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31 dezembro 2015

Conselho de ano novo


Gostaria de dizer que com a idade vamos ficando mais elegantes e evitando o atrito social com aquelas pessoas que não gostamos, mas não foi meu caso. Cheguei ao estágio de evitar tudo apenas por cansaço e respeito a mim mesma, aprendi depois de muito sofrimento que as pessoas não tem direito de me dizer o que pensam o tempo inteiro. Eu fui educada para usar meu filtro social e espero a mesma coisa dos outros, caso não o façam, então eu corto a amizade ali mesmo.

Esses dias tentei fugir do aniversário de uma amiga, porque sempre vão outras amigas que eu evito. Mas nem sempre dá e nessas horas abuso do meu jeito de ser, quem me conhece sabe, sou cálida quando gosto, mas se não gosto viro a cara, mesmo sem querer, é quase um gesto inconsciente.

E no almoço da aniversariante sentei ao lado de uma grande amiga, estudamos juntas por alguns anos, sempre mantivemos o contato e desde o começo me identifiquei com ela, quando tínhamos apenas oito anos. Quando estávamos morando em países separados escrevíamos cartas gigantes uma para a outra, às vezes a gente pegava no telefone e chorava de saudade.

Voltar a morar na mesma cidade que ela foi uma imensa alegria para mim e logo voltamos a ser inseparáveis, como na infância. A amizade ia muito bem, tinha momentos desconfortáveis, mas nada de outro mundo, até que eu terminei um namoro abusivo e voltei a estudar, de repente o mundo se abriu e comecei a me perguntar ''por quê eu permito abusos na minha vida?''. Me vi obrigada a assumir minha responsabilidade e comecei a filtrar tudo que me cercava, usei minha grande sensibilidade para me avisar quando alguma coisa estava errada. Fiquei muito chateada quando percebi o tamanho do estrago e das pessoas que me rodeavam, mas eu precisava sobreviver e ser constantemente ferida pelas pessoas que eu acreditava amar não dava mais.

Eu estava sentada na mesa quando essa amiga de infância se aproximou. Ela me cumprimentou, lamentou que não conseguimos nos ver o ano inteiro e disse:

-Li no teu blog sobre o Romeu. E aquele fulano?

É.

-Putz, eu imaginei! Sabe que ainda guardo aquela foto que você me mandou com ele, na estréia da peça? Nossa, e agora ele voltou!

É, mas sabe o que? Não tô muito na pilha para falar dele, é tudo recente demais, depois a gente conversa sobre isso.

-Ah, mas eu li no blog que ele voltou, daí que você acha que ele te deu um fora, poxa, eu sou tua amiga, te digo uma coisa, ele pode voltar, deixa de ser dramática, você sempre radicaliza, eu acho que ele vai voltar.

Tô na torcida, posso te garantir.

-Vou te dizer uma coisa porque sou tua amiga e sei que você sempre se ilude. Acho que ele volta, mas não vão ficar juntos. Eu vi o Facebook dele, está aberto e pensa bem, você viu?

Vi.

-Ligou os pontos? O cara mudou, ficou traumatizado que era magro e foi malhar, tem aquele corpo incrível, já se passaram vinte anos e a estética amorosa dele deve ser outra, só deve gostar de mulheres malhadas.

Malhada não, mas a namorada é bem magra.

-É isso que estou te dizendo Iara, esquece esse cara, nos dias de hoje, neste tempo, ele nunca te daria bola, você imagina um cara assim, malhado, bonitão, com uma gordinha? Nunca, você seria um atraso na vida dele, todo mundo iria comentar.

Todo mundo quem?

-Eu estava na casa da Paula e a gente ficou olhando lá no Google. 

E acharam o que?

-Que o cara parece que deu certo como ator ou seja, imagina aquele homem, bonitão, malhado, famoso, com uma namorada gordinha? Iara, nunca rolaria e você sabe disso.

Posso te dar um milhão de motivos pelos quais não rolaria, mas meu peso não seria um deles.

