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14 fevereiro 2016

Achei que era saudade de você..........


Saudade é a coisa mais estranha do mundo quando é de uma via, aquela saudade que sentimos mas a pessoa não sente de nós.

E mesmo que a gente negue, existe alguma conexão misteriosa entre a mente e o coração, parece que um guarda as lembranças e o outro avisa quando lembrar.

Uma vez me disseram que o tempo não passa no coração, fica tudo ali guardado.

E hoje acordei com umas saudades loucas de você, daquelas que dá vontade de correr para o telefone só para escutar tua voz. Mas eu mantenho minha promessa, você não quer falar comigo, então não falarei com você. 
Sei que vivemos na era do individualismo, a saudade é minha, não tua. O problema é meu, não teu.

O espaço vazio é na minha casa, não na tua.

E minha surpresa não é com você, é com a vida. Como é possível sentir tantas saudades de alguém que não sente o mesmo?

Saudade é uma energia que cruza o universo. Nos dias que eu sinto mais saudades do meu pai, eu sonho com ele, como se ele estivesse me avisando que também sente saudades de mim. Alguns amigos que vejo pouco se comunicam em dias que sinto saudades, como se eles recebessem diretamente o recado, por alguma onda escondida no espaço.

Pensei que era assim em tudo, saudade é aquela corda que precisa de duas pontas para esticar, caso contrário não existe, mas até te conhecer percebi que saudades pode ser sim uma corda solitária.

Passei o dia inteiro pensando nisso, por quê tantas saudades? Nossa, nem que eu tivesse te parido!
E por quê agora, depois de tanto tempo sem saber de você? Se não morri antes de saudades, não será agora.

Uma amiga tentou me consolar, disse que é um momento de carência meu, fim de carnaval, começo de ano, calor, ruas cheias, vidas vazias, planeta cruel, sofrimento humano e animal e as estrelas que não aparecem no céu com a mesma frequência.
É, pode ser, também pensei que estava meio abalada porque decidi não comer pão durante o fim de semana, justo eu, que adoro esse alimento sagrado.

Minha mãe foi mais direta, se eu estava com saudades de você, então que te ligasse, falasse um ''oi'' e não enrolasse no drama, é melhor ligar do que ficar arrastando correntes.

É, mas te ligar não dá em nada, você atenderia como sempre e falaria naquele tom de voz cálido e meigo, como se tivesse passado a noite anterior comigo. E depois desligaria o telefone e minha vida continuaria no mesmo ponto, eu me perguntaria porquê você me trata desse modo tão carinhoso e romântico se não quer nada comigo?

E voltam as dúvidas e o amor por um fio. 
Mas hoje foi dia de saudades, tomei um banho quente e pensei ''tudo bem, amanhã vai ser outro dia e essa sensação terá ido embora''.
Tentei não pensar, não concentrar, não abrir fotos.

E corri para perder meu tempo lendo alguns sites de horóscopos, então vi a data, hoje é 14 de fevereiro.

Ah, era isso! Meu coração não esqueceu! Como é possível que tenha atormentando minha mente o dia inteiro para que essa data viesse à tona!

Na escola que estávamos há uns anos, as pessoas comemoravam essa data como dia do amor e da amizade, o San Valentine.
Eu não sabia disso, mas foi informada que tinha que levar alguma coisa a escola e distribuir entre os alunos. Sem saber bem o que comprar, resolvei levar uma sacola de pirulitos de morango, em formato de coração. Chegando lá distribui para todos, quando uma amiga se aproximou e disse ''adivinha quem tá lá em cima? Na varanda? Vai lá levar um pirulito para ele''. Eu resisti e a garota insistiu ''deixa de ser boba, aproveita a chance e diz que gosta dele''.

Subi as escadas e parei no meio do caminho. É, ela tinha razão, a data era perfeita, e eu sempre fui corajosa, não era de enrolar, por que seria covarde agora?
Me aproximei e te ofereci o doce, você aceitou e eu disse ''ah, queria te dizer uma coisa'', e você me respondeu ''pode falar'', olhei para teus olhos castanhos, meio esverdeados, e não consegui dizer nada. Acho que emendei algum ''dia legal'' e você respondeu ''é dia de San Valentine''.

No meu coração ficou essa data, a única vez que comemorei. Lembro de todos os detalhes da varanda, da luz do sol, do teu cabelo brilhante e do meu congelamento, justo eu, a rainha do ''falo mesmo''.

Lembro pouco do que conversamos esse dia, mas não foi nada importante. Só lembro de ter ficado olhando demais para você e talvez isso te incomodou porque você logo me disse ''que foi, Iara?''. Nada, não foi nada.

