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18 fevereiro 2016

O amor em cinco minutos


Quando uma amiga me diz  ''devia ter lido teu blog com mais atenção'', minha espinha gela. 
É de longe a coisa que mais odeio escutar sobre meu blog, porque logo em seguida vem alguma história que mencionei aqui.

Entendo quando isso acontece porque eu passei anos, décadas da minha vida navegando nas certezas e acreditando que tudo tinha só um lado e nada seria mudado. Foram muitas pancadas da vida para que eu entendesse que nada era o que parecia ser, nenhuma verdade é concreta e ninguém chega ao mundo com procuração de Deus na mão, com tudo certinho. A vida navega em águas turbulentas, às vezes calmas, outras não e nem todos os trechos que passamos são cristalinos, muitas vezes navegamos em águas sujas, que nos impedem de ver seu fundo.

O que eu aprendi depois de tantas curvas e pedras, é pelo menos escutar o que me dizem, depois com calma analiso e penso se vale a pena, não faço mais como antes, quando fechava a porta e dizia ''isso não me interessa''.

Deixei de criar ''realidades'', de brincar de Matrix, achando que só porque eu podia me isolar na minha realidade as outras não existiam.

Aprendi a ''gravar'' tudo que é dito e assim tento viver puxando essa memória.

E agradeço sempre a Deus por ter boa memória e por ter armazenado as situações para que mais tarde eu pudesse ter uma compreensão maior do assunto.

E lembro de uma, que na época me pareceu normal, hoje eu consigo entender.
Eu estava em uma peça com um ator, naquela época não tinha celular, algumas pessoas usavam um bipper, a pessoa ligava para uma central e ela mandava o recado ao aparelhinho. Várias vezes durante o ensaio escutei o aparelhinho do ator, sinal de que recebia mensagens. 

Em um intervalo perguntei o que era e ele me disse que era a namorada e me mostrou uma mensagem onde ela dizia que o esperava para jantar e o amava muito.

Fui várias vezes a casa dele para ensaiar e sua namorada era uma mulher encantadora, uma espanhola, cantora, linda, cálida, uma pessoa de outro mundo. Corria para manter a casa em ordem, naquele esquema bem machista e deixava o jantar pronto para seu Romeu.

Sempre os vi muito, mas muito apaixonados, me pareciam um casal que se dava bem e se curtiam.

Um dia ele se atrasou para o ensaio e eu fiquei conversando com um diretor que eu odiava. Era um homem lindo, jovem, mas também não gostava de mim, vivia isolado de todos e não tratava bem as pessoas. Eu estava lá, me comendo por dentro de ódio do ator que tinha se atrasado, porque não gostava da presença do diretor e de repente ele me disse:

-Bom, se ele se atrasou com certeza deve ser culpa da espanhola e aquele amor de litros dela.

O que é amor de litros?

-Você já virou sem querer um garrafão de água? São litros indo para o chão, é assim essa espanhola e seu amor, de litros, e sabe o que acontece? Não vai durar nada, não dou dois meses para esse namoro terminar.

Mas eles moram juntos há dois anos!

-Esse é o ponto, a água está esgotando! Isso não funciona, tudo neste mundo tem que ser na gota ou de uma vez, se vai virar, vira, mas todos os dias despejar tanto amor acaba sufocando. Ela vive em uma fantasia, quer levar ao extremo o que sente, não sabe dosar, não percebe que o amor são momentos, a ternura são momentos, minutos, horas, mas não passa disso, se você fica presa a uma emoção falsa o outro lado vai te manipular, quando você quer bancar um sentimento o dia inteiro, alguém vai tirar proveito. Ou você vive as coisas por minutos, ou se afoga nas horas.

E três meses depois o ator se apaixonou por outra e deixou a namorada espanhola, que ficou em um estado tão deplorável e deprimida que a família teve que vir da Espanha para buscar a moça.

Eu encontrei o ator meses depois e ele parecia normal, conversamos e ele me contou sobre o fim do namoro de maneira tranquila, disse que o ''amor tinha acabado''.

E só anos depois entendi essa história e a importância de viver os minutos, não em função das horas e dos dias.

Isso leva a uma questão abordada aqui constantemente, não se deixar manipular por palavras doces, ter a clara noção de que brincadeira tem hora e não podemos viver presas na emoção que as palavras provocam.

Vejo isso com muitas mulheres, o homem chega, joga uma conversa mole e elas caem, compram toda uma vida baseada no que foi dito. Mas o que foi dito era para durar apenas alguns minutos, não uma vida inteira. E voltamos ao ponto básico: o que um homem fala não é a mesma coisa que um homem faz.
Palavras são vento, qualquer um pode ir lá e dizer coisas lindas, isso não é prova nem documento de que será assim.

