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17 março 2015

Você é psiquiatra? Romeu acha que é!



Tenho o maior respeito por todos os distúrbios mentais, não gosto nem de dizer ''doenças''. 
Durante décadas tive síndrome do pânico e lidei com sua pior consequência, a depressão.  Fiquei magoada com muitas pessoas porque me chamavam de maluca, doida, pirada, fresca e manipuladora.
Quando alguém me conta alguma coisa sobre qualquer distúrbio, sou a primeira a dizer para procurar ajuda, jamais disse a alguém que era ''bobagem'', como tantas vezes me disseram.

Mas nem por isso deixo de reparar no lado sombrio de algumas pessoas e reconhecer aquela teoria de Freud, que dizia que algumas pessoas tiravam vantagem de suas doenças ou as usavam para manipular os demais.

Uma amiga namora um Romeu que foi diagnosticado com síndrome do pânico. Já conversei muito com ela, expliquei mil vezes como funciona, sempre tento deixar claro a importância de dar espaço para quem sofre da síndrome, de todos os distúrbios mentais é um dos mais complexos de lidar, a pessoa nunca sabe quando vai ter um ataque de pânico, isso limita seu mundo, não adianta se aproximar e tentar fazer a pessoa sair do seu círculo. Minha amiga tem muitos compromissos e disse a ela que não podia contar com Romeu, lugares desconhecidos e pessoas novas não são facilmente assimilados pelas pessoas que sofrem da síndrome. 

Mas minha amiga foi mais rápida e percebeu uma coisa, talvez pela convivência, que Romeu não gostava de lugares novos, mas consegue sair com seus amigos a lugares conhecidos. Voltei ao mesmo ponto, lugares conhecidos já estão mapeados na mente de quem tem síndrome do pânico, fica mais fácil de ir, é normal só querer frequentar lugares que já se conhece e com pessoas amigas.

Mesmo assim levantei a orelha e comecei a prestar atenção ao que minha amiga dizia e ao seu Romeu. Ele usa remédios e conseguiu voltar ao trabalho, tem uma vida quase normal. 

Um dia desses minha amiga me comentou que ele tinha ido viajar com um grupo de amigos, na volta não quis ir com ela a um jantar porque tinha medo de ter um ''ataque de pânico''. Essa frase ficou frequente e começou a ficar estranha. Pânico não é uma sensação seletiva, não se sabe quando se vai sentir, então se a pessoa se sente forte o suficiente para viajar, pode fazer um esforço e ir a um jantar. Percebi que o Romeu está usando essa frase mais do que deveria e dentro da sua zona de conforto. Quando é alguma coisa relacionada a ele, consegue focar a mente e ir ao compromisso, mas se é relacionada a namorada, não pode, tem medo de ter um ataque.

Ela veio me dizer que estava chateada porque ele tinha ido a um jogo de futebol, no dia do almoço na casa dos pais dela. Jogo de futebol! Ora, meus vinte anos de síndrome do pânico podem garantir, é quase impossível pensar em ir à um jogo. Isso implica longas esperas na fila, multidão, saídas fora da mira, confusão, e tudo isso dispara a mente, poucas pessoas com síndrome do pânico aguentariam um passeio desses.

Fui obrigada a dizer a minha amiga, não duvido que Romeu teve síndrome do pânico, que talvez os remédios conseguiram controlar, mas agora seu comportamento não é mais de quem tem a doença. E não sou médica, nem psiquiatra, mas aprendi nestes anos todos que nem o pânico nem a depressão são seletivos, não dá para calcular em que momento vão aparecer, não é como a diabetes, que a pessoa sabe que controlando o consumo de açúcar segura a doença. O terror do pânico é esse, ataca em qualquer lugar e hora, sem escolha. E a depressão também, é como uma onda que derruba a pessoa.

Não é a primeira vez que vejo isso, tenho casos na minha família de pessoas com depressão seletiva, se tudo é como elas querem, estão bem e a medicação fez efeito, mas se são contrariadas se fecham no quarto por dias.

Tenho um tio que vive assim, foi diagnosticado com depressão aguda e vive em sua casa, bem tranquilo, enquanto sua família o sustenta. Ele adora sair, ir comer aos restaurantes, viajar e comprar, mas se alguém fala em trabalho ou dinheiro, ele lembra que é um depressivo crônico e não tem condições de enfrentar o mercado lá fora. E digo o mesmo, não existe depressão seletiva, quem está deprimido se sente assim, não vai mudar por uma visita a um restaurante, depressão empurra a pessoa para a cama e tira a graça da vida, não tem essa de ter pique para ir a um restaurante.

Agora outro de meus tios foi diagnosticado com depressão, mas ele teve um problema, foi roubado pelo sócio e perdeu tudo, qualquer pessoa ficaria deprimida. Ele passa os dias jogando no computador e azucrinando minha tia, porque mesmo deprimido tem energia para isso, ela ainda tem que correr para fazer as coisas do jeito dele.

