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01 abril 2015

BAND: a explicação da (quase) falência de vocês


Em algumas coisas o Brasil me parece tão atrasado mentalmente que me surpreende sair às ruas e ver asfalto e carros, quando o mais alinhado ao pensamento brasileiro seriam mulas e cavalos, dividindo espaço no chão de terra.

As regras que valem para o mundo inteiro aqui são ignoradas, todos passam resto como se não tivesse a menor importância. Vejo isso nas empresas e na televisão. Me parece um linha de pensamento primária, quem se importa com o consumidor ou o telespectador? Ninguém.

Televisão e comércio são feitos no Brasil como se não fossem direcionados ao público e não dependessem deles para nada.

Há anos vejo esse abismo e me surpreende. Desde pequena tenho mania de mandar cartas quando não gosto de alguma coisa ou me parece que poderiam acrescentar outra e jamais recebi uma resposta de ninguém.

Uma das minhas lojas favoritas de cosméticos abriu em um shopping perto da minha casa. Vi que estava em um ponto cego, um lugar ruim do shopping e tinham carregado no estoque de diversos produtos, menos dos mais vendidos. Mandei um carta avisando sobre isso, mas nunca me responderam. Meses depois faliram.

Outra loja vendia perfumes, reparei em algumas coisas que não estavam funcionando ali e mandei uma carta, também não responderam.

E durante um tempo um estudante americano morou na minha casa e ficava louco com isso, me dizia que conselhos valem milhões de dólares e eu não deveria sair dizendo nada, as empresas que me pagassem ou se ferrassem. Me contou que nos Estados Unidos a maioria das empresas contrata pessoas para dar opinião, eles chamam isso de ''a voz do consumidor'' e gastam muito dinheiro nessa prática. Os americanos sabem que a maioria dos erros apenas os consumidores podem notar, porque passam batido no departamento de marketing e desenvolvimento de produtos.

A mesma coisa acontece com a televisão, não adianta ter equipes ótimas, é o telespectador que decide o que vai assistir ou não.

Mas eu continuo mandando cartas por vários motivos, porque me diverte escrever, gosto do assunto e não vejo nada demais em dar minha opinião. Sei pelo blog o importante que pode ser a opinião de quem passa por aqui, desde que eu comecei já fiz centenas de mudanças, porque as pessoas reparavam em alguns erros e me diziam.

Não vejo nada demais em perceber algo que poderia ser melhorado, ir lá e dizer, principalmente se isso é televisão, meu meio de comunicação favorito.

E em 2009, 2010, eu cismei com a Rede Bandeirantes de televisão. É uma emissora pequena, sem grandes pretensões, que sempre se dividiu entre jogos de futebol e programas enlatados. Tentou produzir novelas e séries, mas nunca conseguiu dar continuidade.

Não sei exatamente em que ano, mas acho que foi lá por 2008, que contrataram um argentino, Diego Guebel. Ele mexeu a estrutura e começou a dar uma cara nova a emissora, trouxe diversos formatos que aceleraram o processo de renovação e começaram a chamar a atenção do público, como CQC, O Formigueiro, Agora é tarde, A liga. Contratou  muitas pessoas e investiu pesado em novos apresentadores.

O trabalho dele foi impressionante, conseguiu levantar a audiência da emissora e fazer que ela em alguns momentos brigasse com as de maior porte.
Mas desde 2010 eu venho mandando cartas dizendo a mesma coisa, o excesso de ''masculinização'' na programação era um perigo. E cada vez mais eles fechavam o cerco, não era só a impressão de que mulheres não eram bem vindas na sua programação, iam além disso, a maioria dos programa pregava o machismo e a misoginia de maneira constante.

A primeira banca do CQC, Rafinha Bastos, Marco Luque e Marcelo Tas, não deixava dúvidas do horror que as mulheres representavam, faziam comentários constantes e agressivos sobre mulheres, acabaram levando um processo por chamar uma moça de ''prostituta''.