Não podemos perder a noção de com quem estamos lidando, precisamos ter bem claro quem é o Romeu que está ao nosso lado e saber que coisas lindas de serem ditas e escutadas valem a pena, mas não representam o total da relação e nem tudo dito vai ser realizado ou vivido.

Tenho aprendido de maneira lenta e gradual a viver os minutos, sem usá-los de cartão de crédito em relacionamentos, assim se Romeu está fofo, vou lá e curto muito, mas sei que são minutos, não uma vida inteira.

E foi sobre isso que minha amiga veio lamentar, não ter lido com mais atenção algum post que eu mencionei sobre o ''verbo masculino e seu poder de sedução''.
Que um homem diga a palavra ''verde'' não significa que ele pratique ''verde'', é isso que temos que entender como mulheres, para não cair nas redes masculinas.

Minha amiga namora um sociólogo, professor de gênero disso e daquilo. Ele é ótimo, além de lindo, digo lindo porque é. Até eu teria caído na conversa dele, envolvente, culto, sedutor. Mas minha amiga confundiu os minutos com as horas. Ele podia ficar falando horas sobre feminismo e direitos das mulheres, então minha amiga pegou esses minutos e os transformou em uma certeza: ele era um cara que valia a pena namorar.
E tudo isso apenas pela conversa ao pé da orelha. Só.
Não avaliou atitudes, não checou passado e sim, pode parecer meio neurótico, mas é bom dar uma olhada no passado, ver o que suas ex-namoradas pensam, enfim, todo mundo deixa seus rastros. Mas minha amiga se iludiu com os minutos na mesa do bar e a conversa na sua orelha.
Acabou descobrindo que ele conversava a mesma coisa com suas alunas e nunca tinha discutido o conceito de fidelidade.

Digamos que seu sofrimento ao descobrir que Romeu é infiel teria sido menor se ela tivesse vivido os minutos, então ela está lá na cama com ele ou na mesa de um bar e ele começa com aquela conversa deliciosa dele, tudo bem, ela curte, adora, beija, mas depois se levanta sabendo que acabou, tudo o que foi dito não vale nada, nem são ações, como diria um amigo ''conversa de cama é champanhe bebido'', acabou, acabou, não faz história.

Mas poxa, é tão legal de escutar! É bom demais, eu adoro, inclusive se não tiver conversa, pra mim não tem nem sexo, mas hoje entendi que tudo dito ali são os minutos que devem ser aproveitados, não podemos sair da cama como a espanhola e querer estender essa sensação o dia inteiro, trabalhar duro para viver dentro dessa emoção.

Homens não fazem isso e não se ferram, nós fazemos e quebramos a cara no amor.

Eu sei do poder de uma frase masculina na hora certa, sei que nos quebram por dentro e aquilo parece valer a pena, mas não vale.

Há pouco tempo perguntei a um ex-Romeu porque não tinha tido filhos e ele respondeu ''não sei, acho que sempre pensei que você seria a mãe deles, então depois que terminamos deixei de lado esses planos''.

E o que eu fiz ao escutar isso? Me derreti por inteira, nossa, o ápice da vida de uma mulher escutar de um homem que ainda ama, que ele gostaria de ter tido filhos com você. Quase morri, infartei ali mesmo, não sabia nem o que dizer. Curti horrores essa conversa, subi pelas paredes, aplaudi, morri de vontade de pedir que ele falasse de novo, eu queria escutar bem devagar. E se fosse antes essa frase teria guiado tudo em relação a ele, eu estaria segura de que me ama, pensa em mim e quer ficar comigo, mas sendo macaca velha percebi o jogo na frase, a manipulação e o teste, foi conversa fiada e quente de orelha, nada além disso.

São minutos agradáveis, gosto muito quando acontecem, mas não guiam meus dias e não viram os litros de amor derramado.

E percebo como nós, mulheres, estamos presas a ideias falsas do que é o amor, o Romeu e do que seria uma vida de casal, muitas de nós insistimos na ideia das vinte e quatro horas, onde tudo tem que funcionar nessa sintonia, o amor total e pleno, não damos espaço para mais nada, derramamos os litros de amor no chão e depois escorregamos.

Hoje curto as frases de efeito no minuto que são ditas, claro que adoraria que fossem eternas e todas aquelas besteiras que me dizem, minha vida seria mais simples se todas as mentiras ditas fossem verdades. Me parece mais agradável viver nas horas da fantasia do amor do que nos minutos da conversa mole, mas as horas da fantasia do amor costumam levar a tombos terríveis, os minutos são divertidos e não causam dor.

