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15 janeiro 2016

Era para ser sobre o pai do parque, mas minha mãe é minha mãe.....


Depois de tropeçar algumas vezes aprendi a não me meter na vida alheia, rara vez me manifesto e na maioria das vezes que me arrisco a fazer isso é porque algum animal está envolvido na situação, não consigo ver ninguém judiando e não fico quieta, mas fora situações assim não digo nada.

Mas hoje estava no parque quando reparei em um pai e sua filha. Não é a primeira vez que os vejo, de vez em quando ele vai correr e leva a menina para andar de bicicleta. A menina parecia cansada, estava um pouco irritada e ainda por cima tinha uma garoa chata. Ela disse ao pai que não queria mais andar de bicicleta e ele respondeu ''vai ter que andar mais umas duas voltas! Quem mandou estar gordinha, agora aguenta, tem que deixar de ser gorda''.

Escutei tudo e respirei fundo, logo pensei ''não é meu problema, não é minha filha'', mas isso durou pouco, não aguentei e assim que vi a menina se afastar do pai me aproximei. Ele foi muito simpático, eu elogiei o fato dele incentivar a menina no parque, mas pedi que pelo amor de Deus não falasse que ela estava gordinha, gorda, ou que estar assim era sua culpa. A menina sabe disso, nós que crescemos gordinhos sempre sabemos que somos gordinhos porque o resto do mundo nos avisa. Falei para ele que era maravilhoso incentivar, mas era melhor dizer que a menina deveria andar de bicicleta porque isso traz saúde, tira o stress, bicicleta é o transporte do futuro, ela vai poder fazer muitas trilhas legais com seus amigos, enfim, pode falar mil coisas, mas que evite mencionar o peso da menina.

E falo de uma dor que não conheço na pele, mas conheci em outras amigas e nem consigo pensar no sofrimento que elas passaram. 

Meus pais nunca tiveram problemas com meu peso, jamais escutei nada sobre o assunto. Meu pai me dizia que minhas tias eram todas obesas, bem sucedidas, estavam casadas, com filhos e ricas, então ser gorda não era um problema. Ao contrário das minhas tias, meus pais nunca me proibiram nada na hora da comida, minha mãe sempre me deu uma alimentação natural, mas por princípios, não por peso. Resolveu adotar um método quando eu era bem pequena e ela percebeu que eu tinha puxado a tendência de obesidade da família do meu pai, então ela cortou o açúcar. Eu não comi doces, balas, nem pirulitos, até os quatro anos de idade e talvez por isso nunca gostei, até hoje me dá náuseas o açúcar e suas combinações.

Minha mãe nasceu e cresceu magra, tinha trauma disso, bebia cerveja na adolescência porque diziam que engordava, mesmo assim nunca engordou. Trabalhou uma época como modelo e como sempre teve boa estatura abusava de saltos, decotes e roupa justa. 

As fotos da minha infância são deprimentes, minha mãe super arrumada, no salto e a filha gordinha do lado, com seus vestidos amish. Ela nunca disse nada, mas minhas tias diziam ''tomara que essa menina emagreça e conserte''. 
Tudo em mim era o contrário de minha mãe, ela é morena de cabelo preto, eu era de cabelo cacheado e castanho, ela magra, eu gorda e as pessoas reparavam nisso.

Há dez anos encontrei um tio que não via desde criança, ele não me reconheceu, até que falaram quem era minha mãe e ele disse ''nossa, mas com aquela mãe e você saiu assim de feinha?''.

Sempre tive um gosto diferente para vestir do que minha mãe, ela gostava de decotes e cores, e eu preferia o estilo ''amish'', vestidos escuros e longos. E ela me conta que isso começou quando eu tinha três anos, queria me vestir como a menina da Família Monster, uma família parecida com a família Adams.
Ela foi atrás e não achou vestidos pretos, mas achou azul marinho e marrom, tive vários. 
Depois passei por uma fase de vestidos coloridos e ela ia e comprava, mas sempre longos, como ela sempre me diz ''a minha Iarita do século XVII'', mas voltei ao meu estilo ''amish'' de vestir e nunca mais saí dele.

Mas eu comecei a crescer e de repente a roupa para criança não dava mais em mim, tínhamos que comprar roupa de adolescente, mas essa era cara e eu não gostava. E começou uma época ruim para mim, eu deveria ter uns dez anos, não encontrava mais roupas. Então minha mãe que sempre foi uma ótima costureira, ia na máquina e resolvia. Passou noites costurando e sempre tive boa roupa por isso, até roupão de banho ela costurou.

