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06 março 2015

Ser brasileira é pior do que ser chinesa, africana, russa e indiana ( né Alexandre Frota?)

ALEXANDRE FROTA; CARA DE ESTUPRADOR SEMPRE TEVE


Quando trabalhei em uma emissora de notícias minha mesa estava quase grudada com o pessoal de economia, eu escutava suas conversas e discussões.

Um dia eles estavam exaltados falando dos ''BRICS'',o grupo de países emergentes no qual o Brasil fazia parte. Naquele momento me pareceu uma boa coisa para o Brasil, que sempre fugiu de alianças, se unir a outros países que tem as mesmas características e desafios.

Um dos economistas me disse:

-O grupo mais importante é o G20, composto pelos países de primeiro mundo, caso o Brasil fosse bem administrado poderia estar nele, mas no BRICS é a pior coisa. Vai ficar ruim, vão fazer uma leitura equivocada do país.

Perguntei o motivo e me respondeu:

-O G20 é um grupo elitista, preconceituoso, arrogante, que ainda usa a lógica da velha Europa, o novo eles descartam por medo e o velho eles acham que tem que ceder aos seus desejos. Eles não sabem ''ler'' o BRICS, por isso Brasil não deveria estar no meio. Os países que compõem o BRICS são Índia, China, África do Sul  e Rússia, todos os primos pobres com potencial de riqueza, mas são confusos aos olhos europeus. O Brasil vai ser julgado da mesma maneira, e mesmo que tenha dinheiro fica com a etiqueta dos primos pobres. A leitura que fazem do Brasil é outra e deveria permanecer longe desse grupo. Para o G20 a África do Sul quer dizer ''problema'', eles não entendem o lugar, as pessoas, as guerras civis, a organização social, ignoram na maior cara de pau o potencial do lugar, apoiados por suas tendências racistas. Já a Rússia é vista como ''sinistra'', um governo nebuloso, excesso de máfias, péssima distribuição de renda, um inverno rigoroso e o primo ''invocado'', sempre brigando com os vizinhos pela separação, a Rússia é vista como um país tenso, que vive no de meio de guerras pelo vasto território. A China é lida como ''misteriosa'', um idioma que vai além de qualquer entendimento, um abismo entre a ética ocidental e oriental, um país de um governo violento e destemperado, uma cultura difícil de decifrar e perigosa, pelo seu excesso de população e capacidade de produção. E a Índia é catalogada como aquele país estranho, que fora o turismo ninguém conhece realmente seu potencial, parece atrasado e ligado a costumes milenares que as pessoas não transcendem e atrasam o desenvolvimento do pais. E agora colocam o Brasil no meio desses ''primos'', justo o Brasil, de leitura fácil, sabem que aqui tem recursos naturais, ótimas temperaturas, o brasileiro é ameno e fácil de lidar, culturalmente se adapta a todas as propostas e tem mais potencial de ser um novo Uruguai do que uma China e agora foi colocado ao lado dos ''primos esquisitos'', isso vai prejudicar a leitura do país.

Fiquei semanas pensando nisso e concordei, todos somos julgados pelos grupos que representamos, o Brasil poderia estar no G20, ao contrário disso se aliou com os primos pobres que podem ser ricos, mas são sinistros. O grupo do BRICS é visto como perigoso, pelo seu potencial econômico e poder, misterioso, de países difíceis de entender, não decifráveis, tudo o que me parece distante do Brasil. Também tive que concordar, em quesito mentalidade o Brasil parece mais aberto, mais amigável que muitos países da lista, somos os primos simpáticos.

Isso aconteceu há anos e o tempo mostrou que esse conhecido economista não estava errado. Todos os países do BRICS ainda não saíram da merda, mas apresentam números de desenvolvimento superior ao Brasil, que continua nas mesmas, hoje somos os mais pobres do grupo, com menor desenvolvimento em tudo e maior inflação.

