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07 janeiro 2016

A lei do histórico


Quando a pessoa me diz ''a fulana é atriz e nem precisou estudar e fazer teatro'', eu logo penso ''é?''. Muita sorte mesmo nascer com o ''dom'' e não precisar trabalhar para desenvolvê-lo.

Não tem nada nessa vida que não exija um mínimo de esforço, não conheço nenhuma cozinheira que tenha entrado na cozinha e dito ''eu tenho o dom''. Tem que ter, mas antes deve ter ralado muito e aprendeu, mesmo que vendo a mãe fazer, mas ninguém se desenvolve encostado na parede e dizendo que tem um ''dom''.

E nada nas aulas de teatro nada é casual ou é feito porque alguém está de pá virada, os exercícios são desenhados para tirar o melhor da pessoa e a preparar para desafios futuros. E um deles é sempre complexo de explicar, mas nos ensina a lidar com os comentários alheios. Dois atores são escolhidos e sobem ao palco e cada um diz ao outro tudo o que parece errado na pessoa, vai desde o comportamento até a aparência física.

Não é agradável, mas ensina a ter resistência diante da crítica dos outros e a aprender a escutar, porque a tendência do ser humano é reagir na primeira agressão, então o exercício trabalha o controle do ator.

Já passei tantas vezes por esse exercício que fiquei indiferente e sempre bati um recorde, tive enorme dificuldade em ofender a pessoa ao meu lado, resisti bravamente e nunca ofendi no mesmo nível que fui ofendida. Alguns professores entenderam, outros não. 
E há uns anos passei novamente pelo exercício, mas como era um grupo diferente e misturado as turmas não se conheciam. No dia do exercício fizeram um sorteio e quando percebi eu tinha tirado uma atriz cadeirante.

Percebi na hora que aquilo não daria certo, porque também senti nela a mesma resistência em me ofender, o máximo que ela conseguiu dizer foi ''gordinha besta''.  Mas eu não consegui dizer nada a ela, não pelo fato de ser cadeirante, mas porque na hora me deu a impressão de que ela era parecida comigo e se ofenderia muito, ficaria magoada.

Mas o professor daquele dia era um dos ''malditos'', aqueles que a gente nem sabe da onde saiu e ele subiu ao palco e disse a todos:

-A Iara está com pena de dizer o que tem que dizer! Caramba! Quantos anos você tem? E não aprendeu ainda que nesta vida não podemos ter pena? E sabe por quê? Porque ninguém vai ter pena de você!

A outra atriz foi liberada, mesmo com sua dificuldade de me ofender ela conseguiu dizer algumas coisa, eu não. Então o professor resolveu pedir a um por um dos trinta atores que estavam ali que falassem coisas negativas a meu respeito, quis me provar que eu posso ter pena de alguém, mas ninguém vai ter pena de mim. Não doeu muito porque eu não conhecia ninguém, mas não foi confortável.

Aprendi a lição, não tenho mais pena porque sei que não vão ter mim e o mais importante, não tenho pena de quem não teve pena de mim. E não acho pena um sentimento bom, me parece ruim, mas mesmo assim não carrego mais culpas, me livrei de muitas besteiras.

Já vieram reclamar minha indiferença em relação a algumas pessoas na minha vida, mas meu lema é foda-se.

Uma amiga me comentou sobre outra que disse estar chateada comigo e chamou de falsa, por um incidente do ano passado. Essa amiga terminou o namoro e me procurou pedindo um pouco de consolo, e eu acabei desviando a situação. Na época que isso aconteceu eu estava com um familiar internado e precisava finalizar um trabalho, até tinha tempo, mas não tive saco, porque o namoro dessa amiga era um vai e volta, toda a semana ela terminava e voltava.

E por que eu fui péssima amiga? Porque evitei o confronto, não sou mais de correr atrás e dizer ''olha, estou chateada com você'', cansei desse argumento, só vou atrás se for para dizer um monte, mas me recuso a relevar coisas em uma amizade que não perdoo mais.

Um pouco antes do namoro da minha amiga terminar eu a encontrei na rua, disse a ela que estava correndo, precisava chegar ao hospital antes de fecharem o horário de visitas, ela me disse que era rápido e começou a conversar sobre seu Romeu. Duas vezes disse a ela de maneira clara ''depois eu te ligo''. E duas vezes ela me segurou no braço e respondeu ''é um minuto só''.

Claro que cheguei tarde no hospital e perdi o horário de visitas, coisa que me rendeu uma discussão com a minha mãe e o assunto só se estendeu por dois motivos: eu fui lerda com minha amiga, tinha que ter sido mais firme e deixá-la falando sozinha no meio da rua e ela foi invasiva, sabendo que eu estava correndo, ficou me segurando.