E nunca reclamou, nem disse nada. Quando eu inventava as minhas loucuras para emagrecer ela me dava todo o apoio, cansou de cozinhar aquelas receitas malucas. Trabalhava fora e congelava minha comida para que eu não tivesse que sair da dieta.
Às vezes eu saia da dieta e chorava, ela me consolava e dizia que nem ''era para tanto''.
Também inventei de entrar em um grupo de ginástica à noite. Ela me levava e ia buscar, todos os dias.

Meu pai nunca disse nada e em algum momento meu irmão começou a me perseguir, chamando de gorda o tempo inteiro. Meus pais nos levaram a um psicólogo e ele explicou que aquilo me fazia mal, meu irmão entendeu e nunca mais disse nada.

Todas as loucuras que eu quis fazer, mudar a comida, malhar, usar cremes, minha mãe me deu apoio. A única mancha que tivemos nessa história foi quando uma amiga dela sugeriu que ela me levasse a um médico que receitava remédios para emagrecer. Minha mãe foi ingênua e me levou, eu tinha treze anos. Mas os remédios eram tão fortes e pesados que minha vida virou, comecei a ter síndrome do pânico, depressão, tudo deu errado. Levei anos para consertar o estrago e teve muito choro por parte de minha mãe, que se culpava pelo meu sofrimento. Foram anos de conversas, berros, gritos, choros, mas acabei entendendo o desespero dela, ela não sabia que esses remédios para emagrecer faziam tão mal e confiou no médico.

Por esse motivo fujo de minha mãe se estou deprimida, porque ela fica pior e começa a me pedir perdão pelo dia que me levou nesse médico. Mas eu também não era fácil, eu era pressionada pela escola, pelo grupo de ballet e vivia surtada, só queria ser magra e igual a todas.

Durante toda minha adolescência minha mãe fez tudo que estava ao seu alcance para que eu não me sentisse diferente de ninguém, quando achávamos uma roupa que entrasse em mim, mesmo que fosse cara, minha mãe comprava. Deu cheque pré-datado, estourou cartão, fez o impossível, mas se me via em um canto, chateada, porque eu tinha sido convidada à uma festa e não iria por não ter roupa, ela dava um jeito, mas eu iria a festa.

Foi assim a vida inteira. Há uns anos um ex-Romeu resolveu se casar e me convidou. É um Romeu que sempre teve uma conexão muito forte comigo, até hoje o amo loucamente. Ele foi na minha casa e eu recusei o convite, disse que não estava me sentindo bem e não era justo gastar o convite comigo. Ele insistiu e deixou o convite na mesa, me avisou que se eu não chegasse com ele à igreja iria me buscar em casa.

Minha mãe escutou tudo e me perguntou porque eu não iria ao casamento. Eu tinha uma lista de motivos, pra começar ainda era louca por ele, conhecia muitas pessoas que iriam na festa, eu não queria ver ninguém e seria uma festa super bombada, eu tinha estourado meu peso, já estava acima dos cem quilos e não tinha roupa do meu tamanho. Tudo me dizia para não ir e resolvi que assim seria.

Uns dias antes minha mãe me puxou a umas lojas, para procurar um vestido, naquela época não existiam lojas plus size nem tanta gente vendendo roupa pela internet. Alguns meses depois fiquei sabendo que tinha uma rua que só vendia roupa para gordinhas, mas naquele momento não sabíamos disso.
Minha mãe me convenceu à ir a uma loja de tecidos, escolher um para fazer um vestido, mas bati o pé e disse que não iria ao casamento. Ela me jurou que era um vestido para ela e queria minha opinião. Escolhi o tecido, pra variar um preto com um brilho meio azul. E sem eu saber minha mãe pegou um vestido que eu usava muito em casa, de algodão e o usou como molde para o vestido da festa, depois fez um monte de acabamentos. Ficou absolutamente maravilhoso e por dentro ela costurou um short, daqueles que apertam um pouco e dão formato ao corpo. 

Mesmo assim eu não estava animada no dia do casamento, acordei virada e com a ideia fixa de não querer ser a ex-namorada-baleia. Mas Romeu começou a ligar para minha casa já de manhã e naquele momento me vi obrigada a dar apoio, poxa, tenho todas as reclamações dele, mas sempre foi a pessoa que mais me deu apoio na vida, além da família, senti que não poderia falhar com ele. Me arrumei, mas como enrolei demais minha mãe terminou o vestido em cima da hora, estava ainda costurando quando o vesti. Ficou perfeito e pela cor dava uma disfarçada no meu peso, coisa que para mim era importante.