E aqui não temos a mentalidade misteriosa dos chineses, a indecifrável dos indianos nem a diferente dos russos e muito menos a inexplicável dos africanos. E tudo isso pode parecer preconceito, mas é a visão que o mundo tem desses países, não sou eu que confirmo ou desminto nada.

Fora a questão econômica, sempre me perguntei o que tínhamos em comum com esses países, posso entender o laço com os africanos, os mais parecidos a nós, pela história, herança e por fazerem parte do Brasil desde o começo, mas como brasileira acho os indianos, russos e chineses um mistério.

O tempo mostrou que os brasileiros estão tão presos a um governo corrupto quanto os russos, tão limitados em ação como os chineses. Mesmo assim eu me perguntava qual seria o ponto em comum com a Índia, além da pobreza, até que esses últimos dias encontrei a resposta, conseguimos uma proeza, estamos abaixo da mentalidade deles em relação as mulheres.  Vários estudos dizem que a Índia é um lugar perigoso para as mulheres, pela cultura do estupro e a mentalidade amarrada em costumes milenares que parecem não entender que o tempo avançou e as coisas mudaram.

A primeira vista a Índia parece um pesadelo para qualquer mulher, o número de estupros coletivos é enorme, as denúncias constantes, apesar do sistema ser desenhado para manter as mulheres em silêncio.

E na África então? Com aquele costume terrível de mutilar a mulher? E na Rússia, responsável pelo segundo lugar em tráfico de mulheres? E a China que bate recordes com escravas?

De longe todos eles parecem assustadores, enquanto o Brasil é um lugar feliz, onde as mulheres podem sair às ruas e não serem apedrejadas.

Mas não é bem assim. O Brasil supera a Índia em estupros e a África em mortes, ou seja, morrem mais mulheres no Brasil do que nos eternos conflitos russos e as guerras civis africanas. E ainda temos um fator assustador, como somos conhecidos por ser um país ''fofo'', que adora visitar os outros, mandar comitiva, aplaudir em reunião de ONU, e sorrir bastante, parece que ninguém leva a sério o que acontece aqui dentro, a violência sexual não tem o mesmo espaço na imprensa do que a indiana, apesar de ser maior em números. Parece que nossa fama de ''estamos brincando'' se estendeu até nisso, o mundo não fala do horror que é para uma mulher morar no Brasil. O silêncio que cobre a mulher brasileira é pior que o destinado a africanas, chinesas, russas e indianas.

Por razões de trabalho tenho que navegar em diferentes sites, de países distintos e sempre vejo as principais manchetes. E na última semana percebi o terrível que é a leitura errada de um país. Um indiano estuprou uma menina, foi preso e deu uma entrevista jogando a culpa na moça (link). Não existe um só portal que não tenho escrito sobre o assunto condenando o rapaz, mostrando o perigo da mentalidade local, que sempre joga a culpa na vítima.

E nesta semana, uma sub-celebridade, Alexandre Frota, apareceu em uma entrevista, dada no ano passado e reprisada no  ''Agora é tarde'' e confessou ter estuprado uma mãe-de-santo, deu detalhes de como a estuprou e todos deram risada.

O programa é apresentado por Rafael Bastos, que em algum momento de sua vazia carreira, fez um comentário dizendo que todas as mulheres feias que são estupradas deveriam agradecer ao estuprador pelo ''favor''. No começo houve uma reação, somado a outras estupidezes, a emissora o afastou de um programa que participava, mas depois ele foi perdoado, promovido e ganhou um programa próprio.

Já Alexandre foi da Globo, depois saiu de lá porque quis, virou ator pornô e no momento tem um contrato como SBT. Não sei agora, mas antes de comentar como estuprou uma mulher, tinha o apoio total da apresentadora Sonia Abrão, que se diz feminista e cansou de dar espaço para divulgar os projetos falidos de Alexandre, inclusive seu patético casamento.

O incrível do episódio do estupro é que nem todos os portais colocaram a nota no ar. A maioria ignorou e cortou o mal pela raiz, não houve repercussão nenhuma, nem Alexandre foi punido. Em teoria não pode, o crime já prescreveu, mas socialmente poderia ser punido, sendo afastado de seu trabalho.

