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18 dezembro 2015

Coração quebrado (acontece)


Há uns anos uma amiga me levou com um xamã, éramos muito garotas e fomos para saber sobre nossa vida amorosa.

Minha amiga tinha um péssimo namorado, na época já era ex-namorado e ela queria saber como resolver a situação. Eu não estava com ninguém, mas já começava a me cansar a maneira como as coisas aconteciam na minha vida.

O xamã se aproximou e disse algo a minha amiga, ela me contou, não lembro o que, mas sei que na hora me pareceu verdade. Então ele se aproximou de mim e disse:

-Você tem o coração de ponta cabeça, precisa virar, porque nós temos que estar com a pessoa que acalma nossos demônios, você vai com a pessoa que os acorda. Por isso o amor tem sido tão difícil, porque de repente você está tranquila, se apaixona e eles acordam todos os demônios e tua vida desestabiliza, essa é razão do teu sofrimento.

Perguntei a ele como eu deveria saber a diferença entre quem acorda ou acalma meus demônios. E ele respondeu:

-Com tempo você vai perceber, eu não posso te dizer, mas se afaste quando estiver agitada e perceba, se pergunte, o demônio acalmou ou foi acordado?

Naquele dia eu não estava de bom humor e acabei descontando na minha amiga, disse que estava cansada de metáforas e sinais de fumaça, eu queria respostas, queria saber exatamente o que fazia um demônio meu acordar e condenar meu amor. 

Isso aconteceu há uns vinte anos e hoje me impressiono de ver como tudo ficou claro, me custaram décadas de sofrimento, mas consegui perceber o que acordava meus demônios.

E nas últimas semanas isso vem dando voltas na minha cabeça, porque um ex-Romeu apareceu na minha vida e sumiu. Ontem cheguei no meu limite físico dessa história, não tenho mais como seguir o jogo do rapaz, minha resistência durou pouco, apesar das minhas juras de aguentar até o fim, mas percebi que ele estava acordando meus demônios e não os acalmando.

Depois de um tempo a tua energia começa a dar sinais de cansaço quando é usada de maneira equivocada e percebi que isso estava acontecendo comigo.

Não sei quando descobri os demônios que acordam, mas foi um padrão que repeti durante anos. Eu pensava que eram os homens mulherengos que me despertavam sempre o pior de mim, mas um dia me explicaram que não eram exatamente os homens mulherengos, mas os homens que se alimentavam da energia feminina de maneira constante.

Achei que era um problema do meio que vivia, eu não conhecia pessoas fora do teatro, meus amigos eram atores e levavam atores para minha casa, quando não eram atores, eram pintores, músicos, poetas, escultores, homens sempre envolvidos na arte. Não lembro de nenhum amigo me dizendo ''olha, hoje vou levar um amigo médico, gari, engenheiro, vendedor....''. Isso nunca aconteceu e pensei que o ego dos rapazes que eu conhecia estava ligado a uma profissão inconstante e cheia de sombras.

Um dia conheci um homem que não tinha nada a ver com o meio teatral, era um executivo. Era, ou melhor, é, lindo, charmoso e ótima pessoa. Eu sabia que ele era mulherengo, ele assumiu sem problemas, mas um dia percebi um situação estranha. Fomos a um restaurante e na hora de pagar a conta nos aproximamos da caixa, era uma moça muito simpática que ficou encantada com ele e não disfarçou. Ele devolveu o sorriso na hora e durante uns segundos houve uma troca de olhares ali. Tive certeza que se eu não estivesse do lado dele telefones teriam sido trocados.

Naquela época eu era totalmente destemperada, voltei ao carro e disse a ele ''Deus me livre te atrapalhar nas tuas paqueras, pode voltar lá se quiser''. E ele respondeu:

-Tá vendo? Por isso não quero saber de mulher fixa na minha vida, todas vocês são umas surtadas. Eu não fiz nada, a moça sorriu e eu sorri de volta, mas agora vou levar bronca a noite inteira!

Ele não me procurou depois disso e comecei a me torturar, meus amigos me diziam que eu tinha sido uma psicótica, não tinha acontecido nada e eu tinha sido uma ''louca''.

Isso me atormentou horrores, eu estava apaixonada por ele na época e acabei procurando um amigo, que sabe de muitas coisas, tem milhões de explicações energéticas para tudo, contei o que tinha acontecido e como aquilo estava me massacrando e ele me disse:

-Iara, o que aconteceu é o seguinte: todos nós reagimos ao mundo invisível, de um jeito ou de outro. Se colocamos a situação de uma maneira superficial, posso te contar milhões de casos de pessoas que ao se conhecerem se irritaram, não se gostam, o famoso o ''santo não bate''. Os espiritas falam disso, pessoas que podem entrar ''carregadas'' em um lugar e não podemos ver o que está acontecendo, mas a atmosfera muda e quem está ali começa a se sentir mal. Lidamos todos os dias com as emoções que o mundo invisível nos causa, mas não sabemos de onde vem nem suas razoes. No caso desse rapaz, ele teve a má intenção e você sentiu, a moça do caixa também deveria ter se controlado, ali surgiu uma situação que causou uma fricção invisível, que foi direto à você.

