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16 março 2015

Você é 193, a ''mulher-resgate''?


Rose Kennedy, a matriarca de uma das famílias americanas mais importantes na política, dizia que o maior pecado  é o talento desperdiçado.
Concordo com ela. Conheço mulheres que poderiam ser grandes médicas, enfermeiras, conselheiras, religiosas, centenas de coisas ligadas ao resgate da alma e corpo humano ou de animais, mas preferiram gastar seu talento resgatando homens.
E sei de poucas que nunca brincaram de ''193'', era só o homem chamar e corriam a resgatar o coitadinho.

É parte da educação que as mulheres recebem, somos domesticadas desde cedo para escutar, consolar e perdoar. E assim ao começar a namorar nos transformamos em  ''unidades de resgate'', sempre dispostas a tirar da sarjeta um Romeu. É fácil construir um exército de resgate, porque para isso o mais importante é uma mulher sem auto-estima, o resto a sociedade faz.

E quantas mulheres conseguem manter a auto-estima forte neste mundo? É bem mais complexo e delicado do que parece, eu diria que a mulher só consegue soldar sua auto-estima depois que toma consciência que vive debaixo de um ataque constante de todos os lados, mas antes disso é uma auto-estima frágil e sempre prestes a se quebrar.

E tudo dá errado para as ''mulheres-resgate''. O primeiro erro é bíblico, o ser humano é ingrato e não vai agradecer ser resgatado. A outra questão é um ponto social, homens acreditam ser o centro do universo, parece normal no mundo deles mulheres resgatando-os do lixo. E a chave de ouro é aquela famosa lenda de ''morder a mão que te ajuda'', homens resgatados acabam com a vida da mulher que os resgatou.

Investir tempo, dinheiro e energia vale a pena em apenas um caso, você mesma, o resto vai ser um conjunto de perdas e danos. Pode ser, não sei, que os filhos mereçam toda essa pilha da mãe, mas isso ainda me parece em aberto. Mas um homem, sei que não merece, posso dizer por experiência.

Já fui tantas vezes ''mulher-resgate'' que conheço todas as curvas da estrada e posso garantir, só fica arrependimento do tempo perdido e algumas vezes até dinheiro. Se eu pudesse voltar ao tempo apagaria esses dias e Romeus.

Mas eu, mesmo sem auto-estima, me achava maravilhosa, a namorada perfeita, sempre disposta a dar apoio, mesmo quando recebia uns tapas na cara.
Me achava ótima, legal, compreensiva e enquanto isso acontecia, esses Romeus me usavam para seu resgate. Nunca medi esforços, eu queria ajudar, ser prestativa, porque namorada é para isso né?

Eu tinha um namorado ator, vivia dormindo na minha casa, apesar de todos os protestos da minha família. Ajudei a montar peça, a arrumar figurino, fiz coisas que nem sei como tive paciência para fazer. No dia da estréia fiz um jantar, convidei todo mundo e tiramos um foto. Naquela época a gente mandava revelar a foto, fiz isso e tirei umas cópias. Dei uma para uma grande amiga, que também estava na peça, ela fez uma dedicatória e me devolveu a foto, eu tinha escrito no verso que desejava a ela um feliz ano novo, porque era fim de ano e ela escreveu embaixo ''Te desejo o mesmo Iarita e que você um dia se dedique a si mesma como se dedica a fulano''.

Até hoje essa frase rasga meu coração. São duas linhas, mas definiram quem eu era naquela época e me enche de vergonha pensar que todos percebiam o quanto eu estava ali, me dedicando ao um idiota. Eu era ''mulher-resgate'', me dedicavas aos homens-vítimas, esse era meu trabalho de tempo integral.

E tenho visto um número enorme de conhecidas e amigas, namorando ''homens-vítimas-do-sistema''. Não tem emprego, ou não se acham na vida, estão indecisos, confusos, perdidos, desesperados, até que chega uma mulher e os resgata.

Minha conclusão sobre o assunto é: homens resgatados são como leões, eles vão devorar a mão que os ajuda, e os leões que me perdoem, mas funcionam como metáfora.

A minha avó uma vez me disse uma coisa que não gostei. Eu estava namorando um estudante de medicina e ela me perguntou se gostava muito dele, disse que sim, mas ainda não estava apaixonada e ela respondeu:

-Não gosto dele, tem o olhar de gente insegura. E não se apaixone, porque tem um ditado que diz ''namorada de estudante não é mulher de profissional''.

Não entendi e ela me explicou:

-É simples, homens precisam se sentir super-heróis todo o tempo e qual a coisa mais importante no super-herói? O mistério, o segredo. Se você namora com o estudante vai conhecer o homem, saber quando está bem ou não e depois que ele se formar? Por que ele vai querer alguém que conhece seus segredos e não vai aplaudir o tempo inteiro? É nessa hora que ele troca de mulher. Homens não gostam de mulheres que conhecem seu passado e seus segredos, preferem bancar a imagem e trocar de mulher.

