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22 fevereiro 2016

Minhas primas atrasando a evolução do planeta (pra variar)


Em uma palestra que fui sobre espiritualidade um senhor dizia que a vida tem todo o tempo do mundo para nos ensinar a evoluir, não importa que tão lerdos somos, a vida tenta e tenta de novo, mas existe um acordo universal, temos que evoluir. 

O nosso tempo acaba na terra, mas a vida tem a eternidade para ensinar.

Já outro amigo me dizia que de todas as espécies que existem no universo, segundo os alienígenas, o ser humano é considerada a mais lenta e de difícil compreensão. Uma suposta raça alienígena, que parece estar sempre em contato com alguns humanos, diz que somos como crianças de dois anos, incapazes de entender o mundo que nos rodeia e suas consequências.

Me parece correto dizer isso, o ser humano é o único ser que destrói o meio ambiente esquecendo que vive e depende dele. É fato, não somos a raça mais inteligente do universo, nem a mais consciente.

E penso na paciência divina que tudo isso deve exigir, ver todos tropeçando na mesma pedra deve ser um pesadelo, imagino que Deus e os anjos devem passar mal ao assistir constantemente o ser humano cometendo o mesmo erro.

E semana passada aconteceu algo que me levou a pensar, poxa, que tanto se precisa para perceber que causar dor é um caminho sem volta, não leva a nada, não muda o planeta nem ajuda ninguém?

Em quase vinte anos de teatro conheci todos os tipos de diretores e métodos, dos melhores aos piores. Mas quando eu tinha dezenove anos entrei em uma escola de teatro clássico, que tinha um jovem diretor de vinte e sete anos. Desde o começo ele cismou comigo e fez da minha vida um inferno, durante os seis meses que fiquei ali, acabei saindo porque ele me expulsou. Mas durante esse tempo ele ficou obcecado com meu peso, me ofendia sempre, se referia a mim como ''essa gorda estúpida'', se metia no meu namoro e me ameaçava constantemente que eu perderia meu papel na peça pelo meu excesso de peso. Eu era garota e tinha outras dificuldades na escola, mas ele relevava todas, seu único problema era meu peso e como era necessário passar por testes para entrar ali, ele saiu avisando que eu seria a ''última gorda'' que ele aceitaria, já que eu jamais seria atriz, ninguém me daria emprego devido ao meu peso.

E então conversando com um amigo dessa época ele me comentou que está agora trabalhando com esse diretor, em outra peça e ele continua enchendo o saco das atrizes gordinhas, pega direto no pé de uma.

Falei sobre isso com um ex-Romeu, que também estudou comigo, falávamos sobre pessoas que se recusam a entender que ofender os outros é terrível e Romeu me disse:

-Entra no meu Face e olha as fotos do meu aniversário, tem uma que estou com duas garotas e minha mãe, dá uma olhada.

Fui lá ver me perguntando qual era o ponto de ligação sobre o que estávamos conversando. Vi duas meninas bonitas, muito parecidas comigo, o cabelo preto, a pele branca, grandonas, gordinhas. Então perguntei a Romeu quem eram e ele disse:

-São as filhas do diretor.

Nossa! Como assim! Eu conheci as duas quando eram bebês de colo! E as duas estudam para serem atrizes! 

E Romeu me disse:

-Elas estão estudando, mas estão no mesmo ponto que você conhece, são lindas e talentosas, mas são gordinhas. E o pai delas continua perturbando atrizes gordas, acho que é trauma!

Meu Deus! Fiquei com pena das meninas, primeiro pelo pai que tem e depois por conhecer o caminho que elas vão trilhar, não mudou nada, é a mesma coisa. Com sorte vão ser chamadas a testes para papéis da gorda engraçada, amiga da protagonista, a gorda que sempre come escondido. Em quinze anos nada foi alterado, as atrizes gordas continuam sendo maltratadas nos testes, vítimas do pessoal de figurino que odeia vestir gordas, ignoradas pelos produtores e humilhadas pelos diretores.
O pai das moças, o diretor, é famoso, mas não tanto para proteger elas do furacão que vem na direção delas.

