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09 janeiro 2016

Somos três (eu, você e o machismo)



No mesmo dia vivi duas situações estranhas e ambas me deram vontade de sair correndo e me candidatar à ir para Marte.
Em uma roda de conversa, uma feminista, que eu respeito muito, dizia que o feminismo está se desviando em assuntos paralelos e perdendo a noção do seu objetivo. Ela dizia que as mulheres se concentram demais nos relacionamentos e tentam entender como podem vivê-los dentro de uma esfera tão opressora, mas se nós, mulheres, pensamos lá na frente não nos importaríamos tanto com nossas relações com os homens, nesse ponto ela foi clara, falava apenas dos relacionamentos entre homens e mulheres, já que mulheres entre mulheres parece ser muito mais simples.

Entendo o ponto de vista dela, mas estou cansada de tantas especulações e não falo por ninguém, apenas por mim, mas estou exausta de lidar com tanto machismo na minha vida pessoal e para mim isso não é um ponto secundário nem negociável, minha vida pessoal não é uma coisa sem importância, é vital que qualquer ideologia minha vá de encontro ao que eu sinto e faço na minha esfera íntima.

Usam muito um argumento comigo ''você não sabe escolher homens!''.

Então tenho que dizer que todas as mulheres têm sorte na vida, menos eu, graças ao Bom Jesus sou a única mulher que tem que lidar com o machismo de amigos, familiares e Romeus.
E me parece uma farsa dizer ''ora, seja feminista e não se concentre nos relacionamentos"!

Que porra é essa? Tudo faz parte de quem somos e da sociedade que vivemos, é possível viver e trabalhar sem se relacionar com ninguém? E menos ainda se apaixonar?
Para mim o feminismo não significa se isolar do mundo e das pessoas, pelo contrário, é lutar pela inclusão de todos.

Se todas as mulheres já resolveram como lidar com o machismo na sua vida pessoal, eu ainda não consegui e fico chateada quando acontece alguma coisa.

Lembro que na faculdade adorava um professor, o respeitava muito, me parecia uma pessoa incrível. Mas um dia uma aluna entrou na sala com uma roupa decotada e percebi como ele olhou para a moça, com aquele olhar libidinoso e trocou olhares de cumplicidade com dois alunos. Aquilo foi como quebrar uma parede na minha frente, ele tinha sido um dos primeiros professores que tive que falavam sobre feminismo e ver ele olhando a aluna me quebrou a alma, porque percebi que seu posicionamento em relação as mulheres era machista.

Tenho conhecido homens ótimos, mas em algum momento aparece essa essência machista que deve ter sido jogada ali na infância. Até meu irmão que conhece a causa se me escuta falar logo diz: ''não tenho paciência para essa conversa de opressor e oprimida''.

E olha que ele é o homem mais feminista que já conheci, sempre o vi tratar as namoradas e minha mãe com igualdade e cansou de me defender dos homens machistas da minha família.

E a moça feminista ficou umas duas horas explicando a necessidade real das mulheres pararem de tentar arrumar seus relacionamentos criando uma esfera de igualdade e se concentrassem melhor em outros aspectos necessários do feminismo, dizendo que a luta tem coisas mais importantes do que pensar em Romeu.

Caramba, não digo pelas outras, mas eu quero trabalhar no que for preciso pelo feminismo, mas não quero chegar em casa e ter um namorado machista, para mim a esfera pessoal também me importa, eu não vivo apenas nas ruas. E minha vida pessoa inclui tudo, até minha vida sexual, então qual seria o ponto de não me relacionar com um homem?
E moça me responde ''é um momento crítico dos relacionamentos porque os homens estão percebendo a mudança e não querem ceder, tem muita tensão no relacionamento homem-mulher agora, virou uma guerra declarada, quanto mais a gente luta, mas eles vem pra cima massacrar, é uma batalha em casa e isso te faz perder tempo, é melhor largar mão desses machistas caseiros e correr atrás de coisas mais sólidas na vida''.