Um programa que carrega no ódio e nojo de mulheres, é ''Brasil Urgente'', com Datena, que sempre foi grosseiro e um dia chegou ao ponto de mandar uma repórter ficar quieta e pedir ao câmera que mostrasse o corpo da moça, que ficou paralisada, congelada de constrangimento. E ainda contam com outro programa, ''Os donos da bola'', onde apresentadores analfabetos perdem horas dizendo besteiras sobre as mulheres e ridicularizando a todas, em uma exercício de misoginia que só não é pior, porque fica patético ver todos aqueles analfabetos procurando palavras para ofender e humilhar as mulheres. E como esquecer de Milton Neves e uma jornalista que durante a cobertura da Copa do mundo aguentou comentários de cunho sexual durante todos programas? E um dia ainda fizeram a moça dizer que tiraria a roupa no final do programa, como se fosse um programa de sexo e não de futebol? A moça foi usada durante dois meses para divertir os apresentadores que não se cansavam de dizer pornografias a ela.

Rafinha Bastos, um dos apresentadores do CQC, se meteu em uma polêmica com Wanessa Camargo, a emissora o afastou, mas publicamente o blindou, nunca disse nada. Mandei cartas avisando que isso não era a melhor saída, dava a impressão que a emissora endossava o comportamento criminoso de Rafinha.

Rafinha acabou sendo premiado pela sua conduta e ganhou um programa, usou o espaço para levar Alexandre Frota e dar tempo suficiente para que ele contasse como estuprou uma mulher, quando Alexandre acabou a história, Rafinha pediu ao público que aplaudisse.

Fui lá de novo e mandei cartas, mas dessa vez Deus foi justo, duas semanas depois o programa foi cancelado porque custava muito dinheiro a emissora.
                                                                   
No meio de tantas coisas a emissora deu outro passo em falso, contratou o Pânico. Eles estavam na RedeTV, e davam dez pontos no ibope(cada ponto equivale a 40 mil domicílios). A Band os levou pagando uma fortuna, dando melhores condições de trabalho e ótimos salários. Imagino que tudo isso foi feito pensando em que eles chegassem aos 12, 15 pontos, já que estavam em uma emissora maior. Mas o programa naufragou e rara vez passa dos cinco pontos. Se mantém na grade porque ainda segura uns anunciantes, mas pelo jeito não terá vida longa.

Nesse meio tempo Adriane Galisteu e Luiz Bacci estrearam programas péssimos, cansei de mandar cartas, dizendo que televisão estilo anos quarenta não dá mais certo.

E agora quem entrou na linha de tiro é o programa CQC, com uma audiência baixa, derrapando, já se levantou a possibilidade de abreviar sua existência.
Gosto do programa pelos quadros de denúncia, me parecem importantes, mas canso de dizer, não dá para continuar  ''masculinizando'' a programação, a Band continua achando que não precisa do público feminino, que nós não fazemos nenhuma diferença e batem a porta na nossa cara.

O resultado dessa mentalidade machista, arcaica, retrográda e separatista tinha que chegar, a Band é a única emissora que está passando por uma grave crise, já demitiu cem funcionários, cancelou programas e antes da Páscoa vai demitir outros duzentos.

Não adianta jogar a culpa da crise no Brasil, toda as emissoras estão de pé, fazendo ajustes, é verdade, porque os anunciantes recuaram, preocupados com a situação do país resolveram não investir, então todas as emissoras vão evitar contratações e programas novos este ano, mas continuam de pé, enquanto a Band entra na sua pior crise. A única emissora que está tranquila, contratando Xuxa e gastando dinheiro em novelas bíblicas, é a Record, mas eles contam com o sagrado dinheiro dos seus fiéis, as ovelhas do Senhor que enchem o cofre, não passam pelos sufocantes impostos e podem torrar dinheiro à vontade. E como diz um pastor que mora no meu prédio '' A Record não é uma emissora, é um celeiro do Senhor''. Amém!

Tenho cinco anos dizendo para a Band, essa fórmula para televisão de ''hominho'' não funciona. Proteger e engrandecer apresentadores delinquentes não dá certo, permitir constantes abusos as mulheres no programa Pânico não é boa ideia.

