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10 dezembro 2015

A mulher vidente (a noite que não dormi)


Durante um bom tempo pensei que a única coisa que poderia me dar dor de cabeça em relação ao blog era os ''trolls mascus'', um bando de machistas desocupados que vivem infernizando os blogs feministas. 
Mas não são meu único inferno, também sofro com algumas mulheres que passam por aqui, ficam irritadas com os textos e vão para meu email.

Os machistas não me tiram mais do sério porque os vejo, a todos eles, como doentes mentais, não me parecem pessoas nos seus cinco sentidos, a grande maioria encosta na psicopatia. Mas não consigo ligar com mulheres machistas, que parecem não entender o mundo que vivem ou tal vivem em outro mundo que eu desconheço.

Ontem uma delas veio na minha direção, por um post que coloquei no FACE. Resumindo a história, uma moça contou a um jornal que foi estuprada pelo seu namorado enquanto dormia. É uma coisa mais comum do que parece, e existem vários casos de ''maridos amorosos'' que jogam soníferos na comida das esposas.

Tenho neste exato momento, 150 emails na minha caixa, de mulheres me contando sobre as vezes que acordaram e seu marido estava tendo relações com elas, sem seu consentimento.

É um assunto polêmico, cheio de curvas e não sou a mais indicada para falar sobre isso, porque nunca me casei nem penso fazer uma coisa dessas. Mas os emails me deixam chocada, são muitas histórias sobre relações não consentidas, algumas vezes com bebida e remédios no meio, e argumentos fracos no ar, como ''todas as esposas transam com seus maridos'', ''casamento é assim mesmo''.

Pode ser que exista alguma explicação e minha visão exigente me impede de ver, mas na minha cabeça uma coisa fica clara, se a mulher não está acordada, consciente e não consentiu a relação, então não é sexo, é estupro.

Lembro de uma amiga, isso aconteceu há dez anos, ela me contou que sempre acordava com seu marido tendo relações com ela, e muitas vezes ela conversou e pediu que ele não fizesse isso e ele respondeu ''ué, mas você é minha namorada''.

Também uma das minhas primas contou uma história que só agora vejo o horror nela, mas na época que escutei passou batida. Estávamos na sala falando sobre sexo, ela já era casada e alguém perguntou se ela já tinha feito sexo anal e ela respondeu ''não, acho que não, na verdade não sei'' e começou a rir. Outras primas quiseram saber como ela não ''sabia'' e ela disse ''ah, porque às vezes no sábado eu saio com o Romeu e bebo, volto meio alta pra casa e aí ele me conta no dia seguinte o que fizemos na cama, ou melhor, o que ele fez''. Dito isso todo mundo rolou de rir, parecia um assunto engraçado e divertido, parte da intimidade de um casal, homens têm relações com suas esposas e namoradas enquanto elas dormem.

Enfim, volto ao mesmo ponto, eu não sei desse assunto, não sei como é a convivência de marido e esposa e não sei o que faz isso parecer tão ''fofo''. Na minha cabeça me parece um horror, outro ponto a acrescentar na minha longa lista de cuidados, então agora se eu começar a namorar um Romeu vou precisar conversar com ele a respeito, saber se estamos na mesma página em relação ao que é ''consensual''.

Me parece penoso, mas necessário, não vejo nada de romântico em um namorado tendo relações comigo enquanto eu durmo, é, mas talvez sou eu. Também me parece que vai ser importante manter uma câmera no quarto escondida, pelo menos para gravar uma noite e saber o que acontece durante meu período de sono.

Muitas mulheres alegam que você sente alguma coisa diferente quando acorda caso alguém tenha tido relações com você, não sei dizer, cada uma é cada uma, se houve uma relação antes, consensual, não acredito que não se sinta nada diferente, mas não sei dizer.

