é um nervo, ligado a milhões, no mais profundo do teu corpo, nem você sabe ao que está ligado, e não dá para dizer o que vai agitar o nervo e causar dor, são tantos fios, milhões e a maioria deles se desenvolveu no abuso e na dor, não reconhecem facilmente as coisas boas.

Não adianta dizer a uma mulher ''tenha autoestima e termine esse namoro'', não resolve nada, nem ela sabe que fios a ligaram a esse homem. 
A melhor coisa é dizer a ela para pensar com calma, tentar entender que mecanismo está ligado, que se apaixonou pela pessoa errada.

E ver tantas amigas se apaixonando por homens que não valem a pena, me ver de vez em quando caindo nesse buraco, tudo isso me deprime muito, porque percebo como a autoestima de uma mulher é frágil e sujeita a ondulações tenebrosas.
Mas existe um ponto positivo em tudo isso, é a primeira vez na história que falamos tão abertamente sobre autoestima e suas consequências. É possível falar sobre o assunto com irmãs, amigas, filhas e conhecidas. Não é mais tabu, nem doença contagiosa.

Sempre digo que deveria existir grupos de autoestima como existem para alcoólatras anônimos, que podem se reunir em diferentes horas e lugares.
Nós, mulheres, precisamos desses grupos, onde a gente possa ir a qualquer hora e dizer ''meu nome é Iara, e hoje minha autoestima está péssima'', então seríamos lembradas que é um compromisso de 24 horas, de acordar todos os dias e dizer ''só por hoje não vou me sentir um lixo'', ''só por hoje vou me amar'', ''só por hoje vou me sentir linda'', dizer isso todos os dias até começar a acreditar e um dia poder dizer com orgulho ''tenho vinte anos sem uma crise de baixa autoestima, estou me recuperando e não tenho mais a tentação de me sentir feia e inadequada''.


Iara De Dupont

Um comentário:

C.Belo disse...

A Autoestima feminina não existe. Na verdade, ela é uma concessão feita pela indústria da moda e cosmética. Tipo "vc é linda, 'viva sua beleza viva', agora compre meus produtos, não para ficar bonita, pra vc já é, mas para realçar sua beleza".

Acredito q se a autoestima existisse mesmo, nós mulheres nos preocuparíamos com beleza da mesma forma q fazem os homens: banho, pós barba e desodorante.

Mas não sou contra maquiagem, cremes, etc. Pelo contrário, sou usuária assídua de produtos de beleza, mas eu encaro a realidade.

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...