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04 fevereiro 2016

Quando você é a ''novinha''


Quando vejo as mulheres se posicionando em relação as suas ideias e ao feminismo penso que é questão de tempo virar o jogo e melhorar o mundo, sem utopias, acredito que possamos criar uma nova sociedade, mais próxima aos países nórdicos e suas ideias de igualdade.

Mas quando escuto os homens percebo que essa tão sonhada mudança pode levar séculos, talvez nem aconteça. Existe algo no mecanismo mental dos homens que não os permite enxergar algumas realidades, justo as mais perigosas para nós, mulheres. 
E nos últimos dias tenho percebido como eles parecem cristalizados em uma falsa ideia sobre o que é ser uma ''novinha''.

Em um programa de televisão um senhor, de cinquenta e três anos, afirmou que gostava de ''novinhas''. As mulheres se manisfestaram nas redes sociais, todas nós sabemos o que é ser uma ''novinha'', mas os homens mantiveram o apoio ao senhor, qual o problema em gostar de ''novinhas''?

Se um homem não entende qual é o impedimento em gostar de novinhas, quem sou eu para explicar? Não tenho argumento diante do horror que eles afirmam, porque me deixa chocada, escutar um homem defender que gostar de novinhas  e não tem nada de errado, para mim é a mesma coisa que escutar alguém defender o nazismo, não consigo nem ouvir o que a pessoa me diz sem enrolar meu estômago.

Fiz uma coisa que não faço há anos, acabei discutindo no twitter, diante de argumentos estúpidos de homens que me diziam que uma menina de doze anos pode fisicamente manter relações sexuais, o corpo dela já estaria preparado para isso. Não sou médica, mas estar biologicamente apta para ter relações não indica que a pessoa possa ter e me parece que uma menina de doze anos, mesmo que já tenha tido sua primeira menstruação não está totalmente desenvolvida, nem física nem mentalmente.

Outro me dizia que minha opinião é conservadora porque sou velha, já passei dos trinta, mas hoje as meninas são super sexualizadas e eu não entendo sobre isso, mas elas se vestem sexy e querem sexo logo.

É? Não sei dizer, a única coisa que posso falar sobre o assunto é o seguinte: já fui uma ''novinha'' e não lembro de nada mais assustador do que isso. É como cair no mar e nadar no meio dos tubarões, essa é a sensação.

É isso que os homens não entendem, eles podem gostar de ''novinhas'', mas para a maioria das ''novinhas'' isso é assustador, principalmente quando a ''novinha'' é cercada com insistência.

Sempre fui gordinha e lembro de poucos incidentes quando criança, eu parecia um urso, grande e gorda, talvez isso de um jeito ou outro me manteve protegida dos tubarões, não sei dizer, porque parece que os homens não se param diante de nada.

Quando tinha onze anos comecei a frequentar a casa de uma amiga, que tinha piscina. Peguei alguns hábitos alimentares ruins ali, era uma família muito legal, mas comiam demais e bebiam refrigerante. Engordei muito e durante as férias minha mãe me levou a um médico, daqueles ruins que dão remédios.
Usei os remédios durante um tempo, três meses depois, justo no período de férias, eu perdi trinta quilos e dei uma espichada. 

Um dia acordei e tinha 1,73 de altura, doze anos e sessenta quilos. E voltei às aulas. Minhas amigas me viram do mesmo jeito e me trataram igual, falaram que eu estava magra e fecharam o assunto ali. Os meninos da sala nem prestaram atenção, eu era grandona demais para eles, tipo mulherão e todos eles gostavam de uma menina estilo princesa, loira, pequena, de olhos azuis. Eu não senti nenhuma diferença, até a aula de educação física, então percebi de maneira leve e sem saber o que acontecia, o olhar do professor, que fez questão de me cumprimentar abraçando.

Eu queria desesperadamente que os meninos da minha sala, de doze, treze anos, reparassem em mim, ou talvez um mais velho, de quinze anos, que eu sempre gostei, mas eles me achavam ''cavalona''. Logo percebi que puxava todos os olhares dos professores, que faziam questão de me dizer como eu estava linda e de se aproximar de mim.

