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18 abril 2016

A revolta astrológica dos pintos


Tenho algumas manias sombrias, uma delas é ler todos os horóscopos que encontro pelo caminho.
E não sei porque faço isso, mas leio e acredito, vejo mais lógica na interpretação do planetas do que no resto do que é dito.
Acredito que os planetas se movem e levam junto nossas emoções, mexem com nossos pensamentos e ações.

E semana passada eu estava lendo um horóscopo que dizia que esta semana, do 10 ao 17 de abril seria pesada, pelo excesso de energia ''masculina'', por uns planetas de guerra se cruzando. Não sei que planetas são esses, nem sei como se cruzam, mas eles iam atrapalhar o céu na semana que passou.

Eu li e deveria ter prestado mais atenção, talvez ter dado um voto de confiança, se tivesse feito isso minha semana teria sido neutra, já usei esse truque antes, quando as energias estão soltas e são fortes, eu me isolo, não enfrento as ondas.

Mas dessa vez não corri a tempo e alcancei para ver o que chamo da ''revolta dos pintos''.

Na quinta-feira eu conversava com uns amigos sobre o trabalho de ONGS (Organizações não governamentais) e alguns rapazes argumentavam sobre a corrupção que rege essas organizações. 
Tudo me parece bem simples, nada que seja administrado por um ser humano vai ficar intocável, sempre acontece alguma coisa e algumas ONGS têm sido pegas desviando dinheiro, mesmo assim não podemos negar a importância de seu trabalho, especialmente as que se concentram em denunciar os maus tratos que muitos invisíveis sofrem, pessoas que não têm voz na sociedade.

Um rapaz argumentava e argumentava que nada disso justificava a corrupção e que não valia a pena ter essas ONGS na sociedade e eu dizia o contrário, o barulho que elas fazem é fundamental hoje, não poderíamos mais viver em um planeta sem grupos organizados para denunciar tudo o que está errado. Me pediram um exemplo de uma ONG que valesse a pena, eu disse que muitas valiam a pena e sem elas a sociedade não sairia do lugar, então eles quiseram saber de alguma história que realmente fizesse qualquer ONG valer a pena.
Lembrei de uma história, que foi graças a uma ONG que tudo se resolveu, caso contrário a moça estaria morta.

Há um ano, uma moça, caminhava às dez da noite em uma rua de um bairro central da Cidade do México, é um lugar perigoso, mas no contexto México nem é dos piores. Uma moto parou e a obrigou a subir, a moça foi levada a um hotel que estava a dois quarteirões, chegando lá foi estuprada por dois rapazes. Em algum momento um deles saiu do quarto e ela conseguiu pegar a navalha do outro e o atacou no pescoço. 

Saiu correndo do quarto e correu até uma delegacia, onde chegou machucada, sangrando e pedindo ajuda. A deixaram por algumas horas esperando atendimento, ignorando as regras de que ela deveria ter sido levada imediatamente ao hospital.

Enquanto ela esperava um rapaz entrou na delegacia e a reconheceu, ela era a moça que tinha atacado seu irmão!

O rapaz disse que estava em um hotel, esperando seu irmão que foi por uma prostituta e voltou com a moça, depois do sexo ele saiu do quarto e deixou o irmão sozinho porque iria buscar umas bebidas, na volta encontrou o irmão com um corte no pescoço e morto.

A moça contou outra história, disse que caminhava nas ruas quando o rapaz na moto a parou e a obrigou a subir, a levou ao hotel e a estuprou.

E sem fazer nenhum exame, nem confirmar a história da moça, a polícia a jogou em uma cela, a deixou no meio de outros homens, sozinha, cheia de hematomas e machucada.

E para deixar a história mais estranha, nessa mesma hora a família da moça estava na delegacia, para denunciar seu desparecimento. A moça estudava à noite e trabalhava de dia, já deveria ter chegado em casa.

Mas ninguém na delegacia disse que a moça estava presa, lá no fundo, no meio de não sei quantos homens. E a moça não teve direito a fazer uma ligação, nem a procurar um advogado, foi jogada ali, acusada de homicídio.

No dia seguinte e ainda incomunicada, a moça conseguiu pedir ajudar a alguém na delegacia, houve uma mulher, que já sumiu da história, que tirou umas fotos da moça quando ela chegou, que mostravam seu estado real, ela tinha sido espancada.
A família não foi avisada, a informação chegou antes a uma ONG que trabalha os direitos da mulher nas prisões.
E graças a esse ONG a história virou um escândalo, primeiro porque a moça não tinha sido encaminhada ao hospital, depois porque foi jogada em uma cela comum com outros presos e porque foi proibida de fazer uma ligação.

Mas a polícia não quis deixar barato, vendo o barulho, colocaram uma fiança enorme, sabendo que a família da moça não poderia pagar. A ONG foi atrás e conseguiu o dinheiro, mas antes de tudo isso a moça agonizou três meses na cadeia, porque estava presa por homicídio.

Foi levada a julgamento e graças a um bom advogado conseguiu provar que tinha sido por defesa que atacou seu estuprador. E graças a pressão o rapaz confessou que tinha estuprado a moça, mas isso no fim não mudou nada, ele ficou solto, não foi preso pelo estupro porque não havia evidências.