No post do Face eu comentei que não se pode confiar em um homem nem na hora de dormir, o que despertou a fúria de algumas, uma delas foi direto ao meu email e escreveu:

''Você deveria ser processada por disseminar ódio contra os homens! O que você escreve me faz ter nojo do feminismo, vocês lutam para que todas as mulheres tenham medo dos seus maridos e namorados, você acha isso certo? Tua vida deve ser uma merda, já que você gasta seu tempo tentando convencer as mulheres de que todos os homens são perigosos. Ora, eu tenho quase quarenta anos, nunca passei por nenhum episódio de violência sexual e meu marido é ótima pessoa. Isso deve te incomodar, saber que ele não é um estuprador! Não é?
Por quê vocês mulheres que não gostam de homens ficam apenas entre vocês e os param de persegui-los? Qual é teu objetivo? Convencer as mulheres que todos os homens são violentos, todos os maridos são abusadores e todos os namorados estupradores? Ridícula você, para que tá feio. Você tem direito de não gostar de homem, de não querer dormir com um, mas não tem direito de espalhar tanta besteira, você deveria responder um processo por difamação, é uma vergonha que exista uma mulher que use o feminismo para assustar a outras''.

E blá, blá, blá......

Nem entro mais em detalhes sobre minha vida pessoal, acho desnecessário dizer ''ah, eu gosto de homem'', porque quem tem que saber disso, sabe.

Mas existe um ponto que me parece importante esclarecer, eu não escrevo sobre violência contra a mulher com gosto, pelo contrário, fico chateada, deprimida e com náuseas. Que mulher consciente quer viver em um mundo onde não pode nem confiar no marido na hora de dormir?

E eu nunca tinha escutado falar sobre esses estupros noturnos cometidos pelos maridos, também estou tão horrorizada como todas.  

Fui educada com a certeza de que amar é confiar, jamais pensaria que um marido seria capaz de estuprar a mulher. Mas isso existe, tanto que aparece na LEI como ''estupro conjugal''. Este POST do Blog Arlequina mostra essa realidade, 54% dos estupros são cometidos pelo maridos (choquei!).

Todo esse assunto me parece horroroso, absurdo e assustador. E cada vez mais me convenço que ninguém conhece ninguém, os homens só contam o que interessa contar, não sabemos do passado deles, nem das coisas feitas antes.

E ontem à noite tive certeza disso. Tenho um vizinho que mora no apartamento ao lado, é um homem educado e tranquilo. Durante cinco anos foi meu vizinho, junto com sua esposa. E eu nunca escutei um pio, o barulho deles era de um casal normal com crianças pequenas, mas nunca escutei nada estranho, até que um dia começaram uns gritos, e as crianças saíram correndo pedindo ajuda. Eu chamei a polícia e enquanto isso outro vizinho entrou no apartamento e pegou o rapaz com uma faca tentando matar a esposa. Ele foi preso, mas alegou um ''surto'', e tinha tudo a favor, emprego fixo, nome limpo e laudos de psiquiatras, alegando que ele tinha tido um momento de stress. Passou um tempo internado em uma clínica particular, mas sua esposa se assustou tanto que nunca mais voltou ao apartamento, ficou tão congelada que não brigou na justiça por pensão, nem para dividir os bens, só quis ir embora.

O apartamento ficou fechado durante um ano, ninguém apareceu, mas depois desse tempo o rapaz saiu da clínica e voltou a morar aqui. Assim que ele se mudou começou uma reforma, quebrou tudo. 
Na época meu pai estava vivo e às vezes eu o levava para o hospital e o trazia para cá, esperava que descansasse e depois o levava a sua casa. Um dia fiz isso, mas meu pai não conseguia dormir pelo barulho da reforma. Já não era o horário permitido e fui conversar com o vizinho, eu nunca tinha falado com ele, era apenas o bom dia e boa tarde, caso nos encontrássemos no elevador, ele foi muito educado, se desculpou pelo barulho e me disse que estava mudando tudo ali porque não queria nada que lembrasse aquela ''noite fatídica'', eu fingi não lembrar e ele me contou que também as mudanças eram devido a que sua namorada atual tinha aceitado morar com ele e a surpresa planejada era reformar tudo, queria que a moça entrasse em um apartamento com tudo brilhando.