É fato, mas eu ainda continuo no mesmo ponto, a igualdade e respeito que quero nas ruas, quero em casa.

E horas depois aconteceu um lamentável episódio na minha existência.

Há menos de um mês aparece um ex-Romeu na minha vida, jogou com isso umas semanas, aparecia e desaparecia. Eu resolvi sumir também, me cansei dos jogos do rapaz, que percebendo que eu tinha sumido começou a me mandar aquelas carinhas (emoticons) no celular.

Por alguma estranha razão ver uma carinha dessas hoje de manhã me irritou, então mandei um recado dizendo a Romeu que eu não tinha doze anos, se ele quisesse falar eu toparia, mas que parasse de mandar essas carinhas.
De tarde ele me ligou e tive a conversa mais estranha do mundo, nunca passei por isso com nenhum homem.

Ele ligou todo risonho, reclamando da bronca, me perguntando o que eu tinha contra as ''carinhas''. Havia entre nós uma conversa pendente, um pouco antes do Natal eu bebi e mandei um áudio dizendo que o amava e ele não respondeu. Na ligação ele inventou primeiro que nem tinha escutado o áudio, depois mudou de ideia e disse que escutou, mas não deu bola porque ''você ligou bêbada, quero ver ligar sóbria e dizer a mesma coisa''. Também disse que não prestou atenção ao que eu disse porque estava entrando na sala de embarque quando eu mandei.

Nesse ponto comecei a perceber que estava diante de uma situação que já passei milhões de vezes, mas desta vez eu tinha consciência do que estava acontecendo e isso começou a me irritar.

Eu disse que tinha ficado chateada porque ele nunca disse nada sobre o áudio e ele respondeu:

-Você está tão sensível! Tira essa telaranha da cabeça! Relaxa!  

É, e a coisa virou. Isso é o que se chama gaslighting:

''Gaslighting é a violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz. É uma forma de fazer a mulher duvidar de seu senso de realidade, de suas próprias memórias, percepção, raciocínio e sanidade. Este comportamento afeta homens e mulheres, porém somos vítimas culturalmente mais fáceis. No dia a dia, aposto que vocês já ouviram alguma vez – ou várias:
“Você está exagerando”
“Nossa, você é sensível demais”
“Para de surtar”
Fonte SITE Think Olga. '''


Na hora que ele disse que eu estava sensível tive que interromper e explicar o que era gaslighting. Lógico que não deu muito certo, ele respondeu dizendo que podíamos escolher entre esclarecer as coisas ou uma aula de feminismo, mas as duas ao mesmo tempo não dava. 
Percebi que eu estava na parede, por um lado morrendo de curiosidade de escutar o que ele pensava de tudo o que tinha acontecido e por outro lado me sentia muito desconfortável com a maneira que ele estava levando a conversa, que foi recheada de ''para com isso Iara'', ''de novo?'', ''você está colocando minhocas na cabeça'', ''desencana'', ''relaxa'', ''esquece isso''. Parece que tudo que era importante para mim não era para ele, pelo contrário, ele fazia um esforço enorme em me dizer que tudo estava bem e percebi que várias vezes usou um tom de voz como se eu fosse criança.

Eu resisti bravamente, várias vezes disse ''vamos falar como adultos'', mas ele ria e começava a dizer que eu estava ''exagerando''.

Como aquilo não parecia sair do lugar, ele resolveu agitar e dizer que não entendia minha má atitude em relação a ligação dele e que eu estava estragando tudo agindo daquela maneira.

Mas que mulher não estraga tudo? Não é para isso que viemos ao mundo, para infernizar os homens e estragar tudo?

De repente a conversa era sobre isso! Minha má atitude e o gaslighting dele! O tema que um dia nos conectou, o amor que sentíamos um pelo outro se perdeu ali, no meio do nada, no meio do machismo dele e minha brava resistência.

