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27 dezembro 2015

É melhor queijo ralado ou fatiado?


Tenho uma amiga que está passando por uma situação parecida a minha, em relação a um Romeu. No meu caso ele está longe e nunca disse nada sobre o que sente, quem sente sou eu, que fui lá, disse que o amava e ele não respondeu. O caso dela é um ex-Romeu também, mas eles namoram e terminam, depois voltam, brigam e reatam de novo.

Fico vendo o sofrimento da minha amiga, sempre fazendo listas sobre as possibilidades que deveria ter tentado ou as coisas que deveria ter dito. Ela fica agoniada, se perguntando se agiu de maneira certa ou errada e se tivesse dito isso e não aquilo, então as coisas estariam melhor? E se ela amasse de outro jeito, qualquer um, menos o seu? Daria certo?

Eu entendo ela porque já passei por isso e conheço poucos infernos piores, quando a gente não conhece ou não aceita sua maneira de gostar.

Minha maneira de gostar de alguém é particular, mas sofri muito por isso, cada vez que agia minha cabeça era invadida por milhões de opções e eu sempre pensava que tinha agido justo com a errada.

Não entendia com as coisas funcionavam para mim e me enrolava sozinha, acabava me sentindo péssima e deprimida.

Hoje tudo isso me parece pertencer a outra vida, não sofro mais com meu jeito de querer, nem com a maneira que o demonstro, não carrego mais arrependimento nem volto a fita. 

Sempre escutei que deveria mudar, porque assustava os homens, mas a única assustada era eu.

Não sou de dizer ''eu te amo'', nem de grandes loucuras, e talvez pela minha herança italiana não entendo amor sem comida, sem cozinha, sem refeição. Sempre fui aquela namorada que pergunta se Romeu já comeu, sou de preparar pratos, não de dizer que amo.

E a maioria das vezes escutei que eu bancava a ''mãe'' dos Romeus, que os tratava como crianças e queria encher todo mundo de comida, mas é minha maneira de gostar.

Não sei dizer as pessoas o quanto elas são importantes para mim, mas aconselho a levar um casaco em dias de frio, é meu jeito de dizer ''eu me preocupo com você''.

E escutava dos Romeus que eu não era mãe deles e já sabiam de precisavam ou não de um casaco. Ouvia isso e ficava chateada, muitas vezes chorei, eu não queria ser mãe de Romeu, mas não fui criada para ser expressiva e dizer a ele que me importava, então eu recorria a detalhes da vida cotidiana. Não cresci em um ambiente com pessoas dizendo que se amavam, não lembro disso, nem minha avó me disse algo assim.

Também nunca tive a autoestima fortalecida o suficiente para fazer o que as garotas do filme fazem, aparecem em lindas lingeries e dançam para seus Romeus. Nunca consegui fazer uma coisa dessas, meus complexos nunca permitiriam um gesto desses e muito menos a iluminação que se precisa. Já que não me sinto à vontade para dançar de calcinha vermelha pela casa inteira, aprendi a fazer o melhor mousse de chocolate do mundo. É o que posso fazer no momento, não sei se amanhã vou mudar e começar a fazer strip tease.

E com o tempo comecei a reparar em alguns detalhes, quando fico nervosa minha voz gela, mudo o tom. Se eu ligasse para um Romeu e falasse o que tinha vontade, mantinha o mesmo tom, mas se quisesse bancar a ''não tô nem aí pra você'', meu tom ficava frio, gelado, sem expressão, ele não entendia nada. E me torturei durante anos com isso, ligar ou não ligar? Dizer que gosto ou esperar que ele diga? E depois de fazer alguma coisa, como ligar, vinha aquela parte ''por quê eu fiz isso?'', ''por quê ninguém me impediu?''. Tudo era tortura, tudo era sofrimento.

Uma vez fui a um jantar com um Romeu, ele escolheu um restaurante chato, com uma comida insossa e eu fiquei lá, fingindo que estava adorando. 
Não deu certo com ele e meses depois encontrei um amigo em comum e me comentou que Romeu tinha me achado ''falsa''. Era verdade, fui falsa a noite inteira, estava odiando tudo aquilo, mas não queria agir da maneira que estava acostumada, queria ser diferente.

Pouco tempo depois conheci um dos Romeus mais importantes da minha vida, amado até hoje. O conheci em uma festa, de repente acabou a luz e todos saíram para a rua, estávamos ali quando eu vi um carrinho de churros do outro lado da avenida e o convidei para ir até lá. Ele lembra disso até hoje, acabamos a noite sentados na calçada comendo churros, era meu jeito de dizer ''você me interessa''.

Não sei fazer olhares fatais, nem caminhar como uma gata sedutora, também nunca consegui tirar os palavrões do meu vocabulário, dizem que os homens odeiam isso e jamais tive a capacidade de seguir os assuntos que as revistas recomendam, eu sempre acabo indo de um assunto a outro.

E tudo isso era material para ser torturada, sempre me diziam ''você falou o quê Iara?'', ''você fez o quê?'',  você, você, você? Você sempre faz merda e não sabe porque os homens fogem!''.

Um dia Romeu apresentou sua tese de mestrado e eu tinha feito o almoço, saindo da faculdade perguntei a ele se era melhor colocar queijo ralado na receita que eu tinha feito ou jogar queijo fatiado na hora de esquentar e ele respondeu:

-Você realmente tem problemas com a comida, não consegue deixar de pensar nela um segundo. Passei três anos da minha vida me preparando para hoje, você sabe de tudo o que eu passei e não pode me dizer parabéns? Me vem com essa merda de Palmirinha, perguntar se quero queijo ralado na receita? De boa, Iara, vai à merda.