A moça se mudou e me parecia muito tranquila. Ficou um ano aqui e digo a mesma coisa, eu jamais escutei um barulho vindo desse apartamento, nem discussões. Ontem à noite eu assistia a novela quando comecei a escutar uma discussão, fiquei na dúvida de onde vinha, mas não me parecia sério. Com o tempo foi evoluindo e cada vez ficava mais claro as palavras ''vadia, piranha, vagabunda, macumbeira, bagaça e etc, etc''.

Comecei a escutar barulhos de objetos indo ao chão e avisei o porteiro, alguma coisa estava acontecendo. Ele subiu e diz que conversou com o casal, que alegava estar discutindo a ''relação''. A briga durou a noite inteira, até que lá pelas quatro da manhã a moça saiu do apartamento pedindo por socorro, alguém chamou a polícia e o rapaz foi preso novamente, tinha tentando matar a moça a sufocando com um travesseiro.

Das quatro da manhã até as nove ficou aquela confusão no andar, era a polícia, a família dela que veio correndo, a dele, todo mundo ali, enquanto a moça era levada para fazer exame de delito e o rapaz era preso. A mãe do rapaz se ajoelhou no corredor pedindo a moça para que não levantasse a denúncia contra seu filho, porque ele era um rapaz doente e a moça disse ''doente de quê? Ele nunca me disse nada''.

Ah, esse é o ponto mais importante da questão! ELE NUNCA ME DISSE NADA!

Iria dizer o quê minha querida? Entendi que eles se conheceram em um bar, na roda de uns amigos em comum. Ele iria se aproximar e dizer ''olha, acabei de sair de uma clínica psiquiátrica porque tentei matar minha mulher a facadas e só não a matei porque meus filhos pequenos conseguiram abrir a porta e pedir ajuda''.

Quem falaria isso? Quem? Não vou nem entrar na questão de gênero, apenas quero saber, quem faria isso? Quem avisaria a pessoa que é um perigo?

Ninguém avisa ninguém, mas se nos apoiamos na matemática vamos ver que a cada quinze mulheres mortas no país sete foram mortas pelos namorados ou maridos, enquanto a conta do lado deles não existem, a cada quinze homens mortos, todos eles foram assassinados por outros homens, não existem casos de mulheres matando seus maridos, pelo menos não em nível de epidemia.

Não sei o que deu nele, mas é o segundo surto e a segunda vez que uma mulher escapa de suas mãos. Entendi que a namorada atual não sabia de nada em relação ao passado do rapaz. Minha avó sempre me disse isso, só sabemos do que as pessoas são capazes de fazer, depois que elas já fizeram.

Acho ótimo que existam mulheres que ainda me falem que seus maridos são ótimos e acima da média, bom saber, não quero perder minha fé na humanidade, mas é importante ter ideia do que é a violência disseminada, a violência invisível, aquela que não vemos como violência. Para muitas mulheres um estupro é um ato violento praticado por um desconhecido, elas não reconhecem essa violência nos seus maridos e namorados. É fundamental que a mulher tenha consciência de que seu corpo é seu corpo e não importa se é marido ou não, ele só deve ser tocado com consentimento e para ter sexo as duas partes têm que estar acordadas e conscientes, o contrário disso é estupro. E sim, temos o direito a dizer ''não'' para maridos, namorados e amantes, não somos bonecas e não estamos obrigadas a ter relações sexuais sempre que eles quiserem. E empurrar a mulher para a cama usando argumentos baratos e chantagem é crime. 

Não precisamos ser videntes, é necessário apenas observar o comportamento do homem que está ao nosso lado para saber se alguma coisa errada está acontecendo.

Uma das moças do Facebook me disse: ''ah, qual é o problema? Sim, às vezes eu estou dormindo e meu namorado se aproxima e tem relações, e daí? Não me faz mal, nem me machuca, vou ficar toda cheia de dedos como você? O dia que você se casar vai perceber a quantidade de coisas que os homens fazem sem o nosso consentimento e não é nada demais, você e outras feministas que estão arrumando desculpa para detonar homem, não é pra fazer todo esse drama, você é dramática e extremista, tenho pena do teu namorado, não deve nem poder encostar a mão! Ele faz o que antes de ter relações com você? Assina um documento, o exército fica no quarto, caso ele passe algum limite? Ah, tenha dó Iara, vá se tratar, deveria estar internada!''.