-Não? Pergunta pra ele, você iria queimar o filme dele. Você sabia que ele faz propaganda de um complemento alimentício para quem malha? E ele vai dizer o que para o anunciante quando descobrirem que tem uma namorada gorda? O cara perde o contrato!
Pra mim você está dando voltas na história para esconder de você mesma a realidade, ele nunca namoraria alguém como você hoje, talvez na época que era magro e zé-ninguém, você poderia ter sido uma boa escolha, mas hoje a vida dele andou e duvido que ele olhasse para uma mulher como você. Assim, te acho linda amiga, mas o mundo é o mundo, acho que nem o empresário dele deixaria.
Você quer ir passar o ano novo lá em casa? Vamos fazer como nos outros anos? A gente faz a fogueira e coloca marshmallow. Tenho tanta coisa para te contar!

Mesmo parecendo inacreditável nada do que ela disse me abalou, apenas me lembrou o porquê de eu fugir dela o ano inteiro. E não carrego remorso nem culpa, até tentei arrumar as coisas um dia, mas tudo virou.

Uma vez estávamos em um grupo grande e alguém mencionou um teatro, eu falei o nome do lugar mas errei, ela teve um ataque de riso e disse ''ai, gente, não aguento, a Iara é atriz e não sabe o nome?''.
Foi tão constrangedor o comentário que outra amiga se meteu e disse ''ah, ela nem morava aqui quando foi construído''.

Levantei as orelhas e comecei a perceber que minha amiga era ótima pessoa, conselheira e sempre me deu apoio, mas se aparecia mais alguém era uma necessidade imperativa dela me detonar. Quando saíamos sozinhas era uma flor de pessoa, mas se alguém se aproximava ela tentava me ridicularizar. Pensei que era a necessidade dela de ser sempre o centro das atenções, mas comecei a me irritar profundamente, porque ela tinha informações suficientes para fazer comentários que me irritavam na frente de todos.

A última vez que ela cruzou a fronteira comigo foi durante um jantar de várias amigas e seus Romeus, na hora de pagar a conta resolveram dividir, fui contra, eu não bebo e via os garçons enchendo a mesa de cervejas e vinho. Sou pão dura assumida e não tenho nenhum motivo para pagar cerveja a desconhecidos, então bati o pé quando vi que cada um de nós iria pagar cem reais! A comida que pedi e meu guaraná davam trinta reais, pagando mais a gorjeta seriam trinta e cinco reais e queriam que eu pagasse cem! Comecei a reclamar e minha amiga disse na frente de todos ''tá bom, deixa a Iara pagar os trinta reais e a gente faz uma vaquinha e completa o dela''. Um dos rapazes perguntou porquê isso deveria ser feito e ela respondeu ''gente, ela é atriz, nunca tem dinheiro e se nós somos seus amigos podemos ajudá-la!''. O mesmo rapaz colocou fogo na discussão dizendo que não tinha porque ajudar ninguém que saía para beber às custas dos amigos e eu comecei a discutir com ele, argumentando que meu ponto era esse, eu não tinha porque pagar bebida a ninguém, eu não bebi, eu não pago. No fim a discussão não deu em nada, me irritei, coloquei quarenta reais na mesa e fui embora. Depois fiquei sabendo que ela passou a noite inteira contando minha trágica situação financeira. E não era verdade o que ela dizia, eu morava sozinha e me sustentava, não tinha dinheiro para gastar quatrocentos reais por fim de semana entre jantares e almoços, mas eu não estava morrendo de fome, nem impossibilitada de sair, apenas não tinha condições de pagar bebida para os outros.

Essa noite para mim foi o fim. Muito meses depois a encontrei e ela me perguntou porque eu não atendia o telefone, então disse que estava cansada de ser ''detonada'' pelas amizades, estava filtrando minha vida. Ela pareceu surpresa e me disse:

-Bom, se você quer estar cercada de puxa-sacos e pessoas que mentem, boa sorte. Eu sempre te disse a verdade e te defendi, mas se isso não te interessa e você quer apenas coisas boas, então tá.

É, eu quero apenas coisas boas, pode ser?

Ela tentou e tenta até hoje se reaproximar, manda mensagens de aniversário, diz que me ama e que eu preciso crescer e aceitar pessoas de ''verdade'' na minha vida.

E não a culpo por nada do que aconteceu, eu também fui tolerante porque me educaram assim.