Foi uma festa maravilhosa e todo mundo elogiou meu vestido e penteado, que minha mãe também fez e me senti uma rainha a festa inteira, até no banheiro recebi elogios de outras convidadas. Eu amo tanto esse vestido que o guardei em uma caixa, não é do tecido mais fino e caro do mundo, não está bordado com pérolas nem fios de prata, nem tem acabamento em ouro e pedras preciosas, mas foi minha mãe que fez e isso faz ele valer todos os milhões que existem no mundo. 

E eu cresci assim, protegida na minha casa, onde nunca fui ofendida por ninguém, nem me esconderam comida, talvez por isso eu goste tanto de ficar em casa, representa um lugar seguro, onde sei que sou amada e respeitada. E tive esse privilégio, mas mesmo assim meus pais não puderam me proteger do mundo, das agressões na rua, na escola, nas casas dos outros. E eu tenho muito mágoa de diversas situações, fiquei ferida e ressentida com muitas coisas, cresci com uma autoestima fragmentada que contaminou desde minha vida pessoal até profissional. E hoje me pergunto, então qual é o tamanho da ferida de uma mulher gorda que é agredida ou pressionada em casa?
Eu não consigo imaginar o tamanho do estrago! Poxa, se eu que fui tão protegida em casa, fiquei traumatizada e ferida com o que aguentei fora dela, imagina quem é humilhado pelos pais!

O pai do parque ainda tentou me dizer ''ah, gordinha é só uma palavra, o que a machuca é não ser igual as outras, por isso quero que emagreça''.

Não, gordinha não é apenas uma palavra se vem da boca de quem amamos! E eu nem posso falar dessa dor porque desconheço! Meus pais nunca disseram nada, meu pai me comprava pão de queijo e o que eu pedisse, jamais mencionou meu peso.

Minha mãe fica furiosa se escuta alguém me chamar de ''gorda'' no sentido negativo da palavra. Uma vez contei a ela de um namorado que me atormentava pelo peso e ela me falou para mandar ele à merda. O namoro terminou, mas acho que ele se arrependeu e resolveu ligar na minha casa, ela atendeu o telefone e disse a ele ''vou chamar a Iara, mas aqui na minha casa você não é mais bem vindo, seu narigudo broxa!''.
Eu pulei e tirei o telefone dela, ainda na minha loucura gostava dele, mas ela fica irritada até hoje com qualquer menção ao meu peso. 

E não sei a percepção real dela, porque ela sempre me diz que sou linda e que ela só faz filho lindo, que não sou gorda, sou perfeita e Deus me quis assim, recheadinha. Depois de repetir a mesma coisa mil vezes cansei de escutar e  isso gerava discussões, hoje ela se limita a dizer que eu já passei da idade de me aceitar e que sou linda, ponto, sou filha dela, ela é linda e gente linda só tem filho lindo e perfeito. Ela nunca me olhou e disse ''é, eu acho que você está certa, está gorda mesmo''.

Nem no consultório do médico. Há uns quatro anos tive um problema na tiroide e acabei no hospital, durante a consulta um médico, muito jovem, me disse ''você tem que estar atenta, assim que melhorar corra para fazer dieta, porque está bem gorda''.
Minha mãe não gostou e disse ''vocês, médicos, e seu padrão de esqueléticas! Minha filha é linda''. 
E ele respondeu ''é linda sim, mas é gorda e precisa perder peso''.
E ela disse ''não precisa, é a genética dela, é assim desde pequena e já sofreu demais, as tias dela pesam três vezes mais e ainda estão vivas!''.
Diante da fúria materna, o médico ficou quieto, mas anotou o telefone dos Vigilantes do Peso na receita.

E o pai do parque encerrou a conversa dizendo ''você está mais preocupada do que a menina''.
Não é isso. Eu apenas quis dizer, quem está gorda sabe disso e se não sabe o mundo vai apontar os dedos e avisar. É dever dos pais cuidar e proteger as crianças, mas diante da obesidade é melhor não dizer nada em casa, se faz o possível, se conversa com a criança, mudam alimentação, fazem mais exercícios, mas sem massacrar a criança. Eu não fui massacrada e mesmo assim cresci traumatizada, desde cedo o mundo me avisou que eu não era bem vinda porque meu corpo não era ''aceitável''.