E o que eu fiz? Tive que ceder, falei para me dizer o que queria dizer e eu escutaria quieta, não dava mais para prolongar uma situação absurda dessas. Ele disse o que queria dizer, foi um fora elegante, mas foi, e aproveitou para reclamar do meu espírito crítico e que eu estava obsessiva demais com o ambiente, achando que tudo era ''machismo''.

E claro que essas conversas nunca funcionam em telefone ou computador, devem ser ditas ao vivo, mas mesmo assim teríamos acabado na mesma questão, o gaslighting dele. Duas vezes ele argumentou ''mas você sempre foi sensível, o que tem de errado em te dizer isso?''. É, não tinha nada de errado, até eu acordar para a vida ver que isso é um tipo de violência e que  sofri a vida inteira com esse rótulo, apenas porque eu tentava dizer o que sentia e sempre tinha alguém para dizer ''nossa, como a Iara é sensível, a gente não pode dizer nada porque ela surta!''.

Sem o conhecimento do feminismo a ligação teria acabado em lágrimas, eu teria me desesperado, com o feminismo amenizei o choque, fiquei tão irritada com ele que consegui relevar um pouco o fora. 

Quando contei isso a uma amiga ela respondeu:

-Nossa, foi um livramento, que cara babaca! 

Ah, santa ingenuidade! Adoraria chegar aqui e dizer que ele é o único que age dessa maneira e sua babaquice é exclusiva, jamais vai existir sobre a face da terra outro homem que faça gaslighting. Mas não é verdade, Romeu é igual a bilhões de homens e deve estar até agora se perguntando porque eu reagi de maneira agressiva com ele, um santo que só me ligou para dizer que sou uma linda lembrança na sua vida, que não esquece o quanto me amou, mas é passado, agora cada um que siga seu destino. Ele deve estar murmurando que sou uma maluca, descontrolada e sensível, porque meti palavras diferentes na conversa como ''gaslighting''.

Eu não estaria tão chateada se pudesse fazer da babaquice dele uma coisa exclusiva, mas não posso. Todos os homens fazem isso e não adianta bater o pé e me dizer que eu generalizo, pelo menos não no gaslighting, isso é uma prática mundial, até quando as mulheres são estupradas e vão denunciar os homens vão fazer gaslighting, vão tentar convencê-las de que a violência não aconteceu do jeito que elas dizem.

O outro dia vi um casal bem jovem, no supermercado, a moça reclamou do preço de alguma coisa, que passou no caixa com outro valor, então ela pediu para que a alguém fosse checar o preço real e seu marido disse ''amor, deixa pra lá, não paga de maluca''.

Né! Porque reclamar teus direitos é pagar de maluca!
Quantas de nós estamos cercadas por homens assim na nossa vida pessoal, que dizem o tempo inteiro ''para com isso!''.

Para com isso por quê? Se é importante para mim, eu não paro! 

E estamos tão mergulhadas nessa misoginia que nem percebemos quando acontece. Tenho uma amiga que se casou e me disse no dia do seu casamento:

-Ah, eu amo Romeu porque ele me acalma sabe? Sou impulsiva, meio louca e ele sempre chega como se fosse o freio, me puxa para a realidade dizendo ''você está exagerando, para com isso''.

E o que as amigas ao redor fizeram ao escutar isso? Todas suspiraram! Porque é o que vemos nos filmes, as mocinhas meio louquinhas, meio perdidas e sempre chega aquele macho doce, mas firme, que as coloca no seu devido lugar usando voz mansa!

E qual a frase que eu mais escutei na minha família, inclusive dita pela minha mãe? 
''a Iara é geniosa, precisa de um homem que a domine, assim ela vai respeitar''.

