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21 março 2015

Sentindo culpa por Romeu? Acorde, é manipulação


Depois de tantas curvas tem uma coisa que eu não sinto mais: culpa em relação aos Romeus e suas vidas.
Já me disseram que fiquei insensível, perdi a compaixão, a misericórdia e o poder de entendimento em relação aos homens. Mas insisto em um ponto, o ser humano não cresce sozinho, ele se constrói com as coisas que recebe e se eu cresci vendo um comportamento masculino deturpado e sinistro, é claro que meu grau de desconfiança é enorme.

E sobre a culpa? Ah, já tive tanta! Então percebi que era uma estúpida manipulada, otária que era um brinquedo nas mãos de um Romeu cretino.
De um ponto de vista social comecei a educar meu cérebro como o cérebro masculino é educado, culpa pra quê? E não é que estou copiando o pior deles, eu diria que não carregar culpas é uma coisa boa de se copiar.

Ainda me sinto culpada se cometo erros no trabalho ou machuco pessoas que amo, mas por um Romeu minha culpa não se mexe mais.

Já fui muito chantageada, me senti culpada e tentei me redimir. Hoje quando lembro as situações que me senti assim tenho vontade de morrer de vergonha.

Dizem que eu detono os homens, falo mal deles e coisas assim, mas nada disso é verdade, apenas critico seus comportamentos egoístas e 
egocêntricos, que não sentem culpa por nada.

Não escrevo sobre homens legais porque não faz sentido para mim, existem, conheço e amo, mas eles não são motivo de alerta para ninguém, já os outros sim.

Uma vez estava com um Romeu em um bar, ele queria ficar, mas eu queria ir embora. Resolvi sair do lugar, antes avisei, mas me senti tão culpada! Era uma ocasião importante para ele, eu aguentei o tempo que deu, mas estava muito cansada. Parei no meio do caminho e resolvi voltar, quando entrei no bar o vi  beijando outra mulher! E eu otária, morrendo de culpa porque queria dormir cedo!

Percebi naquele segundo que homens não têm culpa e carregam alguns valores morais sinistros e plásticos, se adaptam ao que eles querem.

E claro que existem homens decentes, que a mulher faz uma besteira e se sente culpada, mas eles são apenas uma dúzia distribuída em um planeta de seis bilhões de habitantes, segundo meus cálculos, deve existir um homem decente em cada país, bom, em alguns países.

E tudo isso saiu porque uma amiga me ligou, em um mar de culpas, de remorsos. Ela é o que eu chamo de ''escrava voluntária'', se casou porque quis. Trabalha, como todas as escravas, têm dois filhos e seu marido parece ser um homem legal. Nos fins de semana se dedica a sair com os filhos e curtir. Mas no sábado passado seu marido tinha um jantar de Páscoa na empresa e pediu que ela fosse com ele. Ela tinha tido uma semana pesada no trabalho, com troca de funcionários e no sábado de manhã tinha levado as crianças para andar de bicicleta, quando a noite chegou estava exausta, sem condições de ir ao jantar. Ela me disse que se não fosse o começo de uma gripe teria se esforçado, mas não conseguiu, seu marido fez ''beicinho'' e foi sozinho. Foi duramente punida por falhar na sua função de esposa, primeiro a mãe dela deu um sermão, depois o marido fechou o tempo e saiu no domingo com os amigos sem a avisar.
Morrendo de culpa me ligou, queria conversar a respeito. Perguntei a ela o que sua mãe tinha dito e me contou que disse:

-Você não vai no jantar? Então depois não reclame! Homens bebem demais em jantares de firma e acabam transando com qualquer vagabunda no banheiro! Deixa o pinto solto pra ver o que ele te apronta!

Ah, mas como essa senhora é ingênua! Acha que uma mulher controla o pênis do marido! Eles transam onde quiserem e com quem quiser transar com eles, não precisam de uma jantar da firma para serem infiéis! Homens não têm horários nem preferências, qualquer oportunidade é bem vinda.

Mas conheço bem essa lógica do medo, isso é dito as mulheres desde que nascemos, vigiem seus homens e seus pênis, caso contrário eles serão infiéis! E a quantas coisas nos submetemos porque não queremos ser traídas! Quantos lugares vamos apenas para não dar moleza para Romeu se enfiar em outro canto!

E não adianta nada. Já vi ator transando com atriz antes do espetáculo, com a mulher do rapaz na platéia, esperando a peça começar.

Para consolar minha amiga, mergulhada em culpas, disse a ela o que sempre digo, use a matemática do amor, sempre falo, faça as contas do que você está recebendo e de quanto você está dando (LINK).

Foi só perguntar de uma ''mancada'' de Romeu, para que ela me dissesse uma lista inteira.
Nós, mulheres, não podemos dar mancadas, mas para eles essa margem de erro é possível e aceitável.

E quantas vezes vou dizer, a obrigação de uma mulher é com ela mesma e os filhos, não com um Romeu, que no fundo é tão paspalho como todos.