Não lembro a que horas descemos a sala de aula, mas não descemos juntos, porque minha amiga estava na escada, me esperando descer, mal coloquei os pés na escada quando ela disse ''falou pra ele?''. Não. Ela fechou a cara um segundo, logo disse ''no final da aula vamos todos para um lugar comemorar, quem sabe lá!''.

É, quem sabe lá.

Também não lembro o que aconteceu depois, mas acho que você não foi e eu desisti de ir por isso.

Imagino que meu coração guardou esse dia com tanto amor que ficou ali, até hoje quando resolveu voltar à minha memória. E demorei para perceber, mas não foi só saudades de você, foi de tudo. Fiquei com saudades de mim, de quem eu era, daquela garota que subiu as escadas com medo e congelou diante dos teus olhos. 
De vez em quando eu queria ser ela novamente e pensar que não existe nada no mundo mais importante do que você. Quando a lua é cheia lembro dela e tenho saudades da maneira na qual ela acreditava que poderia mudar as coisas e como tudo seria maravilhoso. 

Não era só sobre você e teus olhos esverdeados, é sobre quem eu era e em quem me transformei. E minha cabeça gira, se eu tivesse te dito ''gosto de você'' naquela dia teria mudado algo entre nós? Não sei.

Mas eu era mais forte e corajosa do que sou hoje. Era muito melhor pessoa, era mais viva, esperta e cheia de gás.
E tinha inocência naquele dia, eu subi a varanda para te dar um doce, pensando que se fosse um dia de sorte a gente poderia se beijar. Um doce e um beijo! Que coisa mais inocente!

Eu acreditava que estava apaixonada e você era a melhor pessoa do mundo, o garoto mais meigo do universo. Naqueles dias a vida valia a pena, eu acordava e lembrava do teu rosto e isso mudava meu dia.

E a tua volta inconstante e mutável me trouxe milhões de sentimentos e a fria certeza de quem eu era e de quem eu me transformei. Não culpo o mundo, nem as pessoas, todos temos que evoluir, mas sei que nunca mais vou gostar de alguém daquela maneira tão ingênua, tão pura. 

Foi isso que me massacrou o dia inteiro e provavelmente massacre a noite toda, a minha ausência e teu silêncio, a saudades que sinto de quem fui e as saudades que sinto de você, minha única ponte com essa garota que deixei no meio do caminho. 
Talvez por isso escutar tua voz me altere tanto, é como se minha mente acordasse de um longo sono e eu começasse a entender tudo o que aconteceu. É você minha ponte com quem fui, com meu passado e com o que deixei atrás. É você a ponte que me mostra tantas coisas que calei durante anos para não sofrer mais.
Mas você é uma ponte perigosa, de degraus frágeis e quebradiços, sem nenhuma garantia de segurança.

E não sou mais aquela menina que sobe a varanda para te oferecer um doce e nem eu sabia que sentia tanta falta dela, que o espaço estava tão vazio sem sua presença. Nunca imaginei que aquela menina soubesse mais o que queria da vida do que eu, nunca pensei que ela fosse mais corajosa e cheia de amor. 

Naquele dia quando subi na varanda eu sabia que te amava e queria estar com você. Hoje não sei mais nada, nem o que pensava saber ou sentir. Nem sei se estou feliz de você ter voltado, talvez teria sido melhor ter ficado lá trás, no meio do meu passado e das minhas ruínas.

Tua volta só me fez lembrar quem eu fui e quem eu não sou mais e não me sinto orgulhosa disso. Deixei de ser medrosa, mas espaços têm que ser preenchidos e coloquei bastante cinismo no meio do que um dia foi medo. Onde sobrava amor, tirei e coloquei desconfiança, onde sobrava esperança apaguei e joguei ceticismo e onde estava você rasguei e pus muitos.

Deve ser isso, a saudades de falar com você deve ser saudades de mim, de quem eu era quando estava com você, tua voz me leva a isso na mesma hora que você começa a falar. Talvez eu sinta que ao te escutar consiga resgatar uma parte de quem eu fui e se eu pudesse ver essa menina de novo seria tão feliz! Se eu pudesse acordar acreditando nas coisas como ela um dia acreditou! 

É amor, é saudade de você, de mim, da varanda, do sol, do teu cabelo cacheado, dos teus olhos, daquele dia. É saudade, é amor, é tudo que o coração guardou durante anos e o calendário arrancou à força hoje. 
E acho que é verdade o que dizem pelas ruas, o coração não esquece e o tempo não passa lá dentro. Eu ainda estou parada na varanda pensando em como te dizer que gosto de você. Saudades de mim.


Iara De Dupont

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