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08 dezembro 2015

É, Romeu, você tem razão, ainda não sou uma ''mulher''....


Há duas semanas reencontrei um Romeu. Na vida de qualquer pessoa normal isso pode não significar nada, na minha tudo se desmonta.

Talvez porque ele pertence a um passado que ainda sinto falta, talvez porque ele foi um dos ''homens'' mais doces que já conheci, apesar de ser um garoto.

Estou acostumada a cruzar com ex-Romeus, o mundo é pequeno e isso acontece, mas a maioria das vezes olho e quero morrer de vergonha, me pergunto em que espécie de mundo eu vivia para me interessar por um homem assim.

No começo do ano acabei encontrando um ex-Romeu em um restaurante, ele estava com um amigo, que hoje desconfio que era seu namorado. Ele me convidou para sentar na mesa, eu estava com duas amigas. E ele deu um show, divertido, espirituoso, ia de um assunto a outro, mas percebi as expressões das minhas amigas. Na volta para casa uma delas me disse:

-Sério que você nunca reparou que era gay?

Não.

-Não acredito.

Nem eu. Se pudesse varrer esses dias com ele, já teria feito, porque foi um namoro estranho, ruim, tenso, agora percebo que a condição sexual dele estava ali, sempre, mas ele não assumia e eu fingia não perceber.

Mas esse ex-Romeu que encontrei há duas semanas sempre me pareceu um sonho. Foi o primeiro homem doce que conheci, o único que tinha alguma coisa tão meigo, tão gentil que não representava perigo.

Na conversa que tivemos resolvemos esclarecer algumas coisas, tudo besteira, coisa de garotos e garotas com menos de vinte anos, mas a conversa nos divertiu, sobrou até para minha melhor amiga na época, que só agora ele me contou a víbora que era e tudo que aprontou pelas minhas costas. 

Em algum momento ele me contou sobre uma ''ficada'' com essa amiga, disse isso rindo, falando sobre o que ela tinha dito. Como não gostei de saber fui logo perguntando se ele continuava com esse comportamento, assim, de sair atirando para todos os lados. Ele se defendeu, falou que foi uma besteira e se desculpava por isso, mas que tinha sido a coisa mais sem sentido que já tinha feito. E me disse:

-Não sou mais moleque, Iara. Tenho quase quarenta anos, sei bem as consequências dos meus atos, sei de onde venho e para onde vou. Sou um homem, não sou um garoto. É a mesma coisa com você, não é uma garota, é uma mulher. Ou não?

Fiquei tão perdida com a pergunta que não consegui responder, levei tempo para responder e ele continuou:

-Qual o problema Iara? Você não é uma mulher? Ou pensa que ainda é uma garota?

Dei uma gaguejada e respondi:

-É lógico que sou uma mulher! 

Não senti firmeza na minha resposta e ele também não, porque deu risada e eu acabei rindo junto, de nervosa.

Mas isso ficou na minha cabeça, não sou dessas que se incomoda com alguma coisa e cinco minutos depois esquece. Eu cozinho tudo lentamente, durante dias, semanas, anos, décadas e vidas.

Alguma coisa nessas frases dias me abalou, me fez pensar, voltar a fita e tentar entender porque aquilo me pareceu tão estranho.

E cheguei a uma conclusão, eu tinha uma ideia de como seria quando fosse uma ''mulher'', havia uma ponte que eu teria que cruzar entre meus dezoito anos e meus trinta e cinco, como não concretizei isso me perdi no meio do caminho, ou não sei, de repente me achei e não fui avisada ainda.

Meu peso sempre foi uma bússola, errada, eu sei, mas foi. Nos meus dezoito anos eu tinha essa certeza, quando fosse uma ''mulher'' seria magra. Mas o tempo me venceu, cansei de tantas dietas, tanto esforço, de encarar a natureza tantas vezes e viver desafiando minha genética, acabei não emagrecendo. Talvez isso afetou toda a minha percepção de vida, sempre tive pessoas por perto me dizendo que meu maior desafio era emagrecer, enquanto eu não conseguisse isso, nada de bom aconteceria comigo.

