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01 fevereiro 2016

Tiago Leifert: eu sou prisioneira (mas é só um cara olhando)

Tiago Leifert

Há um bom tempo decidi que evitaria mencionar celebridades, pelo menos as brasileiras. A maioria das celebridades que conhecemos no mundo inteiro, cresceram em países democráticos e abriram o seu caminho sozinhos, já no Brasil predominam os filhos dos coronéis, nascem no sistema, não trabalham para conseguir nada e acabam repetindo o comportamento colonialista que tanto condena este país, vivem como a nobreza e cercados de assessores tão idiotas quantos eles, que se dedicam a ir atrás de quem fala mal e pedir ''explicações'', ignorando o fato de existir liberdade de expressão. E diante de um comportamento tão arcaico e vergonhoso decidi que era melhor não mencionar esse bando de inúteis.

Mas me preocupa a voz que eles têm, porque é usada com frequência para disseminar a ignorância, o machismo, elitismo, sexismo e racismo. Não existe no planeta uma classe de ''celebridades'' mais despreparada e ignorante que a brasileira, que vivem encerradas nos seus castelos de ouro e falando barbaridades.

Hoje li uma discussão no twitter que não me chamou muito a atenção, pela pessoa envolvida, o senhor Tiago Leifert. Minha opinião sobre ele é de quem assiste televisão, ele não me parece carismático, inteligente, bonito nem simpático, mas já me disseram que ocupa o lugar que ocupa devido as influências familiares. Aí sim, já entendi. 
E não é a primeira vez que ele demostra uma total falta de preparo para dizer algo, é bem frequente sua falta de conteúdo e lógica.

Houve um incidente na casa do programa Big Brother Brasil, onde uma participante se queixou do ''olhar'' de um dos homens. A discussão esquentou na casa e fora dela,  então Tiago correu para o twitter e disse que ''era só um cara olhando''.

Ah, era só um cara olhando!

Lá vou eu dizer o que é ''só um cara olhando''. Nem adianta argumentar pedindo a Tiago que converse com sua esposa, talvez ela possa explicar o que é ''só um cara olhando''.

Mas ''só um cara olhando'', fere, machuca e transforma a mulher em uma prisioneira.

Eu gosto de sair para caminhar em um parque, perto da minha casa. O caminho é reto, porém eu sou obrigada a trocar de calçada três vezes, esperar o semáforo e perder meu tempo. Por quê isso? Porque é ''só um cara olhando''. No meio do caminho existem quatro botecos, onde os homens ficam no meio da rua olhando e mexendo com as mulheres. E Tiago não sabe porque não sofre esse assédio, mas nós, mulheres, sentimos os olhares masculinos até pelas costas, muitas vezes é tão forte que dá enjoo, mas calma, é só um cara olhando.

E só ''um cara olhando'' te faz mudar a rotina, horários e lugares. 

E virei como muitas mulheres, prisioneira do moletom. Se vou sair para caminhar ou correr, tenho que usar, porque me incomoda sentir os olhares. Resolve? Não, não resolve nada, homens olham de qualquer jeito.

Mas o que seria ''olhar''? Ah, Tiago teria que nascer mulher. Então entenderia a diferença entre um olhar e um olhar libidinoso, desses que dão medo. O olhar libidinoso é assustador, asqueroso e dá a entender que a mulher é um pedaço de carne e deve ser avaliada.

E a obrigação do olhar? Sim, ela existe, homens se sentem obrigados por outros a olhar a mulher, caso contrário não são considerados ''homens'', então eles olham.

Todo mundo olha! É verdade. Até eu olho, mas só uma mulher entende o que eu escrevo, se passa um homem bonito na rua eu olho, mas não viro a cabeça, nem faço comentários de baixo calão e muito menos olho como se aquilo fosse um pedaço de carne que me pertencesse.

Nós, mulheres, somos prisioneiras desses ''olhares'' e só nós sabemos o que fazemos para evitar, deixamos empregos, cortamos amigos, cruzamos as calçadas, deixamos de viajar, usamos roupa para nos esconder, caminhamos rápido e sem olhar para trás. É vida de prisioneira, não temos o direito de ir e vir.

Então não seria ''apenas um cara olhando'', não, não é um cara, é nosso carcereiro, que nos mantém presas a uma situação.

E parece simples, mas eu adoraria ver um homem passar por tudo isso e sair dizendo que ''é apenas um cara olhando''. Não é, quando um homem te olha quer te dizer que ele te achou na multidão e você está na mira de um potencial estuprador e assassino. É isso que uma mulher pensa quando um homem olha de maneira libidinosa e assustadora. Quando um homem me olha na rua eu sinto a mesma coisa que uma zebra sente ao cruzar um rio e ser detectada pelo jacaré, é a mesma sensação de perigo.

Não custa colocar as coisas no seu lugar, um homem olhando não é apenas um homem olhando, chega de amenizar o machismo dessa maneira grotesca, quando os homens nem sabem do que estão dizendo.

Um homem olhando muda tudo e altera qualquer mulher. 
Lembro de umas férias com uns amigos do meu primo, peguei um deles me ''olhando'' de maneira assustadora e congelei. Parei de ir à piscina e passei todas as férias assistindo televisão, alegando uma alergia na pele. Por que fiz isso? Porque não tolerei o olhar do homem, aquele que estava apenas ''olhando''.
E haviam outros homens ali, porém nenhum deles me olhou de maneira inadequada nem insistente.

