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14 janeiro 2016

Temperaturas alheias


Depois de mais de trinta anos aprendi uma coisa: não existe decisão que dure apenas ''hoje''.
O que eu decidir ''agora'' preciso decidir a mesma coisa amanhã, caso contrário fica parecendo promessa de bêbado em ano novo.

Há alguns anos decidi que não iria manter mais amizades que ''reagiam'' a mim, ou seja, se eu falo com elas, me respondem, mas não me procuram.
Consegui assim eliminar muitas pessoas na minha vida, filtrei mesmo. É claro que todos temos nossa rotina e nem sempre procuramos os amigos, isso acontece, mas sabemos bem quem procuramos mais e apenas ''reage'' a nós, mas se ficamos em silêncio essa pessoa não nos procura mais.

Mesmo decidindo fazer isso e cortar algumas pessoas, não foi um movimento definitivo, de vez em quando aparece a necessidade de pensar novamente sobre uma amizade, baseada na minha teoria da ''temperatura''.

Tenho um termômetro no coração, ou alguma coisa assim, quando amo é uma temperatura, quando gosto é outra e quando não gosto é o gelo total, um termômetro congelado, mas existe um ponto em comum, eu não mudo a minha temperatura, se eu gosto permanece ali, não sou indiferente nem gelada com quem amo, mesmo em um momento de tensão.

E baseada nisso comecei a perceber a temperatura alheia, a maioria de nós é movida a isso, reagimos com calor ou frieza diante das coisas que nos importam.

E de tanto observar percebi que eu era mais sensível a mudanças de temperaturas alheias do que eu pensava e elas me indicam o caminho a seguir.

Há duas semanas percebi isso com uma amizade, a temperatura mudou da outra parte mudou, desceu. Como essa pessoa está de mudança relevei, pensei que era a correria. Me aproximei novamente e continuei percebendo o gelo, mas como eu gosto muito da pessoa não aguentei e mandei uma mensagem, dizendo que se tivesse algum problema podia contar comigo, mas se fosse um problema comigo, eu estaria à disposição para escutar. Na hora a pessoa respondeu, dizendo que não tinha nada de errado, era apenas que a vida estava bastante corrida e ela estava ocupada.

Bom, esse é um fator comum, por isso não serve de desculpa individualizada, todos nós estamos ocupados com a nossa rotina, até os milionários têm seus dias cheios, não é desculpa dizer que está sem tempo.

Dei um voto de confiança e me afastei, pensei que quando a pessoa resolvesse sua vida e quisesse falar comigo, o faria.

Passaram uns dias e apareceu um link sobre um assunto em comum que tenho com essa pessoa, na hora pensei em mandar, mas me peguei pensando ''poxa, não estou levando um gelo?''. E depois ainda conclui ''se fosse amizade mesmo eu mandava, mas se fico receosa é porque não é amizade, quem é amigo não tem esse espaço de dúvida''.

Não mandei naquela hora, mas aquilo me atormentou, caramba, tenho certeza que a pessoa teria adorado ler esse link!
Isso me perseguiu tanto que resolvi mandar, na hora a pessoa respondeu agradecendo e dizendo que iria ler.

Então percebi que a comunicação acabou. É mesmo a pessoa que ''reage'' a mim. Se eu mandar agora um email, vai responder, mas não vai me procurar. E por que eu procuro? Porque era alguém que eu gostava e sentia falta, mas ao perceber que a pessoa ''reage'' a mim, então não sente falta e se não sente falta, não tenho porque ser otária e insistir.

Já me disseram que tem gente no mundo que só sabe ''receber'', mas é incapaz de dar. Não é o caso dessa pessoa, quando quis sempre soube procurar.

É uma situação chata, dói, mas o que posso fazer? Já passei desse ponto de aguentar amizades que ''reagem'' a mim mas nunca sentem falta o suficiente para me procurar.

E não posso falar nada, até onde sei essa pessoa nunca me prejudicou, nem foi grossa comigo, mas eu cansei de pessoas que ''reagem'' a mim, assim como eu sinto falta delas, quero que sintam falta de mim, caso contrário a fila de amizades anda.

Tudo é temperatura, tenho uma amiga que têm filhos, rara vez consigo falar com ela, mas quando dá certo sempre me recebe com o mesmo tom de voz, não mudou nada. Sei que não pode me dar atenção porque está envolvida no seu novo estilo de vida, mas continua sendo minha amiga, não mudou nada o que sentimos uma pela outra. 
Não dá para ver todos nossos amigos o tempo inteiro, mas sabemos que continuam sendo nossos amigos porque mantém a mesma temperatura de sempre.

Tem gente que eu vejo uma vez por ano, mas está tudo igual, sabemos que nem todos os estilos de vida são compatíveis e nem sempre é possivel nos reunir com quem queremos.

E me impressiona ver como estamos cercados de pessoas que congelam conosco e não fazemos nada, ficamos ali esperando o sol aparecer. 
Já não acredito mais nisso porque aprendi que não importa a situação, ninguém tem o direito de dar ''gelo'' em uma pessoa se a considera amiga, quando isso acontece é porque não tem mais amizade ou talvez nunca teve.

