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08 novembro 2015

Eu, a estranha





Quando era pequena alguém me perguntou minha idade e eu respondi  ''sou velha''. Meu pai escutou e me disse ''você não é velha, mas vai saber quando chegar lá''.
E acho que cheguei. O mundo sempre foi um lugar estranho para mim. Nunca me pareceu confortável, nem amistoso e sempre gostei de me isolar de todos.
Mas nos últimos tempos tudo deu um giro e ainda não me acostumei, na verdade nem tinha me acostumado com o mundo anterior, mas este novo me parece confuso.

Uma das grandes mudanças é a desconstrução de quem pensamos ser. Muitos pensam que é herança de um patriarcado sufocante, mas vai além disso, conforme o ser humano evoluiu questiona os papéis e percebe como eles são limitantes. Não é mais suficiente ser homem ou mulher, ficamos todos presos ali, como se fosse lama, por isso está chegando uma nova geração que quebra todos nossos paradigmas, para um olhar míope eles ainda são os que se chamam transgêneros (link), mas com um olhar diferente podemos perceber que eles não toleram nenhuma etiqueta e querem ser livres para transitar em ambos mundos e talvez até em um terceiro.

Os adultos transgêneros, por pertencerem a uma geração anterior ainda são mais definidos, eles sentem que nascem de um gênero no corpo de outro, parece uma matemática mais simples, uma mulher nasce no corpo de uma mulher, mas na verdade é um homem no corpo de uma mulher e um homem nasce no corpo de um homem, mas é uma mulher. 

Já as crianças que estão chegando agora vão mais longe, não querem ser meninos nem meninas, já quebraram essa barreira do gênero e vão crescer questionando tudo isso. Eles sabem que o corpo não representa a pessoa, são seres mais evoluídos, já passaram por muitas vidas exercendo o papel de homem ou mulher e sabem que nada disso é importante, não tem relevância e agora que voltam ao planeta exigem essa mudança, não querem mais viver esteriótipos nem se sentirem presos ao clichê de gêneros. 

E o que isso tem a ver comigo? Aparentemente nada, cada um faz o que quiser de sua vida e ninguém tem nada com isso. Eu só espero que a humanidade caminhe mais rápido e essas crianças não sofram na escola.

Mas dentro dessa quebra de paradigmas relacionados ao gênero e as prisões que cada um foi colocado, muitas coisas começam a mudar e eu não estou sabendo me adaptar a elas.

Não é de hoje que as empresas perceberam o potencial de maquiagem para homens e qual seria o problema se eles usassem? Nenhum. O que afetaria um homem usar um pouco de rímel? Não muda nada, eu não mudo porque uso batom, por que ele mudaria?

O mesmo acontece com as lingeries, muitos homens preferem usar e nem por isso mudam suas preferências sexuais. Eu posso usar cueca se quiser e nada disso vai mudar o que gosto, a roupa não constrói a pessoa, nem seus gostos.

Mas debaixo de tudo isso está a mudança que acontece no planeta, onde tudo será transformado nos próximos vinte anos, todas nossas ideias do que é feminino e masculino serão derretidas para serem construídas novamente, em um planeta mais evoluído e sem gêneros sufocando.

Nem tudo é tão simples, para que isso aconteça muitas pessoas estão confusas, não sabem se gostam de uma coisa ou de outra, algumas estão em terreno neutro como eu, não fazem questão de nada.

Nessa transição as mulheres vão sofrer menos, temos sido, até por razões culturais, a parte mais flexível da história, poucas coisas vão nos chocar, já os homens estarão mais irritados, resistindo as mudanças, por machismo.

Eu estava, até semana passada, me considerando imune a tudo isso. Já tenho uma vaga ideia de quem sou e do que gosto, não faz diferença nenhuma o que as pessoas querem usar ou deixar de usar, desde que o mundo seja melhor.

Mas cruzei com uma pessoa e falamos sobre o uso de lingerie nos homens e de repente me peguei falando que para mim ficaria difícil, ainda prefiro homem de cueca. A pessoa me chamou de retrógrada, arcaica e conservadora. Qual o problema do namorado usar lingerie?

Nada. É apenas o que meu pai disse um dia, eu saberia quando a velhice chegasse. E parece que sei.

Não é a única coisa que não fecha em mim. Prefiro homem de cueca do que de calcinha de algodão, prefiro o homem de rosto lavado do que com maquiagem. E não é só isso, também falam que essa ideia de monogamia que tanto nos aprisionou no passado e nos condena no presente, vai acabar. Agora o ser humano vai viver vários amores de uma só vez, perceber que sua energia se expande e não precisa ter um foco, pode amar a todos, sem regras. E sexo também vai acabar do jeito que o conhecemos, essa história de ''só transo com homens'' ou ''só transo com mulheres'' vai ser superada, em pouco tempo todos seremos assumidamente bissexuais, abertos a todo tipo de experiência, sem o conceito de antigo de fidelidade, nem compromissos monogâmicos.