Então quando ela terminou com o Romeu e me procurou, eu pensei ''foda-se''. Não quero saber de gente assim perto de mim, egoísta e sem consideração.

As pessoas são cara de pau, acham que a gente não percebe quando elas são abusivas. Eu errei ao não ter cortado ela esse dia e ter corrido ao hospital, mas me senti presa naquela energia de ''boa amiga'', de poxa, é só um minuto.

Essa parte na vida sempre me surpreende, ver como as pessoas são invasivas, muitas vezes venenosas e pensam que não estamos percebendo nada.

E talvez seja nossa culpa, porque não reagimos a elas, eu deveria ter deixado minha amiga aquele dia na rua e ter dado prioridade a minha visita ao hospital, ora, sejamos francos, o que é mais importante, uma visita ao hospital ou um interminável discurso sobre Romeu?

Mas fiz o que me ensinaram, joguei minha vida pra atrás e priorizei a amizade, deu no que deu, um dia cheio de energias pesadas e tudo dando errado.

Uma amiga ainda tentou argumentar a favor dessa, dizendo que eu estava sendo muito dura, que aquele dia que a moça me parou na rua não sabia o que eu estava indo fazer no hospital, mas eu pensei ''que se dane'', se a pessoa não teve consideração comigo, por que eu deveria ter com ela?. 

A vida é uma troca e eu estou cada vez mais cansada da chatice dos outros e da má educação. E ainda acho incrível alguém pensar que é meu amigo depois de um gelo meu.

Conheço uma moça que fez um trabalho comigo, ela se acha íntima e amiga, mas não é nem uma coisa nem outra. No começo gostava dela e tínhamos muitas coisas em comum, mas comecei a perceber o veneno que ela destilava em relação a mim e vinha do nada. Uma vez estávamos jantando quando meu Romeu ligou, um caso complicado e na hora fiquei magoada com o que ele me disse e ao desligar o telefone contei a ela, que me respondeu:

-Vou te falar uma coisa, Deus me livre ser você, nunca vi alguém tão azarada para homem.

Percebi o prazer na frase dela e gelei. Na hora entendi que a amizade tinha terminado, não pelo dito, mas pelo veneno incluído. 
E duas semanas depois ela teve um aumento, correu para me dizer isso e a parabenizei, e ela me respondeu:

-Você vê como é a vida né! Você é muito mais capacitada e inteligente do que eu, mas eu ganho mais do que você!

Ela só esqueceu de dizer que trabalha em exatas e eu em humanas, não somos nem da mesma área e logicamente não poderíamos ganhar a mesma coisa. Mas ela adorou o aumento e falou sobre ele durante semanas, até que eu entendi que o prazer não era o aumento, mas ganhar mais do que eu.

Um dia me irritei com ela e dei um chute, falei para ela doar seu cachorro, que ficava o dia inteiro trancado no apartamento, isso me parecia maus tratos e ela ficou furiosa, me disse que eu estava falando aquilo apenas ''porque tinha inveja do seu aumento''.
Né!

Parece mais fácil ir com a pessoa e dizer ''você não está sendo legal'', mas aprendi com o tempo que não vale a pena, pessoas egoístas, mimadas e invejosas não entendem argumentos e não é bom mantê-las por perto.

A todos essa moça diz que somos grandes amigas, eu fico quieta dando risada, há um bom tempo que cortei a amizade e não falo mais com ela, cada vez que chega uma mensagem dela respondo ''depois a gente conversa'' e fica nisso, espero que um dia ela se canse e pare de me encher o saco.

E não, eu não tenho pena, não quero nem saber. É regra pra mim, só vou ter consideração por quem tiver por mim. A pessoa pode fazer o que quiser, mas estou usando a ''lei do histórico'', cada vez que alguém vem falar comigo eu puxo mentalmente o histórico da pessoa, se ela tem sido legal, eu respondo no mesmo tom, caso contrário deixo cair no vácuo.

E não tenho culpa, nem remorso, o único sentimento ruim que tenho é ter sido idiota tanto tempo, ter deixado tantas pessoas usarem e abusarem da minha energia e tempo, eu sempre relevei e dava colher de chá, pensando que a pessoa estava precisando conversar naquele momento, ou era necessário desabafar.