E tenho uma amiga que faz isso, conheceu seu Romeu e vive se esfolando para manter essa ideia do amor romântico, do amor eterno, ela é tão doce com isso que me causa enjoos e tenho pena do seu Romeu, deve ser sufocante viver com uma mulher que luta para transformar tudo em amor e uma vida de casal perfeita.

Não dá para viver assim, só se for sozinha, mas colocar alguém dentro dos nossos delírios é acelerar o fim do relacionamento, ninguém aguenta ficar ali.

O diretor tinha razão, se derruba tudo de uma vez ou se vive nas gotas, mas derrubar amor todos os dias, insistindo na duração de vinte e quatro horas, não é boa coisa. E o amor se vive melhor por minutos, não por horas, os minutos divertem, trazem alegria, as horas se arrastam.


Iara De Dupont

2 comentários:

C.Belo disse...

O amor, como tudo na vida, tem q ser trabalhado ao longo do tempo, tem q ser cultivado, cuidado. Não tem mistério, o amor é sentido por nós, seres complexos e mutantes, por isso ele tb pode mudar a qualquer momento, seja na forma de olhar o outro, seja na sua intensidade, enfim, o q vale hoje pode não valer amanhã. Normal, simples. Tudo passa, tudo muda, e todo mundo sabe disso mas parece q se esquece propositadamente disso, por q é mais bonita e romântica a ideia do "para sempre".

Anônimo disse...

Cara novamente que texto, ler você clareia as idéias.
Tenho um relacionamento longo com um rapaz, já tivemos indas e vindas. Ele sempre se esforça paga as contas, ajuda nas tarefas, todas sem excessões, entretanto não é romântico, não faz surpresas e ultimamente anda uma pilha devido a demissão em massa onde trabalha.
Aí você mulher é ensinada que de ser amada 24 horas por filmes estapafúrdios e tirinhas do facebook vai achar que os homens que cantam eu te amo na frente da sua janela mas no dia a dia são perfeitos imprestáveis vão te completar, te fazer feliz, vai ser diferente. Não esse ideal de amor romântico acaba com relacionamentos, principalmente com a mulher.
Posso dizer do alto dos meus 29 anos que os caras que mais gostaram ou me amaram foram sujeitos práticos e 0 românticos mas que eram pau para toda a obra estavam lá sabe, desde a adolescência era aquele estudava de manhã e fazia curso a tarde e ia corre do me buscar na escola, era aquele que me indicou para várias entrevistas quando estive desempregada, o que me acompanha hoje e esteve comigo em uma cirurgia de recuperação lenta. Todos esses eram bacanas legais, apenas um era mais meigo romântico mas não romântico igual filme, era doce..
Todos esses não me magoaram e eu sempre olhava para eles como se algo faltasse.
Aí vamos jogar na roda os românticos, aqueles que ligam de madrugada ah esses
O primeiro disse que eu era o amor de sua vida, a mais perfeita a mais linda, a mais, fazia poemas, quando cedi da noite para o dia virou um escroto e ainda disse: esperei tudo e você não transou comigo (era minha virgindade) graças a Deus não não transei, acho que se o fizesse morreria de asco, não ficou sequer amizade disso e ele ainda alegou na roda de amigos que eu era uma fresca, traumatizada.
Rapaz dois,três, quatro, cinco muito amor muito romântico aí quando falamos sobre origens e vidas, família e situação econômica dos país ele se desencanta em segundos não sou herdeira, não tenho país médicos ou jornalistas cheios de dinheiro. Sou filha de pobre, ah jovem desse tipo eu conheci vários seguidos e todos neste exato momento estão com mulheres que os sustentam, são lindos, romantismo puro mas são artigos de luxo.
Rapaz 6 muito amo, fofo mas é apaixonado pela conquista, a mina cedeu disse que ama, acabou a graça, a graça para esse rapaz é conquistar a dama, após isso, ele parte para a próxima e no fim ele se casou com uma que nada tinha a ver com o que ele dizia procurar...
Quand leio suas histórias me identifico e só confirmo a tese que: eles dizem gostar de um tipo mas casam com outras, eles dizem amar mais só amam o ato da conquista, as esses machos românticos, só nos filmes.
Nesses momentos que penso estou com alguém que não é rosas e bihetes mas ta aqui, não me trocou por uma rica, por uma novinha e provavelmente se um dia acabar vai ser por desgaste e não por mau caratismo (assim espero, ser humano sempre decepciona)
Uma coisa é fato desmistificar este amor romântico tem feito eu achar menos defeitos no meu parceiro e ele em me achar menos pedinte, exigindo um Ryan Gosling em diário da paixão. A Iara se ensinassem a gente que amor é aquela segurada de mão, é o cara que não some da sua vida quando da merda e até vc fugiria. A gente precisa ver o amor como adultos, estou tentando, é difícil mas ajuda e muito.

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