Poxa, eu nem aprendi a lidar com a monogamia, como vou lidar com o poliamor? Me parece muita coisa pra mim, eu sou feliz com um namorado, não preciso e nem quero lidar com dois, três, quatro, cinco....

Eu já era estranha no mundo anterior, mas começo a ver que serei uma alienígena neste novo mundo.

As pessoas estão transformando tudo, agora bebem sucos verdes de manhã, eu não consigo. Deixaram de consumir glúten, lactose e açúcar, também não consigo. Sou feliz com minha pizza e queria continuar assim, não quero comer como um ratinho de laboratório, condenado a viver mil anos.

Está ficando complicado para mim, não gosto de nada fitness, nem sou tão aberta a experiências. Dizem que troca de casais ajuda muito no fortalecimento do relacionamento e no descobrimento da sexualidade da pessoa, mas de novo bato na parede. Para mim isso não rola, não dá, não tenho nenhum interesse em passar a noite transando com homens desconhecidos, não critico quem faz isso, mas não funciona para minha reservada e estranha natureza.

É, fiquei velha. Gosto de pizza e um bom namorado de cueca, sem maquiagem. Sozinha consigo complicar minha vida, não preciso de mais. 

Não sou contra a evolução e como mulher posso afirmar isso, nós precisamos urgente quebrar todos os paradigmas ao redor dos gêneros, porque isso vai mudar o planeta. Não é só uma questão de homens usarem ou não maquiagem, mas acabar com aquelas correntes que carregamos durante anos de ''limpar é coisa de mulher'', ''arrumar carros é coisa de homens'', nada disso funcionou, pelo contrário, devorou gerações, condenou mulheres a ficarem presas em casa, limitou a carreira de milhões delas e as fez prisioneiras de um sistema que nos persegue com esses mitos, criados por um patriarcado manipulador e doente.

Tudo está tão mudado que recentemente descobri que as escolas agora fazem ''Feira do Empreendedor'', onde as crianças criam um produto e vendem. Meu Deus! Na minha época era ''Feira de ciências'' e não era para vender nada, apenas mostrar. Mas nesse novo mundo já ensinam as crianças a empreender seus projetos, não apenas a desenvolver.

As pessoas escutam músicas que eu não entendo, jogam videogames que eu não consigo seguir, assistem filmes que me parecem bizarros demais. 
bebem sucos verdes, comem comida sem farinhas, namoram vários ao mesmo tempo e usam celulares como se fossem sua bateria, como se a vida parasse se aquilo sumisse de suas mãos.

Sei que é o começo de um mundo novo e eu apoio e respeito todas as mudanças, mas da porta da minha casa para fora, dentro dela ainda quero meu namorado sem maquiagem e com cueca, a pizza quente no forno, o suco de laranja e a o pão cheio de glúten. Passei o século XX sendo uma estranha, esquisita, que se isolava de todos, que não gostava de gente e parece que vou passar o século XXI sendo novamente a estranha, aquela que gosta do namorado de cueca, sem maquiagem, prefere sexo apenas com homens, come glúten e açúcar. Acho que é minha sina estar sempre fora do tempo, em outro ritmo diferente, deve ser carma sempre ser a ''estranha''. Ou é isso, ou apenas envelheci.

Iara De Dupont

4 comentários:

Cristina disse...

Espero que com todas essas mudanças venha uma tão importante quanto: o respeito as diferenças. Que todos possam ser felizes, de lingeries ou de cuecas, com vários ou com um só, com maquiagem ou sem, com pizza ou sem (agora ISSO eu não consigo imaginar. Amo pizza), com um gênero ou sem gêneros.

Mas uma coisa eu não apóio de jeito nenhum: comida sem lactose é SÓ pra quem tem intolerância à lactose, e comida sem glúten é SÓ pra quem tem doença celíaca. Intolerâncias alimentares não são moda pra emagrecer gente neurótica, são condições médicas sérias e não deveriam virar modinha de trouxa doido pra encher os bolsos de algum espertalhão.

Anônimo disse...

Concordo muito com você. E também fiquei velha. :)

Suzana Neves disse...

Ah sei lá eu por exemplo não acho higiênico com tanta DST Por ai prefiro uma pessoa por vez já que tbm não consigo ter atração por mais de uma pessoa .
Maquiagem se for lápis no olho eu topo acho lindo em homem.

Anônimo disse...

Concordo com a Cristina: "Espero que com todas essas mudanças venha uma tão importante quanto: o respeito as diferenças. Que todos possam ser felizes, de lingeries ou de cuecas, com vários ou com um só, com maquiagem ou sem, com pizza ou sem, com um gênero ou sem gêneros".

E a colega aqui de cima preocupada com DSTs: você tá correndo o risco mesmo com um parceiro só, então... O negócio é prevenir e fazer sexo seguro, com quantas pessoas forem.

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