Desde pequena venho sendo massacrada para ser ótima ouvinte,  amorosa com todos e principalmente, perdoar todas as pedras jogadas na minha direção. 
Em um Natal meu irmão ganhou uma caixa de Lego gigante e não deixou ninguém se aproximar dela, eu ganhei a Barbie Cowboy e quando minhas primas se aproximaram para ver eu não deixei. Todo mundo deu risada quando meu irmão pegou a caixa de Lego e disse ''não empresto'', mas quando eu disse ''não empresto minha Barbie'' levei bronca, fui chamada de egoísta e de ''criança chata''. Minha tia resolveu colocar autoridade na casa e me arrancou a boneca das mãos, entregando-a para minhas primas.

Minhas tias me amam muito, bom, elas dizem isso, mas passaram toda a infância me massacrando com meu peso, dizem que para ajudar. Minhas primas também gostam de mim, mas nunca esqueceram de me avisar quando eu sou uma idiota ou burra.

Às vezes que me rebelei me condenaram ao silêncio, na base de ''até que você aprenda a se comportar''.
Quando eu era pequena uma amiga da minha mãe visitava asilos levando comida e casacos, eu sempre era convocada a ir, meu irmão não, porque meninos não ''sabem lidar com idosos e são inquietos''. Me disseram para escutar os velhinhos e ser gentil, mas lembro das centenas de vezes que escutei ''essa gordinha fala muito''. Era falta de respeito, mas eu tive um treinamento militar para receber esses tapas sem me mexer.

Já na adolescência aconteceu a mesma coisa, eu tinha amigas legais, mas sempre tive amigas que me avisavam que eu estava gorda e era totalmente inadequada. 
E comecei em um círculo de amizades abusivas, pessoas que me procuravam apenas quando precisavam de mim.

No começo da vida adulta fiz amizade com um rapaz, que todos gostavam. Ele ia a minha casa sem avisar, ficava horas e todo mundo achava fofo. Eu passava a noite inteira escutando seus problemas com a namorada, mas eu era essa amiga legal e fofa, então não percebia como aquilo era invasivo. O dia que eu pisei na bola com ele, não fui perdoada e quando precisei desabafar ele não atendeu o meu telefonema.

Durante muitos anos tive uma amizade com uma mulher que eu admirava muito, mas hoje percebo como se repetia o padrão de abuso. Ela era ótima comigo, mas se aparecia alguém ela mudava.
Um dia convidei um Romeu para almoçar e minha mãe me ajudou, na hora do almoço minha amiga apareceu e Romeu disse que a comida estava ótima, então ela respondeu:

-A Iara não sabe nem ferver água! Isso aqui deve ser obra da mãe dela!

Fiquei tão chocada que não disse nada, apenas tentei me defender. Ela tinha dividido um apartamento comigo e sabia que eu cozinhava, então no final do dia perguntei a ela porque tinha dito aquilo e me falou:

-Credo! Deixa de ser chata, eu estava brincando!

Poxa, brincando assim, me deixando como mentirosa na frente do Romeu?

Fiquei magoada porque comecei a perceber que esses comentários eram frequentes e acabei me afastando.

Meu irmão via alguns episódios dessas amizades e me dizia:

-Por que você não manda fulana à puta que pariu?

Porque eu fui educada para não fazer isso! É um condicionamento cultural, mulheres são educadas para serem submissas, prestativas e não reagirem a agressões, imagina como seria o mundo se fôssemos educadas para não aceitar nenhum abuso. O patriarcado não resistiria meio segundo, por isso é importante no mundo inteiro submeter a mulher e começa em casa, onde é obrigada a cuidar dos irmãos e ser tolerante com todos, como uma ''boa menina''.

Algum tempo depois tive um vislumbre do que poderia ser uma boa amizade. Eu estava em um grupo de teatro e entrou uma moça, que era modelo, linda, loira e magra. Na hora peguei bronca dela, porque era modelo e eu achava que as coisas não eram assim, pensei que era outra daquelas modelos que se diziam atrizes sem nunca ter estudado. Eu não sabia que ela vinha com uma boa formação em teatro e era modelo apenas pelo dinheiro. Ela também não gostou de mim, mas fomos obrigadas a trabalhar em uma peça juntas e nos apaixonamos pelo mesmo ator, que me enrolou, a enrolou e no fim ficou com outra. Isso nos uniu e ficamos muito amigas.

