ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

NOVIDADE!

NOVIDADE!

Nota:O formato PDF dos livros acima pode ser acessado em qualquer plataforma, inclusive Windows, Mac OS e plataformas móveis como Android e iOS para iPhone e iPad.

Os posts mais lidos viraram livros e não estão mais disponíveis no blog.

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

01 abril 2016

Não me pergunte por ela


Muitas pessoas sempre me fazem as mesmas perguntas: e se tua família lê o que você escreveu? E se Romeu passar por aqui?

Pensei isso no começo, tanto que mantive o blog anônimo por um bom tempo. Mas depois isso era estranho e contraditório, justo por ser um blog tão pessoal, ficar no anonimato me parecia um ato de covardia.

E com o tempo percebi que era me jogar sem rede de segurança, não tenho controle de quem passa por aqui, nem de quem volta. Não sei quem lê ou quem deixa de ler, o máximo retorno que tenho é pelos emails e mensagens, de resto não sei o que acontece debaixo das águas.

Surpresas tem acontecido, em duas semanas serão seis anos de blog e muitas coisas já aconteceram. E descobri que minha família mantém a mesma posição de antes, quem gostava de mim, continua gostando, quem não gostava, agora tem certeza de que não gosta mesmo. Minha mãe nunca quis que eu fizesse o blog e se mantém distante, não quer nem saber, fica brava com o que ela chama de ''exposição à toa'', mas também não diz nada além disso.

E com os Romeus é mais simples. Eu já não tinha contato com a maioria dos meus ex-namorados, então o blog não mudou isso, continuo sem falar com eles. Apenas dois são meus amigos, um deles conhece bem o blog, mas não fala a respeito, talvez porque seja ainda amado por mim e sempre escrevi dele com a maior delicadeza (Post), jamais joguei ácido na tinta da minha caneta. O outro Romeu apareceu recentemente, passou por aqui, disse ter ficado chateado com um Post e não quis mais tocar no assunto.

Mas na semana passada recebi um longo email de um ex-Romeu, que foi o relacionamento mais abusivo que tive. É a segunda vez que ele tenta se aproximar e mandou o email por uma amiga em comum, para que chegasse a minha conta, porque eu o bloqueei. Essa moça me ligou e disse que minha posição irredutível não parecia compatível com quem ela achava que eu era, mas eu não sou quem fui ontem, entendo que pense que continuo a mesma tonta, mas já evolui.

Romeu disse no email e no recado: perdão.

O que aprendi até agora é bem simples, palavras são moedas de ouro e nem por isso são aceitas em todos os lugares e nem sempre valem o que pesam. Tudo tem sua hora, seu momento, passando disso as palavras se tornam ecos vazios de um grito desesperador.

A mulher que sou hoje, ele não deve perdão, até porque eu nem o reconheço. Faz parte de um passado vergonhoso, que se borra lentamente e não deixará rastros. Não tenho desejos de vingança nem quero ver seus olhos sangrarem, para mim sua existência bate no invisível.

Perdão hoje ele não me deve. Se ele tem alguma dívida e esse perdão na garganta não é direcionado a mulher que sou, mas a garota que fui.

A garota que o amou loucamente, intensamente, fielmente, aquela garota que enfrentou amigos que a avisavam sobre ele, a garota que discutiu com a família, a garota que corria para ajudá-lo e fazia tudo o que estava ao seu alcance para que ele se sentisse melhor, a garota que levou remédios quando ele ficou doente, a garota que foi com ele a delegacia quando ele bateu o carro bêbado, a garota que separava os incensos que ele gostava, cozinhava o mousse de chocolate e sorria quando ele aparecia, bom, essa garota merece escutar ''perdão''.

O problema é que ela não está mais aqui para escutar isso. Deve ter morrido em algum momentos desses anos que se passaram, no silêncio da rejeição, no momento da violência, na loucura de um ritual. 
Ela não tinha como sobreviver a um período de três anos de violência contínua. E todo aquele amor que sentiu por ele, diante de tantas agressões se converteu em veneno, que ela engoliu.

Dizer perdão agora é como chorar em cima de um túmulo, não tem nada ali além da pedra gelada. 

A mulher que sou nem consegue escutar os gritos dizendo ''perdão''. As únicas orelhas dispostas a ouvir qualquer coisa vinda de você eram as da garota, ali, esperando durante anos para escutar qualquer palavra de amor.

Quem eu sou hoje dá risada quando lembra de você dizendo ''nossa, você está muito gorda, olha o tamanho de sua bunda''. Foi a garota que chorou ao ouvir isso, não a mulher.
E você dizendo ''que nojenta essa sua barrigona'' não me aperta o coração, nem destrói minha vida, foi com a garota que você fez isso.

E para que ela escutasse teu perdão você precisaria voltar no tempo, congelar a história, se aproximar dela e sussurrar esse perdão, mas não adianta mandar recados pela mulher, nem ela sabe o que aconteceu com a garota que tanto te amou.

