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03 dezembro 2015

Minha abuelita e a cadeira de balanço


Achei um jeito simples de me desenrolar de vez em quando, venho aqui e escrevo. Nem sempre consigo dizer o que quero e acabo escrevendo, não é um muito inteligente fazer isso, porque não tenho controle sobre quem entra aqui e às vezes a pessoa a quem eu queria dizer uma coisa, passa aqui e acaba lendo. E nem sempre são compreensivas a respeito.

Hoje passei por uma situação assim, quis dizer o que pensava e não consegui, fiquei me enrolando sem conseguir me expressar.

Tenho uma amiga que acabou de se mudar e recuperou uma cadeira de balanço da sogra, que já morreu.

Nunca tive uma cadeira de balanço, ninguém na minha família teve por um trauma da minha avó, que dizia que cadeiras de balanço são adoradas por crianças e velhinhos, mas depois que eles morrem continuam na cadeira, ficam ali brincando à noite, por isso não é bom ter uma em casa.

Todo mundo na minha família tem medo de cadeiras de balanço, porque minha avó era muito enfática, dizia que os espíritos adoram brincar nelas.

Dei razão a minha avó quando eu tinha oito anos. Na época saiu uma boneca que vinha com uma cadeira de balanço de plástico branco, a boneca chorava e você a colocava na cadeira, mexia e a boneca parava de chorar, só tinha um problema, custava uma fortuna.

Fiquei tão maluca com a boneca que minha avó juntou dinheiro com minhas tias e a comprou, chegou com ela na sua casa e ficou feliz quando me viu enlouquecida com a boneca, mas ao tirar da caixa minha avó reparou que a boneca vinha com sua cadeira de balanço e fechou a cara.

Eu ganhei o presente com a desculpa de que a data era próxima ao meu aniversário, mas na casa da minha avó circulavam minhas dez primas e ninguém achou graça em não ganhar uma boneca igual. Minha mãe me pediu para emprestar a boneca a minhas primas, eu chorei, implorei, disse que faria qualquer coisa, menos isso. Mas uma das minhas primas menores se apaixonou pela boneca e não teve jeito, ela era muito pequena, abraçou a boneca e ninguém conseguiu tirar dela. Foi tanto o drama, eu chorava de um lado, me jogava no chão e do outro minha prima não largava a boneca, que minha avó prometeu que no dia seguinte iria a loja me comprar outra boneca igual e se eu fosse boazinha compraria também duas roupinhas extras para a boneca. Achei um bom negócio e sosseguei. Mas o dia seguinte era feriado e a loja não iria abrir, então esperei mais um dia. 
A boneca já tinha quase dois dias chorando,minha prima ligou ela, a boneca chorava e minha prima colocava na cadeira de balanço e ela parava de chorar, ela fez isso não sei quantas vezes, até que a boneca deixou de chorar. Mas não era época de brinquedos chineses, a boneca teria que ter resistido mais tempo e meus tios começaram a mexer na boneca, tentando saber o que tinha acontecido. 
O drama começou de novo, minha prima chorava pela boneca que não chorava mais e eu chorava pela boneca quebrada, e todo mundo enlouquecendo com a boneca e com as crianças berrando.

Meu tio mexeu na boneca, ele sabia consertar, mas não conseguiu e acabou dando uma ideia, era melhor colocar a boneca na caixa e levar para trocar na loja. Eu não tinha irmãs nem dividia brinquedos, estava acostumada a guardar tudo em caixas, era organizada e levava meses para jogar fora a caixa de um brinquedo, por isso minha mãe sempre me disse que eu agia como anã, queria abrir os presentes sem rasgar o embrulho, assim a caixa da boneca estava inteira.

Minhas tias se enrolaram porque era época de Natal, não foram comprar outra boneca para mim, nem trocaram a quebrada, ela ficou dentro da caixa, em um canto no corredor do apartamento da minha avó, era uma corredor imenso e assustador, ficou ali e minha avó me jurou que depois que as festas acabassem ela trocaria a boneca e compraria outra para mim.

Ela estava no corredor quando durante o Natal começamos a escutar a boneca chorando. Não me contaram, nem me disseram, eu estava na sala brincando quando alguém disse que a boneca estava chorando e todos saímos correndo para ver o que estava acontecendo, quando chegamos ao corredor vimos ela no meio dele, balançado na cadeira. Meu tio disse que deveria mesmo estar quebrada, porque a graça dela era que ao ser colocada na cadeira parava de chorar. Tinha pelo menos umas vinte pessoas naquele apartamento na noite de Natal e umas dez crianças, assim concluíram que alguém tinha feito a brincadeira estúpida de tirar a boneca da caixa e colocar no meio do corredor.

Minha mãe se irritou e foi lá e pegou a boneca, que não parava de chorar, então meu tio disse ''tira as pilhas''. Minha mãe virou a boneca, abriu a caixa onde ficavam as pilhas e cadê? Não tinha pilha nenhuma, minha avó tirou elas antes de colocar a boneca de volta a caixa. Quando minha mãe percebeu se assustou e jogou a boneca no chão, que então parou de chorar.

