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02 abril 2015

Quando vou embora não é pessoal.....


Uma moça me disse:

-Te acho ótima, mas não poderíamos ser amigas porque não sou feminista!

De vez em quando a palavra ''feminista'' me incomoda. Ela significa a luta pela igualdade, isso seria então a certeza de que vivemos em um mundo atrasado e arcaico. Feminista pode ser uma palavra de peso em lugares onde mulheres sofrem opressão, mas talvez em lugares mais avançados, como a Suécia, não signifique muito, deve estar apenas no dicionário.
Nunca neguei que devo muito ao feminismo, me libertou de crenças e me mostrou o preconceito do mundo.
Mas me conheço e posso afirmar, a palavra ''feminista'' não define tudo o que sou.
Se tivesse nascido na Suécia e a desigualdade de gênero não existisse, mesmo assim eu procuraria pela liberdade, não sei qual, mas alguma coisa que me levasse a ela.

Antes de ser feminista, antes de ser qualquer coisa, eu apenas quis ser livre. Fosse no pensamento, fosse na minha vida.

Imagino que existem milhões de pessoas como eu, homens e mulheres, que procuram alguma coisa que nem sabem definir o que é e qualquer etiqueta ou rótulo aperta.

Eu gosto de vento, de chuva, de grama molhada. Às vezes amo uma coisa loucamente e de repente aquilo desaparece. Tudo o que quiseram me dar, eu não quis. Tudo o que quiseram que eu fosse, eu não quis.

Cansei de escutar ''esse teu jeito viu!''. É, esse é meu jeito.
Tenho mais respostas do que perguntas, mas dias do que noites.

Ser feminista para mim significou ser livre, por isso agarrei a ideia, teria agarrado qualquer coisa que me indicasse o caminho da liberdade. Só quis ter meu direito a conhecer, a ver, a saber, a sentir.

Nos últimos  dias tenho escutado e lido muito que feministas são mal amadas, enrustidas, vadias, prostitutas, loucas, baderneiras, frustradas, malucas e mais uma quantidade enorme de adjetivos.

Tanta coisa! Como eu posso ser tudo isso se tenho apenas uma vida? Não tenho todo esse tempo para navegar em todos os adjetivos que são jogados na minha direção.

E pode alguém não ser minha amiga por que não é feminista? Não sei, para mim amizade é uma coisa que acontece no meio do caminho, não o meio do caminho em uma amizade.

Das feministas que conheço ninguém é apenas uma feminista, isso me parece que não existe. Eu só quis ser eu, ser livre, fosse feminista, verde, rosa, azul, qualquer coisa, nunca quis ser nada além do que sou e que talvez venha a ser.

E de repente essa constante repetição de que sou ''feminista'' começou a apertar meus sapatos. Não sou só isso, a palavra não define todas as minhas inquietações internas nem guia meus sonhos. O que quero ver no mundo vai além dos direitos das mulheres reconhecidos.

Me jogaram centenas de etiquetas quando era criança, porque eu não parecia normal, queria ficar no meu canto lendo, enquanto as outras corriam, na adolescência me retrai, pela rejeição que sofria pelo meu peso e na vida adulta começaram a me dizer que era maluca. Foram tantas etiquetas que em algum momento tive que largar tudo, não podia mais carregar tanto peso.

Dizer que sou feminista, isso ou aquilo, é uma visão míope, limitada, que não me representa.

Um dia eu caminhava pelos corredores de uma emissora, quando escutei um dos produtores do programa onde trabalhava conversando com outra produtora e percebi que falavam de mim. A moça disse:

-Eu não entendo muito bem o trabalho da Iara.

E o rapaz respondeu:

-Ela tem asas, mas ainda não achou o horizonte certo para levantar vôo.

Fiquei ali, quietinha, no corredor, chorando. Foi a melhor definição que já escutei na vida de alguém que não me conhecia tão bem.

E de todos os acertos que já tive na vida me orgulho de um, sempre soube a hora de ir embora, sempre reconheci lugares onde eu não poderia levantar meu vôo.

É como um relógio interno que me avisa que estou no lugar errado, mas pronta para ir a outro melhor.

Meu blog nunca foi sobre feminismo, foi sobre liberdade, aquela coisa que alguns de nós procuramos e estamos dispostos a tudo por ela, inclusive deixar pra trás o que tanto amamos um dia.

Quando eu vou embora nem sempre aviso, mas nunca é pessoal. Sou eu de novo, procurando o horizonte certo para levantar vôo. É só isso.

Iara De Dupont

7 comentários:

Anônimo disse...

Tenho uma [quase] amiga virtual que uma vez me disse que não era feminista porque gostava de cuidar da casa e ser feminina (!). Na época, não lembro se tentei argumentar ou não, mas hoje não deixaria passar batido.
Me chamar de feminista não me ofende, na verdade, acho elogio. Se a pessoa prefere não ser minha amiga por causa disso, só posso dizer adeus, quem sabe até logo?

Anônimo disse...

O carro para andar precisa de combustível. O machismo para existir precisa da ignorância feminina...fazer o que, né, Iara...cada um no seu tempo...um dia a vida ensina...Não, esquenta não, já vi tanta gente defender uma idéia e quebrar a cara...o feminismo liberta tantas mulheres, mas algumas preferem continuar escravas da ignorância...Mônica

Anônimo disse...

Finalmente!

Começou!

Você só tem a GANHAR com um processo de revisão ideológica.

Não retroceda!

A patrulha será implacável.

E próprio o feminismo, a partir de agora, revelará a sua faceta repressora.

Iara De Dupont disse...

Anônimo, estude interpretação de texto por gentileza. Eu jamais vou deixar de ser feminista, nem vou fazer nenhuma revisão ideológica, pelo contrário, eu apenas disse que não sou apenas isso.

E você me sugere o que? Que eu mude de ideologia e me converta em uma machista? Ah, tá. Continua sonhando.

Fátima disse...

Seja você mesma! Faça o que te der vontade, o que mais te deixa feliz com suas escolhas. Quer se dar um tempo, se dê. So nunca desista do que acredita!

Poeta da Colina disse...

Abrir mão não é para todo mundo. Entender que o segura por perto pode ser exatamente o que te faz mal.

Anônimo disse...

Olá,

Caí de paraquedas no seu blog e gostei muito de tudo o que vi e das ideias que sustentam o que vi. Gosto da ideia de estratégia - como você a colocou para seu momento presente. Quem sabe? Um pouco de afastamento para melhor entender o que acontece. Seus motivos são justos e justificáveis. Mas os entendo como um tempo. Um tempo para elaborar, refletir, e ver mais coisas, outras coisas das mesmas coisas, pois pessoas como você são luz, se transformam, vão e voltam. Nem queira saber o que era ser mulher de verdade nos anos 60. Hoje, temos noção de que a estrada para alguns será muito longa: ignorância, má vontade, ressentimentos... tenha piedade dos pequenos e mesquinhos. Coitados... E seja sempre essa luzinha alegre, colorida e macia.
Que deus te abençoe sempre
Tania

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