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13 janeiro 2016

A decoração dos moderninhos e seus fantasmas


Todas as culturas têm suas histórias, motivos e razões, que muitas vezes não nos parecem lógicas, mas é a maneira como todos vivem. E cada cultura teu seus rituais e símbolos.

Tenho visto uma febre entre os moderninhos, aquele pessoal jovem, com menos de trinta anos, que absorve o mundo na mesma velocidade que uma boa conexão de internet. Vejo eles enchendo suas casas de objetos, que aparentemente não significam nada, estão ali porque tem sua estética, os moderninhos gostam dessas decorações pluralistas e étnicas, mostram que eles estão conectados com o mundo e suas expressões e manifestações.

Já passei da idade de ser moderninha e encher minha casa de objetos que não sei o que são ou o que representam. 
Uma vez, eu era pequena, lembro de ter ido a casa de uma moça que tinha uma estátua iluminada de Iemanjá, uma das coisas mais lindas que vi na minha vida. Perguntei a moça quem era, eu não conhecia e ela respondeu:

-Ah, faz parte da cultura africana.

Só isso, não disse mais nada. Poxa, tem uma estátua tão poderosa e não sabe o que representa?

Também gosto de objetos e compro, mas aprendi depois de alguns conselhos a ter um cuidado com o que coloco dentro de casa, porque tudo tem o potencial de atrair energias.

Fui na casa de uma amiga e ela orgulhosa me mostrou um símbolo que o namorado comprou na Índia, um desenho que eu nunca vi em um quadro. Perguntei ao namorado o que era isso e ele respondeu:

-Não sei, eu gostei, mas acho que é para espantar os maus espíritos.

Você acha?

-Vai começar de cri-cri Iara?

Não, mas porra, fala sério, você compra um desenho que nem sabe o que é e coloca na tua casa? Isso aqui não é arte, é um desenho de um símbolo.

-E daí?

Daí que você não sabe pra que serve!

E contei sobre um dia que eu estava em Oaxaca, um dos lugares mais incríveis do México, considero aquele lugar o centro do universo, a gastronomia, a arte, tudo ali é uma coisa de outro planeta, não tem parte mais mexicana do que essa. 

Sou apaixonada por máscaras e me disseram que um rapaz vendia umas maravilhosas no meio da estrada, então fui lá. O rapaz colocava seu trabalho na beira da estrada, mas chegando lá me disseram que não estava, mesmo assim, e fazendo jus a gentileza dos mexicanos, sua mãe me convidou para entrar na sua casa, que ficava ali, na estrada mesmo e dar uma olhada nas máscaras. Fiquei fascinada, logo de cara escolhi as máscaras do teatro, o drama e a comédia. O preço era uma coisa terrível, um drama em Oaxaca, a exploração que essas pessoas sofrem, a máscara feita em barro negro, grande, me custou o equivalente a cinco reais. Eu ia comprar mais máscaras, mas a senhora me perguntou porque eu queria levar mais e falei que era apaixonada, tinha algumas na minha casa. Ela ficou me olhando e me disse:

-Mas você sabe que os espíritos ruins se escondem atrás de máscaras?

Não.

-É, eles ficam circulando pela casa, mas se chega alguém que pode vê-los, eles se escondem nas máscaras e ficam rindo. Se você coleciona máscaras tem que saber como colocar eles para correr.

Eu não sei como fazer isso.

-Então não tenha. Essa que você vai levar eu ''preparo'' para você, não vão se esconder aí, mas as da tua casa você tem que resolver. E como é que alguém pendura uma coisa na parede sem pensar nisso?

Verdade. Eu, a neta de índia e nunca me perguntei porque minha abuelita regulava tanto as paredes de sua casa, não deixava a gente pendurar nada além de pinturas e um quadro da santa ceia.

Fiquei tão desconfortável com tudo aquilo que só levei a máscara do teatro, acabei desistindo das outras.

Uns meses depois um amigo da minha mãe foi para Miami e comprou umas máscaras muito engraçadas, elas pareciam antigas, mas assim que você se aproximava delas, que tinham um pequeno sensor, espirravam água em você. 
Foi questão de semanas para acabar a brincadeira, porque de repente elas espirravam água mesmo sem ninguém por perto. Começaram a aparecer viradas de cabeça para baixo ou trocadas de lugar, mas a mãe do rapaz era uma pessoa com muita experiência e percebeu na hora que as máscaras estavam com alguma energia ruim, então elas foram levadas embora da casa, mas antes disso aprontaram bastante, trancavam a dona da casa na cozinha, faziam o cachorro latir a noite inteira e deixavam o chão molhado.

