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17 dezembro 2015

Post tarja vermelha: não leiam, é um post de terror


Sempre digo que o caminho mais curto para acabar com o machismo é a mulher. Não se pode negar a enorme influência que uma mulher exerce dentro de sua casa com sua família.

Vejo isso pela figura de minha avó, se tivesse nos educado com princípios feministas teríamos sofrido menos e ela também. Porque vejo como suas crenças são fortes em tantas de nós da família, como ela teve tanto poder em nos plantar ideias e nos fez acreditar em tantas coisas que continuamos espalhando sem saber se são reais ou não.

Algumas pessoas me criticam dizendo que eu escrevo sobre minha família de maneira negativa, que uso as histórias das minhas primas para reforçar meus pontos de vista. Não nego que escrevo sobre minha família, mas não critico, pelo contrário, escrever sobre as mulheres da minha família me ensinou muito sobre perdão, parece que ao falar dos horrores que elas viveram comecei a entender os horrores que praticaram nos outros. Percebi com o tempo que todas nós éramos prisioneiras do patriarcado e nosso relacionamento tinha a tensão que existe entre pessoas confinadas e condenadas.

E aparece um movimento do outro lado, é discreto, mas está ali, depois de uns anos algumas primas apareceram no meu Facebook, dão algumas curtidas, comentam alguma coisa. É um gesto sóbrio, elas não falam diretamente comigo, só às vezes deixam recados, mas é raro. Entendo que existe uma distância física no momento e um pouco emocional. Penso um dia retomar o contato e resolver pendências, mas por enquanto vou levando assim.

Uma delas tem uma filha de cinco anos, que eu não conheço ainda e me mandou um recado dizendo ''eu queria evitar passar medos para minha filha, mas não aguentei e acabei contando a história do cobertor, você lembra?''.

Ah, sim, lembro e ainda faço o que minha abuelita me ensinou, cobertor no chão só é recolhido de manhã, jamais à noite. E se tiver filhos vou ensinar a mesma coisa a eles, só por precaução.

Minha abuelita morava no campo e contava que era muito comum passarem pessoas por ali pedindo trabalho, era apenas uma noite, eles pediam para cuidar dos animais e aceitavam comida em troca. Mas como eram os tempos da revolução mexicana tinham muitos foragidos, delinquentes roubando as casas, então as pessoas não deixavam desconhecidos entrarem. Quando alguém pedia um trabalho durante o dia e resolvia passar a noite ali, a dona da casa emprestava um cobertor, a pessoa ia para o campo, pegava um alho e fazia um círculo ao seu redor, porque o alho afasta as cobras e animais perigosos, e depois a pessoa se enrolava no cobertor e dormia.

E de repente as pessoas acordavam sem seu cobertor e ele aparecia pendurado em alguma árvore. Coisas estranhas começaram a acontecer e as donas das casas não aceitavam mais de volta os cobertores que emprestavam, porque o povo começou a dizer que estavam ''embrujados'' (amaldiçoados).

Ninguém sabia o que estava acontecendo, até que apareceu Seu Pepe por aqueles lados e pediu um cobertor emprestado para passar a noite. Deram a ele o cobertor e no dia seguinte ele apareceu dormindo na porta da igreja da cidade que estava há mais de dois quilômetros de onde ele deveria estar dormindo.

Seu Pepe contou a todos que estava embrulhado no cobertor, dormindo, quando sentiu que alguém puxou o cobertor. Ele puxou de volta e tentou dormir, mas isso se repetiu quatro vezes, até que ele se levantou e xingou e ao dizer palavras ruins apareceu o demônio na frente dele, segurando o cobertor e dizendo ''vem pegar''. Mas Seu Pepe era marrento e começou a discutir com o diabo, que ficava só rindo. Depois de uns minutos o demônio se cansou da brincadeira e começou a se aproximar de Seu Pepe, que percebendo o perigo começou a rezar em voz alta e saiu correndo. Pediu ajuda a São Miguel e correu sem olhar para trás, até que conseguiu chegar na igreja da cidade, onde ficou protegido e acabou dormindo ali. 
No dia seguinte ao acordar quis voltar para o lugar e procurar seu cobertor para devolvê-lo, acabou achando ele queimado no chão.