E posterguei muitas coisas, achei que tinha muito tempo pela frente para me tornar uma ''mulher''. Eu achei que depois dos trinta e cinco anos eu entraria com mais alegria em sessões de filmes russos, polacos, franceses, chineses. Mas isso não aconteceu, ainda prefiro os filmes menos ''cabeça'' e logo pergunto que ''bonitão'' está no filme. A primeira pergunta é ''tem o Keanu Reeves?''.

Pensei que até os trinta e cinco eu aposentaria meus tênis, desenvolveria algum interesse em sapatos, saias e bolsas, porque eu estaria magra, então poderia entrar na roupa que eu quisesse. Eu usaria uma linha clássica e chique, mas sexy.

Mas isso não aconteceu. Meus tênis ainda dominam o armário e minhas mochilas estão lá, inclusive a nova. Enquanto as ''mulheres'', as que são como eu deveria ser, segundo meus sonhos, usam bolsas de grife eu vou ao céu com minha mochila do Star Wars.

Pensei que depois dos trinta eu iria a um dermatologista, mandaria fazer um creme e estaria sempre jovem, mulheres se cuidam. Mas não deu tempo, ou melhor, o tempo passou voando, não fui na dermatologista nem mandei fazer o creme.

Também me disseram que o cabelo envelhece, você tem que comprar shampoos especiais, com vitaminas. Eu ainda compro pelo cheiro.

Quando eu chegasse lá, na esfera ''mulher'', eu saberia para onde vou e minha vida profissional estaria resolvida, era só questão de continuar andando. Mas no atual momento não sei nem onde estou parada, quanto menos para onde vou.

Talvez ao ser mulher eu entenderia melhor minha família e isso poderia melhor a relação, mas quanto mais tempo passa, mais eu me sinto distante.

Quando eu fosse uma ''mulher'', eu usaria saltos elegantes, escolheria o perfume certo e seria bem sucedida. E o perfume seria quase definitivo, minha avó usou o mesmo a vida inteira, minha mãe também, mulheres fazem isso, escolhem um perfume fino e usam como marca para o resto de seus dias. Passei dos trinta e cinco anos e não consegui ainda me decidir por um perfume, gosto de todos e gosto tanto que sonho em usar uns quatro diferentes todos os dias.

E minha vida amorosa e sexual? Seria incrível quando eu fosse mulher, para começar eu me sentiria melhor com meu corpo e depois de tanta experiência eu já saberia lidar com tudo que envolve um Romeu, já teria dado adeus aos meus dramas juvenis, minha ansiedade extrema e meus complexos seriam passado.

Não foi bem o que aconteceu, ainda me atrapalho, me enrolo, sofro, choro e começo de novo, tudo isso sem entender nada do que está acontecendo. E descobri uma coisa que nunca me disseram, cada Romeu novo é como o primeiro, a gente não o conhece, por isso ainda puxo o lençol e desligo a luz.

E eu tinha uma certeza, além de que seria uma mulher magra e bem sucedida, eu sabia que aprenderia a seduzir um Romeu. Sempre fui meio tímida nisso, nunca soube paquerar, fico nervosa. Mas quando eu fosse uma mulher eu faria isso em um piscar de olhos, talvez entrasse em um restaurante como se estivesse em um comercial, cheia de atitude e colocaria os olhos no Romeu e ele não resistiria.

Não foi assim, ainda continuo preferindo ir ao dentista do que paquerar alguém.

Pensei que depois de estudar algum tempo eu seria uma mulher muito esclarecida, mas na verdade só fiquei mais confusa.

Tinha certeza que depois dos trinta e cinco anos eu iria pensar em viagens profundas, talvez o Egito ou Rússia, coisas de adultos. Mas ainda não são as viagens dos meus sonhos, quero mesmo é ir para a Espanha e passar as noites na farra.