Naquele momento tudo isso me pareceu do século passado, mas agora pensando, me surpreende ver como se encaixa a tantas teorias da psicologia sobre a fragilidade humana, principalmente a masculina.

Por isso quando são resgatados por uma mulher e se levantam, a primeira coisa a fazer é dar um chute na bunda de quem o resgatou. É um clássico. E a mulher fica lá, em pé, se perguntando onde errou, se apenas amou tanto!

Errou na profissão! Se quer resgatar pessoas que trabalhe como bombeira, policial ou médica, mas que se esqueça do ''resgate amoroso''.

E ainda tem o pior aspecto, nem todos os homens resgatados vão levantar a cabeça, podem grudar na mulher a vida inteira e fazer um inferno da existência da moça. Existem homens que fazem um grande negócio sendo ''perdedores'', vivem como reis sustentados por sua mulher escrava.

Nossa, como sou vadia! Aqui escrevendo sobre não ter compaixão de homens nem sair resgatando-os! Isso mesmo, aviso o que não me avisaram, digo o que não me foi dito. Não vale a pena resgatar um homem, é uma roubada. É como levar um pequeno animal para casa que vai se transformar em um monstro.

Se Romeu não tem emprego, não está estável na vida, briga com sua família, está chateado com seus amigos, trancou a faculdade e ninguém o entende, então deixa ele pra lá e continue caminhando, passe reto sem olhar. E quando chegar em casa se pergunte porque se sentiu atraída por um homem assim, como está sua auto-estima, porque teve pena dele? É algum reflexo seu? Se for, procure ajude, mas não abra a porta. E ele não vai morrer de fome nem de frio, não se preocupe, Romeus têm celulares e podem ligar para centenas de ''mulher-resgate'', podem até escolher por cor, idade e situação econômica.

Ninguém salva um ser humano, ninguém resgata um Romeu. Dar apoio nos percalços da vida é normal em um relacionamento, mas começar a vida amorosa resgatando um Romeu é sinal de que já deu merda.

Muitas mulheres esqueçem o rápido que a vida é, não dá  tempo de brincar de ''mulher-resgate'', algumas perdem sua vida nisso, seus melhores anos, resgatando e cuidando de um Romeu como se o infeliz fosse um gatinho morrendo de frio.

E não é uma questão para se pensar uma vez, isso acontece com muita frequência, principalmente agora que os homens estão carregando mais no seu discurso de ''fragilizados''. Andam pelas ruas fingindo que estão morrendo emocionalmente e ninguém os entende, precisam ser resgatados.

O aspecto mais interessante do resgate é que o telefone só funciona para um lado, dos homens. Se alguma coisa acontece e a mulher precisa de ajuda é porque ela é macumbeira, fez trabalho e Deus castigou, ou é uma vadia que deu um chute em um bom homem e a vida cobrou. Quando uma mulher pede ajuda é porque aprontou e está sendo punida pelos deuses e ninguém vai ajudar. Se for um homem é uma vítima do sistema, e vai se levantar, porque homens são homens e nunca ficam no chão, entram em cena milhares de ''mulheres-resgate'' para ajudar a cuidar das feridas, sejam familiares, amorosas, econômicas, trabalhistas, não importa, mulheres-resgate carregam todos os tipos de curativos, inclusive um que se chama ''faça da minha vida o que você quiser, sou tua''. Quando o homem está muito machucado ou finge estar, a mulher gruda esse adesivo curativo e ele se recupera. Mas não cabem duas pessoas no adesivo, quando ele gruda em alguém, o outro que deu, morre. É bem isso que acontece, a mulher vai resgatar e acaba ela no chão, sangrando no asfalto, sozinha, enquanto Romeu se levanta e caminha pela cidade cantando, procurando outra otária.

Iara De Dupont


2 comentários:

Fátima disse...

Tenho uma amiga que resgatou um carinha...ele era balconista de uma loja eletrica,nao estudava, não fazia nada mais para melhorar a grana. Ela o fez retomar os estudos, mudar de emprego, se aperfeiçoar como vendedor, pagou curso, fez o diabo por ele. Na epoca em que ele se formou engenheiro, ela sofreu um acidente de carro e ficou com uma pequena sequela...a oportunidade que ele queria para terminar e se casar rapidinho com uma nova namorada...

Anônimo disse...

Perfeito, Iara, perfeito! Só faltou dizer que a mulher educada para o assistencialismo tende a se anular não somente por homens, mas também por pessoas da própria família, cultivando vínculos de dependência e destruição muito mais nocivos e difíceis de eliminar.

É enorme a quantidade de mulheres que estão vivendo em função de suas mães parasitas e de seus irmãos fracassados, inclusive quando isso implica negligenciar o marido e os filhos.

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