Agora, que alguém me explique, como é que pode um jornalista dizer que ''era só um cara olhando?''. E mesmo que eu desenhasse o texto ele jamais entenderia o que eu tento explicar, porque é homem e jamais estaria exposto ao que uma mulher está e o fato de ser um homem feio também o ajuda, jamais vai saber o que é ser notado de outra maneira.

Só um ''cara olhando'' me fez prisioneira. Perdi a conta de situações que tive que sair, fugir e correr, porque ''era só um cara olhando''. Passei por isso com familiares, amigos, trabalho e até amores, mas era ''só um cara olhando'' e fui condenada a prisão do moletom e a escolher minhas roupas a dedo, sem margem de erro, para depois perceber que isso não faz diferença, homens olham de qualquer jeito. Já desci correndo de ônibus, sai de metrô e procurei abrigo. E se fizer a lista de tudo que já fui condenada a fazer apenas porque ''era só um cara olhando'', não termino nunca.

E como é difícil ser mulher no Brasil, estamos cercadas! De um lado temos homens que olham e do outro homens que aprovam e apoiam esse comportamento, dizendo ''era só um cara olhando''. E Tiago se enrolou mais, disse que a  menina reclamava de ser ''olhada'' por um homem, mas era ''olhada'' por trinta milhões de pessoas na televisão. É a mesma coisa? Ser olhada dentro de uma casa que você não pode fugir não é a mesma coisa que ser ''assistida'' por milhões, mas enfim....Sem críticas a Tiago, ele apenas honrou a camisa que veste, é homem, filho de coronel, machista e não se poderia esperar nada diferente dele, apenas agiu como todos os machistas agem, de maneira ignorante.

E só entrei no assunto porque sou prisioneira e quero minha liberdade, mas estou consciente que não será neste país, graças a pessoas como Tiago, que disseminam mais ainda a cultura do estupro.
Meu único consolo é que não existe parede que não pode ser quebrada, nem prisioneiros que não façam rebelião. Quando as coisas mudarem pessoas como Tiago serão naturalmente abortadas pelo sistema, que ao se transformar não vai mais ter lugar para machistas como ele. Até lá só nos resta paciência (estômago) diante de tanta estupidez. 


Iara De Dupont

4 comentários:

Alexandra disse...

Um cara despreparado como ele, que tem tudo na mão em função da influência do pai, jamais seria capaz de compreender isso.
Tiago Leifert nada mais é do que um cara que ouvia piadas no rádio à tarde e as repetia descaradamente à noite.
Filhinho de papai sem carisma e sem talento.

Anônimo disse...

Iara é cultural, infelizmente, ontem minha irmã fez um sermao sobre eu postar sobre machismo e desigualdades no meu face, ela disse que é negativo, que as pessoas se assustam, que o certo é fingir que não viu, eu já comentei sobre a falta de sentimentos no post anterior e neste você puchou outro calo no meu sapato: falta de empatia. As pessoas não tem empatia.
E se incomodam com quem tem. Sobre o BBB não assisto mas tenho visto a falta de empatia com a moça, as pessoas preferem um velho doente doente e sádico do que uma moça que cometeu alguns erros ao dizer que era machista. As pessoas sempre vão perdoar os homens, esses caras calmos e da paz mas a mulheres taça pedra na geni,quem mandou ela ser chata e dar barraco?
Eu só vejo isso e penso: até quando?

Anônimo disse...

Você disse TUDO, Iara... Concordo com cada linha do seu texto.
'É só um cara olhando??'...Eu também adoraria ver uzomi que dizem essas merdas serem OLHADOS por outros machos com 'aqueles' olhares de maníacos de cima a baixo, e terem que escutar obcenidades, e serem apalpados, pra ver como é se sentir na pele das mulheres! Eu acho que só assim pra eles entenderem um pouquinho do que é esse machismo podre que eles tanto defendem, e quem sabe, começarem a se humanizar só um pouquinho.
E quem pensa ' credo, que exagero, é só um olhar! Que louca, neurótica, histérica!', saibam que esse SÓ um olhar NUNCA é SÓ um olhar... É um olhar acompanhado das piores intenções possíveis, olhar de predador, que nos reduz a um prato de comida ambulante e, como a Iara diz, de um potencial estuprador e assassino. Esse olhar que arranca a nossa liberdade, que nesse calor de 37 graus que anda fazendo essa semana me obriga a usar calça jeans porque se eu usar saia/shorts/bermuda ou qualquer peça que mostre um pouco minhas pernas, vou sofrer as consequências terriveis e ainda vão me condenar e dizer que eu estava PEDINDO pelo pior!
Quando diabos é que os homens vão evoluir e parar de se comportar feito animais selvagens movidos pelo instinto?? E quando diabos o resto da humanidade vai parar de passar a mão na cabecinha de machista e dizer que somos histéricas?? Quando esse tipo de comportamento vai passar a ser condenado e não justificado???
SY

Cristina disse...

O pior é que eles sabem o que esse "só olhando" significa, tanto que odeiam quando outros homens fazem isso com suas namoradas, irmãs e mães. Mas querem poder fazer isso com as mulheres que não são "importantes", as desconhecidas que eles veem na rua, a filha do vizinho, a colega de trabalho, a mulher do desafeto. Simplesmente asqueroso.

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