A mulher trabalha a semana inteira, cuida dos filhos, tem o carinho de levar eles de manhã para andar de bicicleta e depois ainda teria que encarar um jantar para que Romeu  ficasse feliz? E ela, não existe? Perguntei se ela lembrava de algum jantar que Romeu não quis ir e ela me disse que lembrava de pelo menos uns quatro, na empresa que ela trabalha, na casa dos seus pais, na casa de uma amiga, parece que Romeu ficava indisposto de comer em casa alheia.
E ela lá, morrendo de culpa e eu de ódio, porque não me conformo quando vejo uma mulher se sentindo culpada por não ser a mulher maravilha para o Romeu.

Talvez por isso não me caso, a ideia de ter que agradar alguém ou estar pendente disso, me sufoca.
Caramba, quantos posts ainda faltam? Não temos que viver com culpa nem carregar a ideia de agradar um homem, se ele não gostar que vá embora, mas não dá esticar a vida e se matar por ele.

Tem gente que me fala  ''você escreve assim porque não gosta de homem!''.
Ah, santa paciência! De homem eu gosto, o que não gosto é de chatice, de homem pegando no pé e dessa vida de explicações e medo, de ter que ir a um jantar para que Romeu mantenha seu pênis dentro da calça. Coisa mais chata!

Não tem que ter culpa em relação a nenhum homem, eles não têm, por que porra vamos ter nós?

Imagina que nessa altura do campeonato vou me sentir culpada por não ser uma super mulher para Romeu e fazer tudo o que ele quer? E depois do jantar com o pessoal da firma, o que Romeu quer? Uma noite quente, sensual, com todas as posições sexuais possíveis e impossíveis, mesmo depois de um dia de supermercado, farmácia e cuidando duas crianças? Pode ir para a puta que pariu, não quero isso para mim. 

Aprendi na marra, é impossível manter um homem satisfeito, mulheres não sonhem com isso, é mais fácil ensinar um elefante a falar e cantar do que satisfazer um homem. Eles são educados desde pequenos para serem o centro do universo, sempre querem mais.

E a nossa culpa é o motor deles, usam à vontade, sabem que mulher com culpa é melhor na cama e na cozinha, as únicas áreas de interesse deles.

E ao contrário do que muitos pensam não escrevo contra os homens, escrevo a favor das mulheres, para que percebam a areia movediça que vivem e procurem uma vida melhor, mais plena. Viver com homens manipuladores ou que apenas querem receber, é como viver em um pantâno, nada ali vai render.

E acredito no amor, nos relacionamentos, mas tudo com uma calculadora na mão, quanto eu dou, quanto eu recebo? Sem essa de carregar frases religiosas sobre distribuir amor sem pensar no retorno, muito meigo isso, mas é uma bomba de tempo quando aplicado em um relacionamento. Na hora do vamos ver com Romeu tem que ser no lápis, se ele foi legal, eu sou, se ele encarou um jantar chato, eu encaro outro, se ele é fofo, eu também sou. Mas tudo ali, nas contas, porque fora disso é chantagem, manipulação, culpa e remorso. E vale lembrar que a parte da chantagem e manipulação é dos Romeus, as Julietas ficam com a culpa e remorso. 

E não falo mal de homem, falo a favor de uma vida melhor para todas. Culpa nunca mais.


Iara De Dupont

2 comentários:

Suzana Neves disse...

Eu parei com esse negocio de ir para agradar porque acontece alguma coisa a raiva que eu sinto de mim aumenta

Anônimo disse...

Posso testemunhar a verdade desse texto. Tem algo muito errado na educação dos homens e não é de hoje, meu pai de 58 anos já usava a "terapia da culpa" nos filhos. E fazia isso quando éramos crianças bobinhas, não adolescentes rebeldes furiosos, pra conseguir o que queria. E era egocêntrico... numa viagem de férias pra praia, decidiu que em pleno meio dia queria visitar um forte histórico depois de dias inteiros no sol. Eu, já queimada, pedi pra não ir pro sol de novo, implorei pra não ir, porque minha pele já estava vermelha e eu sabia que ia queimar se fizessem aquele passeio ao meio dia. O que ele disse? Que eu estava estragando o aniversário dele. E o fato de que eu fiquei um mês descascando, tão queimada do sol que tomar banho me fazia chorar de dor depois por causa desse passeio? Não importava. O importante era que eu não consegui estragar o aniversário dele. Hoje meu pai mudou muito, é uma pessoa maravilhosa, o melhor pai que eu poderia querer, e eu ODEIO visceralmente a educação que deram a ele e impediu que eu e meus irmãos pudéssemos desfrutar desse pai incrível que temos hoje. Tenho vontade de encher de tapa cada pessoa que diz que "antigamente a educação era melhor, as crianças tinham mais respeito pelos pais, a família era uma instituição, blabláblá". Que tal educar os homens para serem gente, não aproveitadores egoístas violentos?

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