A história se espalhou e as pessoas começaram a preferir passar frio na hora de dormir do que usar um cobertor.

Minha abuelita me contou essa história e eu contei a ela que minha outra avó dizia para nunca dormir com os pés para fora do cobertor, porque senão algum espírito poderia puxar e nos acordar. Minha avó dizia que sua mãe depois de falecida ficava encostando nos pés dela de noite e era tão forte a sensação que quando minha avó estava internada, nos últimos dias, quase inconsciente, me pediu para cobrir seus pés, com medo de que alguma alma os puxasse.

O outro dia eu estava na casa da minha mãe e vi seu cobertor no chão,  ia pegar quando ela acordou e me disse ''não faz isso'', então eu lembrei do que minha abuelita contava sobre o cobertor.

É uma visão estranha, mas de repente tudo se encaixa, eu lembro que na noite de Natal, Ano Novo, éramos muitas crianças ali, mais de dez e a maioria acabava dormindo no sofá, as minhas tias colocavam cobertores, mas se um caísse ninguém poderia pegar e colocar de volta.

Perguntei à minha prima se ela lembrava da explicação da minha abuelita, eu não lembrava de tudo e ela me disse que chegou a perguntar na época que sua filha já tinha nascido e minha abuelita disse a ela:

-Nem todas as vezes o demônio se aproxima de maneira agressiva, ele gosta de medir as pessoas, brincar com elas e as tirar do sério. Se você está dormindo existem cem mil anjos ao teu redor para te proteger de ataques espirituais, então nada pode encostar em você fisicamente, a gente não vê, mas a barreira entre nosso mundo e o outro é feita de prata, nada pode atravessar ali sem a vontade de Deus, caso contrário seria uma confusão. O demônio sabe que não pode se aproximar de você, apenas em uma ocasião, quando você permite. Então o que ele faz? Ele tem que tentar, porque tem que levar as almas para o inferno, vai dar a volta e se aproximar de objetos que estão ao teu redor, isso chama a tua atenção e na hora que você se assusta desce a vibração, porque quem confia em Deus não duvida, nem se assusta, mas se a pessoa começa a ficar na dúvida ele se aproxima. E vai lá e puxa teu cobertor, joga no chão, faz isso para te provocar, para que você fique com raiva, se você reagir ele vai aparecer e começar a se divertir, quanto mais você o ofender, mais ele vai te tirar do sério, você começa a dizer palavras feias e os anjos se assustam e se afastam, eles têm ordens de não ficarem perto de você quando tua vibração está descendo.
Uma vez eu estava dormindo com tua tia, que era bebê, e senti quando ele se aproximou e puxou o cobertor dela. Eu a cobri com meu corpo e comecei a rezar, mas ele não ia embora, então eu disse ''sai daqui seu filho da puta, meu bebê você não leva'', então ele se aproximou mais e jogou a boneca dela no chão. Foi quando  lembrei de minha mãe e de Seu Pepe, que dizia para chamar São Miguel e começar a rezar, eu comecei a gritar pelo São Miguel, de repente a porta bateu e ele foi embora. Mas aprendi a lição, a gente não pode falar com ele, tem que ignorar, deixar os anjos nos ajudarem, porque eles fecham o caminho. Minha mãe também dizia que ele puxava o cobertor das pessoas para calcular o apego que elas têm a matéria, se a pessoa reclamasse e fosse atrás do cobertor ficaria mais fácil, porque indicaria que era uma alma fácil de negociar, era só oferecer ouro e levar a alma da pessoa.
Não importa o que aconteça de noite, se a boneca caiu no chão, o cobertor foi parar do outro lado, não importa, não olhe, não pergunte, não pegue, ignore qualquer movimento, por mais estranho que pareça. Espere até amanhecer e pegue as coisas de volta, mas não demonstre nenhum apego. E fique atenta ao cachorro ou gato da casa, se ele dorme na cama, debaixo do cobertor tudo bem, mas se ele começa a fazer questão de dormir em cima do cobertor é porque ele já percebeu que o diabo está dando voltas e não deixa ele se aproximar.

