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16 fevereiro 2016

Os iludidos (tenho mil lados)


De vez em quando escuto alguma coisa que me deixa na dúvida, a pessoa falou em sério ou estava brincando?

Um amigo me disse:

-Entendo teu sofrimento pelo Romeu, mas é que vocês, mulheres, são meio sem limite sabe? Amam demais, mergulham direto e dá nisso!

É! Uma verdade no que ele disse, amo mesmo meu Romeu sem limites, é amor do mais profundo e estranho do planeta, mas de resto sou obrigada a dizer, os homens estão errados.

A literatura, o cinema, o teatro, a música, todos construíram o mito das mulheres que amam demais, são todas desequilibradas e quando amam é para valer, por isso quando o amor termina do lado dos homens, elas surtam e saem às ruas matando os namorados e maridos.

Existem centenas de livros nas prateleiras sobre o assunto, como ''Mulheres que amam demais''.
Os homens ganham na psiquiatria o status de psicopatas, as mulheres não, elas apenas amam demais, pior do que qualquer doença mental.

Está em todos os lugares, invadindo nossos sentidos ''mulheres amam demais''.

Até eu acabei acreditando e quem seria capaz de confrontar essa ideia que rege a humanidade há séculos? Quem se atreveria a dizer que talvez não seja assim?

Mulheres amam demais sim e por isso toleram tantas coisas e maus tratos, mas existe uma coisa que poucos homens sabem ou entendem.

Nós, mulheres, amamos muito, é verdade. Mas também navegamos em todos os tipos de sentimentos, por mais maluco que isso possa parecer aos homens.

Descobri isso há uns anos, antes disso eu parecia ser outra mulher, daquelas que ''amam demais''.
Eu namorava um Romeu e me dizia apaixonada, na minha cabeça estava e um dia descobri que ele tinha outra namorada, surtei e terminei o namoro.

Fiz o de sempre, não demonstrei nada além do normal, mas entre amigos me joguei no chão, chorei, me desesperei e pensei que jamais me levantaria.

Falava dele, chorava e começava de novo. Mas eu sentia algumas coisas misturadas e não entendia. Tive sorte nessa época de contar com uma amiga, que me orientou e depois de tanto conversar ela me disse:

-Você não sente falta dele, sente falta do sexo que faziam.

O que? Nada a ver! O sexo era ótimo, mas eu o amava!

Insisti nessa ideia durante meses, mas conforme o tempo passou comecei a ter meus sentimentos mais claros e percebi isso, sim, eu gostava dele, mas amava o sexo com ele. Meus sentimentos por ele eram rasos, meu tesão era profundo.

Mas quem me disse que mulheres ''gostam''? Nunca escutei nem li a respeito, jamais li algum livro que a mocinha ''gosta'' do herói, em todos era o amor de mulher, aquele que mexe o mundo ou o profundo tédio. Poucos livros e filmes passaram nessas nuances que todas temos e vivemos.

Eu amo, mas posso apenas gostar, gostar um pouco, gostar demais, ou apenas me sentir atraída sexualmente. Não amei todos meus Romeus, gostei de muitos, mas não amei todos. E de um ou outro, gostava mais na cama do que fora dela.

Mas sem saber que tinha todas essas possibilidades eu tolerava coisas estúpidas e me convencia que tudo era amor e intenso.

Não me imagino no meio de almoço da família falando sobre o assunto. Todos partiam da ideia de que se eu estava com alguém era porque estava apaixonada. No meio da lasanha e da salada, me perguntavam sobre meu namoro e eu sempre respondia:

-Bem, obrigada, gosto demais dele!

Jamais pensei em responder, antes da sobremesa:

-Ah, sim, tudo bem, obrigada. Eu gosto dele, mas o ponto forte é a atração sexual, somos muito compatíveis na cama, ele é ótimo.

Sem passar por isso posso sentir o gelo na mesa.