Então eu fui. Não fui no almoço em sua casa, já tinha deixado tudo preparado. Muitos anos depois me contaram que ele se arrependeu e tentou ir atrás de mim, mas não me achou. Depois do que ele disse corri para a casa de uma amiga e fiquei por lá, me roendo por dentro e passando mal. Eu ia dizer parabéns, pensava pular no pescoço dele e beijá-lo, mas não soube dizer isso e conhecendo meu jeito procurei outra saída para demonstra-lo. A família dele não iria estar na apresentação por questão de logística e ele não tinha dinheiro para grandes comemorações, então fui a sua casa e preparei durante à noite o almoço do dia seguinte. Paguei os ingredientes e cozinhei na maior alegria para seus dez amigos. Deixei pronto um almoço digno de um rei, mas nada disso importou, porque no fim da apresentação não pulei no pescoço dele.

E o que me disseram? Todos repetiram a mesma coisa ''mas Iara, o Romeu tinha razão, o rapaz se lasca para apresentar o trabalho e você pergunta pelo queijo? Foi mal!''.

Não foi mal, foi minha maneira de dizer ''eu te amo e estou orgulhosa'', mas vou fazer o quê, se o mundo diz que não é assim? Nos filmes e nos livros as mulheres pulam nos homens e dizem ''estou tão orgulhosa de você amor!''.

Também quis ser assim, mas não é parte da minha natureza, alguns dizem ''eu te amo'', eu cozinho.

E quando eu quebrava essa parede e dizia ''eu te amo'', as pessoas me diziam ''menos, Iara, menos, vai com calma, assim vai assustar o rapaz''.

Com o tempo percebi que sou melhor na cozinha do que nas declarações românticas, mas também sou capaz de cruzar a linha e dizer ''eu te amo''

Depois que a gente se conhece para se julgar e condenar o tempo inteiro e de escutar os outros e começa a ver tudo como um processo de eliminação. Se Romeu não viu meu amor no almoço que preparei, então não iria ver meu amor em nada. Eu não posso amar do jeito que ele quer, eu amo do meu jeito e meu jeito é esse, se cozinho para meu amor quero tudo perfeito e fico pensando se o queijo ralado é melhor do que o queijo fatiado.

E com o último Romeu, esse que bebi e liguei a uma semana dizendo que amava, bom, é meu jeito. Não bebo, nem me arrependo, mas minha mãe me fez uma pergunta que levou a questionar a situação, ela me disse:

-Se você não tivesse bebido e de repente está ali, e tem vontade de ligar e dizer que ama, ainda assim ligaria?

Eu pensaria duas vezes.

-Mas diria que ama?

Sim, diria que amo e que amo e que amo e que amo mais ainda, o texto não teria mudado. E fico feliz de saber que ele sabe e sem meia volta, nem artifícios, fui direto na veia, como eu gosto.

Então pronto, sou eu. Se ele estivesse perto teria levado uma bandeja de brigadeiros, na verdade teria que ter pensado em outra coisa, porque ele não come chocolate, mas eu daria um jeito de cozinhar alguma coisa que ele gostasse.

Quando meu coração está cheio de alguém eu quero encher a barriga dessa pessoa, paciência, meu amor é assim, vai direto para o estômago.

Cada um tem um jeito de amar e não pode se torturar por isso, se os outros não conseguem ler o gesto de amor, então eles que circulem, porque a vida passa e não deveríamos ter tempo para quem não vê nosso amor onde ele foi colocado.

Sofro de ver minha amiga agoniada, condenando sua maneira de amar apenas porque ela parece não se ajustar ao seu Romeu.

Não me massacro mais por isso, nem me arrependo do que fiz ou disse. Cansei de ser o lado da história que sempre tem que se explicar, justificar e tentar agradar, se adaptar ao outro como se eu não existisse, daqui para frente é assim, se entende meu jeito de amar e demonstrar meu amor, pode ficar, não entendeu pode ir embora.

Ainda tenho um sonho secreto com um Romeu, gostaria que quando eu falasse:
-Acho que vai chover, melhor levar um casaco por debaixo da blusa.

Ele escutasse ''eu me preocupo com você''.

-Você precisa comer carboidratos.

E ele ouvisse ''eu me importo com tua felicidade''.

-Não sei se coloco manjericão ou deixo como está.

E chegasse aos ouvidos dele ''cozinhei só pra te ver feliz''.

-Eu ainda estou na dúvida entre colocar queijo ralado ou queijo fatiado na hora de esquentar.

E ele entendesse de maneira clara, total e absoluta ''eu te amo''.


Iara De Dupont

2 comentários:

Patricia Gabriel disse...

Não sofra por gente egoista.pronto,falei...se te fez mal,é que nem roupa,se passou aperto,ou ficou larga demais,não serve...deixa eles serem eles,e voce seja voce,sempre...!

C.Belo disse...

Tô lembrando de um post q VC fala dos "nenéns da mamãe". AFF, ninguém merece essa babação que omis exigem, querem palmas para tudo!

Eu acredito q a gente sempre pode melhorar como pessoa, a gente pode incorporar novos hábitos, principalmente se isso for pra deixar feliz quem a gente ama. Mas tem coisas que já deixam isso bem claro para além de simples palavras e doar seu tempo cozinhando para a pessoa e se preocupando em agradá-la é uma delas. Se pra ele não é suficiente, que vaze.

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