É isso que a Iara precisa! Um homem que a domine e a coloque em seu lugar, que possa ser um ombro amigo e suave, mas sempre firme, me alertando sobre meu comportamento, porque sou como todas as mulheres, eu não tenho noção do que penso, sinto ou falo, se eu não tiver um homem ao meu lado para me dizer ''chega Iara'', eu solto a corda e vou embora, só aprontando! 
Mas o homem não pode ser violento, tem que ser como os mocinhos dos filmes, que me domine com ternura e ao seu lado eu possa aprender a como me comportar em sociedade. Também espero que seja compreensivo, porque eu sou uma mocinha sensível e por isso mesmo instável, preciso de um Romeu que me ampare e entenda minhas subidas e descidas, com aquele ar paternal que só os homens que dominam as mulheres têm.

E não importa o que acontece, eu me recuso a dizer que o feminismo é uma questão de esfera externa, que não é um assunto interno da minha casa e que eu não preciso do feminismo na minha vida pessoal. Também não assumo a culpa, já me disseram que se eu pensasse menos em Romeus sentiria menos o machismo deles, mas cada uma é cada uma, eu gosto de Romeus e enquanto eu gostar deles vou lamentar o fato de estarmos vivendo em dois planetas diferentes. E nem adianta sonhar dizendo que homens suecos ou noruegueses não são machistas e não caem nesses erros grotescos dos latinos, porque a verdade é sinistra, tanto a Suécia e Noruega têm números altos de violência sexual, mesmo que digam que lá os números são altos porque eles registram violências que países latinos não registram, mesmo assim me pergunto ''que porra de noção de igualdade é essa se um homem se sente no direito de estuprar uma mulher?''. Não tenho o sonho dos homens nórdicos, ainda não me parecem assim tão perfeitos como gostam de dizer que são.

É um momento de crise para muitas, tenho certeza que neste mundo devem existir mais mulheres como eu, que gostam dos seus Romeus, mas não sabem como lidar com o machismo deles, nem como se fazer respeitar em relação a constante misoginia. Poxa, quantas de nós tentamos explicar para os homens algumas coisas simples sobre machismo e eles tiram barato ou respondem ''ai, que assunto chato'', ''muda o disco'', ''tá, mas eu sou legal'', ''nem é pra tanto'', ''tudo pra você é machismo''.

E eu vejo revistas, programas de televisão e ninguém toca no assunto, todos os problemas de um casal são o dinheiro, crianças, tédio, sexo e rotina. Ninguém fala do despertar da consciência de muitas, que nos faz ver como os homens nos tratam mal, nos rebaixam e não estamos conseguimos lidar com isso. E não é exclusividade minha, não sou a única a enfrentar isso e ficar chateada, eu fico magoada mesmo, me deprime, poxa, caramba, tanto homem machista e Romeu tinha que ser um deles?
E por que as pessoas não falam sobre isso com mais frequência, o machismo que enfrentamos em casa? 
E vamos ser realistas, o Brasil é um país latino e machista, as mulheres se apaixonam aqui e temos que lidar com o machismo dos homens, não é uma questão isolada e não podemos apenas falar da violência física que nos cerca, mas a verbal também, aquela que eles são educados para pensar que é normal. Não adianta subir em um palco e dizer ''é melhor não se apaixonarem, os homens são machistas''.
E isso resolve alguma coisa? E quem já se casou? Separa? Não dá para colocar as coisas assim debaixo de argumentos tão simplistas, existem mulheres como eu que gostam da presença masculina em suas vidas e apenas querem conviver em paz, sem violência e esse machismo corrosivo.

Sou de espírito vulcânico, prefiro as brigas, discussões, qualquer coisa, menos o machismo.

E um amigo ainda me disse ''não sei porque esse assunto de machismo te irrita tanto!''.

Ah, eu te conto! O mundo é estressante, cansativo e olha, sou como todo mundo, quero chegar em casa, comer uma pizza e assistir um filme, só quero estar em paz. A minha realidade é igual a milhões de mulheres, enfrento todos os dias um mundo misógino e violento, caminho com os olhos na nuca e cruzo as calçadas o tempo inteiro. E sabe, quando eu falo com Romeu só quero escutar aquele voz linda e maravilhosa e se hoje era dia de discutir a relação e terminar, tudo bem, posso lidar com isso. O que eu não posso mais lidar é ter que interromper a conversa e dizer ''não é assim que a banca toca, você está sendo machista''.