Um dia fui com meu irmão à uma festa nessa casa, as máscaras ainda estavam lá e não pareciam gostar muito de gente circulando por ali, o dono dizia que elas começavam a se irritar e aprontavam. Já era de madrugada quando a porta da cozinha começou a bater, sem ninguém por perto, todos corremos para ver e ela batia de um jeito que ia quebrando o gesso da estrutura ao redor. Ficamos todos de boca aberta vendo aquilo e acabamos correndo de medo. 
Alguém teve a ideia de tirar fotos, mas nenhuma máscara apareceu, todas as imagens apareceram borradas.

Depois disso fiquei com tanto medo que joguei no lixo minha coleção de máscaras, doeu fazer isso, mas eu me assustei demais com a porta batendo daquele jeito.

E sei de centenas de histórias de pessoas que estavam em uma casa boa e de repente colocaram um objeto lá dentro e a vida virou. E não sou ninguém para dar aula de ''senso comum'', até porque por décadas eu não tive, mas aprendi que às vezes temos que pensar ao comprar um objeto que pertence a outra cultura ''eu sei o que isso significa? Eu conheço a cultura a qual pertence, sei para que serve?''.
No caso das máscaras em alguns países elas servem para espantar os espíritos ruins, estão ali para assustá-los.

E já vi pessoas fazerem coisas idiotas, mas nada supera uma amiga da minha mãe, uma senhora encantadora.

Poucas pessoas sabem, mas o pai da cantora mexicana Thalia, era o Dr. Ernesto Sodi Pallares, considerado um cientista gênio no México, ele era médico forense. Se atribuía a genialidade a ele porque foi a única pessoa no ocidente que desenvolveu o que se chama de ''miniaturização'', um processo secreto feito por algumas tribos na África, onde elas pegam um ser humano, cortam sua cabeça e trabalhando de alguma maneira que ninguém sabe qual é, conseguem reduzir a cabeça a um tamanho pequeno, da palma de uma mão. Existem registros de tamanhos que chegam ao de um chaveiro. O pai de Thalia viajou pela África e Equador, lugares onde existe essa prática, mas todos sabem que esses segredos nunca são revelados, ninguém sabe como ele conseguiu a formúla, mas ele voltou ao México dizendo que tinha aprendido. 
Morava em uma casa hoje conhecida como a ''casa dos perros (cachorros)'' porque na porta tem dois cachorros de pedra e lá montou um laboratório onde praticava a ''miniaturização'' das coisas, no caso dele fazia isso com os animais. Em uma entrevista mostrou um cavalo, que ele conseguiu reduzir ao tamanho de um cachorro poodle. Thalia adora essa história, sempre conta aos jornalistas como sua casa era cheia de animais pequenos, depois que morriam o seu pai os fazia miniatura. Também os levou para a faculdade onde dava aulas, todos conheciam o professor e seus animais em miniatura. Uma vez mostrou um gato do tamanho de um camundongo.

E uma amiga da minha mãe resolveu viajar, passear pelo mundo e acabou no Equador. Essa amiga era boa gente pra caramba, moderninha, pra frente. Quando ela voltou nos convidou a sua casa e mostrou uma aquisição que fez viajando, comprou uma cabeça em miniatura em uma feira livre, por dez reais.

Na hora minha mãe gelou e disse que era de mal gosto ter a cabeça de um ser humano morto no meio da sala, mas ela insistiu que o preço foi tão bom e na hora se lembrou do Dr. Sodi e suas entrevistas mostrando os animais pequenos. Imagino que o Dr. Sodi nunca mostrou cabeças humanas por questões éticas, mas deveria ter em sua casa, talvez trouxe de alguma viagem.

A amiga da minha mãe adorou a cabeça, tanto que ganhou um lugar de destaque no bar da sala.
E levou exatos treze dias, para que uma cabeça humana que custou dez reais acabasse com a vida pacífica naquela casa.

Começou o drama quando  moça que trabalhava na casa disse que a cabeça a seguia como olhar quando ela limpava a sala. Depois as garrafas de bebida do bar apareceram vazias, o cachorro morreu e os móveis começaram a ser arrastados e mudados de lugar durante à noite.

A dona da casa no começo achou engraçado, disse que ''Lúcia'', chamava a cabeça assim, iria se acostumar e parar de fazer drama, mas depois de uns dias Lúcia começou a ficar violenta. Teve um vazamento de gás na casa, o marido tropeçou e quebrou a perna.

Então foram atrás de alguém que pudesse ajudar, mas ninguém quis, a cabeça estava ali, prova concreta de que um ser humano tinha sido torturado, morto e sua cabeça estava servindo como objeto de decoração.

Lembro que a minha abuelita não acreditou na história, porque ninguém poderia ser tão burro de comprar uma cabeça humana, segundo ela.

