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16 dezembro 2015

Só tenho uma chance de acertar você


Sempre fui ansiosa e nunca faltaram explicações para isso, meus pais são ansiosos, meus avós, minhas tias, venho de uma família onde ansiedade é tão natural quanto beber água e os poucos não-ansiosos são chamados de ''lerdos'' por todos.

Também disseram que eu era ansiosa porque nasci de parto induzido, não esperaram que eu decidisse nascer, o médico queria ir passar suas férias na praia e enrolou minha mãe, que no auge de sua ingenuidade acreditou que era o melhor para o ''bebê''.

Anos mais tarde se concretizou a profecia, eu era ansiosa por culpa desse parto precipitado e nervoso. Como não posso voltar no tempo assumi a ansiedade como parte da minha maneira de ser, na verdade o todo.

Nunca me falaram sobre os perigos da ansiedade, nem os erros que ela te leva a cometer. Tive que passar duas longas décadas com síndrome do pânico para perceber o horror que é ser ansioso.

Depois de muitos anos descobri que existia um coisa que dobra a ansiedade: o tempo. 
A energia começa a acabar, precisa ser usada em outras coisas e um ataque de ansiedade gasta tudo de uma vez. Comecei a recuar por não ter mais tanta pilha para enfrentar algumas situações.

E sem querer percebi que era uma boa maneira de viver, escolher com calma suas batalhas. Larguei mão de muitas coisas e me senti melhor, dar um tempo te dá a oportunidade de ver as situações se desenrolarem sozinhas, sem você precisar fazer nada.

Muitas coisas eu deixei pra lá, por cansaço e se resolveram sem precisar da minha energia.

Mas nenhuma conquista é eterna, nada é definitivo, quem é ansioso sabe disso, todos os dias temos que nos colocar o freio, não foi resolvido, fica ali. E alguns dias ignoramos os freios e pulamos para cima da situação, tentando mudar tudo na unha e às vezes ficamos quietos esperando, e nem sempre é uma boa coisa, de repente aparece um arrependimento por não ter reagido.

Há pouco tempo me apaixonei por Napoleão e suas estratégias de guerra, tudo era calculado, nada era no impulso, nem ansiedade e foi assim que quase conquistou o planeta. Uma coisa que aprendi lendo sobre ele é que não podemos ter controle sobre a reação dos outros, apenas da nossa, então pular no momento certo pode definir tudo em segundos.

E me vejo em uma situação assim, pode ser mais longa do que penso ou mais curta do que quero.
Um ex-Romeu apareceu na minha vida e agitou as calmas águas da minha existência e já começa a bater o recorde de posts dedicados. 

E não sei como as coisas vão se resolver, no meio dos dois está a geografia e seus dezenove mil quilômetros que nos separam. E ainda estamos divididos por um passado que vemos de maneira diferente, por vidas paralelas, por ''achismos'' e pelo tempo, aquele que me transformou e o transformou também.

No nosso barulho de internet, mensagens, skype e áudios fizemos um pacto silencioso, não falamos nada além do trivial, nem entramos em detalhes de porquê estamos falando um com o outro. Não escutei uma palavra sobre sua namorada, nem ele escutou sobre minha vida pessoal, fingimos que isso não tem a menor importância, como se nada estivesse acontecendo ali.

Minha ansiedade já teria definido a situação, ou a falta dela. Eu resolveria isso da maneira mais simples do mundo, com apenas uma pergunta, já teria teclado, dito no skype, no áudio, desenhado nas nuvens: o que você realmente quer de mim?
Sim, porque ninguém é criança, todos sabemos que adultos não se aproximam do nada nem fingem ser amigos.

Mas resolvi observar, ver se as coisas podem se definir por si. 

Uma amiga me lembrou que desse jeito, apenas observando, entrei no jogo dele, até agora parece que é ele que determina se avançamos uma casa ou retrocedemos umas três. É ele que vai desenhando o o jogo, bem confuso, de aparecer e desaparecer.

Além da minha ansiedade que resolveu assistir a tudo de camarote também pesa outro elemento, e meus dez anos de internet ou mais e sei que aqui não se resolve nada. Por mais que as pessoas amem a tecnologia e a tenham absorvido no seu DNA, existem coisas que não vão mudar, a grande maioria das conversas importantes não acontecem via skype nem áudio.

Minha amiga insiste que eu deveria acabar com essa história logo e dizer a ele o que penso, que eu ainda fico mexida, que ainda sinto alguma coisa forte por ele e não estou encarando tudo isso de maneira tão leve como deveria.