Estou cansada das pessoas me dizendo que todos os problemas de relacionamentos são ligados ao sexo e a rotina, não me parece isso, para mim tudo está ligado ao machismo, ao nosso silêncio e a violência deles.

Eu poderia ter tido uma agradável conversa com o Romeu, mesmo sendo um fora algumas coisas boas saíram dali, finalmente onde existiu amor sempre fica uma noção diferente de intimidade, eu poderia ter dito milhões de coisas que queria dizer e ter deixado tudo claro, seria o fim de um amor, mas o começo de uma amizade sincera. Apesar da tensão estava ali o tempo que passamos juntos, as frases soltas e as risadas. Poderia ter sido uma linda conversa, daquelas que merece um post romântico e meus dias suspirando. Gostaria de ter dito a ele milhões de coisas que pensei nos últimos dias, mas nada disso foi possível, porque entre meu amor e o fim do amor dele, o machismo estava no meio, ali, éramos três naquela ligação e que amor resiste a isso?

E olha Romeu, veja a ironia de tudo. Você não me contou que namorava uma Miss, quando eu li isso lamentei o namoro e falei sobre o assunto com minhas amigas, poxa, gente, uma Miss? É sacanagem isso com uma pessoa como eu, que ainda lida com seus complexos físicos, dei voltas na história, fiquei perdida, sem saber o que fazer. Caramba, tinha que ser uma Miss? É, tinha. E pensei que não dava para lidar com uma questão desse tamanho, a mulher é perfeita, só de imaginar ela nua eu já me encolho. Depois fiquei sabendo que vocês terminaram há uns dias, mas olha, um dia eu pensei que a Miss estava entre nós e tinha dificultado meu caminho, eu estava certa quando pensei que éramos três nessa história, eu, você e a Miss. Mas errei, na verdade acertei em alguma coisa, somos três nessa história, ou éramos três, eu, você e o machismo. E olha, diante do teu machismo lidar com a Miss e sua aparência perfeita me parece mais fácil.


Iara De Dupont  

6 comentários:

Cristina disse...

Porque só nos relacionamos com homens quando eles são Romeus, né? Não temos pais, tios, irmãos, chefes ou mesmo médicos machistas que estão só esperando pra ferrar a nossa vida. E não existem mulheres machistas no trabalho e na família, né? A opressão começa em casa, com os pais mandando a menina calar a boca, não falar alto, não brigar com os meninos, não responder aos mais velhos, batendo nos joelhos dela pra que feche as pernas, ameaçando e surrando pra que ela não saia da "linha". E essas criaturas acham que tudo isso vai se resolver só com lutas na rua? Não, gente, não, o machismo e a opressão começam em casa, nas relações pessoais, e não vai sumir se só lutarmos na rua. O feminismo tem que ser uma batalha em várias frentes.

Andrea disse...

Olha, eu entendo a feminista e até concordo com ela em certo ponto. Digo certo ponto porque não sei qual foi a conversa toda e qual o contexto, mas pelo que você narrou, me simpatizo. Acho que é meio óbvio que você concentra muito das suas forças em Romeus (e isso não é uma crítica; se eu continuo seguindo seu blog é porque gosto de como você pensa e como você escreve). E eu entendi que o puxão de orelha da feminista foi justamente sobre esse tipo de relacionamento, o romântico. (Porque a colega comentou aqui em cima que a gente tem parentes homens também e como conviver com eles sem trazer a luta pra dentro de casa, mas não acho que foi esse o sentido.)

Eu entendi que ela quis dizer pra se preocuparmos mais com nós mesmas, com nossa independência, porque quando conseguimos ser donas de nós mesmas, é mais fácil achar um relacionamento que não seja opressor.