Como ninguém quis ajudar só restou o Padre da igreja. Ele sugeriu queimar a cabeça no jardim, não haveria outra solução, iriam rezar, fazer a fogueira e jogar ali. 

E essa parte da história eu não vi, minha mãe me contou porque foi convocada pela sua amiga, que estava assustada. E minha mãe foi, ela é assim também, falta senso comum de vez em quando.

Ela estava no jardim com a moça, seu marido e o Padre, fizeram a fogueira, rezaram e jogaram a cabeça. Minha mãe me contou que minutos depois começaram a escutar uns gritos terríveis, que pareciam de outro mundo, eram tão assustadores que até o Padre parecia congelado.

Ficaram paralisados uns minutos, e os gritos continuavam, de repente apareceu a polícia no meio do jardim, os vizinhos escutaram os gritos e chamaram a polícia do bairro, que tocou a campainha, mas como ninguém escutou eles invadiram a casa e chegaram no jardim. E ficaram ali sem entender de onde vinham tantos gritos. De repente voltou o silêncio e a fogueira apagou, então o Padre disse ''acabou''. Mas a dona da casa se aproximou e deu um grito, minha mãe foi ver e percebeu que a cabeça estava inteira, sem nenhum fio de cabelo chamuscado.

O Padre foi embora, dizendo que não poderia fazer mais nada, mas um dos policiais se ofereceu para ajudar, disse que a melhor coisa era enterrar a cabeça em um cemitério, e lá foi a dona da casa e minha mãe no carro da polícia, colocaram a cabeça em uma caixa de papelão e jogaram no porta-malas.

No cemitério o policial pediu um dinheiro, porque teria que chamar um amigo que ''entendia dessas coisas''. O rapaz chegou, pegou a caixa e sumiu. Voltou mais tarde e disse que ''estava feito'', mas ainda remendou ''as senhoras hem? Comprar cabeça de gente morta!''

A moça voltou tremendo para sua casa, mas o rapaz do cemitério deu algumas orientações, tiveram que queimar no jardim o móvel do bar, onde ficava a cabeça, os colchões e travesseiros, mas não sei o motivo, mas ao queimar começou de novo a gritaria, demorou um pouco, mas cessou.

E começou um período estranho para a família, de perdas econômicas e doenças. Como aquilo não melhorava mandaram chamar uma pessoa que ''limpava'' os lugares e a pessoa sem saber de nada, chegou na porta e disse ''eu não posso entrar, porque tem um senhor aqui, atrapalhando o meio do caminho e só sei que é um senhor negro porque vejo pelo seu corpo, porque está sem cabeça''.

Ah, então não era Lúcia, era Lúcio!

Não teve jeito, o Lúcio emperrou na porta da casa, chamaram alguns médiuns, mas não deu certo, até que um teve uma ideia genial: era melhor se mudar, mas sair pelos fundos, sem o Lúcio ver, porque assim ele não seguiria a família.

Pediram ajuda a vizinha e fizeram isso, passaram o que deu para passar pelo jardim, e saíram por outra rua, para o Lúcio não perceber. E acho que ele não percebeu, porque a família foi para outra casa e conseguiu recomeçar a vida bem, estão tão bem que contam esta história morrendo de dar risada.

Não conseguiram alugar a casa, então tentaram vender. A casa mofou, apesar do preço bom,  até que foi vendida para um casal, que se adaptou bem. No começo a dona não quis dizer nada, mas um dia se arrependeu e foi lá avisar o casal sobre o Lúcio, entrou, puxou conversa e ficou sabendo que eles eram antropólogos e estudavam o processo de miniaturização de tribos no Equador. A dona ficou impressionada e contou tudo a eles, que deram risadas, acharam uma grande bobagem toda essa história de que o Lúcio ''aprontou horrores''.

E antes de que a dona fosse embora agradeceram que ela tivesse deixado o móvel com o bar, foi ali que eles colocaram as cabeças e ela foi ver a coleção, que tinham comprado na África e Equador. Falaram que existe um grande comércio para turistas e muitas pessoas vendem essas cabeças em miniaturas. A dona quase morreu quando viu o móvel que ela jurava que tinha queimado, mas não disse nada. O casal insistiu para ela não se preocupar, eles eram científicos, não acreditavam em fenômenos paranormais. 
Eles continuam morando na casa e já tiveram dois filhos, a conclusão da minha mãe é que agora o Lúcio não deve perturbar mais porque está acompanhando de um monte de cabeças no móvel do bar!

E por que tudo isso aconteceu? Pelo total desconhecimento da cultura alheia, não sabemos porque se fazem as cabeças miniaturas, não conhecemos o ritual nem o que ele representa. Eu fui dar uma procurada em fotos, mas fiquei tão asqueada com o que vi que logo desisti, mas deixo um LINK para os corajosos, quem tiver vontade de ler sobre o assunto pode pesquisar no Google.

