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07 fevereiro 2016

Chega de ingenuidade! Homens não são ''fofos''!


A melhor definição de feminismo quem me deu foi um professor neste POST, onde ele dizia que o feminismo era a guerra pela igualdade, não uma simples batalha já vencida.

Como mulher neguei essa realidade durante anos, talvez décadas. Pensei que se eu era livre para estudar e fazer algumas escolhas, então o feminismo tinha dado certo, o resto eram arestas em outros países que com o tempo seriam lixadas. 
Sempre tive noção da barreira cultural, quando via o que acontecia em países árabes pensava que era um ponto a ser discutido, mas infelizmente estava debaixo do manto da cultura e não seria tão simples. 

E o carnaval me parece um dos maiores exemplos de ''barreira cultural'', não vejo ainda como explicar aos homens que as mulheres que pulam carnaval não estão ali à disposição deles.

Não podemos ainda ir gritando direitos que não conquistamos, ainda não é seguro sair lá fora e dizer ''eu posso pular carnaval sem ser assediada por ninguém'' e não vamos mudar isso saindo todas, só se levarmos armas, disse isso a minha amiga e ela reagiu:

-Eu não entendo a tua solução! É ficar em casa?

Não, é usar mais a inteligência, perceber que não é tão simples estar no mesmo espaço físico do que eles, tudo isso aqui é recente para mim, eu nunca tive medo de homem, era normal, hoje vivo atenta, porque sei que eles são predadores assumidos, não tem a mesma ideia do que eu do que é consensual.
E ao pensar que o feminismo já tinha andando pra frente cometi erros e escorreguei em muitas situações, sem perceber que eu estava no meio de uma guerra.

E não tem nada pior do que isso, uma mulher que pensa estar em uma batalha social, quando na verdade esta no meio de uma guerra aberta e sem previsão de fim.

Me divido nesse ponto, por um lado me parece genial que tantas mulheres sejam corajosas e não pensem duas vezes antes de atravessar um campo minado e cheio de fogo inimigo, mas por outro lado me pergunto se não temos uma alternativa mais inteligente e efetiva.

Eu moro perto de uma rua onde passa um tradicional bloco de carnaval, umas amigas decidiram ir e me chamaram. Não fui porque não gosto de barulho, de cheiro de xixi na rua, de gente gritando e confusão. Elas voltaram irritadas, abandonaram a festa no meio e foram a uma delegacia, porque um homem se aproximou de uma delas, tentou paquerar, ela ignorou e o rapaz pegou ela pelo braço e forçou o beijo. As outras meninas tentaram ajudar, mas os amigos dele entraram na confusão e no fim dependeram da ajuda de estranhos no local para se livrar desses monstros.

E voltaram com os braços roxos, as marcas das mãos masculinas, uma delas foi segurada pelo pescoço e a que foi beijada levou uma mordida no lábio.

Eu não gosto de carnaval, mas todos têm o direito a ir lá e pular à vontade, mesmo assim não consegui deixar de pensar em uma pergunta: porra, por quê uma mulher vai as ruas se já sabe o que vai acontecer?

Não adianta ser fofa e dizer que tenho meus direitos e não vou ficar presa em casa e posso sair à vontade, é verdade, mas e aí? Aquele bando de homens bêbados sabem que eu tenho meus direitos? 

Essas coisas acontecem porque as mulheres continuam vendo o feminismo como uma batalha amigável, uma discussão em mesa de ONU, e não é assim que a coisa vai. Se as mulheres querem pular o carnaval  tem que ter noção do perigo, os homens estão soltos, alcoolizados e pior ainda, com a ideia de que mulheres são seus brinquedos, é só esticar a mão e pegar.

Disse isso a minha amiga e ela pulou do sofá:

-Você esta sendo machista! Quer dizer que só porque eles não sabem se comportar eu tenho que ficar confinada na minha casa?

Não! Não tem, mas fala sério, pra que se jogar no meio dos tubarões? É como aquele ditado oriental, não é porque eu sou vegetariana que o tigre não vai me comer.

-Eles têm que se acostumar com a nossa presença e aprender a respeitar.

E você vai ensinar isso no meio do carnaval, com aqueles animais cheios de bebida? Não dá pra ver nossa realidade dessa maneira mansa, não é só respeitar, são muitas coisas e eles não têm o menor interesse em mudar, não vão ceder seus privilégios de mão beijada.

-Você não gosta de carnaval, mas e se gostasse? Ia deixar de ir por medo dos homens?