E o que ele ganhou me humilhando? Nada. E mesmo a vida obrigando-o a assistir outras pessoas humilhando suas filhas, ainda assim ele não mudou, ele continua humilhando as atrizes gordas, criando esse círculo de ódio que atrasa a evolução do planeta.

O ser humano caminha em círculos, capaz de evoluir. Esse diretor teve anos para melhorar e não mudou, nem agora vendo o que os outros fazem com suas filhas.

Entendo perfeitamente o tédio divino com o ser humano e espanto dos alienígenas em ver que não avançamos um centímetro em consciência.

Não entendo essa dificuldade em perceber que viver da maneira errada, humilhando os outros, só provoca um destino infeliz.

E não é a primeira vez que topo com esse lado sombrio do ser humano.
Há alguns anos vivi em uma casa e tinha dois gatos. Minha mãe ficou amiga da vizinha da frente, uma moça muito simpática que vivia correndo, porque tinha duas filhas, e uma delas era uma criança especial.
Um dia a vizinha foi a nossa casa dizer que nossos gatos pulavam o jardim dela e bagunçavam as suas plantas, mas o que nós poderíamos fazer? Eles não ficavam trancados em casa, mas também não eram de rua, só ficavam no quarteirão de vez em quando.

Uma semana depois dela ter reclamado sobre os gatos eles apareceram mortos, tinham sido envenenados. Minha mãe foi bater na porta da vizinha para perguntar se ela sabia de alguma coisa e na maior tranquilidade ela disse:

-Eu pedi para vocês tomarem uma providência, já que não o fizeram, eu fiz.

Assim, na maior cara de pau, na maior frieza, e o mais incrível, ela tinha dois gatos também.

Ela levava uma vida corrida, lutava para dar o melhor a uma filha especial, tinha dois gatos e ainda assim conseguiu matar os meus dois gatinhos? 

Cadê a evolução do ser humano? Como é possível que um ser humano tenha dois animais e não tenha empatia por outros? Não entendo essa contradição evolutiva, onde a pessoa pode amar o que tem dentro de casa e conseguir matar os que estão fora.

Tenho amigas que têm filhos especiais e sempre me falam isso, crianças especiais aceleram a evolução dos pais, porque o desafio é enorme e os pais acabam mudando suas perspectivas e caminhando a passos largos. Já me falaram que o amor das crianças especiais pelos pais é diferente, é intenso, puro e exige profundas mudanças nos pais e parentes, por isso todos acabam evoluindo e desenvolvendo sentimentos que antes não tinham.

E ontem tive uma grande decepção, que me provocou uma enorme tristeza.
Mantenho relações cordiais com algumas das minhas primas pelo Facebook. E ao abrir minha página vi que uma delas tinha postado uma foto que viralizou, uma gordinha beijando um rapaz magro. A prima que postou a foto sempre foi uma das que eu mais defendi, pela sua maneira silenciosa de viver e por não se meter em confusão, mas ela ao postar a foto da gordinha escreveu ''tem animais selvagens atacando humanos''. E outra prima respondeu ''uma baleia no asfalto'' e de repente quatro primas entraram na brincadeira e ficavam dizendo nomes de animais.

Quando li aquilo fiquei chocada, mas resolvi não entrar na briga, já sei como funciona a coisa ali e sabia que iam começar com aquele velho argumento ''tinha que ser a Iara''.
Mas depois de alguns minutos pensei que era melhor ser diplomática, então resolvi entrar na conversa e expliquei que o que elas faziam se chama ''gordofobia'', era agressivo, violento, preconceituoso e desnecessário, por acaso elas já pensaram que a moça chegaria em casa e poderia ver que alguém tirou uma foto dela na rua, viralizou e todos estavam se divertindo as suas custas?

Levou alguns minutos para a bomba explodir do lado delas e frases como ''você não tem senso de humor'', ''você acha que sempre que se fala de uma gorda é de você que estamos falando'', ''nossa, ainda não resolveu teus traumas?'' começaram a aparecer.

Não acabava a discussão, só piorava, até porque uma coisa me deixou horrorizada, de todas as primas que comentaram sobre a moça gorda, todas elas são mães, me deixou enojada pensar que são esses valores que elas passam para seus filhos, dão licença para que eles se divirtam humilhando os outros.