Em algum momento o pai do parque me disse ''eu não estou mentindo, ela sabe que é gorda''.
Sim! Ela sabe, o mundo avisa, então não seja você que aponta o dedo!

Não sei definir o que são os pais, mas diria que no fim só ficam as memórias, talvez fiquei sensível demais depois da morte do meu pai, não sei dizer ainda, mas o que ficou dele são as lembranças. E que bom saber que em nenhuma delas me chamou de gorda ou mencionou meu peso, pelo contrário, sempre me dizia para avisar quando eu tinha uma ''folga'' na dieta para ir comigo comer pastel. Meu pai era machista e foi péssimo nesse sentido, mas nunca me fez sentir gorda ou inadequada com meu peso.

E minha mãe, o que eu posso dizer? Costurou todos meus figurinos no teatro, porque os figurinistas sofriam para achar ''roupa de gorda''. Ela fez todos, um mais incrível do que o outro. E nunca me disse que tinha que emagrecer, nem andar de bicicleta porque se ''está gorda, agora aguenta!''.

Palavras ferem e quando vem das pessoas que amamos causam um estrago eterno. E gordura passa, gordura fica, mas nada permanece na alma mais do que as lembranças dos nossos pais. Aconteça o que acontecer minha mãe sempre vai ser a fada madrinha que me costurou o vestido para ir ao baile e me fez sentir linda, exatamente como ela me via.

Não sejam as mães nem os pais que os filhos lembrem pela cobrança em relação ao peso, as ofensas, a marcação cerrada para emagrecer, melhor sejam lembrados como aquela ilha de amor que aceitava o filho do jeito que fosse, apoia qualquer mudança, mas não rejeita nem recrimina.

Quando somos criticamos pelos pais nos vemos pelo o olhar deles e nos tratamos da mesma maneira impiedosa, começando assim um círculo de dor e baixa autoestima.

A menina do parque talvez lembre que o pai dizia que ela tinha que andar de bicicleta para emagrecer, mas que lindo seria se puder se lembrar do pai que a acompanhava e torcia para que ela fosse feliz do seu jeito.

Todas as crianças se percebem pelo olhar dos pais. E minha mãe sempre me diz isso, se pergunta onde errou para que eu tenha tantos problemas de autoestima, cansei de dizer que não foi ela, foi o mundo que veio para cima de mim, ela fez o que deu para fazer e me protegeu, mas em algum momento não tinha mais como me proteger, eu iria conhecer o mundo de um jeito ou de outro. E ela me respondeu:

-Eu só espero que um dia você se olhe pelos mesmos olhos que eu te vejo, então você vai perceber como é bonita e o mundo é o errado. 

Mesmo com uma mãe dessas cresci com baixa autoestima, imagine o estrago em crianças que a mãe persegue pelo peso!

Mães e pais, entendam, filhos não se olham no espelho, se olham em vocês. Cada vez que sua filha pensar que é gorda, inadequada, obesa, cheia de defeitos, que ela possa te olhar e ver apenas amor, não reprovação. Eu tive esse olhar de amor e posso garantir, é a única coisa que me salvou de fazer besteiras na vida. Cada vez que o mundo me dá um chute e eu tenho vontade de desistir de tudo, lembro da minha mãe e de seus gigantes olhos castanhos, onde eu só vejo amor. Então eu volto a realidade e penso ''o mundo é errado, o certo é o meu reflexo que vejo nos olhos de amor da minha mãe''.


Iara De Dupont

8 comentários:

Erres Errantes disse...

Você teve sorte. Geralmente os pais (sobretudo as mães) adoram apontar defeitos no corpo das filhas. Principalmente se tiver outra filha mais adequada ao padrão, aí a comparação é inevitável.

Carolina disse...

Lendo esse texto lembrei de uma situação horrível que aconteceu comigo. Minha mãe levou a minha irmã e eu pra comprar uma calça, minha tia de consideração foi junto com as duas filhas dela. Todas as crianças eram magras, exceto eu. Lembrando de onde morava, posso dizer que tinha menos de 11 anos. Vesti um monte de calças pra criança nos maiores tamanhos e nenhuma cabia. Minha mãe começou a gritar que se eu não entrasse numa roupa de criança ia ter que andar pelada, porque ela se recusava a comprar roupa de adulto. Ela veio pra cima de mim com tudo, minha tia teve que segurar ela e tirá-la de lá. Fiquei sozinha, morrendo de vergonha e tristeza por não ter o tamanho certo. Realmente é uma memória que dificilmente vai sair da minha cabeça e que de tempos em tempos eu ainda vou lembrar. E essa foi só uma das ofensas que sofri por parte dela. Mesmo na época ela falava que eu era linda, mas sempre fazia umas coisas dessas. Cresci me sentindo um lixo.