E quantas vezes não sabemos nem o significado do que nos cerca, na nossa cultura? Eu tive um incidente, na verdade dois, por ignorante. Um deles ganhei de uma amiga a pintura de uma Santa, mas desde o começo achei ela estranha. Um dia tive a sensação de que me seguia com o olhar, estava pendurada no meu quarto e foi tão forte que resolvi me desfazer dela, mas antes liguei para minha amiga e perguntei onde tinha comprado, de repente eu poderia devolver à loja e ela me respondeu:

-Ah, eu comprei em um bazar, é uma pintura psicografada!

Porra! Pinturas e cartas psicografadas são direcionadas a algumas pessoas, a gente não compra em um ''bazar''! 
Na hora peguei a santa e levei para a igreja, expliquei o caso e eles aceitaram, me disseram que ''santos'' não são psicografados em pinturas, mas enfim, ficavam com a imagem.

Em outra ocasião uma amiga ficou grávida e eu sugeri uma decoração de anjos no quarto do bebê, a madrasta da minha amiga pulou e disse ''nem pensar, anjos não pertencem a esfera fisíca, não podem ser colocados assim no quarto, pode ter um, mas não pode ser decoração, é capaz de virem um monte e levarem o bebê''.

Achei ela tão ignorante que nem respondi, eu li muito sobre anjos e nunca vi nada sobre ''levarem o bebê'', me pareceu o comentário mais besta que já escutei.
Mas um dia estava assistindo televisão quando vi uma entrevista da bailarina Sheila Carvalho, que tinha acabado de perder seu bebê recém-nascido, e ela comentou que a decoração do quarto dele era toda de anjos e alguém tinha dito que isso não era boa ideia. E no fim ela concluiu que os anjos tinham levado seu bebê. Quando escutei isso fiquei toda arrepiada, corri para tirar o monte de anjos que eu tinha colocado no quarto do meu sobrinho.

Objetos não são apenas objetos, são a parte concreta da ideia de alguém e não sabemos as intenções, não podemos encher nossa casa, nosso espaço energético com coisas que nem sabemos o que significam ou que energia puxam.

Mas é lindo, fofo, diferente, exótico!
É? E qual sua história? Qual o objetivo pelo qual ele foi construído?
Nada é por acaso e nenhum objeto está livre de energias, é uma crença em todos os países, por isso nos apegamos as coisas que gostamos, porque sentimos sua energia e carregamos aquilo para todos os lados.

Montar apartamento cheio de coisas diferentes pode parecer bacana, mas estamos determinando o que está ali, é melhor saber antes para não sofrer depois.
E depende da cultura, em alguns países como a China eles não permitem fotos de mortos na casa da família, porque isso é uma energia que os chama, já no México tem fotos de mortos em todos os lugares, é parte da cultura deles preservar a presença dos seus mortos. Cada um é cada um, mas temos que saber o que estamos fazendo para não prejudicar o lugar que vivemos. Nossa casa é sagrada e não podemos permitir todos os ''santos'', temos que saber a origem de cada um. 

E em casas onde se perdeu a tranquilidade é só fazer um histórico dos objetos que entraram, logo aparece a resposta.

Não podemos controlar o que acontece na rua e no trabalho, mas podemos blindar a nossa casa, é questão de parar com essa besteira de achar que todos os objetos de outra cultura são apenas objetos de decoração para moderninhos, coisas ''diferentes'' feitas por pessoas ''diferentes'', ecológicas, sustentáveis e que quebram o padrão burguês de decoração.

Todos nós, no mundo inteiro, em qualquer tribo, temos que nos defender, atacar, e cada um tem seu método, então antes de sair comprando coisas desconhecidas procure no Google seu significado e para quê são usadas, porque de repente para você pode ser apenas um quadro legal, descolado, mas no país que é feito significa alguma coisa que atrai um tipo de energia. E você sabe qual é? Não! Então não abra a porta..............



Iara De Dupont

3 comentários:

Carolina disse...

Amei o texto!!!
Beijos,
Carol

C.Belo disse...

Cacete! Essa é de arrepiar até os cabelos do c*!

Eu não precisaria dar um google pra saber q comprar uma cabeça humana para decoração é uma péssima ideia. A única coisa q eu não resisto e compro mesmo são gatos, é gato pra tudo q é lado na minha casa, é gato de louça, gato de madeira, gato de papel machê, peso de porta de gato, porta retrato de gato, luminária de gato.... Será q isso é um problema???

C.Belo disse...

Ah sim, esqueci de mencionar q tb tenho gato de fato rsrsrs!!

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