Outra amiga está passando pelo mesmo problema, mas em dobro. Acabou de ser mãe e o marido perdeu o emprego, mergulhou em uma profunda depressão e não quer saber de nada, quer dizer, quase nada, porque se os amigos ligam e se dispõem a pagar o jantar e ele sai correndo. Mas em casa fica tão deprimido que não pode nem cuidar do bebê, é minha amiga que se vira.

Depressão muda a vida da pessoa e afeta seu mundo, minha avó teve depressão aguda durante anos, mesmo assim se levantava para cozinhar para os filhos. Ah, mas tem gente que nem consegue sair da cama! É verdade, já vi casos de pessoas que  passam dias dormindo, mas nunca vi pessoas com depressão aguda escolherem quando estão bem ou não, na hora de ajudar com um bebê estão arrasados, na hora de sair com uns amigos correm para o chuveiro e se arrumam.

E para que não digam que é pessoal com os homens, também conheço algumas Julietas que usam o mesmo truque de ''doenças seletivas''. Uma amiga da minha mãe diz ter depressão séria, é sustentada pela mãe, porque não pode trabalhar, o médico já disse que ela não tem estrutura emocional para lidar com o mundo, então ela não trabalha, mas a mãe é rica e banca uma vida de luxos.Quando Julieta se deprime é só liberar o cartão de crédito que ela corre para o shopping, em uma disposição estranha para quem diz estar ''na merda''.

Não sei o que dizer a minha amiga, ela me enche de perguntas, quer saber todos os detalhes sobre a síndrome do panico porque quer ajudar seu Romeu, mas a síndrome que ele tem eu nunca tive, essa tão seletiva. Na fase mais difícil que enfrentei eu não saía de casa, podiam chegar com um convite para jantar com Ryan Gosling, eu não saía. Não conheço essa fase da doença que impede de acompanhar a namorada, mas permite curtir com os amigos.

Agora que tenho acompanhado de perto o drama da minha amiga e sua luta pela saúde mental de Romeu, fico pensando, como é fácil manipular uma mulher! Como somos socialmente prestativas e sempre prontas para ajudar, como se todas tivéssemos diplomas de psiquiatras! Quantos Romeus eu dei apoio e hoje percebo como era idiota, estavam me manipulando à vontade!

Principalmente um dos últimos. Quando o conheci ele usava drogas, passei um tempo sem o ver e quando nos reencontramos ele estava ''limpo'', deixando até de beber. O interessante da cura dele é que se tudo estava do jeito que ele queria, era uma pessoa tranquila, mas se alguma coisa não era como ele dizia, então tinha dores de cabeça, dores no corpo e se sentia meio para baixo, porque segundo ele ''era o reflexo do organismo se limpando''. Mas não é? O que eu aguentei em nome disso só Deus sabe! Otária!

Durante meus anos de síndrome do pânico não tive colo de Romeu, me diziam para parar de ''chilique'', ''chega de inventar história'' e coisas assim, fiquei tão traumatizada que escondi a doença por anos. Mas se algum Romeu sofre disso todo mundo dá colo e até sustenta! 

Como nós, mulheres, gostamos de brincar de psiquiatras! Misericórdia! É tão gostoso para nosso ego dar colo, ajudar e apoiar Romeu, que nem percebemos o quanto ele nos explora e drena com ''doenças seletivas''. 

E quantas Julietas eu vejo passando pelo mesmo, quantas me mandam emails dizendo que Romeu está deprimido e o querem ajudar. Julietas, primeiro se ajudem! Se libertem desses Romeus e seus complexos de médicas! Quem gosta de psiquiatria, que vá estudar, mas não seja otária a ponto de pegar um Romeu com dodói e ficar cuidando! E se estudar psiquiatria ainda ganha dinheiro, não fica cuidando de Romeus de graça!

Mas ele está deprimido! Ora e quem não está? Quantas mulheres no mundo estão deprimidas e se levantam sem ajuda?  Quantas pessoas no planeta se arrastam para fora da cama todos os dias? Somos milhões que lutamos contra nossos demônios cada manhã.Todos passamos por fases ruins e isso não nos dá direito de explorar ninguém.

E Romeus conhecem bem os lucros da conversa ''coitadinho de mim, estou deprimido'', eles sabem que fazendo isso nos arrancam até a pele!

Não digo que todos são iguais, alguns realmente estão doentes e precisando de ajuda, depressão e pânico existem e são doenças devastadoras, mas é só olhar de perto, se começar a aparecer esse comportamento, onde Romeu só aparenta estar deprimido se é uma coisa que não quer fazer, então é bom abrir o olho, alguma coisa ali não bate.