Tantas coisas vivi de maneira torta, porque não conhecia a linha reta, aquela que me mostrasse que eu gosto, amo e me sinto atraída por alguém e nem sempre na mesma ordem ou passando por todas as emoções.

Mulheres somos como homens, apesar dos berros do patriarcado, podemos estar com alguém apenas ''gostando'', sem amar loucamente e profundamente, como eles pensam que sempre são amados.

Deixa os homens saberem disso! O mundo cai! Sim, nem sempre vocês são amados por essas mulheres que amam, às vezes a gente só acha vocês gostosos.
E na cabeça de um homem mulher que só se sente atraída é vadia. E as que apenas ''gostam'' são umas putas, mulher de verdade (?) ama mesmo.

Tive que aprender a separar meus amores, sim, meus amores, porque gosto da intensidade e mesmo apenas ''gostando'' ou ''gostando na cama'' eu digo meus amores. Tudo que mexe comigo é meu amor. Mas me dei conta que não sou essa super mulher que sempre ama, de vez em quando apenas gosto.

E já critiquei quem me disse isso, amigas que me diziam ''gostar do seu Romeu''.
Como assim? Gostar de Romeu? Que loucura é essa? Romeu a gente ama!

Boba eu, doutrinada no machismo, na ideia de que só poderia amar, jamais gostar ou só sentir tesão.

E a pressão é tanta que nós, mulheres, negamos o sentimento de ''gostar'', nossa, parece tão pouco para esse furacão que somos todas, esse amor de mar profundo e perigoso. Gostar parece coisa de mulher medrosa, mal resolvida.

Muitas vezes pensei ''Deus me livre de só gostar''.
É, mas Deus não me livrou, aconteceu bastante, achei que amava, que era apaixonada, mas só gostava. E sem saber o que era, eu criava os sentimentos, jogava fermento, fantasiava, fazia de tudo para que eles crescessem e se transformassem em amor, aquele sem medida que dizem que todas as mulheres sentem.

E o pior de tudo é que os Romeus que não foram amados por mim sentiam isso de uma maneira ou de outra e os relacionamentos iam ladeira abaixo. Os que amei também perceberam, poderiam ter sido melhores namorados, mas enfim, cabeça alheia é sempre um mistério.

Não tenho arrependimentos, mas poderia ter sofrido menos se tivesse aceitado que apenas gostava ou achava lindo, mas nunca me disseram que eu sentia isso, sou mulher, desde que nasci o mundo me avisou que mulheres amam e amam demais! Gostar é pouco! Sentir tesão é coisa de vagabunda, mulher que se dá o respeito jamais namoraria um homem apenas porque na cama a coisa pega fogo.

Iludidos os homens que pensam que mulheres só amam, não conhecem e não navegam em sentimentos menos nobres. Homens sempre se acharam os amados, adorados e idolatrados, mas nada tem sido assim, nem agora, nem nunca. Muitas mulheres já disseram ''te amo'' sentindo ''gosto ou tenho apenas atração''.

E em uma ocasião uma amiga me disse:

-Teu Romeu é um princípe e você diz que só ''gosta''? Você tem algum trauma?

Não! Sou humana e meus sentimentos são complexos e muitos, nem todos os Romeus eu vou amar.

Gosto, pegava para dar uns beijos, para casar, para largar, para amar, para deixar, para transar, para conversar, para beijar de novo, para me apaixonar, para brigar, para discutir, para amar de novo, para gostar, para estar, pode ser apenas para isso, para estar.
Lidem com isso homens, nem todos os que passaram pela minha vida foram amados, mas nos dias românticos digo o que me foi dito um dia: ''todo o 'gostar' é uma forma de amor''.
Mas não é aquele amor louco, desequilibrado, doente, nem grudado, aquele que dizem que ''todas'' as mulheres sentem. Não somos assim, ou pelo menos a grande maioria. Eu diria que o amor de uma mulher é profundo, vulcânico, intenso, imprevisível, é para poucos, muito poucos.



Iara De Dupont

Um comentário:

Patricia Gabriel disse...

bingo!!!

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