Esse é o trabalho de uma ONG, sem ela essa moça já teria sido morta na prisão, e isso que falamos de uma cidade gigante como a Cidade do México e ela não foi estuprada em um hotel deserto, ela estava no centro da cidade, um lugar bastante conhecido. E entrou para pedir ajuda na delegacia e acabou presa!

As fotos tiradas quando ela entrou na delegacia ''desapareceram'', assim como os funcionários que a atenderam aquela noite.

Então não sei dizer que tão importante é o trabalho de uma ONG para um homem branco e classe média, mas para as mulheres é vital, é a diferença entre a vida e a morte.

E o que isso tem a ver com a ''a revolta astrológica dos pintos?''.

Meu amigo escutou minha história e ao caminhar de volta me disse:

-Sério Iara, de tantos exemplos que você poderia dar sobre o trabalho bom de uma ONG, tinha que tirar justo esse?

É porque é recente e me impressionei muito sabe? Minha prima morava no mesmo bairro dessa moça, cansei de andar naquelas ruas à noite, fiquei chocada!

-Não acredito, fosse o assunto que fosse, você colocaria o direito das mulheres. Tá chato, tá chato, entende?

É, mas eu acho chato mesmo! Odeio o assunto, mas posso fazer o quê, se vocês homens não acham chato estuprar e matar?

-E vamos cair naquela conversa de que ''todos são iguais''.

Não, é aquela conversa de ''nossa, mas tantas mulheres abusadas, não tem alguma coisa errada?''.

-Não pode ser teu único argumento.

Não é, mas digamos que até o dia em que eu puder sair à rua sem escutar nada de um homem, bom, até lá vai ser um argumento bem frequente.

E isso foi na quinta-feira.
Na sexta-feira um ex-Romeu me ligou, de madrugada, no meio dos horrores que me disse, soltou:

-Você era da categoria das mulheres encantadoras, agora está na categoria da feministas hipócritas, aquelas que lutam apenas por direitos convenientes!

Ué! E desde quando um direito é conveniente?
Enfim, Romeu é meio besta quadrada mesmo.

E hoje, domingo, eu conversava com meu irmão sobre um doce de chocolate e de repente, sem prévio aviso, sem discussão, ele me disse:

-Você analisa muito, argumenta demais, tá chata.

Mas o que isso tem a ver com o doce?

-Nada, só tô falando, você analisa demais e fica ligando tudo ao feminismo, isso é chato pra caralho.

Mas o que está te enchendo o saco?

-É que você analisa tudo e isso irrita, tudo é sobre os direitos das mulheres, esse assunto cansa.

É, cansa, mas me cansa mais a mim do que a você. Como mulher é bem mais cansativo ganhar menos, trabalhar mais e ficar esperta nas ruas.

Em uma semana, três homens que eu conheço e não pareciam irritados com meu jeito feminista me chamaram de ''chata'', todos eles usaram o mesmo argumento, que eu só falo disso, mas do que poderia falar, se tenho meus direitos pisados pelo mundo?

Enfim, foi uma semana onde todos os pintos se revoltaram. Entendo que o assunto seja um porre para os opressores, eu também estaria de saco cheio se fosse homem e mulheres começassem a me confrontar, porque esse é o problema, não é o tanto que falamos, mas ''sobre'' o que falamos, e começou a ficar irritante para os homens tantas mulheres insistindo na mesma tecla, seus direitos.

Posso trocar de assunto? Posso, mas não quero, não tenho vontade e pior ainda, não vejo a necessidade de trocar de assunto, pelo menos não até as coisas melhorarem um pouco.

Já falei mil vezes, o feminismo é chato para todo mundo, para os homens é um porre escutar uma mulher dizer que tem seus direitos e para uma mulher é um porre ter que provar que é um ser humano, mas o que pode ser feito? Continuar lutando por uma sociedade melhor.

Aos homens, aos pintos revoltados, bom, só posso dizer uma coisa, vai ficar pior, não adianta reclamar, nós, mulheres, estamos saindo do verbo e indo para a ação, nossos direitos vão sair do papel e encontrar seu lugar na sociedade, quero ver como vai ser, porque vocês, homens, serão obrigados a engolir isso e meus direitos não serão mais verbo, serão uma realidade.

Durante muito tempo a situação era péssima para as mulheres, ainda é, mas daqui pra frente é bom vocês, homens, segurarem sua língua, porque vamos até o fim.

E não adianta mexer os planetas, mudar o céu, jogar todas as estrelas em cima de nós, nem criar a ''revolta dos pintos'', nada disso vai parar o que está acontecendo. Se acostumem, porque até que enfim o lado de vocês vai apertar. E não é chumbo trocado, é a conquista dos nossos direitos.


Iara De Dupont

2 comentários:

Cristina disse...

Carinha que reclama de mulheres lutando por seus direitos é porque está planejando (ou já faz isso) arranjar uma otária pra explorar e abusar. Imagina se todas as mulheres acordam, ou se o papo da amiga feminista acorda a otária que ele tinha na mira?

Anônimo disse...

Iara, você já assistiu TEETH? Olha, eu recomendo viu! Só vou avisando que é um filme meio trash e humor negro total XD... Maaasss, às vezes dá vontade de ter uma 'vagina dentada' (por questões de segurança mesmo) e quem sabe assim o mundo passasse a respeitar mais as mulheres... O mimimi masculino acabaria rapidinho, rsrs!
SY

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