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14 dezembro 2015

Tenho sido um pesadelo para meus amigos (me desculpem)


Tenho quase duas semanas insuportavelmente chata, como se toda a chatice que existisse em mim tivesse vindo à tona depois de um ano morno.

E tudo isso aconteceu porque apareceu na minha vida, mesmo que de maneira relâmpago, um ex-Romeu, o primeiro Romeu que amei loucamente. Fiquei mexida, desestruturada e chata, sim, chata e chata, inacreditavelmente chata. Mas não fiquei chata pelo Romeu, fiquei chata por perceber em mim a capacidade de sentir alguma coisa com tanta força.

Tenho navegado em águas mornas, justo eu, a moça das águas que fervem ou congelam. Passei o ano inteiro sem gostar de ninguém, nem me interessei nos homens que conheci.

Há uns meses eu dizia a uma amiga:

-Estou assustada, me sinto diferente por dentro, como se não sentisse mais nada.

Eu alternava entre não sentir nada e de repente chorar o tempo inteiro, mas na maioria das vezes estava em estado catatônico. Me falaram mil coisas, é a idade, o tempo, o planeta, o clima, o país, e eu acreditei, no fundo lamentei que jamais voltaria a sentir nada por ninguém.

Pensei que isso era um fato consumado e talvez minha vida inteira seria assim, apagada, como se meus nervos tivessem sido desligados.

E de repente ele apareceu. E todos meus amigos me perguntam o que vou fazer a respeito. Nada, não vou fazer nada. Romeu mora em outro país e tem namorada, me procurou apenas para reatar a amizade, perdida no espaço. 

Na vida dele tenho certeza que umas mensagens e uns áudios não mudaram nada, na minha sim.

No começo deste ano outro ex-namorado me achou no Facebook. Foi um namoro rápido na minha vida, mas uma pessoa muito legal, ele me achou, conversamos no skype e a vida seguiu. Lembrei de algumas coisas com ele, mas nada que me fizesse suspirar.

E de novo entrei em crise, quando esse ex-namorado tão legal me procurou, todos me disseram que seria uma ótima oportunidade de namoro, um cara incrível e dando voltas, porque ele deixou claro que tinha outras intenções. Mas eu não senti nada e fiquei mal por isso, o que acontecia comigo? Uma psicóloga me disse que eu ainda estava de luto pela morte do meu pai e resistindo em me apegar a uma figura masculina. Fiquei chateada, mas não pude dar corda a ele, eu não sentia nada, estava congelada, parada no tempo, vivendo ou não vivendo o ano mais estranho e indiferente da minha vida. Talvez vez por viver um ano neutro, sem emoções, acabei assistindo tantos filmes de terror, parece que eu procurava me assustar, tentando saber se ainda sentia alguma coisa.

E assim, vinte dias antes do ano acabar apareceu Romeu. Desde que eu vi a mensagem dele surtei. Fiquei dando voltas no computador dizendo ''puta que pariu, puta que pariu''. Ele me perguntava se podíamos nos falar no Sype, e acabei aceitando. E desde o começo tudo mexeu dentro de mim, a voz dele, as risadas, tudo começou a ferver meu sangue, como se eu estivesse em coma e voltasse à vida.

Desde esse dia a comunicação ficou fragmentada, não nos falamos mais por skype e trocamos apenas algumas mensagens. E tem sido duas semanas infernais para meus amigos, que não aguentam mais escutar sobre ele. Uma amiga me disse:

-Esquece, passa reto, é passado, desapega, o cara namora outra!

É, namora outra e ainda por cima a moça tem barriga negativa, é magra e carrega essa ar de musa. Ah, mas se eu fosse ela e tivesse aquele homem na minha cama também sairia pela vida levitando.

Não é tão difícil de entender, ele não é passado, ninguém que mexe com você é passado. Conheci muitos homens, tive meus Romeus e isso não significa que alguns deles mexam comigo, pelo contrário, eu passaria sem olhar para a grande maioria.