A parte engraçada da história é que um dia desses conversava com um roterista que trabalhou na Band e ele me disse que eu exagerava, que no fundo tudo não passava de uma perseguição de feministas, mas agora ele perdeu seu emprego, porque o programa foi cancelado. Caramba! Poderosas essas feministas heim?

Público e audiência exigem pesquisas, a Band deveria aprender com a Globo, que tem um centro de pesquisas e sempre está de orelha em pé.

Homens não assistem televisão como o pessoal da Band chegou a pensar. Existem canais de televisão que se concentram em esportes e são os favoritos, mas eles estão em televisão a cabo. Quem assiste televisão a cabo e televisão aberta são as mulheres, a maioria do público. Os homens preferem o computador, filmes, séries e quando querem ver uma mulher sendo agredida conhecem bem os sites que mostram isso, não precisam assistir o Pânico.

Gostaria de dizer que sou uma pessoa nobre e lamento a quase falência da Band, mas não posso dizer isso. No fundo estou dando muita risada, meu nobre espírito apenas se incomoda com os empregos perdidos, ninguém merece ser despedido, mas bato palmas cada vez que leio a crise que a emissora passa.

Que fique claro de uma vez por toda, o projeto de uma emissora direcionada a homens, onde a mulher é usada, ridicularizada, abusada e afastada, faliu. Não há espaço na televisão para programas onde estupradores contam seus crimes e apresentadores batem palmas.

O programa Pânico ainda resiste, mas me sinto até mal de escrever sobre eles sabendo que são questão de tempo.

E lamento pelo aparente destino certo do CQC, o programa é bom, mas insiste nessa ''masculinizacão'' até nas cores que usam na iluminação. É um programa com excesso de testosterona e isso cansa qualquer um. Mesmo assim fico triste de pensar que vai acabar, porque sei que a classe política vai adorar essa notícia. Mas poxa, quem mandou chutar mulher? O programa é uma sequência de erros, tudo ali está ultrapassado e fora de lugar.

Sai sobrando dizer, mas eu não resisto. Nós mulheres não somos invisíveis, não somos bonecas e mandamos no nosso controle remoto, é inviável pensar em manter uma emissora rodando sem a nossa audiência.

Me arrependo de ter mandado tantas cartas a produtores, diretores e apresentadores, deveria ter me limitado a apenas uma, ao dono da emissora, Jonhy Saad, e não precisaria ter gasto tanto meu português, era só mandar um telegrama dizendo ''essa masculinazação vai dar merda''.

Mulheres não estamos pintadas na parede, não toleramos mais a violência e posso garantir que muitas pensam como eu, caso contrário a emissora não teria afundado.

Não desejo a falência porque isso inclui a perda de empregos, mas fico contente de ver que esse projeto de ''televisão de hominho'' faliu. 

A Band agora vai navegar em águas mornas até se recuperar do buraco que se meteu. Vai se manter com seu futebol e seus programas enlatados e enterrar de vez seu sonho de entrar para as grandes ligas.

É, para vocês verem, mulheres derrubamos programações inteiras quando somos agredidas. E que fique claro, não existe emissora sem audiência feminina, não somos essas leprosas sociais que vocês insistiram em manter longe.

E não estou magoadinha porque nunca ninguém respondeu minhas cartas, pelo contrário, sinto que a justiça foi feita. Durante cinco anos mandei cartas avisando, dizendo que esse não era o caminho certo e ninguém escutou. E agora na eminente falência me restou uma adorável frase, que digo com gosto ''Band, eu avisei''.

Iara De Dupont


3 comentários:

Amábille disse...

Nem se eu fosse homem, como voce bem disse, eu assistiria algo na band. Só tem programa lixo.
Cada apresentador antipático que dá asco só de olhar na cara deles. Tomara que vá à ruína mesmo!

Anônimo disse...

Também gostaria de me manifestar a respeito dessa situação.

CHUUUUPA BAND!

Vagner Maciel disse...

Assisti ao CQC e uma única oportunidade enquanto lanchava. Nunca mais o assisto. Quanto aos outros, sequer vi inteiros. No máximo 15 min ou um quadro. Concordo com vc, são assisto à tv aberta a anos e não pretendo voltar.

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