Fui percebendo como a amizade era diferente, ela sempre me deu apoio, jamais tentou me puxar para baixo. Era honesta quando me via fazer uma burrada, mas nunca usou palavras ruins para se referir a mim e sempre me respeitou. Logo depois dela fiquei amiga de outra atriz e aconteceu a mesma coisa, eu sentia o respeito e não havia nenhuma necessidade de dizer besteiras. Também foram amigas que me procuravam nos dias bons e ruins, não era apenas quando ''elas'' precisavam.

Depois que comecei a estudar o feminismo o céu se abriu, entendi que nós, mulheres, somos tão agredidas pelo patriarcado que acabamos repetindo o mesmo padrão de comportamento entre nós. Somos vistas como inferiores e reproduzimos isso quando vemos outra mulher. Parece normal, até porque nos convenceram que estamos sendo honestas e sinceras com nossas amigas, mas estamos apenas magoando-as.

Queremos cimentar as amizades no ''eu posso te dizer o que quiser'', mas as coisas não funcionam assim. E ao mesmo tempo somos convencidas a relevar, a ignorar as agressões que sofremos. E elas vem de todos os lados, desde a amiga que te ofende porque acredita estar te dizendo a verdade, até aquela amiga que te procura apenas quando as coisas estão ruins para ela. Nós perdoamos tudo, justificamos os horrores e ainda fortalecemos nossa autoestima, porque pensamos que somos ''amigas legais''.

O patriarcado agradece nossa colaboração e visão de amizade, isso ajuda a disseminar a ideia de que mulheres de odeiam e não podem fazer um comentário positivo para a outra.

E não é complicado explodir uma mulher, sai de maneira espontânea, eu vejo até isso aqui no blog, com algumas mulheres que não me conhecem e querem ser agradáveis mas acabam criticando de maneira cruel.

O que pude perdoar e relevar eu fiz, até porque fui educada para isso, mas em um momento de minha vida tive um encontro mágico, com uma pessoa que me abriu os olhos.
Eu ainda era meiga e doce e contei a essa pessoa sobre uma vizinha idosa que eu tenho. Falei que como a via muito sozinha eu passava na sua casa e perguntava se queria alguma coisa do supermercado, ela sempre foi correta e me pagava o que pedia, com o tempo eu ficava uns minutos na sua casa conversando. Um dia comentei a ela sobre uma oferta de umas pizzas, eu iria comprar e depois levaria a sua casa e ela me disse:

-Gorda é tudo a mesma coisa! Fica feliz quando acha pizza em oferta! Mas pode me trazer uma sim.

Naquele momento fiquei extremamente magoada, chutou meu calcanhar de aquiles, o peso. Fui comprar a pizza, levei a sua casa, dei um sorriso falso e não voltei mais.

Sempre que ela me via dizia para subir e tomar um café, mas eu fingia estar ocupada e não ia.
Até que comecei a me sentir mal com isso, ficava pensando, poxa, ela não quis me ofender, falou sem querer.

Contei isso a uma amigo e ele me perguntou:

-O que vocês conversavam?

Nada, quer dizer, eu ia lá e ela começava a falar sobre tudo que estava errado no mundo, no prédio, na sua família, enfim, eu só ficava escutando.

-Você fazia por ego, para pensar ''nossa, como eu sou legal?''.

Não, eu tinha pena dela, ficava muito tempo sozinha e eu tinha esses minutos disponíveis.

-E o que você ganhava em troca?

Dor de cabeça, eu saía de lá com dor de cabeça de escutar tanta reclamação.

-E era isso que você queria?

Não!

-Vou te dizer como funciona o mundo.  Sempre temos que estar recebendo o que nos faz bem, porque é a nossa única maneira de doar a mesma coisa, se alguém interfere na tua energia e te joga esse lixo, te cansa e te impede de doar energia boa. Quando você está com as pessoas não é só sobre o que elas recebem de você, mas o que você recebe delas. E não tenha pena, essa idosa está sozinha, e você mesma percebe que ela cultivou essa energia, talvez se ela fosse uma pessoa positiva, com boas coisas para dizer, teria mais pessoas visitando-a. Parece duro, mas a vida é assim, ou cultivamos a coisa certa, ou acabamos sozinhos. Você ia lá e ela poderia ter perguntado sobre tua vida, ter feito algum elogio, mas preferiu te ''alugar'' e despejar seu lixo tóxico sobre você, que permitiu. E posso te garantir que ela nunca vai bater na tua porta e se desculpar, porque essas pessoas não se desculpam, elas não perdem tempo com isso, estão logo atrás de outras para puxar a energia.