A pior parte veio de uma prima, que tinha uma filha especial, que lidava todos os dias com o preconceito. Sua filha teve um problema ao nascer e não andava, nem falava, vivia presa a uma cadeira de rodas com o olhar perdido. Minha prima tinha que sair de casa e fazer suas coisas e foi obrigada a lidar com pessoas que sempre perguntava qual era o problema da menina. 
Eu cansei de escutar minhas tias dizendo que as pessoas eram invasivas e curiosas, atormentavam minha prima querendo saber o que a menina tinha. 

Então o que aconteceu? Minha prima teve que encarar o preconceito durante anos, a ignorância das pessoas e de repente ela corre para o Facebook e chama uma pessoa que ela não conhece, de baleia assassina?

Meu irmão se surpreendeu com minha tristeza, logo disse ''mas você sabe que tuas primas são assim, umas idiotas, por quê fica chateada?''.
Porque não temos mais doze anos! Porque todos temos que evoluir e ninguém ali é criança, são todas mulheres acima dos seus trinta anos, não é possível que achem engraçado tirar barato de uma pessoa gorda, é muito atraso espiritual.

Nada me parece mais baixo do que humilhar alguém pelo seu peso, pela sua aparência, fiquei com vergonha das minhas primas e suas frases estúpidas, pensei na minha avó, que trabalhou tão duro para que ninguém na família fosse preconceituoso, mas minha avó errou na conta, as pessoas nascem podres, têm gente que nasce assim, não são todos que têm um bom coração, no caso das minhas primas até a melhor delas se revelou um nojo de ser humano.

Nessas horas entendo porque não gosto do ser humano e lembro o motivo de ter deixado de acreditar na evolução do planeta, é impossível sair do lugar enquanto pessoas como minhas primas continuarem existindo.

E percebo como a vida não se cansa de dar surras nas pessoas, porque mesmo apanhando o ser humano não se dobra, prefere continuar com seus preconceitos do que evoluir.
É de almas pequenas e atrasadas humilhar os outros e não importa o que a vida faça com eles, não mudam, morrem de coração podre.

O mundo já está péssimo, para que continuar jogando lenha na fogueira tirando sarro dos gordos? Muda o quê? Melhora alguma coisa?

Já cansei deste planeta lotado de ignorantes, pessoas que cultivam o preconceito como se fossem batatas, uma coisa que não faz mal a ninguém.

E minha última esperança é que dizem que um dia todos vamos ser separados por grupos evolutivos, cada um vai estar no grupo de acordo a sua evolução e se eu tiver o privilégio de ficar em um grupo que não se diverte às custas dos gordos, vou concluir que minha evolução é um sucesso, porque eu não quero mais essas pessoas perto de mim, cansei de tanta estupidez e não temos mais tempo para tanta idiotice, o mundo está caindo por culpa desses imbecis. Acho que até no inferno vou querer distância das minhas primas.


Iara De Dupont

3 comentários:

Cristina disse...

Eu juro que vou morrer sem entender por que pra algumas pessoas é tão difícil respeitar o diferente. Não dói, não tira pedaço, não derrete o cérebro nem te transforma no monstro da lagoa negra, então POR QUE pra tanta gente respeitar as pessoas gordas, negras, portadoras de necessidades especiais, mulheres, crianças, homossexuais ou qualquer indivíduo que não seja um macho branco hétero, cristão e rico é um martírio tão grande?

Na boa, acho que nem quero entender por que.

Anônimo disse...

Um exemplo de pessoa da mídia que teve uma lição para evoluir foi Roberto Justus. Quando ele apresentava o programa "O aprendiz" declarava que não contratava pessoas gordas ou que não fossem bonitas, pois isso representava desleixo, aí vocês podem ver como a filha caçula dele nasceu... com má formação cranial e uma aparência fora dos padrões. Será que ele contrataria uma mulher como a filha dele no passado? Com certeza não, mas tomara que tenha repensado os seus valores!

Patricia Gabriel disse...

que feio...tsctsc...

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