Tudo isso acontecia sem eu perceber o que tanto me incomodava, maldita ignorância. Eu fugia de aulas de educação física e outras matérias, porque me incomodava quando os professores se aproximavam para me explicar as coisas. Um deles uma vez encostou sua calça no meu ombro, não entendi na época, hoje sei que fez isso para que eu sentisse seu pênis ereto. Ah, os homens acham isso sexy? Bom, não consigo lembrar de nada mais nojento do que isso.

E no primeiro feriado voltei a casa da minha amiga, para ficar na piscina. Durante dois anos o pai da minha amiga nunca apareceu no jardim, sempre deixava a molecada aprontando, mas de repente ele me viu e resolveu ficar por ali, lendo um livro. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas sentia os olhares no meu corpo. Sem saber o que era ou não, preferi nunca mais voltar aquela casa.

Meses depois fui a um churrasco com meus pais e todos estavam em uma piscina, eu já estava muito desconfortável com meu corpo e não quis entrar, mas a dona da casa insistiu e me emprestou um maiô, como eu estava envergonhada resolvi colocar uma blusa por cima. Melhorou? Não, parece que causou o efeito contrário, eu via os homens da idade do meu pai me secando e eu tinha apenas treze anos.

Esse ano foi com certeza o pior da minha vida, eu estava cada vez mais desconfortável com os comentários que me corpo causava, abusava do remédio para emagrecer e para bater os efeitos colaterais usava outros oito remédios, eu  não comia e e esquecia de beber água.

Tudo isso se somou a um dia ruim na escola, a uma acusação de algo que não fiz, uma expulsão injusta e acabei trancada em casa, com síndrome do pânico e depressão severa.

Durante anos essa foi a explicação que encontrei para entender tudo o que tinha acontecido naquele louco ano, mas recentemente, há uns anos, conversando com uma amiga percebi que, talvez, eu abusei mesmo dos remédios tentando fugir do que estava vivendo, o fato de não saber lidar com a atenção inadequada e assustadora dos homens. Talvez se os garotos da minha sala tivessem prestado atenção em mim não teria sido tão assustador, mas de repente ficar na mira de professores e pais de amigas acabou com meu mundo.

E não sei, tudo em mim é teoria, mas às vezes penso que tive sorte e nunca aconteceu nada por um motivo simples: eu cresci em uma casa aparentemente normal, com pai e avô, e eu vivia atrás deles, já tinha as figuras paternais necessárias na minha vida e por isso os adultos não me pareciam interessantes, mas talvez se eu tivesse sido mais carente de uma figura paternal teria caído na conversa desses homens mais velhos. E ao ler um POST em um blog pensei que minha teoria estava mais certa do que errada, esses homens mais velhos se aproveitam das ''novinhas'' na corrente do abuso, que inclui desde a força física até a chantagem, usando a carência da menina.

E não são outros tempos, não existem meninas-super-sexualizadas, existe uma mídia e meninas que brincam de serem iguais aos seus ídolos sem saber das consequências de seus atos.
Quando eu tinha dez anos virou moda usar um gel que tinha purpurina e todo mundo queria usar, a escola não deixava, mas a gente dava um jeito e usava escondido. Isso quer dizer o quê? Que éramos todas umas delinquentes porque rompíamos uma regra? Não, éramos meninas imitando a moça da novela com seu cabelo e gel coloridos. É a mesma coisa quando vejo essas meninas dançando funk, elas crescem à mêrce do sistema, abandonadas pelo poder público e sem acesso a nada, se envolvem com a cultura local, a que conhecem e isso inclui o funk, vivem em comunidade onde o abuso sexual é constante, até a polícia estupra, e vão dizer que elas têm plena consciência do que é abuso e estupro? Não, é a única realidade que conhecem, mas isso não quer dizer que estejam prontas para o sexo nem fisicamente nem mentalmente, e verdade seja dita, os homens mais velhos sabem disso e se aproveitam. É mais simples abusar de uma novinha, ela nem sempre vai ter a quem recorrer, não conhece os mecanismo de denúncia e na maioria das vezes nem sabe bem o que aconteceu. Na cultura machista somos obrigadas desde pequenas a esquecer e confundir nossa memória, tratadas como loucas desde o berço até nós chegamos a duvidar do que acontece.