A ansiedade me ensinou uma coisa, a contar as balas que estão no meu revólver, a checar minha munição antes de sair disparando à toa. Não gasto mais minha pólvora sem analisar bem a situação e aqui me parece claro, tenho uma chance de acertar, uma bala, nada mais do que isso, por que a gastaria em um tiro de longa distância? Por quê perderia a oportunidade de acertar?

Não vai acontecer nenhuma conversa séria, nem nada será dito da minha parte em um computador. Apesar de tudo o que me digam, o que eu tiver que dizer a ele vou dizer ao vivo, um dia, não sei quando. A resposta que for vai aparecer no olhar dele antes de chegar a boca. Aqui fica fácil, vira um jogo de covardes, frases ensaiadas e risadas calculadas.

A minha mãe quer saber como eu vou segurar minha ansiedade, já que não tenho datas nem previsão de visitá-lo, mas eu digo que desta vez o amor que segure, não eu. Já aconteceram tantas coisas entre os dois, tantas vezes nos perdemos um do outro, que não será dessa vez que minha ansiedade vai derrubar qualquer sentimento.

Um amigo me lembra que nada é eterno, a vida é agora e não temos o amanhã, é melhor ser claro e dizer de uma vez que esse retorno a ''amizade'' é falso da minha parte, que eu ainda gosto dele.

É? E me arriscar a escutar que ele tem alguém em sua vida e estamos separados por dezoito mil quilômetros?

E esse nem é o ponto, o que eu quero é simples, não quero ler nada aqui, nem escutar sua voz, quero apenas ter seus olhos me olhando, ali eu vou ter a resposta que tiver que ter, seja boa, ou ruim, mas não vai ser aqui que isso vai acontecer.

A presença da pessoa define tudo que sentimos por ela, não adianta mandar corações e sorrisos.

O que vejo aqui dele não resolve, nem cimenta nada. É uma voz, uma imagem, mas não é ele na minha frente, não sei se meus joelhos vão dobrar ao vê-lo ou se meu estômago vai revirar.

E também qual seria minha vantagem de abrir o jogo aqui com ele? Se ele me falasse que não tem nenhum interesse, é apenas amizade, bom, então tudo termina ali, mas se ele falasse que sente alguma coisa, então o que aconteceria? Qualquer coisa dita não me levaria a beijá-lo, nem o jogaria na minha cama, não me faria suspirar nem sorrir ao encontrar seus olhos. 

Há um espaço de tempo entre nós, um planeta vagando sem rumo e uma noite fria, na qual sem nenhuma explicação nos afastamos. E depois de tantas curvas não vai ser agora que minha ansiedade vai atrapalhar as coisas e queimar minha munição. 

O tempo vai resolver, talvez conversando de vez em quando pelo skype a gente consiga dissolver o que tanto escondemos, talvez as mentiras virem verdades e o tudo possa desparecer no ar sem machucar ninguém.

Não o conheci no skype, nem no Facebook e não vai ser  por essas vias que vou dizer a ele o que sinto. E também é importante para mim vê-lo para saber se ainda sinto alguma coisa ou é apenas a força da memória, o pensamento amoroso que meu cérebro guardou.

Queria poder abraçá-lo, sentir o cheiro do perfume, a pele, escutar a risada daquele maluco. Ah, é maluco sim, só um maluco resolve aparecer agora na minha vida, só um doido é capaz de mexer com tantas emoções, só um louco é capaz de me fazer esquecer a realidade.

Mas até agora está escrito na pedra, eu o conheci pessoalmente, vi seus olhos, largo sorriso e qualquer coisa que tenha que ser resolvida vai voltar ao início, cara a cara, frente a frente, então sim, eu posso dizer o que sinto e escutar o que ele tem a dizer. Até lá parece um jogo cruel, e é, falar com uma pessoa que altera teu dia, mexe com tua noite é difícil e exige controlar a ansiedade o tempo inteiro.

Continuar colocando as fichas na mesa nem sempre é a melhor ideia, subir a aposta não fecha a situação, mas é o que tem para hoje, levar tudo da melhor maneira possível até que se resolva ou não.

Não amo ninguém pela tecnologia, nem pela falta dela. Foi a presença dele que me encantou e se eu tiver que sair desencantada desta história, eu saio, mas na frente dele.



Iara De Dupont

Um comentário:

C.Belo disse...

Eu ainda aposto nas "diretas já!".

Mas entendi seu ponto de vista, de fato, pessoalmente, tudo é mais verdadeiro. Até pq, se vc disser o q sente e por mais sincera q VC seja, nada garante q ele tb vai ser sincero. Claro q pessoalmente as pessoas mentem tb, mas VC tem mais elementos em jogo para serem avaliados.

Só q não se esqueça do quanto VC pode estar se envolvendo, se dedicando a este sentimento, gastando energia pensando nele... Um papo reto PODERIA ser a solução.

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