É, não nego que estou mesmo precisando de um tratamento para viver neste mundo, para mim as coisas estão muito fora do lugar. O louco disso é que são eles que estupram e sou eu que deveria estar internada. Bom saber.



Iara De Dupont

7 comentários:

Cris disse...

Não sei se morro de pena ou de raiva dessas defensoras de macho escroto, sinceramente, porque elas atrasam muito o feminismo; já teríamos avançado séculos se não fossem essas mulheres que educam seus filhos pra serem machistas e incentivam o machismo da família e dos homens. Mas eu sei que cedo ou tarde essas mulheres machistas vão dar um passo em falso na linha que separa as "santas" das "putas" e vão quebrar a cara. E quebram de um jeito que é quase de consertar, a maldade dos homens garante isso. Li no blog da Lola o depoimento de uma moça cujo ex tinha herpes e não viu problema nenhum em transar com a autora do post sem contar da doença e infectá-la. Imagine o que um tipo desses faria com uma "santa" que de repente virou "puta"? E essas burras ainda dizem que devo confiar em alguém capaz desse tipo de barbaridade...

Patricia Gabriel disse...

Iara,essa deve ser uma das formas que estas 'incomodadas'tem de se defenderem das verdades que você expõe,fugindo de algo que as incomoda justamente porque dói,você toca num ponto nevrálgico em que muitas nunca tinham pensado antes,e é mais fácil acomodar do que mudar e exigir respeito...

Patricia Gabriel disse...

aliás,sai do face porque aquilo lah tah ficando muito escroto mesmo...tem muita gente besta!

Anah Vizoto disse...

Eu não consigo entender por que as pessoas têm essa necessidade de nos procurar quando discordam de nós... não gostou, é só ignorar o post, certo? Acontece o tempo todo comigo, é incrível e olha que sou até "comportada"! kkkkkkk

Anônimo disse...

Oi, Iara! É por isso que aumenta o número de doenças venéreas em mulheres casadas, como você bem falou em um de seus post: mulheres não vão para guerra, pois não sabem reconhecer seus inimigos... lamentável... Mônica.

Cris disse...

Opa, no meu comentário anterior era pra ser "Mas eu sei que cedo ou tarde essas mulheres machistas vão dar um passo em falso na linha que separa as "santas" das "putas" e vão quebrar a cara. E quebram de um jeito que é quase IMPOSSÍVEL de consertar, a maldade dos homens garante isso." Preciso prestar mais atenção no que eu escrevo, rsrs ;p

Anônimo disse...

Tudo o que eu tenho a dizer sobre este post é que não há NADA que se possa fazer por pessoas assim, Iara. Foi assim comigo (te escrevi no último e-mail), e embora eu nunca tenha amaldiçoado nem sido agressiva com alguém a ponto de mandar mensagens mal-educadas, também já fui machista. São crenças e valores da pessoa. É que nem discutir religião ou política, é simplesmente inútil! Só vai causar mais raiva e mal-estar p/ ambas as partes. A melhor coisa é deixar que a existência se encarregue de abrir os olhos da pessoa, o mundo é cruel e faz isso muito bem e da pior maneira possível, fazendo sentir na pele. Tentar explicar não leva a nada, deixe essas mulheres serem felizes na sua ignorância. Cedo ou tarde (antes tarde do que nunca) elas acordam pra vida e começam a enxergar, entender, se lamentar e se envergonhar da ignorância na qual estavam mergulhadas. Dói, é devastador, mas é libertador. Pelo menos você está deixando suas histórias, elas podem não gostar hoje mas quando acordarem pra vida talvez se lembrem de vc e venha correndo ler o seu blog e buscando respostas :)

SY

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