Quando fosse mulher pensaria em alguma viagem espiritual, talvez Tibet, eu entraria naquela fase de perceber que tudo o que foi conquistado não é necessário, eu posso desapegar e curtir a vida. Mas esse tempo ainda não chegou, não tenho nenhuma vontade de rodar o mundo atrás do meu ''eu'', nem de desapegar, pelo contrário, o que eu mais quero é apegar a toda a matéria possível.

Meu paladar teria mudado, depois dos trinta e cinco anos eu saberia ler um menu e pedir em francês, escolher o vinho e teria um gosto refinado. Não cheguei nesse ponto, não bebo vinho e gosto mesmo é de batata frita.

Minhas ideias políticas seriam claras, mas até hoje eu ainda preciso de tempo para pensar.

E depois dos trinta e cinco anos meus Romeus e suas babaquices seriam passado, eu já estaria com um Romeu incrível, em um relacionamento à minha maneira, cada um na sua casa. Passou o tempo e hoje nem sei definir o que faz de um Romeu um ser ''incrível''.

Também pensei que seria mais elevada espiritualmente, não sentiria inveja de ninguém porque poderia olhar para minha vida e dizer ''pra mim tudo está ótimo'', mas não deu nisso, ainda sinto inveja de algumas mulheres.

Pensei que tinha que aproveitar bem os cremes com cheiros doces, porque depois dos trinta você tem que usar aqueles cremes com colágeno, que tem cheiro estranho. Mas não mudei isso, ainda uso cremes com cheiro de frutas, como se eu tivesse quinze anos.

Quanto mais eu faço minhas contas, mais percebo que não sou ainda a ''mulher'' que achei que deveria ser. Nem tudo deu certo, nem tudo deu errado. Na verdade nem sei onde deu, mas deu.

Mas quando eu estava com esse Romeu, estudávamos juntos, um dia todo mundo subiu ao teto da escola, ficamos ali conversando. Ele estava encostado em um balcão, me aproximei e ele disse: ''a gente podia ficar junto pra sempre né?''. Eu perguntei ''tipo amor eterno?'' e ele respondeu ''é''.

E Romeu, posso te dizer uma coisa, nunca, nunca, nunca, nunca, nos meu planos de adulta, do que eu seria quando fosse uma ''mulher'' eu esqueci desse dia, pelo contrário, ser uma mulher para mim era manter a promessa de te amar e estar com você.
E ao te ver, escutar tua voz, teu jeito, tua risada, eu tive uma certeza, talvez não cheguei onde queria, nem me transformei na ''mulher' que pensei, nem emagreci, mas não estraguei minha alma, nem contaminei meu espírito no caminho, tua voz me trouxe a mesma alegria que senti quando a escutei pela primeira vez, tua risada aqueceu meu coração do mesmo jeito, me mostrou que consegui preservar alguma coisa dos meus dezoito anos, salvei o amor que sentia por você, protegi os sonhos que tive com você. 
Talvez eu não seja poderosa, nem use saltos de agulha, nem mande no mundo, mas ainda te amo com a mesma pureza que um dia amei. E para mim isso significa muito em um mundo de valores distorcidos e amores lunáticos, te amar ainda me mantém flutuando.

Pode ser que eu chegue aos meus trinta e cinco anos, lá pelos cem anos, não sei, pode ser que isso aconteça na próxima vida. 

E sabe minha conclusão? Pra quê viver como uma mulher, se te amo como uma garota? 

Iara De Dupont

2 comentários:

Suzana Neves disse...

Eu não sou adulta,tinha sonho em fazer uma jardineira e fiz e quase mandei fazer um ursinho nela.

Anônimo disse...

Suzana <3

Eu estou PENANDO pelo meu retorno de saturno, mas mesmo assim ainda pinto o cabelo com cores fantasias. :)

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