Sinceramente? Sim. E nunca teria feito isso há anos, jamais teria pensado nessa possibilidade, mas hoje se eu gostasse de carnaval procuraria algum bloco só de mulheres ou blocos pequenos, e ficaria próxima as áreas mais seguras. E pode parecer que eu falo com uma vovó, mas eles se comportam como na época do meu vovô, então não vou sair dando grito de guerra de feminismo para voltar para casa toda machucada. E já fui a muitos lugares que hoje com a consciência que tenho não iria e penso todos os dias na importância de fazer um curso de auto defesa.

-Pra mim você esta dizendo entrelinhas que eu mereci o puxão de cabelo e a marca nos braços, porque me meti em território de homem!

Não tô dizendo isso, mas te falo claramente, foi ingenuidade da tua parte achar que poderia se meter no meio de centenas de homens bêbados e ser respeitada, poxa, eles não respeitam ninguém nem sobrios, imagina 
bêbados e sem segurança! Hoje eu vejo os homens como são, não como eu gostaria que fossem, eles não respeitam e pensam que mulher que sai para pular carnaval está procurando sexo com eles. O que eu digo aprendi na pele, não é porque sou feminista e procuro meus direitos quer dizer que eles sabem e concordam com isso, pelo contrário, o feminismo é uma guerra, eles puxam a corda do outro lado. O feminismo é lindo na teoria, na prática é uma guerra, porque são as mulheres que saem às ruas e e morrem, quero ver quantos homens vão voltar para casa depois do carnaval com os braços cheios de marcas roxas e a boca cortada. Quero ver! Não dá para ser ingênua e pensar que a rua reflete o que pensamos, isso não existe. Não dá ainda para sair em grandes multidões e pensar que todos os homens vão respeitar as mulheres, não chegamos nesse ponto ainda, eu diria que estamos a décadas de chegar.

-Pra mim ainda parece aquele discurso de ''se não quer ser estuprada não saia de casa''.

Isso não tem a ver, porque a mulher pode ser estuprada dentro de casa pelo namorado, não tem lugar seguro para uma mulher neste planeta. Mas o ponto é, eu não aguento mais ver tantas mulheres se jogando ao fogo com o discurso na ponta da língua, pensando que apenas porque sabem seus direitos estão protegidas, porra, não estamos! Você pode pegar a feminista mais preparada do universo e jogar ela em um país árabe, e ai? Ela será poupada apenas porque conhece tudo sobre feminismo? Porra nenhuma, ela vai virar carne moída como todas! Discurso não salva nenhuma mulher, o que salva é saber se proteger,  ter técnicas de auto defesa, carregar spray, faca, o que for e evitar lugares onde exista tanta concentração de homens.

-Mas é isso que eles querem, que fiquemos longe e isoladas!

Então vai lá e se joga no meio de homens que estão se lixando para teus direitos! Gente, pelo amor de Deus, os homens não evoluíram e em grupo a tendência deles é se afirmar, por isso são mais violentos, não podemos ser ingênuas nesse ponto!
O outro dia uma menina de dezessete anos me disse ''acho machismo não poder sair sem blusa às ruas, assim que for maior de idade vou fazer isso''.
Pelo amor de Cristo! Não é a maneira certa de fazer um protesto, qualquer maneira que arrisque tua pele sempre é a errada, guerra é estratégia e ataque, não é se jogar em campo aberto.

Falta estratégia no feminismo, falta a aceitação de que as coisas são piores do que parecem, falta a noção de que é uma guerra sangrenta e apenas as mulheres morrem, falta que as mulheres desenvolvam seu lado violento e esqueçam um pouco do discurso, eu sou contra só teoria, porque ela não vence nenhuma guerra, tudo é estratégia e ataque e as mulheres ainda são muito tímidas em relação a aceitar que podem ter um lado mais violento e usá-lo nas horas que se precisa.

Ah, mas que chato pregar violência! Mas é uma guerra caralho! Vai se defender só no verbo? Isso funciona em uma mesa da ONU (Organizações Unidas), mas ruas uma faca ou canivete sempre é uma boa ideia, muitas mulheres poderiam ter evitado alguma tragédia se tivessem por perto uma faca. E não é só a faca, mas a noção de que as mulheres têm que aprender a reagir, até porque a força física dos homens sempre vai ser maior, então a mulher tem que ter consciência disso e procurar um curso de autodefesa.

E podem pular carnaval à vontade, mas pensem que essa possibilidade de acabar em uma delegacia existe, já estão avisadas, no carnaval as ruas se enchem de homens bêbados, famintos e violentos.