O ponto nunca é um ex-Romeu, mas quem mexe com alguma coisa que nem você sabe o que é. Romeu não me disse nada de especial, pelo contrário, passamos o tempo dando risadas e falando sobre nada, mas a voz dele mexeu cordas em mim que eu jurava cortadas.

E minha amiga insiste:

-Vai encarnar nessa história? Vai sofrer quantos meses?

Não sei, não tenho a menor ideia, mas no fundo me divirto horrores, porque vejo a foto dele e meu sorriso começa a marcar o rosto, penso nele e me sinto feliz.

Poxa, meus amigos me cobram um posicionamento como se eu pudesse fazer isso. Eu disfarço, falo que tudo bem ser amiga dele, que deixa o tempo resolver, mas no fundo é mentira, o que eu queria era ele para mim, daria qualquer coisa para abraçá-lo e passar uma noite com ele, talvez duas, bom, na verdade uma semana.

Talvez um mês, um ano, talvez algumas décadas. O que tenho sentido por ele justifica uma vida inteira. E sempre foi assim, desde o primeiro dia que fomos apresentados, achei a voz dele linda, uma mistura de doçura com voz de homem, um jeito meigo de rir, de dizer bobagens. Vou fazer o quê, o homem mexe comigo, paciência.

Meu cérebro não ajuda, lembro do cheiro da pele, dos beijos e da infinita tristeza que senti quando tudo terminou. Marquei tudo na minha mente porque foi puro, sem más intenções de nenhum lado, se eu era ingênua e boba, ele era mais, a gente tinha um jeito de se gostar que era apenas isso, um jeito de se gostar. Não era com a malícia de hoje, nem com os mil alertas, a gente só se gostava e isso parecia suficiente.

E meu amigo me disse:

-Caraca, nunca te vi sofrendo tanto por um homem!

Não tô sofrendo, apenas constatando. Não é de hoje, não começou agora, desde o começo sempre senti que poderia confiar nele, tinha alguma coisa que me segurava de um jeito que eu sabia que ele estava ali.

E meu amigo completa:

-Você já pensou na possibilidade de estar viajando?

Já e é bom pra caralho, recomendo.

-Você não acha que está sendo muito besta?

Não acho, tenho certeza.

Não perdi a noção do perigo, sei que não conheço Romeu, conheci o menino que ele era, mas não tenho a menor ideia de quem seja o homem.

Concordo quando dizem que as mulheres se desculpam muito, também erro nisso, como se fôssemos menor do que os homens, mas neste caso e prestes a entrar nas duas semanas, devo umas desculpas aos meus amigos e amigas, que vem aguentando meu humor oscilando quando falo de Romeu. Já falei sobre o perfume dele? Ah, é um clássico....mas enfim, devo desculpas por ter transformado a vida de vocês em um inferno, mas eu acho que acordei, não sei, talvez as nuvens passaram, o sol apareceu, ou é apenas o contrário e eu confundi.

Mas é o meu Romeu sabe, aquele Romeu que tanto amei, que tanto amo, que tanto vou amar. É aquele Romeu da história que se fraturou, da distância, dos dias que passaram. E aquele Romeu que eu volto no tempo e tento mudar tudo, como se isso fosse possível.

Eu minto quando digo que tudo bem manter a amizade com ele, coisa nenhuma, na minha mente penso que talvez um dia a gente possa resolver isso, como um pacto silencioso, o amor que não foi vivido, que ficou ali esperando. No fundo sinto isso, que o tempo me deve essa história, que foi um amor puro demais para ter se perdido no espaço, como se a justiça divina um dia fosse ser feita e eu pudesse ter Romeu nos meus braços mais uma vez. Sinto a energia que me puxa a ele, que sempre me puxou, a história interrompida por maldade alheia e estupidez minha. Já sei que muitas coisas se quebram e nem por isso a vida te dá chance de consertar, mas ninguém pode te tirar o amor que tinha que ser vivido e foi cortado. Se ainda nos devemos alguma coisa, se ficou algum amor ali que não foi consumido, o mundo vai girar e resolver isso. E me parece que o mais importante já aconteceu, a sensação de que ainda sinto por ele o que um dia senti.