Tudo que tem a ver com você, Romeu fica chateado, deprimido, pra baixo, sem pilha e com ataques de pânico? É hora de acordar, você está sendo usada, manipulada e explorada.

Mal estar, doenças, todo mundo tem. Ajudar é necessário, eu mesma sei o quanto devo a muitas pessoas que me ajudaram, mas é bom abrir os olhos, tem muita gente explorando a boa vontade alheia e a compaixão, principalmente os Romeus, sempre falo, eles são educados para explorar e não se sentem culpados, é um movimento natural para eles. E a única coisa que pode parar com isso somos nós, dizendo ''chega!''.

Iara De Dupont

6 comentários:

Anônimo disse...

Esses senhores sofrem de um mal muito pior que a depressão: a manipulação galopante e a falta de caráter crônica. O tratamento mais recomendado: altas doses diárias de vergonha na cara.

Anônimo disse...

Postagem muito importante. Acho que essa crítica precisa avançar até o ponto de colocar em suspeição o próprio diagnóstico da depressão, em seus termos rigorosamente médicos.

Será que a medicina não está sendo usada para processar problemas que só poderiam ser efetivamente enfrentados em outros campos da vida social?

Anônimo disse...

Também não compreendo certas pessoas que têm depressão seletiva! Minha mãe sofre de síndrome do pânico e ansiedade desde sempre, mas sempre a vejo lutando contra a sua doença, indo a médicos e seguindo o tratamento; sempre se esforça para não faltar ao trabalho nem deixar seus afazeres aqui em casa, apesar de sofrer muito com isso.
Por outro lado, vejo muitos casos de depressivos, homens ou mulheres, que metem atestado no trabalho, tudo é desculpa para não ir, mas se tem uma festa ou alguma comemoração estão lá que nem parecem estar doentes. Minha mãe, que está por dentro da doença, diz que é porque cada um tem a sua maneira de reagir e ocasiões assim servem para a pessoa desopilar, que elas esquecem seus problemas, como pode ser o caso da filha da amiga da sua mãe, mas que realmente têm pouca força de vontade em tentar continuar levando uma vida normal ou simplesmente não se aceitam, é algo bem contraditório, antes das pessoas te ajudarem, você tem que aceitar que está doente.
Mas nesses casos descritos aí, como o do Romeu que viajou e não quis nem jantar com a namorada quando voltou, aí já é falta de caráter, falo mesmo!

Anônimo disse...

Artigo muito bem escrito. Gostei de ler! A verdade é simples, esses homens de hoje são só um resquício dos homens do passado. Nos tempos do meu avô, não tinha essa de depressão, se ele não levantasse da cama para trabalhar, a família morria de fome. Homem era criado para ser bruto, inquebrável, esse tipo de coisa era considerado fraqueza. Hoje parece que os caras querem se mostrar fraquinhos, está na moda ser frouxo, macho beta.

Anônimo disse...

Sabe quando você acha que é a única no Planeta Terra a viver essa mesma situação? Acontece o mesmo com o meu " Romeu", e a " Julieta" aqui tentando ser a super mulher querendo ajudar, entender , compreender, enquanto claramente usam a doença para manipular, criar uma situação confortável para eles mesmo. Depois desse relato, o que me deixa mais em choque, como não vemos isso tão claramente vivenciando a situação e lendo você pensa e analise e conclui que tudo é verdade.

Anônimo disse...

Vejo muitas pessoas assim, com 'depressão seletiva'(meu conselho para todos, é, corram delas, elas são um porre), algumas inclusive, estão afastadas e recebendo.Conheço uma cidadã que na hora da perícia para comprovar sua incapacidade de trabalhar por depressão, vai de roupas amarrotadas, cabelo com raiz aparente e bagunçado, sem os quilos de maquiagem habitual, e se faz de maluca, chora e etc, depois, é só receber e alegria, alegria, sair às compras, balada, comer bem, curtir...
Também lembrei de um Romeu que quando estava em companhia de minha amiga, era o desânimo em pessoa, um dodói só, mas quando amigos telefonavam chamando pra sair, ele se iluminava e ia, ainda bem que ela reconheceu a cilada em que estava metida e mandou ele caminhar, kkk!
E eu aqui, que tenho depressão há anos, desisti dos remédios porque me deixam pior ainda, faço tudo que tenho que fazer direitinho, trabalho, estudo, mantenho tudo certo em casa, me arrasto, parece que tenho correntes com uma bola de ferro, mas faço, não posso me dar ao luxo de não fazer.E sim, quando estou atacada, podem me chamar pra ir a Paris fazer compras com tudo pago, eu não saio do meu canto escuro.
Tenho uma frase, não sei se já escreveram antes de mim, "tem louco que sabe a hora de ser louco, e também, com quem", bobo é quem compra esses tipos.

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