Mas não aconteceu nada.....

-Você que pensa, o que faz o mundo girar são os pensamentos, a energia, as intenções.

Ele é mulherengo.

-Pode ser, não o conheço, mas eu sempre tive outra leitura dos teus namorados, rolos e sempre te disse, você escolhe o que parece te incomodar.

É meu carma, homens mulherengos.

-Vida amorosa não é carma, é escolha. Já te disse, teu problema não são os mulherengos, são os vampiros de mulheres. Os mulherengos gostam de mulheres, vão atrás, tem sexo e a vida continua. Os vampiros precisam da energia feminina para viver. A psicologia de boteco vai te dizer que os homens ficam traumatizados quando são ''desmamados'' pela mãe, sentem a rejeição e vão pela vida adulta procurando uma mulher que não negue o que eles querem. Alguns homens são equilibrados e conseguem superar essa fase, outros ficam eternamente presos no círculo da sedução, precisam ser amados, admirados e respeitados por várias mulheres, não quer dizer que transem com todas, mas sim, se envolvem energeticamente, precisam delas ao redor aplaudindo. Você olha de longe e pensa ''é mulherengo'', mas nem é tudo isso, é apenas um vampiro que só consegue viver assim, se tiver a energia feminina ao seu redor agitando sua vida.

Depois dessa conversa comecei a reparar nos meus amigos mulherengos e vi que era verdade, nem sempre acabava em sexo, mas eles precisavam das mulheres ali, sempre dando voltas.

O meu grande problema é que os únicos amores da minha vida, meus quatro e amados e eternamente Romeus, se encaixam nesse perfil, de homens que não podem viver sem mulheres os admirando. Como três deles trabalham em televisão e música, sempre pensei que tinha tudo a ver com o meio e o fluxo constante de mulheres, mas o quarto Romeu é engenheiro e mostrou o mesmo comportamento que os outros. 

Uma vez entramos em uma loja e a moça veio atender, parece que gostou dele e começou ali uma conversa simpática, que eu acompanhei de longe enquanto escolhia um perfume. Esse dia tudo acabou em briga, eu me senti desrespeitada e reclamei depois quando estávamos em sua casa. Ele fez o que todos fazem, jurou inocência, disse que a louca ciumenta era eu e não saímos disso.

Anos depois namorei um professor universitário que parecia sério e longe desse perfil. Fui com ele a uma festa de encerramento e percebi que ele ficava encantando quando uma aluna se aproximava e o elogiava, mas aquilo era puro ego, não havia esse constante fluxo de energia, essa situação que uma amiga define como síndrome do bebê dinossauro que passa o  tempo inteiro dizendo ''você tem que me amar''. Ele não era mulherengo, nem vampiro, apenas reagia como qualquer homem diante de uma mulher jovem e bonita o elogiando.

Tudo começou a ficar transparente para mim, percebi que homens vampiros, que precisam dos elogios de várias mulheres mexem com meus demônios, apertam os botões errados da minha existência e toda a razão desse sofrimento é pela minha insegurança em relação aos homens. 

Não sou vítima, nem coitadinha, mas ainda lido com os restos de uma educação misógina e machista, que me colocava sempre em segundo lugar e me tratava como inferior.

Eu nunca soube '''agradar ao patriarcado'' e paguei por isso, sempre me disseram que era feia, sem graça, gorda e chata, nunca teria um namorado nem seria feliz, porque nenhum homem aguentaria um gênio como o meu.

Meus defeitos sempre foram ressaltados e minhas qualidades anuladas e sem querer levei isso para minha vida amorosa, a sensação de não ser boa para nada e de não entender como alguém era capaz de gostar de mim. E com uma autoestima no chão acabei me sentindo atraída por esses homens vampiros, que sempre precisam de várias mulheres.

Mesmo melhorando a autoestima percebi que não tenho energia nem pilhas para lidar com esse tipo de homem, é demais para mim, até porque já conheço outros e sei que existem os homens tranquilos, que não são desesperados por atenção feminina e conseguem viver longe desses jogos.

E juntando as peças descobri que esse último Romeu que apareceu e desapareceu joga dessa maneira, precisa de várias mulheres ao seu redor e eu não tenho condições de lidar com isso, nem que ele viesse me jurando que não encosta em nenhuma, só o fato de precisar delas aplaudindo já me altera.

Talvez depois de décadas meu coração virou, mas não virou pela minha inteligência, mas vencido pelo cansaço. Gosto muito do Romeu, mais do que gostaria de admitir, mais do que ele merece, mas não dá para mim, entrei em uma fase da minha vida que acordar meus demônios significa acabar na lona, não posso mais fazer isso comigo, daqui para frente apenas Romeus que acalmem meus demônios serão bem vindos.

Vida que segue e fim da novela.


Iara De Dupont

2 comentários:

Cris disse...

Se o fim da novela te faz bem, Iara (e pelo que li aqui faz mesmo), então que bom que ela enfim terminou. Que venha o final feliz.

Patricia Gabriel disse...

onde assino?

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