Para se dizer ''perdão'' e ser escutado é necessário que a pessoa esteja na tua frente, pelo menos. A garota não está aqui há anos, e você deveria saber disso. 
E não me procure mais, não tenho recados para você da garota. O que você gostaria de ler? Que a garota mandou dizer que quer mais é que você apodreça no seu remorso? Não, não tenho esse recado e nem sei se ela diria isso, porque talvez você nunca percebeu, mas vocês não eram iguais, não pertenciam ao mesmo clube e ela não carregava no sangue a podridão que você carrega na alma.

E não me pergunte se um dia ela vai voltar, não sei, de vez em quando vejo que passeia pela minha sala, mas com certeza se ouvisse tua voz sumiria no mundo de novo.

E se você foi covarde de agredir a garota, engula sua culpa, não é a mulher que vai te perdoar.
Quando brigamos com alguém aguentamos as consequências ali, na hora, não depois que a pessoa não está mais aqui.

E se existiu um lugar e um momento para o perdão, foi lá trás, no meio do caos, da dor, da ruptura, dos dias depois da violência.
Anos depois o prédio não está mais em pé, são ruínas e surdas, não vão te escutar. As ruas mudaram e agora dão a outros caminhos, nem os amigos são os mesmos.

A memória foi depurada e muitas coisas foram descartadas. Se existia alguma possibilidade desse perdão te libertar, foi naquele dia, quando chovia e você sabia que ela não tinha como voltar para casa, mesmo assim você virou as costas e foi embora com outra garota, dizendo ''foda-se você Iara''.
O que você não viu é que essa garota tem sorte na vida, e muita. Ainda tinha uma pessoa da produção trabalhando, um garoto, com menos de vinte anos, que viu de longe a discussão, a tua estupidez e se aproximou da garota e disse ''eu te levo pra casa, mas por favor para de chorar''.
A garota caminhou com ele, debaixo de uma chuva torrencial, com as ruas alagadas, naquele momento sem saber se eram as lágrimas que a faziam ver tudo molhado ou era apenas a chuva. Entrou no metrô e o garoto pegou o celular, fez uma ligação e disse ''minha mãe vem pegar a gente e te levamos, vamos comer alguma coisa enquanto isso''.
E a garota teve que dizer uma frase humilhante ''eu não tenho dinheiro porque minha mochila ficou no carro dele''.
E o garoto disse que tudo bem, ele pagaria as esfihas.

A mãe do garoto chegou e levou a garota em casa. E a história terminou ali, a mochila nunca apareceu, então a garota teve que cancelar alguns documentos e dar o celular como perdido. 
Talvez essa noite teu perdão teria servido de algo, hoje é como uma nuvem vagando perdida, não causa nenhum efeito.

Você teve azar, porque não existe uma ponte entre a garota e a mulher, acho que eu queimei no meio do caminho, também joguei as cordas ao chão. Ah, ela usava o Orkut e nem existe mais né? Nem lá vai dar para deixar um recadinho fofo.
Pois é, complicou para teu lado, não adianta mandar recados com amigos, emails com outros endereços, nem mensagens em garrafas, você não tem acesso a garota. Poderia ter pensado nisso antes, mas não pensou, então agora não há nada que eu possa fazer por você.

E mesmo que ela apareça agora na minha casa, mesmo assim eu não contaria a ela sobre teu recado, porque eu não mexeria nisso. Você não sabe, mas fui eu que coloquei panos limpos nas feridas que sangraram e levaram anos para começar a cicatrizar, fui que a arrastei durante anos para a frente do espelho para convencê-la de que não era o lixo nojento que você dizia que ela era, fui eu que a ajudei, remendei e limpei suas lágrimas. Fui eu que a convenci de que você era um doente e não merecia nem o pensamento dela. Fui eu que segurei nas suas mãos nas longas noites sem você e a impedi de fazer muitas bobagens. 
Por isso não gosto de você dando voltas, porque só eu sei o inferno que tive que passar para salvar essa garota, mas a salvei e me jogaria na fogueira de novo, se precisasse, para salvá-la.

Não tem perdão teu que mude nada, não tem recado teu que seja escutado. 
A garota não está mais aqui. E a mulher nem te conhece, por tanto suma e nunca mais apareça.

E te deixo um aviso, as coisas mudaram, era uma garota, é uma mulher, e pode ser um demônio. Não aposte em conhecer quem você não conhece, porque demônios têm memória e desejos de vingança.


Iara De Dupont

2 comentários:

Anah Vizoto disse...

Iara, sinto tanto pela dor da menina. :(
Mas isso fortaleceu a mulher!
Parabéns por não deixar esse escroto destruí-la! ♥

Patricia Gabriel disse...

não de mais platéia para lixo tóxico!nem escreva mais dele,senão ele vai passar pelo blog e ainda ficar se achando,tipo''nossa,eu fiz e aconteci,ela ainda sente algo por mim,haha"

mas gostei do fora....nossa!

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...