E sei que a realidade é bem pior do que parece. Eu estudei em um colégio particular, tão fechado que não havia nenhum negro, nem como professor. Todas as minhas colegas ali eram filhas de alguém, de juiz, de promotor, advogados, delegados, enfim, o tipo de criança que ninguém se meteria, porque sabem as consequências. E que surpresa a minha quando ao conversar com algumas dessas amigas, anos depois, descobri que o professor de história se esfregava em todas. Imagina o risco que ele estava correndo, caso fosse pego se esfregando na filha de um promotor, isso me leva a concluir que nada parece deter esses agressores e as meninas de colégios públicos, de famílias sem recursos, estão muito mais expostas do que se pensa.

Não adianta virar a história e tentar argumentos como ''hoje aos doze anos uma menina sabe o que quer'', isso é conversa de pedófilo, que uma menina coloque a mão na cintura e finja ser adulta não a faz apta para tomar decisões que incluem sua vida sexual. E quem aos doze, treze anos, sabe o que está fazendo?

E homens mais velhos sabem disso, conhecem os mecanismos, ''novinhas'' são presa fácil, não tem erro. Se apoiar em falsas teorias que garantem que a menina sempre é mais madura do que o menino é uma das coisas mais abjetas que existem.

E dizer que a menina escuta, dança funk, então já está pronta para o sexo é nauseante. Quando eu era novinha colocava um brinco de cruz, carregava na maquiagem e dançava a música da Madonna ''Like a virgin''. Fazia isso porque adorava ela, mas não tinha a menor ideia do que significava a letra nem a coreografia. E vão dizer que eu sou puta desde os doze anos de idade? Que já era vadia porque cantava ''Material girl''? Eu já estava pronta para o sexo apenas porque dançava ''Crazy for you''?

Eu fui ''novinha'' e por isso posso colocar a mão na cintura e dizer: homens que gostam de novinhas são doentes, pedófilos, desequilibrados e deveriam todos passar por uma castração química e em casos de crimes cometidos a pena de morte me parece mais do que justa.

É doença saber que uma menina não é uma mulher ainda, não pode se defender e abusar dela, usando as manhas e a maldade que só a idade dá.

E homens deixem de sonhar, essas ''novinhas'' taradas, loucas por vocês e seus pênis mágicos, não existem, é tudo fruto da mente pervertida de vocês. A única coisa que existe são meninas em fase de crescimento assustadas e quando alguma delas cai nas mãos de um abusador, por vontade própia, é porque foi manipulada, não é porque se interesse por um homem mais velho.

E muita gente vai dizer ''ah, mas tem umas novinhas terríveis, você nem imagina''.

É? E em que momento isso dá direito a alguém abusar delas? Elas não são adultas ainda, por isso é de responsabilidade dos adultos manterem a distância.

Já li que homens que gostam de ''novinhas'' são imaturos, têm medo de se relacionarem com as mulheres, medo de serem rejeitados, complexo de inferioridade e necessidade de se sentirem importantes. Sinceramente? A psicologia que me desculpe, mas para mim tudo isso é lixo, nada explica nem justifica o abuso a uma menor. Já fui novinha e posso garantir, esses homens estão por todas as partes e não precisam de explicações sobre seu comportamento, a única coisa que eles precisam e deveriam ter é um caixão a sua disposição, porque homem que abusa de menores merece apenas uma coisa: a morte.


Iara De Dupont

8 comentários:

C.Belo disse...

Penso exatamente assim, pra pedófilo a castração química é misericórdia até demais, deles merecem a morte. O meu ódio a esse tipo de "OMI" é tanto que se estende a quem os defende. Sabe aquela sua amiga Flávia q o defendeu dizendo q a mulher q o acusou merecia um processo? Então...é por aí.

