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30 novembro 2015

Quando meu fantasma encontrar com o seu.....


Tenho algum problema com o açúcar. E não é de hoje, desde pequena nunca gostei de balas, doces, bolachas. Meu único amor sempre foi o chocolate, mas fora isso não encosto em nenhum doce.

E relacionamentos ''caramelizados'' me dão náuseas. Já passei por isso, namorei um Romeu que acreditava viver em uma nuvem de algodão doce, tudo era tão sintético e enjoativo que me deixou traumatizada.

Gosto de homens doces, mas não desse excesso de doçura, tanta que bate na falsidade e se mistura a um pouco de manipulação.

E sou curiosa, além do normal, chata às vezes. Todos os amigos e amigas que tenho e começam a namorar sempre faço a mesma pergunta ''como vocês se conheceram?''.

Tenho uma lista de histórias, mas todas cristalizadas e banhadas no mel. Tudo fofo, lindo, meigo e pouco surpreendente.

Para mim são todas iguais, garota encontra garoto, garoto encontra garoto, garota encontra garota. Ah, sim, uma amiga entrou no avião e tinha um homem no seu lugar, começou uma discussão e acabou onde? Na igreja, se casaram! É fofa, mas eu passo.

Uma vez disse isso a um amigo, tantas histórias de amor me davam enjoo e ele respondeu:

-Você ''está'' cínica a respeito do amor, daqui a pouco passa.

Mas não passou e comecei a me sentir mal por me irritar com todos esses relatos de encontros inacreditáveis.

E estava na casa de uma amiga quando sua irmã entrou e minha amiga de má fé, sabendo que alucino essas histórias de almas gêmeas, disse à irmã:

-Conta para a Iara como você conheceu teu Romeu....

Jesus que me ampare, nem lembro da história de tão melada que era, mas tinha o tradicional ''pedimos a mesma coisa no restaurante e depois que percebemos caímos na risada'', '' a gente ama os mesmos filmes'', ''somos fãs das mesmas séries'', ''estudamos juntos, mas não sabíamos'', ''nascemos no mesmo mês'', ''os dois sonhamos com ter um cachorro'', ''gostamos da mesma cor''.....

Enfim, todas essas histórias me pareciam iguais, até que escutei um conhecido me contando sobre a dele. Eu trabalhava com ele, mas não éramos próximos. Um dia fui a uma festa e ele estava lá com sua namorada, uma garota muito simpática, em algum momento ficamos os três conversando e não resisti e perguntei onde tinham se conhecido e ele respondeu:

-Ah, nada demais, a gente se cruzou no trabalho, lá na produtora, ela foi levar um orçamento.

Eu emendei com o tradicional ''legal, né''. E ele confirmou balançando a cabeça. Depois me disse que tinham alguns anos juntos e voltei a perguntar como era isso, de estar tanto tempo com alguém e ele disse:

-É simples, a gente se conheceu e nossos fantasmas se encantaram um com o outro. Sabe aquele poema que diz ''as almas se encontram e se reconhecem''? Pois é, no nosso caso os fantasmas se encontraram e se reconheceram.

Não entendi muito bem e ele explicou:

-É, cada pessoa tem seus fantasmas certo? Os nossos se reconheceram. Eu venho de uma lar violento, uma infância ruim, lutei muito na vida e ela também vem de uma família desestruturada, quando nos encontramos estávamos os dois mutilados por dentro, não tinha como o amor se reconhecer ali, eram só fantasmas, mas eles se deram ''oi'' e pensaram que era boa ideia tentar alguma coisa.

Nunca tinha escutado essa teoria, então pedi mais detalhes e ele continuou:

-Para e pensa. Se você aparecer com teu melhor lado e encontrar alguém na mesma sintonia, quer dizer que vocês se reconheceram no melhor de cada um, o lado doce da vida. E quantos homens podem se apaixonar pelo teu melhor Iara? Aposto que muitos. Mas e teus fantasmas, aqueles que você carrega em silêncio, quantos homens poderiam te amar conhecendo eles? Que tão forte pode ser o amor construído no começo com o melhor de cada um? E faz o que depois quando aparecem os fantasmas? Eles vão aparecer, porque guiam nossa vida. Eu tenho isso bem claro, sempre tive, se a mulher puder amar meus fantasmas e respeitar, então o amor é eterno, de outro jeito não, porque eu não sou um doce o tempo inteiro, pelo contrário, passo metade do meu dia lidando com meus fantasmas.