E qual a solução?

-A solução é você pensar em você o tempo inteiro e quando estiver com alguém ter em mente uma coisa ''estou bem aqui?'', essa pessoa me ''faz bem?''. Se a resposta for não, esqueça, não é amizade, não é amor, é drenagem energética.

E vai querer viver só de elogios?

-Não! É viver de maneira limpa e honesta. Se um amigo teu precisa de você, daquele ombro, tudo bem, vai lá, mas se você começa a reparar que ele te drena, que te faz sentir mal e tudo em nome do teu ''bem'', esquece, é uma coisa ruim, ninguém está no mundo para ser receptor de lixo alheio, cada um que se vire com sua merda. Não podemos e não temos o direito de jogar nossa energia ruim em cima dos outros, principalmente os que amamos. Todo mundo passa por fases ruins e precisa de apoio, mas nem isso te dá direito a ofender ou abusar de quem te ajuda. Mas ninguém vai parar isso, é você que decide o que recebe ou não dos outros.

Para mim foi um processo difícil, venho de pais críticos, que ralam tudo o que eu faço e digo, e tive uma educação muito rígida para ser uma ''boa mulher''. Todas as vezes que ajudei alguém, escutei e dei consolo foi parabenizada, me diziam que eu tinha um coração de ouro.

E tenho mesmo, mas o ouro não é para todos, é para quem o conquista. 
Tive que cortar muitas pessoas da minha vida, em todos os setores, porque vinham com comentários ou atitudes abusivas.

Aprendi a ler o tom de voz, entendo quando alguém me diz ''miga sua louca'', levo tranquilo, mas se escuto alguém dizer ''ele nunca ficaria com uma gordinha como você'', então será a última coisa que essa pessoa vai me dizer, porque eu considero agressão.

E mudei graças ao cansaço, não tenho como lidar com um mundo misógino, uma sociedade machista e ainda relevar abusos de amizades, não tenho mais essa energia. E desde que comecei a tirar essas pessoas da minha vida percebi que chegaram outras muito melhores. Hoje tenho grandes amigas e não me sinto ofendida nem agredida, são relacionamentos saudáveis.

Mas isso exige estar sempre atenta, não é tão simples como parece, sempre somos procurados por pessoas que querem nos jogar seu lixo tóxico e por amigas que nos puxam para baixo. 

Perdi muito tempo com esse tipo de gente, mas hoje não tenho mais dó, pena ou remorso, eu saio fora mesmo, me levanto da mesa, cruzo o salão, faço qualquer coisa, mas não tolero mais pessoas próximas a mim dizendo barbaridades e eu escutando quieta em nome da amizade. 

O tempo de aguentar os outros acabou, já paguei meus pecados, hoje quero estar com quem me faz bem e a quem eu possa fazer o bem.

Tempos de tempestade sempre vão existir, espero contar com meus amigos assim como eles contam comigo, mas apenas segurando a corda do amor e do respeito, sem abusos. Sou melhor pessoa quando recebo amor sem comentários maldosos nem avisos venenosos. E eu apenas quero devolver essa energia, a quem me ama de maneira respeitosa eu quero amar mais ainda, a quem me detona, quero distância. E não dou mais espaço nem tempo, na primeira frase maldita já corto a amizade.

Mudei meu conceito, esses tempos de meiguice, de escutar a todos e perdoar as ofensas se acabaram, agora só funciono no amor.

E dou esse conselho a todas, não repitam o comportamento que o machismo nos impôs, de nos agredirmos entre nós, não aceitem amizades que magoam e ferem e digo por experiência própia: não existe céu para quem faz isso, quando permitimos que alguém nos agrida estamos um passo mais perto do inferno e longe de Deus. Abram o coração para as amizades boas que existem, para as pessoas que gostam e nos respeitam e fechem a porta para o resto, não importa se é família ou amizades de infância, não podemos estar presos a pessoas que nos fazem mal.

Tem muita gente que sabe amar e nos quer bem, o tempo voa e vale a pena dedicar nossa melhor parte a essas pessoas que nos respeitam. 

E eu dedico este post a todas minhas amigas que passam e passaram por aqui, me mostraram como era possível ter amizades baseadas no amor, respeito, carinho e doçura. Meu amor eterno as que eu vejo e as que eu não vejo, mas estão sempre lá no meu Facebook dando apoio. 
Depois de tantas amigas que fiz aqui ficou mais fácil para mim superar as amizades quebradas e seguir em frente, por isso insisto, só o amor vale a pena, o resto magoa.