Esse é o motivo pelo qual se pode entrar na casa de qualquer pessoa da minha família e ver de repente todos dormindo com o cobertor no chão e ninguém tem coragem de pegar. Minha abuelita gritava se via alguém pegando o cobertor de noite, logo dizia ''larga isso, finge que não percebeu, vai querer discutir com o lá de baixo?''.

Foi tão repetida essa história que eu não pego o cobertor por nada, passei muito frio na vida, mas se meu cobertor cai no chão fica ali até o sol nascer. Meu irmão ficou tão traumatizado com essa história que se o cobertor dele cai no chão, e alguém se aproxima e coloca de volta, ele acorda em um segundo gritando ''vai embora daqui seu capeta''.

Meu pai era ateu e virginiano, virava o nariz para as histórias que minha abuelita contava, mas uma vez disse que estava em um hotel dormindo quando escutou a bíblia que estava na mesa ao lado da cama cair no chão, e ele na hora lembrou da minha abuelita e ficou com medo de pegar. Disse que não conseguiu mais dormir, só de pensar que se o capiroto tinha derrubado a bíblia a coisa era séria. Ele contava isso rindo e minha abuelita ficava irritada, fechava a cara.

Minhas tias turbinaram a história quando a nova geração começou a tirar sarro e dizer que tudo era besteira, lenda de campo, então elas diziam que se a gente entrasse no quarto de alguém, visse o cobertor no chão e fosse colocar de volta na pessoa, o capiroto vinha atrás da gente. Mas essa parte é invenção delas.

Perguntei pra minha mãe o que ela pensava disso tudo e ela me respondeu:

-Não sei, mas pela dúvida eu prefiro não pegar o cobertor no chão. Eu lembrava disso todos os dias, porque crianças derrubam o cobertor durante a noite, eu passava no quarto e tinha que colocar outro, pegava no armário, mas o que estava no chão eu deixava lá. Desde que tive filhos eu pensava o seguinte, só levanto do chão se for a criança, o resto pode cair no meio da madrugada, mas eu não tiro nada do chão, nem copo de água derrubado. Uma vez deixei uma taça com vinho e no meio da madrugada, quando eu estava dormindo, ela virou. Deixei o vinho manchar tudo, paciência, mas não ia me levantar para discutir com o demônio!

Eu não sei se é bobagem da minha abuelita, mas cansei de ver filmes de terror onde a pessoa está dormindo e o cobertor é puxado, sai voando e sempre me perguntei qual o motivo desse gesto.

Acho que esses roteiristas deveriam pagar direitos autorais a minha abuelita, porque ela já contava essas histórias cem anos antes deles nascerem.

Prima, eu não sei de passar medos para filhos, mas se um dia eu tiver, vou contar a história do cobertor, não quero eles pegando nada do chão à noite. Pode parecer superstição, ignorância, mas para mim essas histórias só reforçam a inteligência da minha abuelita, ela sabia em que mundo vivemos e que o capiroto está sempre dando voltas. Todos temos que nos proteger, porque ele não dá sossego. É só ver o que acontece no mundo para perceber que sua presença é mais real do que pensamos e não está apenas em um cobertor que cai no chão. E nossa única defesa é Deus. No meu caso é Deus e minha abuelita, cada dia mais presente na minha vida.


Iara De Dupont



2 comentários:

C.Belo disse...

Cacetada!!! Mais uma história fascinante! Mais um roteiro para um bom filme!

Anônimo disse...

Kkkk, Iara já to imaginando que daqui uns dias vai encher de e-mail na sua caixa de mensagens, de seus leitores e leitoras reclamando que não conseguem catar mais nada que cai no chão de noite.

SY

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