Lara disse...

Não existe pior coisa do que o assédio na pré adolescência e adolescência,os olhares lascivos, cantadas baratas '' você tem 12 anos não parece, te daria 18'' hoje quando olho minhas fotos não acho que parecia ter dezoito nem em sonhos o rosto de menina e o corpo um pouco mais que isso. Só homens doentes para achar normal relacionamentos com menores de idade, comigo nunca aconteceu nada , pq como você Iara tinha medo e asco de tais olhares, quando acontecia do cara se aproximar saia de perto rápido.

Lembro que quando era criança com seis e sete anos já atraia os olhares indesejados é terrível o mundo ser tão doente, a partir dos quinze anos engordei e foi libertador sério não tinha que me preocupar mais com o assédio barato.


ps: Amo seu blog.

Cristina disse...

Eu sempre digo isso quando falam de "novinha": é abuso, sempre foi e não importa o quanto 'sexualizem' a menina, ela ainda vai ser uma criança que não tem discernimento nem está apta a consentir no sexo com um adulto. O que eles querem é manipular, não precisar tratar a mulher como um ser com vontade e desejos próprios; a "novinha" ingênua e manipulável é o mais próximo que esses machistas doentios vão chegar da boneca inflável de carne e osso, que é o que eles querem.

Anônimo disse...

Nao sei no Brasil,mas onde moro e crime uma pessoa de maior se relacionar sexualmente com uma menina de menos de 18 anos,ou seja se o rapaz tem 18 e faz sexo com a moca de 16 e crime se houver denuncia mesmo se for consensual entre aspas, um assistente social disse que e porque nessa idade a menina nao sabe o que esta fazendo e por isso pode ser induzida,achei estranho a principio mas acho corretissimo. Eu me casei aos 17 anos com um homem 10 anos mais velho,uma pessoa otima e sou casada ate hoje mais de 20 anos depois mas acho errado isso ser perimitido por lei mesmo com autorizacao dos pais, uma menina de 17 anos nao tem maturidade o suficiente para se casar e muito menos com alguem mais velho,deveria sim ser crime,pode nao existir o abuso fisico mas existe o emocional.

Patricia Gabriel disse...

Iara,É ISSO MESMO,EU tbm fui jovenzinha,passei por vários assédios,e posso dizer;é nojento,e a gente nunca esquece,pega ranço de qualquer homem!Apoiado,deveriam todos receber castração química,trabalhos forçados,e o caixão á disposição!

Jessie Macan disse...

É um absurdo mesmo o que está fazendo, nunca vi uma mídia tão suja, dizer que é normal uma menina de 14 anos namorar um cara que tem idade para ser pai, talvez até avô dela! O pior é ver pessoas defendendo os indivíduos que falaram isso! Estão vendo como é a realidade das garotas e ainda "incentivam" com essas matérias de televisão inúteis.

Patricia Gabriel disse...

não,eu não tenho saudades do meu tempo de 'novinha'...toh me gostando mais agora,que estou entrando para a idade madura...vem agora algum imbecil me falar qualquer coisa prá ver se não ouve o que não quer?Eles nem são loucos!!

Quanto mais novinha mais vulnerável,eu só lamento que minhas filhinhas não possam ter paz em sua juventude,eu tenho que viver alertando,vigiando...tipo:'conhece aquele senhor que sentou do teu lado?Não?então,não de conversa mole,saia já",entre outras coisas...

Sheila disse...

Nossa, me deu um nojo quando você falou do professor de ed. física... Passei por algo parecido, quase fui reprovada na disciplina pq fugia das aulas, o professor passou a mão em mim, encostava direto... Um nojo! Minhas colegas não acreditavam em mim, afinal eu tinha 11 anos e 0 peito. A gente era tão inocente que nem sabia de pedofilia. E os velhos olhando, nossa, como aconteceu! Cara que namorava minha tia vivia lambendo os beiços pra mim e minha irmã, os adultos nem percebiam. Aff, muito nojo só de lembrar.

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