E nem venham me dizer ''mas eu tenho direito de pular carnaval onde eu quiser e nenhum homem pode me assediar''.

É? Só tem um detalhe, eles não estão avisados disso, para eles continuamos sendo umas bonecas de plástico que os servem e eles vão às ruas justamente para isso, para pegar as que quiserem, para eles quanto mais mulheres nas ruas, lindas e soltas, melhor, a cabeça deles vê todas como atum, a comida favorita do tubarão. E as delegacias estão cheias de homens que também fazem parte do mesmo esquema mental, os hospitais, as ruas, eles estão em todos os lugares, ou seja, todos estão ali para se proteger e garantir que o sistema funcione, ou seja, o estuprador sempre vai ser considerado um ''coitadinho'' que foi provocado e a mulher sempre vai ser a ''puta'' que provocou um rapaz sério. O machismo funciona na sociedade como um relógio suíço, todas as peças estão ligadas a perfeição para manter a máquina funcionando sem erros.

O fortalecimento do feminismo é recente e ainda frágil e muitas vezes míope. Eu discutia isso com uma amiga, mantenho minha ideia de que o feminismo é uma guerra urbana e ela dizia se recusar a entrar nisso, não quer repetir os comportamentos violentos do patriarcado, concordo com ela, mas no verbo não vai dar, vamos ter que pensar em outro plano para informar aos homens que não somos brinquedos.

E recentemente li um caso que me chocou (LINK), aconteceu na França, país que pariu as maiores feministas do mundo, conhecido por suas leis avançadas e pela luta feminista. A esposa matou o marido depois de 47 anos de abusos, que incluíam abusar sexualmente dos filhos e o que aconteceu com ela? Foi presa e condenada a dez anos de cadeia. Ah, mas é assim, na hora que um homem morre, adivinha quem o sistema condena? Quantas mulheres são mortas todos os dias e o marido não é levado preso e quando é preso não pega mais de dois anos? É porque os homens perdem a cabeça e a lei ampara, fazer o quê?

E em outro país, que adora gritar sobre sua liberdade, os Estados Unidos, uma esposa apanhava do marido, um dia ele tentou matá-la, ela conseguiu virar a arma e o matou. Ela foi presa e condenada à morte, porque isso aconteceu no Texas e ali quem mata um policial é condenado a injeção letal. Mas ela matou o marido, não o policial! É, mas ele estava de farda quando foi morto, paciência. Os amigos dele sumiram com os boletins de ocorrência, onde ela denunciava a violência do marido e assim o caso se fechou e a esposa foi condenada, deixando os filhos órfãos.

E vamos contra tudo isso só com verbo na ponta da língua? Não sei se vai dar certo. Tenho certeza que tanto a francesa como a americana chamaram a atenção suficiente para ter o apoio de grandes advogados, mesmo assim nenhuma delas conseguiu provar seu lado. 

Eu acho lindo aquela frase que diz ''não ensinem as mulheres a terem medo, ensine os homens a não estuprarem''. 
É uma frase perfeita que define todo um movimento, mas eu gostaria de saber se esse ensino aos homens já começou? Eles já estão sabendo que não podem estuprar?

Chega de ingenuidade e de pensar que estamos lidando com um mundo equilibrado e homens justos, isso não existe, o mundo é machista e os homens são violentos, temos que parar de fantasiar de que eles são fofos. É? Bom, esses ''fofos'' são responsáveis de todas as mulheres sequestradas, vendidas, estupradas, torturadas e mortas no mundo, até hoje não se encontrou nenhuma organização de tráfico humano dirigido por mulheres e onde as mulheres sejam as consumidoras desse tipo de comércio, está tudo na mão dos ''fofos''.

Quer sair e pular carnaval? Tudo bem, mas tenha consciência que teu discurso não te salva, nem protege e o salto é no meio do mar, cheio de tubarões famintos.

Ah, mas eu tenho meus direitos e não vou ficar fechada em casa por culpa de alguns homens!

Alguns?

O mundo ainda é deles, nós, mulheres, precisamos de mais estratégia e menos verbo, até lá é campo aberto e minado para todas nós.

E deixo aqui um LINK  sobre o que os homens pensam das mulheres que saem às ruas durante o carnaval......


Iara De Dupont

3 comentários:

Patricia Gabriel disse...