D. disse...

Sim, você teve muita sorte. Desde criança fui atormentada com isso. Me obrigavam a fazer caminhadas exaustivas, ir para academia, controlavam comida e sem falar nas horríveis visitas a nutricionistas. Minha mãe sempre dizia que rezava para que um dia eu ficasse num peso próximo do de minha irmã. Desde cedo ficava ouvindo minha irmã e mãe chorando e reclamando que estavam "gordas" sendo que não eram nada e então me sentia um monstro. Escuto isso até hoje. Meu pai nunca disse nada, nem usou a palavra gorda como insulto e muito menos regularizou comida, porém várias vezes o vi desmerecer mulheres gordas em meio aos amigos dele. Minha irmã em seus acessos de raiva me olhava de modo gelado e me chamava de gorda. Minha melhor amiga (?) também já usou essa artimanha e não esqueço. Minha mãe também costura muito bem, mas sempre só fez isso para ela mesma ou para minha irmã. Comigo sempre dizia que não valia a pena, pois gastava muito tecido, dava muito trabalho e etc. Pois é, Iara. É bom ver que você foi protegida pelos seus pais, pois agressão fora de casa, apesar de doer, não dói tanto como quando é vindo de pessoas com quem temos laços fortes de sangue.

Anônimo disse...

Nossa Iara aconteceu o mesmo comigo.
Meu pai e minha mãe me cobrem de amor.o resto do mundo me coloca pra baixo.

Joane de Souza disse...

Lindo texto, como sempre Iara. É bom aprender essas coisas para não perpetrar ignorância e dor aos nossos (possíveis, existentes, ou futuros) filhos! Ainda que não o tenhamos, sempre haverá uma criança ao nosso lado para que possamos dar esse carinho que seus pais souberam dar. Parabéns pra eles, e que bom!

C.Belo disse...

Sua mãe é uma fofa! <3

Patricia Gabriel disse...

Você teve muita sorte,neste sentido,e adorei ler esta declaração de amor que você fez para sua mãe...porque fiquei imaginando,com romantismo,o doce de mãe que deve ser a sua,uma fadinha do bem,melhor amiga em tudo!E talentosa,ainda...

Acho,creio eu,que quando somos agredidos dentro de casa,por quem mais amamos,criamos uma crosta invisível,que vai nos blindar pelo resto da vida:já não ligamos tanto para o que os outros dizem,pois,se mesmo quem amamos nos maltrata,não vamos esperar que o mundo de fora nos trate bem...o ruim disso tudo é que crescemos com autoestima baixíssima,e,se nunca encontrarmos ninguém que nos ame,a tendencia é o suicídio(pronto,falei!)...

Eu passei agressão por parte de mãe(passo,ainda hoje,mas ela jura que é boa comigo,eu que sou ingrata),passei rejeição terrível pelo meu pai,e sarreação por toda a parentela...cresci depressiva,com sindrome do panico,mas encontrei a cara-metade,vou vivendo,e hoje,posso dizer que sou feliz...mas o mundo nunca cessou de me agredir,pelo meu peso,pela timidez,pelo excesso de sinceridade,etc...mas,vou vivendo no que dá,e meu maior consolo é saber que aquele filhinho que perdi(mas,não o perdi,ele está guardado)me amou,um dia,incondicionalmente,e me ensinou o que é o verdadeiro amor incondicional...eu também aprendi a tentar ser mais humilde,e isso também nos livra de muito murro em ponta de faca!

tudo isso fora os assédios que passamos,só pelo fato de sermos mulheres...mulher tem que ser bicho forte!

um abraço,Iara,e espero que encontre o seu grande amor,beijos!

Patricia Gabriel

Carolina disse...

Oi, Iara!
Ando numa fase meio sem palavras, sabe? kkkk Li esse texto e o seguinte, quero falar um monte de coisas, mas parece que as palavras não saem. Mas acho tudo que vc escreve lindo e adoro os textos e as histórias! Torço muito por vc!
Beijos,
Carol

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