Desejo um grande ano as minhas amigas, meu agradecimento por toda a força que me deram, a luz que me iluminou e as palavras carinhosas. E posso dizer com a maior certeza: no amor e respeito somos melhores e mais fortes.  No ódio somos pequenas, mas no amor somos a maior força que existe neste planeta. 



Iara De Dupont

14 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Iara! Só você para escrever este post lindo e verdadeiro!! Como me identifico com suas palavras! Somos criadas a aceitar tantos abusos, que demora a "cair a ficha"e perceber que aquilo é pura maldade... Você é linda, tá, não deixa ninguém te convencer do contrário... o amor é uma escolha da alma... quando nos amamos muito "atraímos" o amor, hoje eu vejo que é assim que funciona... Você está certa em "deixar de lado" tudo e todos que te fazem mal, comecei a fazer isso na minha vida também, e aos poucos já sinto a mudança acontecer, que é sempre de dentro pra fora e é uma delícia..rsrrsrs... Iarinha, Desejo um ano de 2016 abençoado de realizações maravilhosas!!! Que o amor chegue pela porta da frente, levando pra você um boque de flores e dizendo o quanto te ama!!! E muita saúde e paz!!!Mônica

Anah Vizoto disse...

Iara, li seu texto me enxergando... :(
Passei por isso a vida toda, até hoje passo... a pior parte é sempre o peso, parece que querem se sentir superiores e nos detonam pelo nosso ponto fraco que é esse.
Me livrei de uma falsa amiga recentemente, me identificava por ela também ser gordinha, nos conhecemos desde a infância, eu podia ser "quase" eu mesma com ela... mas agora ela fez novos amigos e mudou a personalidade, acha que é popular, está adorando sair com os novos amigos e faz questão de demonstrar o quanto está feliz com eles. Me convidava para uma coisa ou outra (coisas que não gosto) e tudo tinha que ser acompanhado da nova amiga, que me adicionou e quando conheci, senti que ficou com ciúmes de mim. A última vez que as vi foi numa festa de Halloween, me senti mal pelos olhares da amiga enciumada.
Esses dias ela me procurou, eu a ignorei, acho que amigo que é amigo não procura os outros apenas quando quer e eu quando fico chateada com alguém ou não gosto da pessoa, viro a cara e excluo da minha vida. Foi o que fiz, excluí e bloqueei as duas e me sinto melhor agora, não quero alimentar uma pessoa que só me tem por perto de reserva.
Quanto ao Romeu, só te digo uma coisa: tem gente demais dando opinião no que só diz respeito à vocês dois! Mesmo que você venha sempre no blog contar prazamigas (nós kkkk), a decisão é de vocês. Parece que esses seus "amigos" só querem mesmo é ver o circo pegar fogo... coisa de gente invejosa, eu hein!
Enfim, sempre que precisar de amigas virtuais, você tem muitas aqui, já até me considero uma! :D

Happy New Year! \o/

Carolina disse...

Sempre leio seus textos, mas raramente comento. Vou comentar nesse pra reafirmar seu conselho. Tive muitas amizades que duraram bastante enquanto eu estava dando, mas quando eu precisava de qualquer coisa me diziam que me ajudar era inconveniente.
Tinha uma amiga que raramente tinha carro disponível, então eu sempre dava carona pra ela pra todas as festas, pra todos os lugares, nunca cobrei gasolina nem nada. Numa única ocasião, eu estava sem carro e ela tinha. Ficou de me buscar em casa e veio. Quando chegou no meu prédio, reclamou da distância. Comentei que a distância da minha casa pra dela era a mesma. Ela retrucou que a casa dela era caminho pra todas as festas. Mostrei pra ela que não era caminho e que eu poderia poupar entre 10 e 15 min se não passasse na casa dela, dependendo onde era a festa. Ela nunca pediu desculpa e com certeza se acha incrível por ter ido me buscar em casa essa única vez. Essa mesma amiga também não perdia uma oportunidade de me sacanear e ridicularizar na frente dos outros.Como eu sempre fui meio estranha, era muito fácil. Nesse grupo de amigas, sempre nos juntávamos pra comprar presente no aniversário de cada uma. Cada uma dava uns 20 reais e se comprava um presente bem legal pra aniversariante. No meu aniversário, ou me davam nada ou uma blusa de 20 reais. Num ano desses, vieram pedir uns 30 reais pro presente de uma amiga, disse que compraria separado, que não daria presente junto. Perguntaram porque e eu respondi que no aniverário de todo mundo tinha coisas legais e no meu nada, que não participaria mais disso, Ficaram chocadas com a minha ofensa terrível. Depois disso, me afastei bastante. Fiz intercâmbio e quando voltei, me chamaram pra sair. Fiquei esperando muito que o grupo inteiro chegasse, só tinha chegado essa que gostava de me ridicularizar com duas amigas dela que eu não conhecia. Não me perguntaram nada de mim, do meu ano fora, não quiseram em nenhum momento me integrar na conversa delas. Fui pra casa, encontrei as atrasadas na saída, pediram pra ficar mais, disse que não poderia.
Cont.