É fato que quando tomamos uma decisão algumas coias mudam na nossa vida, porque entramos em outra frequência, mas às vezes essa decisão tem que ser tomada mais de uma vez, talvez centenas. E eu tinha decidido me afastar de  pessoas que ''reagem'' a mim, por mais doces que elas fossem, mas uma vez não foi suficiente, de novo estou no mesmo local, pensando a mesma coisa: tenho que me afastar de tal pessoa.

E de vez em quando fico chateada com essa decisão, porque depois que meu coração quebra, não consigo mais colar, se me afasto, me afasto, não volto atrás.

Mas não ser tolerante com mudanças de temperaturas alheias é parte de quem sou, nunca lidei bem com isso, com o gelo ou excesso de calor. 

E quando penso em como é chato me afastar para sempre, logo me vem uma sensação, por quê eu gostaria de estar perto de alguém que não me procura?

Em algum estágio da minha vida pensei que a pessoa poderia ser reservada ou tímida, por isso não procurava, mas como era sempre calorosa quando me via conclui que era uma boa amizade. Mas hoje isso não é suficiente para mim, ser bem recebida por alguém não é a mesma coisa que ser lembrada e procurada.

E tenho o mesmo grau de tolerância que milhões de pessoas, que sabem a diferença entre amigos que estão em um ritmo diferente de vida e ''amigos'' que não fazem nenhuma questão de procurar. E por que os consideramos? Não sei, mas não quero mais. Se eu me dou o tempo e tenho vontade de mandar uma mensagem, eu vou fazer isso, e se a pessoa não faz é porque não está nem aí.

E o termômetro muda com estranhos, às vezes estamos mais abertos e calorosos, às vezes mais fechados e frios, o único termômetro que nunca muda, nem altera é o de pessoas que amamos e gostamos, ali para que a temperatura desça é necessário pisar na bola, mas sozinha ela não esfria.

E chega dessa gente, essas amizades que abrem o sorriso se me veem, mas são incapazes de me procurar, são gentis e respondem minhas mensagens, mas jamais me mandam nada, são educadas e atendem o telefone, mas nunca me ligam.

Talvez é meu jeito vulcânico de ser, mas para mim é tudo ou nada, ou é amigo, ou nunca foi. Responder mensagens eu também posso, mas quero ver ligar e manter a amizade. Se não me procura é porque não sente falta nem vontade de falar comigo, são dois ótimos motivos para cortar da minha lista. Eu não vivo pela metade nem me limito a responder aos meus amigos, tento na medida do possível procurá-los e se alguma coisa dá errado, eu falo, não fico dando gelo. Sei quem não me liga porque está correndo e sei quem não me liga porque nunca ligou, ou talvez ligou um dia e não quer mais ligar, está no seu direito.

Mas eu também estou no direito de filtrar as pessoas na minha vida e querer que fiquem apenas os que sentem a minha falta como eu sinto a deles, caso contrário é uma perda de energia. Tento dar o melhor que posso para quem gosto e já passei da idade e crença de dizer que não dou para receber, é mentira, sou humana e dou o que quero receber, não brinco de santa nem fingo que sigo a doutrina espírita nem o budismo, eu sou prática, amo e quero ser amada, sinto falta e quero que sintam minha falta. Acho lindo ser gentil e responder a mensagem, mas isso não mexe com minha temperatura nem me agrada o coração, também posso ser gentil e daí? Isso eu deixo para os estranhos, que são muitos, dos meus amigos eu quero a mesma coisa que dou, a temperatura ideal, aquela que aquece as amizades e as mantém unidas por décadas. E assim como eu ligo e digo ''tô com saudades'', também quero que me liguem e digam a mesma coisa.

Ah, mas a pessoa é daquele jeito mesmo, não liga!
Então que se foda! Eu não quero amizades assim, cansei de ser trouxa sozinha. 

A minha melhor definição de amizade é uma situação que vivi na praia com uns amigos. Chegamos lá e a água estava gelada, ninguém queria entrar, mas acabamos dando um jeito, fomos devagar e percebemos que não estava tão fria assim, era até agradável e de repente estávamos no meio do mar, ali, dando risadas, na mesma temperatura de água e de amor. Foi uma experiência boa para todos nós, estávamos sintonizados no mesmo termômetro, é isso que faz a diferença e cria a união, quando duas pessoas estão na mesma temperatura do que sentem uma pela outra. 


Iara De Dupont

Um comentário:

C.Belo disse...

Nem preciso dizer q me identifiquei.... Mais uma vez!

Falei exatamente disso com vc diversas vezes, aliás, te aluguei rs! Mas VC encontrou, como sempre, as palavras certas e a analogia ideal para expressar esse tipo de situação. É exatamente isso, às vezes as amizades não estão no mesmo grau de temperatura, e ficam lá em sua inércia gelada apenas "reagindo" quando entramos em contato. E VC só percebe q o problema não é da pessoa quando vê q essa "inércia gelada" se desfaz e vira um furacão tropical diante de outras pessoas.

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