Voltamos a sala e minutos depois a boneca começou a chorar, mas dessa vez ninguém teve coragem de ir ver o que estava acontecendo. Ficou todo mundo olhando para a cara um do outro, meu tio sabe-tudo tentava explicar que o mecanismo da boneca estava quebrado e por isso chorava sem eira nem beira, mas era um mecanismo que funcionava graças as pilhas, que ela não tinha.

De repente a boneca parou de chorar e um dos meus primos metido a valente foi ver e viu que ela estava de novo fora da caixa, na cadeira balançando. Minha avó não tinha medo de nada, foi lá e a colocou na caixa novamente. E dez minutos depois a boneca começou a chorar, ela chorava durante uns minutos e parava, ficou assim a noite inteira, enquanto todos os adultos estavam congelados na sala e as crianças ficavam rindo, sem entender o que estava acontecendo.

De madrugada ninguém aguentava mais o choro da boneca e minha avó teve uma ideia brilhante, foi lá, abriu a caixa, tirou a cadeira de balanço, saiu e jogou na rua, não sei onde, voltou brava dizendo:

-Já disse que não quero cadeira de balanço aqui! Nem de brinquedo! Os espíritos brincalhões adoram nos assustar. Quero ver essa boneca chorar de novo!

Não chorou mais, ficou ali na caixa durante dias, ninguém tinha coragem de pegar ela, nem minha prima que ficou dias sem largar a boneca, agora passava perto dela fazendo cara de medo.

Minha avó foi com minha mãe levar a boneca para benzer, com um Padre, depois trouxe ela e ninguém mais quis. Eu estava voltando para minha casa depois de um período de férias na casa da minha avó e fiquei arrasada, eu amava a boneca, sonhei demais com ela e nem tive tempo de pegar no colo, minha prima arrancou ela de mim e não curti. Minha mãe ficou com pena, mas tinha mais medo e não quis me comprar outra, nem levar para casa a boneca que o Padre benzeu. Não sei o destino dela, acho que minha avó jogou no lixo.

Até hoje meus tios tiram sarro dessa história, o Natal que a boneca da Iara estragou! 
Uns anos depois uma amiga de minha tia disse que boneca tinha sido objeto de disputa, que a energia da minha prima e a minha se cruzaram e causaram toda essa confusão, que era apenas isso.

Mas minha avó continuou dizendo que cadeiras de balanço atraem pessoas mortas, porque elas gostam de estar ali e que se vemos uma cadeira de balanço no lixo não é para pegar, porque se o dono estiver morto ele vai atrás e vai ficar balançando todas as noites, para irritar.

Faz pouco tempo que descobri que minha avó estava certa, eu li sobre os principais argumentos em filmes de terror, baseados em experiências reais e a cadeira de balanço aparecia no quinto lugar, como um dos primeiros objetos na casa que começava a manifestar alguma presença.

Depois lembrei da quantidade de gente que conheço que herda essas cadeiras dos avós, agora não é tão comum, mas antes elas eram feitas de madeira boa e duravam décadas e em muitos lugares os velhinhos colocavam elas na varanda e ficavam vendo a vida passar, é um objeto sempre amado, crianças também adoram.

Tenho uma amiga que herdou uma de sua bisavó, era linda, branca, com madeira trabalhada. Lembro da minha amiga me dizendo que o cachorro adorava a cadeira, porque balançava a noite inteira. Mas hoje me pergunto, que cachorro fica a noite inteira balançando uma cadeira? 

Minha avó era cheia dessas coisas, sempre dizia ''isso pode'', ''isso não'', é uma pena que sempre tenha sido vista como supersticiosa e ignorante, porque mal teve tempo de frequentar a escola, acho que apenas aprendeu a ler e escrever. Hoje quando lembro dela e separo as coisas que me dizia vejo como tinha razão, como era inteligente, rápida e esperta, aprendeu a sobreviver de uma maneira ágil. Estava certa em relação a cadeira de balanço, até por outra questão, essas cadeiras eram feitas de madeira e é um dos materiais que mais guarda energia, muita gente acha que a madeira neutraliza a energia, mas é o material que mais retém a energia da pessoa, parece que entra na mesma frequência e vibração, por isso objetos de madeira, muito amados pelos donos, devem ser passados adiante quando eles morrem.

Meu Deus e para quê este post tão longo sobre isso? Para te dizer, Bia, se livra dessa cadeira de balanço, por favor. Um dia eu aprendo a sintetizar a vida e falar, em vez de escrever.



Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu tenho um sofá de balanço que comprei novo para amamentação quando Manu nasceu, nunca tive nenhum problema. Acho que o único problema daqui pra frente será lembrar desta história quando eu passar por ela, que está no cantinho da sala kkkkkkkkkkk

C.belo

Patricia Gabriel disse...

verdade ou ironia esta historia?Nossa,medoo..

Iara De Dupont disse...

É verdade Patricia!

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