Carolina disse...

Outra vez que em acharam louca, foi quando marcaram comigo de ir a uma festa. Elas moravam distante e eu mais próxima. Elas iriam em duas e eu sozinha. O local tinha fila. Só saí de casa uns 20/30 min depois que elas disseram que tinham saído. Cheguei na festa não vi ninguém, entrei na fila. Esperei 15 min na fila. Dei meia volta e fui pra casa. Troquei de roupa, tirei a maquiagem. Sentei pra assistir TV. uns 20 min depois elas me ligam pra saber onde estou. Ou seja, 30 min + 15 min + 20 min = 1h05 de espera e eu sou a louca por não ter ficado plantada lá esperando a realeza chegar.
Teve amiga minha que me ligou uma semana depois de eu voltar desse ano de intercâmbio pra contar os mesmos problemas de sempre. Em nenhum momento me pergutou nada de mim. Falei horrores pra ela. Ela demorou anos pra voltar a me procurar.
Eu sempre fui controlada com dinheiro, então sempre tive. As pessoas percebiam isso e tiravam proveito. Durante o intercâmbio, morei na casa de uma família e eles me deixavam com o carro, mas não pagavam a gasolina. Eu levava uma amiga minha pra todo canto, sem cobrar nada dela. A família com quem ela morava pagava a gasolina dela, eu não sabia. Uma vez, ela foi com o carro dela, ela ia pra uma entrevista de emprego antes da confraternização, me cobrou a gasolina. Questionei porque ela estava me cobrando sendo que nunca cobrei nada dela. Virei a louca pão dura.
E estou falando só as coisas mais objetivas de falta de reciprocidade. Nada de situações de me senti ofendida, são casos claros de total desrespeito. Ainda me acho uma otária por ter aceitado tanto essas paradas. Hoje minha tolerância é zero. Sou uma excelente amiga. Na hora que percebo que não há reciprocidade ou aquela leve felicidade de me ver mal, saio correndo, não fico, não acho que posso ter entendido errado, simplesmente não olho pra trás.
Obviamente, eu sou a mão de vaca, louca, que não gosta de esperar mais de 1h em filas pelo presente que é a presença dessas pessoas maravilhosas, mas isso ainda é melhor do que ter sua autoestima destruída por pessoas que se dizem suas amigas. Em qualquer relação, respeito deve vir em primeiro lugar. Se por algum motivo, se acham melhor que você e não te respeitam, fora. Não deixe que ninguém aja como se estar em sua companhia fosse um peso grande que precisa ser compensado com seu tempo/ dinheiro/ favores.
Desculpa o desabafo, ficou muito longo.

C.Belo disse...

Nem preciso dizer q esse post me serviu como uma luva! Passei e passo pelos mesmos problemas com amizades abusivas, VC sabe, afinal já aluguei seus ouvidos e olhos com áudios e conversas no chat rsrs

Olha, muito bom conselho mesmo. Muita coisa passou a fazer sentido. Antes eu me perguntava se eu merecia ter amizades abusivas e interesseiras, mas lendo isso me dei conta: eu não poderia oferecer nada de bom se minha energia estava toda contaminada por ataques gratuitos! Cheguei à conclusão de q não poderia ser uma boa amiga se eu mesma já não estava mais acreditando nas amizades!

Bem, eu não preciso esperar até amanhã pra começar a me livrar dessas amizades ruins!