Nessa altura meus olhos estavam tão arregalados que a namorada dele continuou a explicação:

-O bom de namorar alguém que ama e entende teus fantasmas é que você não perde tempo com explicações.
Quando era pequena meu pai gritava muito e eu ficava com medo e me escondia, até hoje quando me sinto amedrontada preciso sair para caminhar, me mexer e não gosto de falar sobre isso. E meu namorado sabe, porque ele tem os mesmos fantasmas que eu, também precisa de espaço para lidar com eles.

Lembrei de um post que escrevi há anos, falando do melhor lado da pessoa e quem merece ter acesso a isso e o rapaz me corrigiu:

-Não é o melhor lado nem o pior, são os fantasmas. O amor para dar certo precisa que os fantasmas se reconheçam, são eles que avisam os limites que não devem ser cruzados. Não gosto de falar da minha infância, minha namorada sabe disso, porque o fantasma dela também não gosta de falar sobre a infância, a gente se reconheceu na dor e abandono que sofremos de pequenos, nem sempre dá para chegar com o nosso melhor e fazer laços, às vezes eles se constroem no vazio do passado, nos traumas ainda presentes. O importante é saber quando eles se reconhecem e esse reconhecimento vai além do ''nós amamos colocar mostarda na comida''.
E te digo uma coisa, se um dia você encontrar alguém e os fantasmas não se cumprimentarem, esquece, não é para você.

E como eu vou saber se os fantasmas se reconheceram?

-A gente sempre sabe, alguma coisa mexe por dentro, te comove, te liga a aquela pessoa e você sabe que não é porque os dois gostam de gatos ou de cachorros, mas por algum fio de uma dor similar, alguma coisa ruim que vocês passaram e agora gera um fator de identificação. Pensa nisso, você gosta de andar de bicicleta, quantos homens gostam disso? Milhões, isso gera um fator imediato de identificação, mas não quer dizer que é real. Já alguém que tenha sofrido alguma coisa parecida com você vai gerar outra identificação, mais próxima, mais viável de se tornar amor. E fantasma do outro te avisa para andar com cuidado, que ali não se brinca, tem um passado. Fantasma não é qualquer coisa, é um sinal de uma vida anterior a tua chegada, é de respeito.

Mas que teoria fascinante e cheia de verdade, pelo menos para mim! Concordo com tudo! Me pareceu fascinante escutar isso, depois de anos escutando sobre ''amamos o mesmo sabor de bolo'', finalmente escutei alguma coisa que acalmou minha alma e ligou pontos.

Os fantasmas! É fato, eu sou um doce de pessoa, acho que qualquer homem pode se apaixonar por mim, pelo menos pelo meu lado meigo, fofo, cheio de açúcar cristalizado e mel. Já os meus fantasmas são um caso aparte, nossa, até eu me assusto com eles, quantas vezes por culpa deles não me reconheci?

E pensando no amor, o no que seria o amor, prefiro mesmo alguém que reconheça meus fantasmas do que alguém que também goste de dormir tarde. Detalhes da vida a dois me parecem tediosos e se pensar com cuidado acredito que os fantasmas atrapalham demais quando não são reconhecidos nem respeitados.

Tenho que reconhecer, essa história despertou meu lado romântico, aquele que vive dormindo no cinismo, achei lindo o que escutei, fiquei apaixonada pela teoria dos fantasmas que se encontram e se reconhecem.....


Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito do texto, Iara!

Romântico sem ser meloso...

Que bom que voce voltou com o blog!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

É aquela coisa do se a pessoa te ama no seu pior, no seu melhor é só festa.

Melhor história de amor. <3

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