E minha amiga surta e diz:

-Para de ser louca Iara, larga o passado, já foi, centenas de Romeus melhores do que ele vão chegar.

Não chegaram durante quase vinte anos, por que chegariam agora? E melhores do ele? Ah, você não conhece ele para dizer isso. Melhor do que qualquer coisa é o que a pessoa te faz sentir, não é a pessoa em si, é o que você sente por ela.

Não é Romeu, são as cordas que me ligam ao mundo e me avisam que estou respirando e aqui, depois de um ano em que tive a impressão de ter sido enterrada viva. Ele mexeu essas cordas e poderia ter sido qualquer um, mas foi ele, assim como um dia o fez, lá no passado, quando o conheci e pensei ''nossa''.

É Romeu, o primeiro amor, a primeira eternidade. São os olhos castanhos dele e o sorriso aberto, a mania de cantar uma música besta, de reclamar que eu falo muito e não o deixo falar, a discussão sobre a melhor marca de chocolate, o sanduíche de presunto que um dia ele me ofereceu e eu recusei dizendo que não comia presunto, então ele se aproximou e disse ''ah, eu posso tirar o presunto pra você''. É o Romeu que ficava sem graça quando nos cruzávamos depois do fim do namoro, evitava falar comigo, sorria de longe. É o Romeu que todo mundo sabia que eu amava, menos ele. É o Romeu que um dia mexeu todas as cordas que nem eu sabia que existiam, é o Romeu que voltou para fazer isso, vinte anos depois. É ele, o Romeu. Talvez voltou só para isso, para me lembrar que estou viva e ainda sinto alguma coisa, que ainda posso sorrir ao lembrar um rosto e cantar uma música aos berros. Talvez ele nem volte, nem apareça de novo, foi apenas para me acordar do sono lento e doloroso no qual eu estava submergida e que coisa mais linda acordar e ver aquele sorriso! Se eu tivesse tido que escolher alguém para me devolver à vida não consigo imaginar alguém melhor do que ele, o mais doce de todos. O meu Romeu, do casaco vermelho e dos olhos meigos.



Iara De Dupont

4 comentários:

Andrea Bitencourt disse...

Bom dia Iara!!
Navegando em águas mornas??? Parece que a temperatura por aí está um pouco mais alta que isso...kkkkkkkkkkk
Essas lembranças são especiais...e poder reviver, nem que seja por um breve período de ilusão, vale a pena...nem que, como você mesmo disse, sirva para lembrar que está viva!
Beijinhos e ótima semana pra ti!! =)

Anah Vizoto disse...

Ah, Iara... eu já acho que se ele voltou, é porque talvez também sinta algo. Mesmo seus amigos dizendo para você desencanar, mesmo ele tendo uma vida diferente agora e uma namorada "miss", talvez esse Romeu também não tenha te esquecido.
Tudo pode acontecer nesse mundo, miga! ♥

Patricia Gabriel disse...

tenho estado assim como você;de luto pelo meu filhinho,parece que nunca mais sentirei nada por ninguém...mas é estranho e temerário,essa coisa de vir alguém e mexer com tuas cordas mais delicadas,não é qualquer que faz isso com a gente não!Meu conselho:se der,se joga,mas,se for o contrário,esqueça,e tenha firme a convicção que você foi privilegiada por ele ter reaparecido na tua vida,mesmo que por pouco tempo...as pessoas tem missões nas nossas vidas(e nós nas vidas delas),que nem elas nem nós fazemos ideia,mas,no fim,tudo se encaixa,Deus sabe o que faz e o que permite!

Patricia Gabriel

Suzana Neves disse...

Essa historia rende um poema .....

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