Um ótimo 2016 pra Iara! Vc merece estar cercada de tudo q há de melhor!

Anônimo disse...

A melhor mensagem de fim de ano, Iara! Obrigada pelos seus textos maravilhosos mais um ano!! Foi um ano tenso e fiquei triste quando você parou de escrever, mas fiquei bem feliz quando voltou a escrever.
Que a cada ano consigamos desconstruir, aos poucos, o que nos foi imposto... E que se revele o que realmente somos!!
Que venha 2016!
SY

C.Belo disse...

Menina, perfeito! Me vi nas suas palavras! Acho q todo mundo já passou por isso né?

Cristiane Aparecida Silva disse...

Iara vc tem uma forma de escrever que parece que está conversando com quem lê. Me sinto a vontade sabe, esse texto como todos os outros esclarece muita coisa pra mim. Eu sempre percebi esse tipo de relacionamento e nunca entendi qual o prazer das pessoas em ser assim. Vejo isso além, não só como um relacionamento abusivo vejo como pessoas perversas. Triste realidade. Parabéns pelo texto. É sempre bom começar 2016 com fé na vida nas pessoas, porém com o pisca alerta para evitar pessoas assim que sugam nossa energia. Verdadeiros "vampiros" (como você citou em um outro texto). Abraços amiga.

Cris disse...

Feliz ano novo e muito obrigada pelo conselho, Iara. Também estou tentando até hoje me livrar desse adestramento e felizmente conseguindo. Boa sorte pra você e pra todas nós nas amizades e no amor, que tenhamos o filtro ativo e estejamos sempre alerta contra os aproveitadores e abusadores. E que 2016 venha pra ser melhor.

Patricia Gabriel disse...

Oi,Iara,estou aqui,novamente,para desejar a todas nós um ano de grandes realizações...você sabe tudo o que venho passando,tudo o que já te contei sobre minha vida,mas ainda nem é metade(mas não vou te alugar,não,rsrs,tem coisa que estou calejando...!)2015 foi um ano muito pesado,foi o ano que você sofreu ameaças,em que perdi meu bebe...mas este conselho, foi um linimento para as feridas....me cai como uma luva,pois assim como você eu passei (e passo,viu?!)isso com família,'amigos' e colegas do trabalho....tenho tentado,assim como você,a me "desvampirisar",porque,olha,não é fácil não,mas a gente consegue...com alguns colegas tenho sido lacônica,e eles,sem platéia pra encher,parece que serenam mais o topete,rsrs,impressionante,mas o caso mais difícil é quando é com alguém que você ama muito da sua família,e que te procura somente para desabafo,mas na frente dos outros parentes te ridiculariza...porque de parente não dá para cortar o contato assim,de uma hora para outra,né?bem,que tenhamos sempre boa sorte,para lidarmos com nossas feridas,seu texto é um oásis na escuridão da net,e eu torço por você,que tudo de certo em tua vida.Não a conheço pessoalmente,mas já me considero como tua amiga,beijos!

Iara De Dupont disse...

Gente, vocês percebem porque eu sempre digo que sou rica? A pessoa entra aqui e deixa essas mensagens cheias de amor e carinho, eu me sinto milionária, cercada das mulheres mais generosas do mundo! Vocês não têm ideia de quanto tem curado minha alma com todo o amor que me dão! Obrigado por tudo, desejo a todas vocês um grande ano e meu pedido de menina mimada e rica: continuem me acompanhando este ano no blog........

Iara De Dupont disse...

Pati, eu conheço poucas pessoalmente, já tive o privilégio de conhecer algumas, outras não, mas para mim todas são minhas amigas e a torcida é mutua, desejo o mesmo sucesso a todas e gosto quando me contam as coisas boas que acontecem. Você é muito admirável, depois de tudo o que passou escolheu continuar com o coração aberto e a alma generosa. Ótimo ano para você e que Deus sempre te segure tua mão. beijos!

Patricia Gabriel disse...

amém,Que Deus abençoe a todas nós,sempre!

Alessandra disse...

Iarita querida, voltar aqui e poder me ver nas suas palavras novamente é tão bom, é tão me sentir em casa de novo !!
Coisa boa de mais ter você de volta aqui, que este ano seja muito maravilhoso para você e que possamos estar juntas novamente.
Grande beijo.
Ale

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