Sinceramente,Iara,o carnaval hoje em dia é uma festa feita e programada totalmente para que tubarões se divirtam,porque atuns inteligentes tentariam se divertir da mesma maneira?Tem gente que gosta de se mostrar,mania besta esta de tentar se autoafirmar com essas idiotices!Se uma mulher quer cultura,se gosta do tema carnaval enquanto folclore,pesquise,vai achar coisas interessantíssimas;se ela gosta do carnaval só para pular,pegue uma corda e fique pulando corda em casa,na academia,sei lá,se gosta de ver fantasias,fique vendo da sua janela ou as crie,vá a um espetáculo teatral,se gosta de cerveja,vá a um local seguro para consumí-la;se gosta das canções carnavalescas,pesquise,e achará muitas,depois é só aprender e fruir!Olha,eu poderia ficar aqui falando uma lista imensa de burrices que mulher faz para tentar se autoafirmar diante de homens babacas e violentos,mas paro por aqui mesmo,será que essas tuas amigas,entre outras zilhões de mulheres ainda não perceberam que nestas festas só dá o pior naipe masculino?(não querendo dizer que nos lugares supostamente seguros eles sejam umas flores,que não o são,sabemos disso!)?Olha,eu mesma já discuti muito com babaca,tanto cara a cara quanto virtualmente,e aprendi na porrada que eles só murcham e minguam quando nós não comparecemos,não damos platéia,simples assim,é deixar os cretinos falando com o próprio pênis,garanto,funciona!mas tem muita jovem que ainda não se tocou disso,infelizmente...esse é uma assunto que sempre me causa horror e indignação!

Anônimo disse...

Essa é uma época onde os heteros classe média se acham no direito de importunar mulheres, digo isso porque sou periférica (RJ) já fui em festa de rua, pleno carnaval em bairro carente, em comunidade,de tocar os funks mais escabrosos, ninguém me agarrou ou sequer encostou em mim.
Enquanto isso, eu que trabalho( Help Desk/call center) no centro do RJ e já fiquei escalada para trabalhar em dois carnavais, sofri o diabo, uma voltando do trabalho dois cara me perseguiram ambos brancos, começaram a jogar cerveja e falar vem beber com a gente eu apartei o passo para chegar no metrô, o cara começou a gritar eu pago sua passagem, eu falei me larga seu imbecil ou vou chamar o segurança, o cara viu meu crachá e o lado que eu ia pegar o metrô sentido subúrbio e começou a gritar: orgulhosa assim tinha que ser pobre e suburbana, tem mais é que se foder, pobre metida, o segurança vindo de longe ele covarde calou a boca e fez o sonso eu fiz o sinal do dedo e desci para pegar meu metrô. Esse é o tipo de gente do carnaval do rio de janeiro, respeitam ninguém.
A outra vez eu tbm trabalhando desci correndo meus 20 min de lanche e fui ao bobs da carioca comprar um lanche veio um catarinense mesmo perfil branco, loiro e escroto, começou a falar para caixa que pagaria o meu pq uma moça assim trabalhando no carnaval deve estar precisando e ria e gritava trabalha com o quê? Não consigo ler o crachá, deve ter filhos.
Aquilo me deu um nojo, eu troquei de fila e novamente tentei achar o segurança da loja que quando deu as caras e saiu daquelas portas restritas a funcionários eu já tinha ouvido toda merda da terra. Hoje em dia eu saio com fones para não ouvir essas merdas. Isso é homem estudado e branco do nosso país. Como eu disse fui convidada a uma festa de rua em uma área carente e nenhum rapaz de lá me assediou ou tentou me humilhar, não sou hipócrita tem violência e já escutei história de que se aparece um bandido em uma festa dessas a coisa muda de figura. Fiquei com medo e nunca mais fui. Mas olha por quem eu fui assediada. E é justamente o cara branco e com condições que se te agarrar na rua ngm faz nada, imagina ele branco e loiro ta te fazendo um favor de te agarrar. Sim é isso que as pessoas pensam e não que aquilo é nojento, é assédio.

Cristina disse...

Nunca gostei de pular numa rua cheia de gente, confusão, bagunça, mas se eu realmente gostasse da coisa preferia chamar as amigas e fazer um baile de carnaval privado em casa, ou juntava todas pra comprar entrada num camarote fechado. Não há a menor possibilidade de conviver com esses caras, e ainda tenho que ouvir o mimimi desses babacas depois reclamando que as mulheres não querem nada com eles, não querem beijar, transar, namorar, casar - pra quê? Pra botar o inimigo dentro de casa? Porque os homens são inimigos das mulheres. Isso eles já são desde o princípio dos tempos, sabem ser e querem continuar sendo com orgulho; o que eles parecem não entender é que inimigos não são tratados como amantes ou amigos. Privilégio cega...

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