Iara De Dupont disse...

Essa é a resposta de um milhão de dólares Andrea: não existe relacionamento não-opressor com uma mulher, talvez na Suécia, não garanto porque não conheço, mas para o resto de nós é uma utopia pensar que podemos ter qualquer relacionamento, seja familiar, laboral ou íntimo sem opressão e isso acontece apenas porque os homens não estão conscientes do que está acontecendo.

E eu faço questão de escrever sobre Romeus, escrevo com a maior paixão, não apenas porque gosto, mas porque me parece necessário dizer sobre todas as mentiras que nos jogam a vida inteira, pode parecer que me concentro muito nisso, mas é porque resolvi várias questões da minha vida, eu sou independente, não preciso de homem para nada, não dependo deles economicamente, mas não sei lidar com o machismo deles na minha vida pessoal, por isso falo tanto sobre o assunto e penso continuar escrevendo bastante.

E pode parecer superficial falar sobre Romeus, mas o machismo doméstico é um dos mais complexos que nós, mulheres, enfrentamos. Se uma mulher entra em uma delegacia e faz um queixa contra o assédio que sofre pelo seu chefe vai encontrar muitos mecanismos legais para processá-lo, mas se ela entra e diz que foi estuprada pelo marido vai se ver diante de um bloco de gelo, mesmo estando na lei isso, se chama estupro conjugal, mesmo assim ela vai encontrar muitas dificuldades para levar isso adiante.

E sempre digo, não se enganem com os homens moderninhos, que dizem que são feministas, isso não existe. E também não existe a lenda urbana de que quanto mais bem sucedidas somos melhores homens encontramos e entramos em relacionamentos não-opressivos, as coisas não são assim porque eles não renunciaram aos seus privilégios e até agora o feminismo é de via única, eles não estão interessados. Eu sempre lamento comunicar isso, mas já conheci homens de todos os níveis sociais, culturais e econômicos e o machismo está sempre ali, infelizmente.

Anônimo disse...

Leio mto sobre feminismo, sou feminista, mas não consigo me colocar diante dos fatos, qdo vivo uma atitude machista, demoro para enxergar assim, acho que devido a educação que recebemos, e mtas vezes me vejo condenando outra mulher por coisas completamente aceitáveis se fosse um homem. Estou com essas dificuldades, não consigo identificar o machismo logo de cara, demoro um tempo, e qdo identifico, não consigo me impor nos argumentos, não sou boa com as palavras e isso me faz parecer errada, pq estou tentando explicar uma coisa nova e isso não é mto aceito facilmente, ainda mais sem uma boa expressão das idéias. Me ajudem

Iara De Dupont disse...

Olha, é um processo lento, fomos educadas para não ''ver'' nem ''perceber'' a violência que nos cerca, mas com o tempo começamos a perceber, ler sobre feminismo é a melhor coisa, e todas fomos educadas no machismo, é fácil julgar outras mulheres, mas com o tempo vamos largando mão dessas coisas, a mente te avisa quando você estiver fazendo alguma coisa desse tipo. Mas não se preocupe, é um processo lento para todas, e para a sociedade e olha, o mundo é machista e não escuta as mulheres, eu já vi feministas preparadas levarem baile, porque os homens vem pra cima mesmo,começam com aquela história de que somos umas chatas, loucas e malucas. Não se preocupe em se posicionar, isso vai vir como tempo e de maneira natural, leia muito e você vai ver como as ideias vão se organizando sozinhas, mas tenha em mente que vivemos em um mundo machista e vai levar um tempo até que possamos falar sem nenhum homem nos interrompendo ou agredindo. Vai tranquila que vai dar certo!

Anônimo disse...

Obrigada querida, só percebo meu "machismo" depois que já deixei passar, e de nos defender, qdo vejo o assunto já foi, e deixei passar calada e o pior concordando com td. Em casa que organizo as idéias e vejo por outra perspectiva

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