E não saiu uma linha sobre o assunto na imprensa internacional. Como é que pode? Um indiano tenta justificar um estupro e a imprensa mundial cai matando, mas um ex-ator brasileiro vai a um programa contar como estuprou e ninguém leva a sério?

Incrível pensar, mas seguindo a lógica dessa história, as mulheres brasileiras estão correndo mais perigo do que as indianas, que pelo menos contam com a pressão internacional e os observadores de plantão, mas e o Brasil? Ah, é que a aqui a gente gosta de brincar!

Nós brasileiras não contamos com o poderoso olhar internacional, o que acontece aqui não merece o espaço dado aos estupros na Índia, a mutilação na África, ao tráfico na Rússia, nem a escravidão na China. Somos invisíveis, parecemos felizes, sambamos o ano inteiro. Quem não quer ser brasileira? Somos lindas, maravilhosas e podemos dançar o ano inteiro, ir à praia de biquíni e mostrar nosso bronzeado!

O economista estava certo, a leitura é errada e saímos prejudicados, de tanto pensarem que somos fofos, não conseguem ver o que acontece aqui dentro, ignoram o calvários das brasileiras, os números da violência, estupro para o mundo é um crime cometido na Índia, não no Brasil, com esse povo que é uma simpatia.

O silêncio com a história de Alexandre mostra como as brasileiras estão sozinhas e a violência aqui dentro é ignorada lá fora. Se existir uma solução para o assunto, somos nós que temos que achar, e possivelmente seria com a reestruturação da mídia, menos homens no comando e mais mulheres lá dentro, caso contrário a cultura do estupro se propaga e garante o silêncio da imprensa masculina.

É muito sério o assunto, em qualquer lugar do mundo, um ex-ator confessando em rede nacional um estupro, teria sido punido. Aqui me contaram que acabou em um jantar, com muitas risadas. É inacreditável escrever isso, mas as mulheres brasileiras conseguem ser mais invisíveis do que as chinesas, russas, indianas e africanas juntas. É deprimente pensar que o mundo inteiro se compadece, sabe do horror que as indianas, africanas, chinesas e russas vivem, mas não conseguem perceber a brasileira que vive debaixo da mesma violência sexual, do tráfico, da escravidão. Quem disse ao mundo que somos livres e felizes? É mentira! Precisamos de ajuda! De pressão internacional para apertar as leis, melhorar as coisas.

Mas pelo jeito não adianta esperar ajuda de fora, não vai chegar, porque para o mundo somos aquele primo divertido que não se mete em problemas. Mulheres brasileiras, estamos mais sozinhas do que parece.


Iara De Dupont




2 comentários:

Anônimo disse...

No Brasil morrem mais mulheres que na África e há mais estupros que na índia. E o pior é que nessa vem uns babacas fazendo bicoe batendo o pé "Ai, por que vocês querem tantos direitos, a situação aqui é melhor que na Arábia, na vocês deviam estar felizes por não atacarmos vocês na rua nem proibi-las de usar shortinhos (mas se sair vão te estuprar e você vai merecer, quem mandou provocar?)".

Depois, quando estão abandonados no fórum dos losers, tomando mingau e contando centavos pra comprar uma boneca inflável, ainda ficam se fazendo de vítima.

Anônimo disse...

Pressao internacional? Esquece. Nos passamos a imagem de povo mais feliz da terra,me perguntam quais sao nossos problemas pois os estrangeiros mesmo sabendo que somos do 3 mundo dizem que o Brasil e um paraiso,paraiso pra turista e olhe la que sempre matam alguns.Esse e o melhor post politico que ja li na minha vida e o que teu amigo falou e perfeito, e isso mesmo,nos juntamos com paises que nao inspiram confianca,incompetentes para melhorar sua propria situacao. Temos mesmo que gritar Socorro Iara.

Anna

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