E me vi cercada de gente egoísta e sem consideração, que ainda se acham no direito de se sentirem ofendidos. 
Essa moça do trabalho fez uma festa e eu não fui, avisei que não ia, ela não me comentou sobre minha ausência, mas para o pessoal ela soltou os cachorros, dizendo que eu era ''instável e indisciplinada''.

Essa parte é engraçada, as pessoas querem te arrancar a energia, você não deixa mais e o que elas fazem? Surtam e gritam, ficam furiosas.

E tenho uma amiga que está preocupada, diz que eu não sei mais conviver em sociedade e não posso ficar inflexível desse jeito, senão vou acabar sozinha!

É? E o que você sugere? Outros trinta anos de fofice minha, todo mundo me arrancando a energia, enchendo meu saco sem nenhuma consideração? Conviver em sociedade é isso, gente tem invadindo e você não poder falar nada porque são teus ''amigos''? Prefiro ser ermita. E também para que ser hipócritas, o ser humano nunca foi objeto do meu amor, eu gosto da natureza e de bichos, mas gente nunca foi minha coisa favorita no planeta. 

E quero que se dane mesmo, não considero quem não me considera, não tenho pena de quem não teve pena e não quero mais saber, não adianta mandar mensagens de textos nem ligar, cansei de tudo isso e aprendi que relevar os outros é passar por cima de mim e não vou mais fazer isso.

E não quero entrar em clichês de gênero, mas quando olho meus primos, tios, e homens na minha familia percebo como eles eram rápidos no gatilho e se livravam de todas essas situações onde nós, as mulheres, permitimos o massacre, familiares e amigos abusando de tua paciência e tempo.

Meu irmão teve um amigo muito próximo, um dia eles deixaram de se falar, perguntei o motivo, meu irmão disse que o amigo tinha sido ''folgado'' com uma questão de dinheiro, meu irmão ficou puto e mandou à merda. Lembro que fiquei morrendo de inveja, pensei, nossa, eu queria ser assim, mandar à merda na primeira!

Mas até hoje não consigo mandar à merda, ainda fico bloqueada e prefiro me afastar, só consigo mandar se a pessoa realmente cruzou todas as linhas.

E tenho uma amiga muito engraçada, o outro dia falávamos sobre o histórico de cada pessoa e ela respondeu:

-Sabe que eu fiz estágio na delegacia? Peguei essa mania, a pessoa nem me apareceu e eu já estou lá checando seus antecedentes comigo, porque a gente pode negar, mas está sempre lá, ninguém esquece quando os outros abusaram de você, ou usaram teu tempo, foram sacanas ou venenosos. O erro dessas pessoas é acreditar que tudo foi perdoado e já passou, mas eu mantenho meus arquivos correndo, não esqueço. E quando a pessoa se aproxima minha mente já começa a funcionar, se a pessoa aprontou comigo mando ao isolamento, não quero mais saber, mas se a pessoa tem ficha limpa libero na minha vida, pode entrar e ficar!


Mas ninguém vai ter a ficha limpa, todos nós em algum momento vamos pisar na bola com a pessoa que amamos!

-É, mas existem delitos e delitos e reincidentes, pessoas que sempre caem no mesmo crime. E pisar na bola é delito menor, não dá cadeia. E todo mundo sabe a diferença entre pisar na bola e ser um sacana, aproveitador. E para isso puxo a ficha, quero só ver, porque não adianta negar e justificar, está tudo ali, a mente e o coração guardam, a gente sabe quem não presta, mas puxa o histórico só pra confirmar. Ficou na dúvida da filha da putice, ou se você está sendo muita dura com a pessoa? Puxa a ficha e leia o histórico.

Iara De Dupont

2 comentários:

C.Belo disse...

Tô, no momento, "puxando a ficha" de duas amigas.... E o histórico delas não está nada bom...

Confesso q fico extremamente confusa pq tem momentos em q eu acho q ninguém presta, aí paro, respiro, penso.... E sempre restam essas duas...

Acho q, de fato, preciso 'enquadrá-las"

Cristina disse...

É, também deixei de sentir culpa por pensar em mim mesma primeiro e mandar gente chata se lascar, até família. E olha, faz um bem enorme viu. Quisera eu ter aprendido mais cedo a fazer isso, mas sabe como é né? As meninas dão menos trabalho se forem ensinadas a engolir e aceitar abusos, papai e mamãe podem largar ela num canto e beber ate cair, assistir o futebol ou a novela, passar horas no telefone com amigas/amigos, e ainda pode mandar a menina ir buscar cerveja, lavar sozinha a louça, arrumar a casa, etc. Bom negócio, né? Pra eles, claro. Não precisa prestar atenção nem cuidar e ainda arranja uma escrava.

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